domingo, 15 de janeiro de 2017

The Beatles e eu!

The Beatles e eu...
 
"Yoko Ono foi realmente a responsável pela ruptura da maior banda de Rock in Roll de todos os tempos?" 
Essa é uma pergunta que nunca vai se calar!

Estou escrevendo esse texto porque devo uma resposta ao meu amigo Kleber Ronald Correa, que na madrugada do Reveillon 2016/2017, interrogou-me: "Na sua opinião Yoko foi a culpada pela separação do Beatles?". Não consegui responder e concluir o meu raciocínio em meio à tantas ideias e falas sobre o assunto, e em particular, devido à um amigo que literalmente não me deixava falar, tamanha a ansiedade em debater e "saber tudo" sobre o assunto em questão. As pessoas costumam abordar-me à cerca de fatos e assuntos sobre The Beatles porque sabem da minha relação de fã (quase fanático) com a Banda desde os meus dezessete anos (1978), embora tenha tomado conhecimento da sua existência e me apaixonado pelas suas músicas em 1971, aos dez anos de idade.

Quem me conhece sabe que não compactuo com a ideia da "genialidade" de "saber tudo" sobre tudo, ou sobre todas as coisas. Em se tratando de The Beatles, menos ainda, pois as estórias por detrás da historia, de tão genial e magnífica Banda vai muito além dos achismos, das lendas, das mentiras... e de tantas outras hipóteses e possibilidades daquilo que ocorreu na trajetória e carreira meteórica dos "Quatro Rapazes de Liverpool". Então vou dizer o que sei, e emitirei a minha opinião pessoal, pois a pergunta à mim dirigida foi: "Na sua opinião Yoko Ono foi a culpada pela separação dos Beatles?". O meu conhecimento sobre o assunto vem das leituras, estudos e pesquisas biográficas, de ler veículos de comunicção à respeito do assunto, de assistir à entrevistas que o John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e o Ringo Starr deram ao longo de suas carreiras, de ouvir quem realmente entende do assunto, de assistir à documentários oficiais, tais como Imagine, Leave in a Material World..., entre outros. Sempre digo: "Para conhecer é preciso ler, estudar, pesquisar. Mas, acima de tudo, é preciso calar-se. Quem fala o tempo todo é incapaz de ouvir, e se não ouvirmos jamais iremos aprender." - É óbvio que enquanto falamos não estamos aprendendo.

Aprendi que a Banda The Beatles estava recheada de gênios - não somente Paul McCartney e John Lennon - mas até mesmo o Ringo Starr, à quem damos pouco importância - é sempre assim com o baterista - que tinha a sua genialidade, e importância para a Banda. Eu mesmo costumo cometer injustiças com o Richard Starkey quando não lhe dou os créditos e valor merecido. Há quem diga que o Ringo caiu de paraquedas dentro da Banda, e não é verdade.

A origem

A composição original dos Beatles era: John Winston Lennon, James  Paul McCartney, George Harold Harrison, e Randolph Peter Best. O que poucas pessoas sabem é que no começo dos anos 1060 a Banda contava também com outro contrabaixista, Stuart Fergusson Victor Sutcliffe, que era amigo de John Lennon. Eles estudavam juntos na Escola de Artes. Sutcliffe não possuia muita habilidade e por isso foi descartado, mas não, sem antes, batizar a Banda com o nome THE BEATLES - Os Besouros. Best era o baterista de uma banda de Rock in Roll residente do Casbah Club, que estava se separando, e imediatamente os Rapazes de Liverpool o contrataram para tocar juntos, e isso aconteceu bem à tempo das primeiras viagens para tocar em turnês em Hamburgo, Alemanha. 

"Em fevereiro de 1961, a banda fez a primeira de quase 300 apresentações no Cavern Club de Liverpool* e, em novembro, foram vistos pelo proprietário de uma loja de discos, Brian Epstein*, o que foi decisivo, pois ele logo se tornou seu empresário. No ano seguinte, Epstein foi à EMI*, onde se encontrou com o o produtor Gerorge Martin* e, em junho de 1962, os Beatles foram fazer um teste na gravadora. Martin gostou do que ouviu, mas rejeitou o baterista. George, Paul e John, então, começaram a questionar as limitações de Pete Best e decidiram tirá-lo do grupo. Ringo Starr* havia substituido Best algumas vezes em Hamburgo, e os Beatles resolveram que o queriam como membro permannente; criando com isso a formação de finitiva da banda." [Beatles - A História Ilustrada, página 15, 1ª Edição Brasileira 2010, Editora: Oceano Indústria Gráfica Ltda. *Grifo meu]


Os Gênios

Seria chover no molhado, realçar aqui a genialidade da Banda, pois sabemos que Os Quatro Rapazes de Liverpool - John Lennon, George Harrison, Paul McCartney, e Ringo Starr, sempre foram gênios magníficos, os quantro são (foram) de uma genialidade ímpar e inquestionável, mas, se me perguntarem qual dos quatro, acredito ser o mais genial entre todos, a minha resposta é imediata e instantânea: George Harold Harrison! 
Para fazer parte do quarteto genial Richard Henry Parkin Starkey Jr., conhecido pelo pseudônimo de Ringo Starr teve em primeiro lugar, as aprovações dos companheiros de banda, John, George e Paul, quatro gênios que sabiam o que estavam fazendo - um gênio reconhece outro quando o vê. Vimos, acima, segundo a biografia da banda, escrita originalmente por Tim hill, Allison Gauntlett, Garett Thomas, e Jane Benn, que o George Martin (falecido rececentemente no ano de 2016), maestro, compositor, produtor..., um gênio irrefutável que trabalhou com os Beatles durante e após a trajetória da Banda, rejeitou o Pete Best, mas aceitou o Ringo Starr. Porque digo isso? Para mostrar que Ringo tinha, tem, e sempre terá o seu lugar legitimado na maior Banda de Rock in Roll de todos os tempos, e se assim não fosse, teria sido descartado como foi o Stuart Sutcliffe e o Pete Best. Ringo sempre teve o aval dos amigos, principalmente do Paul, bem como o aval do empresário Brian Epstein, e de outro fabuloso e genial produtor musical que também trabalhou com Os Besouros em algum momento de suas carreiras: Phil Spector. É lenda que o John e o George não deixavam o Ringo cantar, e, ou introduzir as suas canções na Banda, e que ele precisava do Paul para fazer isso por ele. A prova disso é Octopus's Gardem, do álbum Abbey Road. Mas é verdade que as decisões eram centralizadas nas figuras do Paul e do John, e isso desagradava principalmente o Ringo, que estava muito insatisfeito. O George não esquentava a cabeça com isso, e dizia: "Para mim, tanto faz a água correr para baixo ou para cima." Esse era um casamento entre quatro pessoas, e os seus agregados, que estava fadado ao divórcio, e o divórcio aconteceu.

Na medida que os anos iam passando, e os Rapazes de Liverpool avançavam do estado verde para o maduro, tornando-se astros que pensavam com as suas próprias mentes, envolvendo-se com ativismos políticos-sociais. As velhas canções rock'n'roll dos tempos do Iê, Iê, Iê, foram ficando para traz, e novas experiências começaram a ser vivenciadas, o espaço coletivo dentro da banda deu lugar aos espaços individuais, tais como: egos inflados, espírito de soberania e de supremacia, disputa de liderança, insatifações com os novos hábitos, manias, e amores que principalmente o John, o mais rebelde e porra louca de todos estava trazendo para dentro da Banda, como por exemplo, a Yoko Ono, geraram animosidades entre os amigos de adolescência e juventude. Entretanto, a maior insatisfação entre eles era por motivos profissionais, e pouca gente sabe que Ringo Starr foi o primeiro a ficar insatisfeto dentro da Banda, e o primeiro à manifestar o desejo de sair do Grupo. O segundo foi o George, e o terceiro foi o John. Entretanto, foi o Paul quem anunciou que ia deixar a Banda, em agosto de 1970. Antes disso John Lennon já havia formado parceria com Yoko Ono, dando origem à Ono Plastic band, Ringo Starr já havia começado a gravar o seu álbum solo, Sentimentel Journey, e George estava gravando o seu álbum All Things Mast Pass, onde introduziu algumas canções rejeitadas pelos Beatles.


Respondendo à pergunta que não quer se calar: 

"Foi Yoko Ono, a persona non grata, a responsável pela separação dos Beatles?"
Já estive entre aqueles que crucificaram a Yoko, jogando sobre os seus ombros toda a responsabilidade da separação da maior banda de Rock in Roll de todos os tempos. Hoje não mais! Depois de ler, estudar, pesquisar..., pude analisar com inteligência e racionalidade que as coisas não acontecem por acaso, e que nem sempre é culpa de uma só pessoa, ou causada por apenas um fato, acontecimento, ou detalhe. No caso da separação dos Beatles existem muitos detalhes que levaram á separação da Banda, alguns dos quais já descritos acima. Em minha opinião, além das questões financeiras que envolveram interesses e brigas, como em quase todos os casamentos, existiram dois fatorores cruciais que motivaram a separação em si, embora a banda já vinha abalada há algum tempo. Um dos fatores foi o Paul ter contratado o seu sogro, Lee Estman (na época, dono da Kodak), para cuidar das finanças da Banda. O John não gostou e não aceitou. Paul achava que havia o dedo da Yoko nessa história (e talvez houvesse mesmo). Por esse e outros motivos, quando cantava "Get Back",  o Paul sempre olhava para Yoko, e isso não agradava o John, pois ao cantar, ele deixava claro, um recadinho obscuro: "Volte para o lugar de onde veio um dia!" Isso magoava o coração do Lennon. Aqui encontra-se uma das origens de tanta insastifação, que deu origem à ruptura da Banda. Entretanto a culpa total recaiu sobre a Yoko Ono, que supostamente estava no lugar errado, na hora errada, com as ideias erradas, e na Banda errada.

Então, respondendo á pergunta do meu amigo Kleber, digo: Além dos fatores supracitados, a pessoa responsável pela separação dos Beatles, em minha opnião, foi Sir James Paul McCarctney. É claro que a Yoko tem a sua parcela de responsabilidade nisso, e o John também. E, é claro que outras pessoas têm outras opiniões à respeito do assunto, e eu as respeito, mas penso que o Paul foi a pessoa que mais contribuiu para que a separação acontecesse. Isso o diminui? Não! Claro e evidentemente que não. Continuo amando-o e sendo seu fã? Sim! Claro que sim. E digo mais: Dos quatro, John Lennon sempre foi o meu preferido e sempre continuará sendo (me identifico demais com ele, apesar de reconhecer que o George é o mais genial entre os quatro gênios), mas hoje, acredito que o Paul superou o John, e isso se deve à brutal interrupção da maravilhosa carreira do homem que pregou a paz, lutou contra a guerra e a violência, e faleceu pelas mãos de um lunático, fruto de uma sociedade violenta que cultiva o hábito perverso de portar armas, como se ainda vivessem no velho oeste. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Os relacionamentos líquidos e as Redes Sociais

Zygmunt Bauman



“O amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia ”
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.
“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman