quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Relações interpessoais

Sociedade/Comportamento
por Austri Junior

Em geral, quando falamos em inclusão, pensamos logo em Projetos, em Programas, ou em Políticas Sociais (públicas ou privadas). Estou trazendo aqui neste texto uma proposta diferente para refletirmos juntos sobre outro tipo de inclusão: A inclusão nas relações interpessoais.


Em nosso dia a dia esquecemos de que precisamos uns dos outro porque pensamos que não precisamos de mais ninguém, e que somos autossuficientes, e acabamos por excluir as pessoas, ou as descartamos, quando elas já não nos são mais úteis, ou não pensam mais como nós... Isso nos torna cidadãos e cidadãs de 5ª categoria, mas nós não enxergamos, e pensamos que somos "cidadãos especiais"

Cidadão Especial é quem sabe conviver bem com todos, até mesmo com os seus adversários. O cidadão e a cidadã especial não descarta ninguém, não menospreza e não exclui pessoa alguma. Se ainda não aprendemos com a vida, que é uma enorme roda gigante, precisamos aprender agora e urgentemente, que pode haver unidade mesmo na diversidade. Quando aprendermos isso, descobriremos que todas as pessoas são merecedoras do nosso respeito, mesmo que sejam, ou pensem diferente de nós. 

Existiria escola, professores, coordenadores, pedagogos e diretores se não existissem os alunos? O que seria dos alunos sem os educadores para lhes ensinar, lhes formar, e ajudá-los nas construções das suas próprias vidas, e a maioria não dá o mínimo valor, e nenhuma importância para isso, e todos os dias faltam com o respeito com os seus professores. As salas de aulas, a sala dos professores e todas as dependências da escola seriam ambientes agradavelmente limpos, e sadios de serem habitados se não fossem as assistentes de serviços gerais? Os alunos poderiam ser alimentados, e os professores teriam cafezinhos se não existissem as merendeiras? Como seria a segurança na escola sem os agentes de segurança na portaria? E quem depende das estagiárias, como seriam as suas vidas, se não fosse a presença delas na escola? Todos têm o seu valor. 

Nós precisamos uns dos outros, e devemos incluí-los em nossas vidas. Excluir as pessoas é um ato desumano e perverso. Nossos valores estão distorcidos, e os bandidos estão posando de mocinhos, não somente nos filmes e nas novelas, mas temos visto o mal prosperar na vida real, “O errado é que está certo...”, já dizia um antigo humorista. 

A verdade, é que é chegada a hora de refletirmos e mudarmos o nosso vértice, para ver que as nossas vidas sem as pessoas, ficam vazias e sem forma. Gostar de quem gosta de nós é muito fácil, amar os que nos amam é automático, e acercar-nos daqueles que concordam conosco é conveniente, mas acolher os inconvenientes é um grande exercício de sabedoria, e demonstração de que atingimos a maturidade. O mundo está cheio de pessoas das quais não gostamos, mas delas precisamos.

É como disse o inesquecível poeta (cantor e compositor) Beto Guedes:
Vamos precisar de todo mundo, pra banir do mundo a opressão, recriar o paraíso agora para merecer que vem depois... A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver.”

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