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Zygmunt Bauman Psicologia e Comportamento “O amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo...

sábado, 20 de julho de 2013

Podemos confiar que haverá segurança para o Papa e para as suas ovelhas na Jornada Mundial da Juventude?

Teologia
por Austri Junior



Estamos às vésperas de um grande evento religioso que acontecerá na semana que vem no Rio de janeiro, a "Jornada Mundial da Juventude". Milhares de peregrinos católicos apostólicos romanos, entre eles, a maioria jovens, é claro, pois esse é um evento direcionado aos jovens cristãos católicos e não católicos do mundo inteiro. Quando digo "não católicos" não estou me referindo aos jovens cristãos protestantes e muito menos aos jovens cristãos evangélicos - digo: Jovens católicos não praticantes - embora, em minha opinião, eles devessem estar todos juntos e unidos, católicos (praticantes ou não), protestantes e evangélicos.

Um dos objetivos desse mega encontro é promover a comunhão e a unidade entre os jovens cristãos católicos, além de despertar o interesse dos jovens que ainda não se definiram por uma religião e também dos jovens "católicos não praticantes" - o Brasil é o único país em todo o mundo onde existem católicos não praticantes - a se decidirem pelo cristianismo católico romano, e diga-se de passagem, isso é uma ideia maravilhosa. O evento terá início na terça feira, mas jovens de todo o mundo já estão por aqui, espalhados por cidades  brasileiras como o Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória... São esperado para todo o evento cerca de seis mil peregrinos espanhóis, quarenta mil peregrinos argentinos e outros milhares de peregrinos jovens pelo mundo a fora.

Essa é uma grande oportunidade para a igreja católica romana recuperar uma parte das forças perdidas ao  longo dos anos aqui em nosso país (embora talvez nunca venha recuperar tudo) penso que seria também uma ótima oportunidade das juventudes católica, protestantes e evangélicas se unirem em um só objetivo: Buscar os jovens que estão fora do bojo cristão e atolados no bojo das drogas, das bebedeiras, da violência, das prostituições e principalmente no bojo da criminalidade de uma maneira geral. Mas como sempre digo aqui: "A religião separa muito mais do que religa". O termo "religare" talvez sirva mais para as relações com o sagrado (relação vertical) - Deus para com a humanidade - do que para as relações humanas (relação horizontal) - a humanidade para com a humanidade.  


Uma coisa tem me preocupado profundamente: A violência das ruas! 
Não bastasse a violência cotidiana, que assusta e preocupa, agora temos também a violência predatória das ditas "manifestações" que abrigam bandidos e marginais mal intencionados. O Papa Francisco I não está preocupado com essa violência, tanto que vai desfilar em carro aberto e sem blindagem (confesso que isso me deixa em pânico). O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral disse que conta "com a população para ajudar na segurança do Papa". Eu nunca ouvi coisa mais ridícula e absurda em toda a minha vida! A presidente Dilma Roussef telefonou pessoalmente para o governador do Rio oferecendo  ajuda na segurança e o mesmo rejeitou a ajuda do governo federal dizendo que não precisa e que "está tudo sob controle, por enquanto". Claro que está tudo sobre controle, por enquanto... O Papa não chegou ainda. Temo pela segurança do Pontífice,  e pela segurança dos peregrinos turistas estrangeiros e brasileiros.


A semente do mal e da discórdia já começou a ser disseminada na internet: Os Ateus estão divulgando uma manifestação com um "grande desbatismo". Todos têm o direito de crer e não crer, todos têm o direito de se manifestarem, todos têm o direito de se batizarem e de se "desbatizarem". No entanto eu pergunto (sou o Teólogo das perguntas, pois tenho mais dúvidas do que respostas): O que o Papa Francisco e a igreja católica tem a ver com isso? Respeito os ateus e defendo o direito que todos têm de não acreditarem, mas essa ideia de protesto e de "desbatismo" é simplesmente ridícula e infantil, e para mim isso tem cheiro de confusão. Ninguém nasce crente, assim como também, ninguém nasce ateu. Nós aprendemos, geralmente com os nossos pais (ou com outras  pessoas), a crer e a não crer. Quando escolhemos não crer, automaticamente negamos aí, o nosso batismo (se fomos batizados). Então, é óbvio que não precisamos nos "desbatizar" (mesmo que seja uma ideia simbólica). Esse "desbatismo" não vai mudar nada na vida dos protestantes ateus e muito menos na vida do Papa Francisco, nem  no cristianismo e nem no catolicismo. Os protestantes ateus farão papel de bobos.

Outra semente maligna que está sendo disseminada na internet é a ideia de que mais de quatrocentos mil reais sairão dos cofres públicos com a vinda do Papa ao Brasil. Há no facebook uma foto com o Dalai Lama de um lado e o Papa Francisco I do outro, dizendo que o Dalai Lama esteve no  Brasil por mais de quarenta vezes, e que as despesas do Lama e de toda a sua comitiva foi "bancada" pelo próprio Lama. Isso me cheira a mais confusão e intriga. O governador do Rio, Sérgio Cabral alegou que há entidades estrangeiras incentivando as manifestações violentas pelo mundo a fora, e que essas entidades estariam agindo no Brasil. Penso que talvez esse seja o caso desse post no facebook, embora também, tenho outra teoria a respeito, que prefiro não dizer aqui para não levantar falsas calúnias pois não tenho certeza do fatos (é como eu disse em meu post  anterior denominado Você consegue imaginar a internet amordaçada?: "O que eu não quero que saibam eu não falo, não escrevo e não posto em meus perfis públicos").

O povo brasileiro anda  revoltado com gastos desnecessários e exorbitantes. Não sei se essa acusação de gastos com a visita do Papa ao Brasil procede, mas de qualquer forma, o povo costuma acreditar primeiro, quebrar depois e na maioria das vezes não questiona se é verdade ou não.  Vejam o caso dos quatro rapazes funcionários de um parque de diversões presos no sul do país, acusados de estuprar e matar uma adolescente: A população quebrou o parque todinho (e o dono do parque, por mais que os rapazes fossem culpados, não tinha nada a ver com o caso), e agora descobriu-se que os mesmos foram torturados para confessarem o crime. Os investigadores estão presos e o delegado está foragido. Mas ninguém vai retirar as pancadas que os rapazes receberam e ninguém vai restituir o prejuízo do dono do parque.



Existe uma ilustração para a pregação em sermões muito interessante, que vou resumir aqui: "Uma senhora procurou o padre de sua paróquia, chorando compulsiva e amargamente, muito arrependida por ter inventado muitas calúnias sobre a sua melhor amiga, apenas por vingança, depois de as mesmas terem discutido e brigado. O padre sabiamente disse para a sua ovelha: 'Apanhe um quilo de plumas bem leves, suba ao monte mais alto que encontrar, em um dia de ventania muito forte, e solte as plumas todas ao ar. Depois que fizer isso, volte aqui'. A mulher fez o que o padre pediu, e ao retornar o padre lhe disse: 'Agora volte lá e recolha todas as plumas. Não deixe uma para traz'. A mulher retrucou exclamando: 'Mas padre, isso é impossível!' Disse-lhe o padre: 'Assim também são as palavras, as calúnias, as fofocas, as intrigas e os boatos. Depois de lançadas, não se pode mais recolher. Vá e não peques mais'".


"Vá e não peques mais", é algo que não podemos dizer para quem criou esse post sobre os gastos com a visita do Papa ao Brasil, pois em muitos casos o inimigo não tem face e esse é um dos casos. Com certeza a intenção desse indivíduo (ou indivíduos) é inflamar a situação e semear a discórdia. Por isso não podemos contar apenas com a população para proteger o Papa, pois a população também está vulnerável nessa situação. Se não houver segurança suficiente para o Papa Francisco e para as suas ovelhas espero sinceramente que Deus os proteja e os guarde de todo o mal e de todos os maus que estiverem rondando por ali mal intencionados. Hoje quando se fala em manifestação no Brasil, eu fico com a "pulga atrás das orelhas". Não confio mais em manifestações pacíficas. E acredito que no caso da vinda de Francisco I ao Brasil, por si só já é uma grande manifestação. Uma grande manifestação realmente pacífica, organizada por jovens ordeiros e espirituais, preocupados com o mundo, com a sociedade e com as gentes. Jovens ainda (de uma certa forma) puros e inocentes. Esses manifestantes que lá se encontrarão são realmente pacifistas, católicos apostólicos romanos, que não estarão ali para quebrar, matar roubar e destruir. Eles estarão ali porque ainda acreditam em um mundo melhor. Estarão ali na esperança de que as pessoas sejam melhores e que não destruam o mundo que eles herdarão no futuro. Estarão ali por uma juventude melhor e unida. Fico muito feliz por eles, "porque os mansos herdarão a terra" (Mateus, Capítulo 5, Versículo 5).

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Raça Brasileira!!!

Sociedade
por Austri Junior



O Brasil ultimamente tem se apresentado dentro de casa e também à comunidade internacional como um caldeirão fervilhante. Um caldeirão onde podemos dizer, está sendo preparada uma grande sopa com todo o tipo de ingrediente a que se tem direito. Os ingredientes desse prato vão da melhoria e crescimento à corrupção e impunidade. Parece um paradoxo (e é mesmo)! Também, não é de se esperar menos que isso, pois o Brasil é um país imenso com uma pluralidade e diversidade enorme. Temos vários povos em um só povo. Por aqui chegaram os portugueses, os portugueses trouxeram os africanos que se juntaram aos nativos que aqui já se encontravam, e deram origem à Raça Brasileira que é parte da raça humana (como alguns preferem dizer). Além dos  portugueses e dos africanos, também aportaram por aqui os holandeses, os italianos, os alemães, os japoneses... Tudo isso junto, gerou essa diversidade que vai do sotaque à culinária. É claro que essa pluralidade engloba também a religião e a cultura, entre tantas e outras coisas... A miscigenação dessas raças gerou uma nova Raça. Essa nova raça é a Raça Brasileira.

Nessa sopa temos a Copa das Confederações (que acabou de acontecer no mês de junho) e teremos a Copa do Mundo que acontecerá em junho de 2014, depois da Copa do Mundo teremos as Olimpíadas. Quem não conhece o país pode pensar que somos um país com grande tradição e sucesso esportivo. Bem, se formos considerar somente o futebol como atividade esportiva, então podemos dizer que somos sim, um país com tradição esportiva. Alguém pode está se perguntando nesse momento: "Ainda existem países que não conhecem o Brasil?" A resposta é sim. Os jogadores da seleção de futebol do Thaiti por exemplo, espantaram-se ao chegar em Copacabana e descobrir que aqui tem mar. Aliás, a seleção preferida deles é a seleção espanhola, e não a brasileira.

O que o futebol, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, tem a ver com a sopa do crescimento e da corrupção? Tudo! O caldeirão começou a fervilhar quando o governo brasileiro usou o dinheiro público como combustível para cozinhar a sopa, que com certeza alimenta a chance de corrupção e tira do povo o direito à saúde e à educação. A partir daí, começaram as  manifestações ordeiras, e também as quebradeiras. Enganou-se, quem como  eu, pensou que essas manifestações acabariam com o fim da Copa das Confederações. O Brasil (povo) continua a se manifestar, e a ocupar os espaços públicos que lhe é de direito. Nessa última sexta feira, manifestantes desocuparam a sede da Assembleia Legislativa de Vitória-ES, após longo tempo de ocupação (pena que eles tenham depredado o local - vandalismo inaceitável). Eles estão lutando para que não seja mais cobrado o  pedágio da Terceira Ponte que liga o município de Vitória ao município de Vila Velha. Essa ponte já está paga há muito tempo e a RodoSol, empresa que administra o pedágio, continua arrancando o dinheiro do povo e enriquecendo. A proposta era de que a cobrança do pedágio cessaria quando a ponte estivesse paga e isso lá se vão cerca de vinte anos. A Terceira Ponte já foi paga pelo  menos três vezes.

Coisas boas estão acontecendo nesse país, pelo menos na área cultural como por exemplo o Festivais de Inverno nas áreas de montanhas, Festival de Cinema de Gramado, Vitória Cine Vídeo  em Vitória-ES, Festa Literária de Parati - Flip, embora exista uma Parati miserável convivendo paralelamente com esse magnífico evento. Coisa boa também foi o Brasil se classificar em quinto lugar na feira de Educação Profissional na Alemanha. Classifico como ótimas as manifestações pacíficas nas ruas do Brasil, as manifestações e críticas políticas nas redes sociais, o ato solidário da população Capixaba levando alimentos para os manifestantes que ocuparam a Assembleia Legislativa do Espírito Santo, aqui em Vitória. Tudo isso faz parte desse grande caldeirão de sopa. Caldeirão esse, que não para de ferver, e pelo visto não vai parar tão cedo, pois como eu disse acima, e todos nós sabemos, vem aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas, e o povo não esqueceu os gastos de dinheiro público com as construções dos estádios. Enquanto isso a votação dos royalties do petróleo que eram somente para a educação, e agora foi dividido com a saúde, está parado na câmara dos deputados, royalties esses, cujo projeto original sofreu alteração no senado, que cometeu um grande perjúrio e fez da matéria uma grande "lambança", como sempre.

A palavra de ordem desses novos tempos  é: "Precisamos ouvir as vozes das ruas". As vozes das ruas estão ficando roucas de tanto gritar  e os políticos continuam surdos. E por estarem surdos, continuam viajando com os jatos da FAB: Para ir à festa de casamento com a família e para assistir junto com a família, o jogo do Brasil na Copa das Confederações - observaram como o futebol e a Copa das Confederações estão envolvidas nesse jogo de insatisfação da sociedade e de corrupção, desvios e desmandos do poder público? Ingredientes da sopa! Essas vozes precisam chegar às urnas em 2014, e esperamos todos, que o gás, o combustível que mantém acesa as vozes das ruas não se esgotem antes desse dia.

As vozes das ruas representa um novo começo de era. Esperamos todos que essa nova era política no Brasil venha contemplar os pobres e humildes - ou humilhados - os excluídos e execrados. Que venha contemplar essa Raça que está sendo formada há pouco mais de 500 anos, e que  é uma Raça guerreira e trabalhadora. Uma Raça que luta e não desiste, uma Raça que esteve dormindo, mas que nos últimos quarenta e cinco dias despertou. A Raça Brasileira é uma Raça aguerrida porque sempre foi uma Raça sofrida. A Raça Brasileira é uma Raça que tem muita garra. Por isso estamos aqui, aí, ali, acolá... Estamos em todo lugar, para lutar, ocupar, conquistar o nosso lugar e espaço, no mundo e na história. Estamos construindo um novo país. Vai demorar para ficar pronto mas com certeza chegaremos lá! Ainda somos um país muito jovem e temos muito para aprender. Precisamos caminhar juntos, aprender juntos, fazer juntos, para crescermos juntos...

sábado, 6 de julho de 2013

Lembranças de uma professora

Conto
por Austri Junior


Papai era um homem de poucas palavras, discreto, tímido e também de poucas letras. Ele estudara somente até a antiga quarta séria do primário, mas sabia fazer contas como ninguém. Com o pouco estudo que tinha, ensinara-nos as quatro operações básicas da matemática, mesmo antes da hora. Dizia sempre: "Quem sabe fazer contas nunca será passado para traz". Quando a Dona Célia, a nossa professora, adentrava às operações aritméticas mais avançadas tais como a divisão e a multiplicação de dois, três e até mesmo de quatro números bem como a prova dos noves e a prova real, eu e os meus irmãos já sabíamos muito antes... Amávamos ir ao quadro negro fazer os cálculos, sabíamos também fazer o MMC, e a Dona Célia sempre nos pedía para ajudar os outros alunos. Foi daí que nasceu a minha vocação para  professora, e creio que foi por causa do amor que o nosso pai tinha pela matemática, que ao nos transmiti-lo, ajudou-nos na escolha das nossas profissões: os meus dois irmãos, hoje são engenheiros, Paulinho, o caçula,  cursou engenharia elétrica, e o marcos, o mais velho, formou-se em engenharia civil.

Papai tinha muito orgulho de nós, pois gostávamos de estudar e sempre tínhamos um livro nas mãos, e creio que o hábito da leitura em nossa casa também era fruto da influência dele, que além de ser um leitor assíduo - o exemplo fala mais alto que as palavras - também nos contava lindas histórias na hora de dormir. O meu pai era um exímio contador de histórias. Lembro-me de que ele nos tomava pelas mão - o Paulinho e eu - logo pela manhã, e nos levava para a escola, o Marcos ia caminhando ao nosso  lado, e papai seguia conversando conosco durante todo o trajeto para o grupo escolar... Papai sempre aproveitava as situações que se apresentavam à nossa frente para no ensinar algo. Ele estava sempre atento ao mínimos acontecimentos e socializava conosco, coisas simples, como um verdadeiro mestre. Ele era um  homem de muita sabedoria. Lembro-me de uma vez, quando tinha apenas nove anos, e era uma garotinha, estávamos chegando próximo da escola, e havia um homem bêbado e muito bravo, querendo agredir a esposa, papai com toda a mansidão que Deus lhe dera, pediu-nos que esperassem-no afastados, deu ordem ao Marcos - que na época esta com doze anos - que tomasse conta de nós, e então aproximando-se daquele senhor, começou a conversar com ele - de onde estávamos não conseguíamos ouvir o teor da conversa - e em menos de dez minutos, o homem estava abraçado à sua esposa e chorando muito. Papai então, voltou para nós e ajoelhando-se disse para os meu irmão: "Meninos, fiquem sempre longe da bebida, e nunca agridam pessoa alguma, principalmente  uma mulher". Voltando-se para mim, disse: "Filha nunca deixe que homem nenhum lhe agrida, ou grite com você. Dê-se sempre ao respeito, nunca abaixe a cabeça, nunca agrida a ninguém e não deixe que lhe agridam. Ninguém tem o direito de comandar os outros. O que fazem conosco, é porque assim permitimos. Minha filha, não namore e nem se case com homem de vício, nem com homem mentiroso e violento." E olhando para nós três, disse-nos: "Se plantarmos arroz, não colheremos feijão. Quem semeia vento, colhe tempestade." Apesar da tenra idade entendemos perfeitamente a mensagem que papai acabara de nos transmitir. Foi uma mensagem clara e em baixo tom. Papai falava baixo e mansamente.  Nunca ouvira ele levantar a voz para ninguém, nem para o nosso cachorro, o totó...

Mamãe era diferente do nosso pai. Tudo o que ele era, ela era o contrário, mas tinha um coração maravilhoso e era também uma mulher de muita sabedoria e era amada por todos da nossa família e por toda a vizinhança. Mamãe era agitada e falava alto, mas apesar disso eles viviam em perfeita sintonia. Nunca enredemos isso... Sabemos que os oposto se atraem, mas essa regra funciona bem com a eletricidade. Nos relacionamentos humanos o óleo não se mistura com a água, e forma uma mistura heterogênea, mas no caso da mamãe e do papai, a natureza abriu uma grande exceção, e eles viveram casados  e em harmonia por longos cinquenta e seis anos até o último suspiro daquele velo sábio, que sabia como cativar e cuidar das pessoas. Quatro meses depois da morte do papai, mamãe também partiu. Ela não apresentava nenhum problema de saúde, mas após a partida do nosso pai, ela perdeu o gosto pela vida, ficou deprimida e em uma noite deitou-se para dormir, e não acordou mais.

A nossa vida é mesmo assim: nascemos, crescemos, vivemos e partiremos um dia (ou uma noite) qualquer... Enquanto estamos aqui, façamos e demos o melhor de nós. A vida é curta e passa muito rapidamente. O que ficará de nós é o nosso legado. É tão bom que sejamos lembrados pela nossa benevolência, benignidade, bondade, mansidão...Tenho ótimas lembranças dos meus pais, enquanto muitas amigas ainda conservam as mágoas do seus pais mesmo depois de terem partido daqui. Conheço pessoas que ainda carregam no peito grandes dores causadas pelas pessoas que amaram e que lhes parecem não  foram correspondidas. Sempre amei os meus pais e sempre fui amada... Sinto muito falta da mamãe, e o papai era e continua sendo o meu grande herói! 

sábado, 22 de junho de 2013

"Porque os brasileiros estão furiosos?" - Perguntou o New York Times


Sociedade
Por Austri Junior
 
Os brasileiros continuam nas ruas do Brasil, protestando principalmente contra as Copas (das Confederações e do Mundo). Entretanto, os baderneiros, e os bandidos também continuam a destruir tudo o que encontram pela frente. Hoje, sábado 22/06/2013 foi um dia de passeatas pacíficas e de manifestações violentas. Se alguém me perguntar o que penso dessas manifestações,  responderei sem hesitar que estou cheio de orgulho do povo do meu país, e que abomino e repudio veementemente os atos de violência, tanto da parte dos bandidos e vândalos, quanto da  parte da polícia militar. Os governantes estão ameaçando o povo com o exército brasileiro. Não precisamos de exército, precisamos de polícias eficientes e bem preparadas. Uma polícia que saiba identificar o joio e o trigo, e que saiba agir, respeitando as pessoas, e não agredi-las em sua condição de sem chance de defesa,  quando estão nos pontos de ônibus ou se  manifestando pacificamente.

No texto anterior fiz um comentário desinformado sobre a "Marcha das Vadias" e quero me redimir e dizer  que a "Marcha das Vadias" que foi às ruas hoje tinha famílias e pessoas decentes em seu bojo, embora, algumas moças fazem questão de deixarem  os seios à mostra - diga-se de passagem, desnecessariamente. Penso que se deveria mudar o nome dessa marcha, que surgiu em defesa das mulheres que são atacadas e desrespeitadas por causa das roupas que usam. Não precisamos concordar (e nem discordar) das roupas que as pessoas usam, mas não devemos julgá-las, ou atacá-las por causa disso, e nem por causa de nada. Também hoje, Sábado, os principais jornais da Europa e dos EUA, anunciaram em suas manchetes o pronunciamento da presidente Dilma Roussef  à nação brasileira, porém apenas o New York Times fez uma pergunte inteligente e sábia: "Porque os brasileiros estão furiosos?"

Sei que o New York Times não vai ler o meu post, 
mas vou tentar responder aqui, o porque de os brasileiros estarem tão furiosos,
(embora eu não concordo com essa fúria. Os protestos devem se pacíficos): 

"- O país está mergulhado em corrupção e miséria enquanto os políticos e os governantes estão vivendo muito bem às custas do povo, e mentem, escondendo a realidade que vivemos em nossa sociedade. Queremos investimentos na educação e não escolas caindo aos pedaços. Queremos investimentos na saúde, e não hospitais precários. Queremos o fim da violência, pois sempre que saímos de casa, não sabemos se voltaremos. Queremos a redução da idade penal, queremos os corruptos na prisão e a devolução do dinheiro roubado dos cofres públicos, queremos o fim da PEC 37 que reduz o poder do MP e consolida a corrupção, queremos empregos e investimentos sociais, queremos o Marco (in)Feliciano fora da comissão dos Direitos Humanos e o fim da vergonhosa "cura gay". Queremos governantes que governem com o povo, pelo povo e para o povo, governantes que defendam e olhem para os excluídos sem paternalismo barato e "bolsas esmolas", queremos justiça social e distribuição das riquezas... Não queremos a Copa do Mundo. Não não queríamos estádio, nós queremos escolas e hospitais. Queremos dignidade!"

Vou disponibilizar um link no Portal UOU, onde você encontrará os vídeos da  Carla Dauden, uma brasileira que explica muito melhor que eu, o porque os  brasileiros não querem a Copa do Mundo.

O vídeo da Carla está  fazendo muito sucesso no exterior e no Brasil. 
Acesse o link abaixo, assista o vídeo e compartilhe:

domingo, 2 de junho de 2013

O Amor de Deus

Religião
Por Austri Junior
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"Tudo passa nessa vida, eu bem sei..." É com essa frase que Ricardo Sá, cantor católico romano da canção nova, inicia uma bela canção, onde ele canta momentos de dificuldades e de superação em sua vida, e diz: "...descobri que a maior razão, de viver, é sentir o amor de Deus". - Amor de Deus... Muito se fala no Amor de Deus, porém pouco se sabe sobre esse amor, porque vivenciamos pouquíssimo o verdadeiro Amor de Deus. Mas o que é mesmo o Amor de Deus? Para mim o Amor de Deus é acima de tudo, AMOR! Amar é doar-se sem medida, sem troca e sem cobrança, porém, sem perder o senso de justiça, sem perder de vista os limites, até onde cada um pode e deve chegar. O Amor de Deus é Diálogo, compreensão, Perdão, Graça, Misericórdia, Koinonia (comunhão) e Diaconia (serviço).


Amar é doar-se sem perder as características próprias, sem perder a personalidade, sem anular-se, e saber dizer não. O verdadeiro amor conhece bem o conceito "SIM, SIM. NÃO, NÃO". Nós verdadeiramente ainda não conseguimos vivenciar - praticar - o verdadeiro amor, porque  evidentemente não somos Deus. E por mais  que nos esforcemos, não conseguimos alcançar a plenitude desse Amor. Por mais que falemos desse Amor, estaremos longe de "Amar como Jesus amou..." Tenho observado com tristeza profunda, o quanto as pessoas convivem com dois pesos e duas medidas. O quanto o discurso de uma pessoa diz uma coisa e os seus atos nos dizem outra, completamente diferente. Eu poderia falar de muitas situações aqui, entretanto quero focar esse texto apenas na questão da religião, com a certeza de que poderemos levar essas palavras para todos os ambientes por onde caminharmos, socializando-as e contextualizando-as no nosso cotidiano junto às nossas famílias, trabalhos, escolas, sociedade...

Estamos falando sobre o "Amor de Deus", e nesse parágrafo, quero trocar a palavra discurso pela palavra pregação. Sou cristão protestante histórico, e consequentemente, sou um teólogo que caminha na estrada do ecumenismo, sem pré conceitos, e defensor do diálogo,  principalmente do Diálogo Intra Religioso, como defende o teólogo Pannenberg. Antes de prosseguir com a minha reflexão quero fazer um adendo sobre o Diálogo Intra Religioso: Se no Diálogo Religioso devemos conversar com as outras religiões, no Diálogo Intra Religioso devemos conversar dentro da religião. De qual religião falo agora? Falo da religião cristã! Dentro do Cristianismo temos muitas vertentes, tais como: Catolicismo, Protestantismo Histórico, Protestantismo Evangélico, A Igreja Copta (oriunda do Egito), A Igreja Grega Ortodoxa... Essas e tantas outras vertentes possuem as suas inúmeras denominações, e as denominações também possuem as suas vertentes, grupos e movimentos, e ambas, tanto as vertentes, quanto as denominações, são erroneamente confundidas com religião. É muito comum ouvirmos alguma pessoa (incluindo sacerdotes, teólogos e líderes) dizerem: "A religião católica...", ou então: "A religião evangélica..." - catolicismo e evangelicalismo não são religiões - por isso sempre faço questão de tocar nessa tecla, para pedagógica e didaticamente, orientar e esclarecer os leitores.

Continuando, quero me aprofundar um pouquinho mais: Dentro do catolicismo temos a igreja romana (com as suas muitas vertentes), a igreja maronita, a igreja brasileira, a  igreja mexicana... 
Dentro do  protestantismo histórico temos a igreja anglicana (com as suas vertentes), a igreja presbiteriana (também com algumas vertentes), a igreja luterana (e as suas vertentes), a igreja congregacional, a igreja metodista do Brasil (que se dividiu na década de 1960, gerando a igreja metodista wesleyana, que está na vertente das igrejas protestantes evangélicas. Na década do ano 2000 o  movimento evangelicalista chamado G12, que alcançou igrejas históricas como a igreja batista por exemplo, também está se infiltrando na igreja metodista do Brasil, causando rachas e rupturas - que aliás é a característica marcante desse movimento - criando também, dentro do metodismo brasileiro, pelo menos duas vertentes: Os tradicionais e os "avivados").

Dentro do protestantismo evangélico encontramos: A igreja assembleia de Deus (e as suas muitas  vertentes),  a já mencionada igreja metodista wesleyana, a igreja Deus é amor, e tantas outras... Também, dentro do protestantismo evangélico encontramos os movimentos pentecostal e neo pentecostal. É muita coisa, não é mesmo? Isso e muito mais - que não mencionei aqui - tudo em um só bojo:   O CRISTIANISMO!

O interessante é que nenhuma dessas vertentes e denominações não se entendem. É catolicismo contra catolicismo, protestantismo contra protestantismo, protestantismo contra catolicismo e catolicismo contra protestantismo. Resumindo: Cristianismo x Cristianismo! Percebem a importância do DIÁLOGO INTRA RELIGIOSO? E ainda tem a guerra do cristianismo contra as outras religiões, como por exemplo: O espiritismo e as suas vertentes: A umbanda, o candomblé e o kardecismo. E também, contra o budismo, o xintoísmo, o islamismo, o judaísmo,  o santo d'aime... Conseguem perceber também a importância do DIÁLOGO RELIGIOSO? Se conseguirmos compreender as importâncias dos diálogos nesses dois casos, conseguiremos compreender então O AMOR DE DEUS, e compreenderemos que os cristãos estão muito longe desse Amor.

DEUS É DIÁLOGO! Só conseguiremos dialogar se houver amor. em uma relação onde impera a intolerância, o ódio, o escárnio, o deboche, a ironia, o descaso..., jamais o amor conseguirá vencer. Amor é aprendizagem, processo, construção... Por isso insisto em levar adiante a teologia (na minha opinião) verdadeiramente cristocêntrica: A Teologia do Amor! Onde está essa teologia? Estude com atenção o Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo nos relata São Mateus, em seus escritos, entre os capítulos 5 e 9, e acharás a "Teologia do Amor". Esse é o cerne da pregação de Jesus (segundo a minha compreensão teológica). Em meio a toda essa guerra "diabolicamente santa", não estamos deixando espaço suficiente para que o Amor de Deus possa fluir em nossos corações.
"Agora eu sei Jesus, sei que é tempo de recomeçar. Descobri que a maior razão, de viver, é sentir o Amor de Deus..." Nós sentimos o Amor de Deus, mas não conseguimos transmiti-lo!

domingo, 28 de abril de 2013

"Esse mundo não vale uma bagana"

Por Austri Junior
A vezes me pego pensando sobre muitas coisas nesse mundo, e me sinto deslocado entre as minhas convicções teológicas e as lógicas da vida cristã (ou da bíblia). Quem está certo - eu ou aqueles que defendem a "palavra de Deus"? Quem está está certo - eu ou aqueles que defendem os "direitos da família"? Quais são mesmo os "direitos da família"? Muito se fala dos direitos da família dentro das instituições eclesiásticas, mas nada se fala sobre os deveres dessa mesma família. Todos, e todas as intituições têm direitos, mas também têm deveres, inclusive a instituição familiar. 


Em uma instituição eclesiástica sempre que se fala em instituição familiar, vem à tona a "palavra de Deus". O que ou quem é mesmo a palavra de Deus? Para mim, a palavra de Deus é Jesus Cristo com todos os seus ensinamentos de amor e perdão, misericórdia e compaixão. Mas em geral as instituições eclesiásticas evangélicas semprem trazem à tona o "poder de Deus", e por poder de Deus, fica subentendido o castigo e a ira, retratado no Antigo Testamento.

Amor, bondade, misericórdia, perdão... Os frutos do Espírito, seriam esses atos má interpretação de minha parte ou Jesus é um sujeito hipócrita e contraditório? O que ou quem vale mais para o cristianismo? O Antigo ou o Novo Testamento? Os dois podem subsistir entre si?

Teológicamente defedemos que um complementa o outro e que o Novo não pode se sustentar sem o Antigo. Mas até onde conseguimos controlar a nossa vontade de sobrepor um sobre o outro, ou de valorizarmos um em detrimento do outro, para justificarmos os nossos interesses e as nossas  atitudes exclusivistas, intolerantes, manipuladoras...

"Deus está (mesmo) nesse negócio", ou os seus "pastores" estão "negociando" em nome de Deus? E porque esse que vos escreve, e que se diz teólogo escreve tantas palavras entre aspas, principalmente quando fala de "evangélicos", "cristãos" e "pastores"? Será que é porque não crê nesse movimento evangelicalista que anda à solta por aí, ou porque aprendeu a colocar enormes interrogações nas atitudes suspeitas e negativas, das instituições eclesiásticas ou das pessoas que se dizem piedosas mas que no fundo são tão perversas quantos as pessoas que elas mesmas condenam, ou serão as duas ou mais coisas?

No fim dos anos 1970, tive a honra de conhecer e conviver amplamente com um poeta  pacifista popular (Jordelino Pimentel Filho), do qual tive a honra de ser amigo, e continuo sendo até os dias de hoje, e que assinava as suas obras com a alcunha de "Preta". Ele cantava ainda naquela época uma música linda, que tinha como título e refrão o seguinte apêlo : "Esse mundo não vale uma bagana". Para quem não sabe, uma "bagana" é uma "guimba" de cigarro de maconha. Naquela época eu acreditava que ele tinha razão, e hoje contino pensando que o Preta continua tendo razão. Quando ele falava que "esse mundo não vale uma bagana", ele queria dizer que as atitudes negativas das pessoas eram perniciosas e maléficas, e se a maconha é maléfica, assim também são as pessoas e as instituições que pregam e difundem o mal, mesmo que veladamente, ou sob uma pseudo aura de bondade ou uma pseudo mensagem de verdade.

As atitudes perniciosas e maléficas das pessoas , sejam nas igrejas ou em qualquer outra parte da sociedade, realmente não valem uma guimba ou bitoca de cigarro, seja esse cigarro da "Souza Cruz" ou de maconha. Ambos são nocívos e fazem muito mal.

domingo, 21 de abril de 2013

Eu, um rato de biblioteca!


Conto 
Por Austri Junior
(Homenagem à minha Professora da 5ª série, Maria de Lourdes)

Sempre fui fascinado pela leitura! Desde que aprendi a ler, não me afastava dos gibis: Super Homem, Homem Aranha, Batman, O Demolidor, Tex, Top Secret, foto novelas da revista Capricho, Almanaque Disney, Turma da Mônica... Bons tempos!

Aos onze anos de idade tive uma professora de português, maravilhosa, professora Maria de Lourdes, nunca a esqueci, e jamais poderei esquecê-la. A professora De Lourdes era uma senhora de fala mansa, gestos brandos, atitudes super calmas. O seu olhar era um olhar de ternura e compreensão. Jamais levantara a voz para nenhum de nós e nunca mandou nenhum aluno para a coordenação ou para a sala da diretora, a Dona Amália, da qual todos nós morríamos de medo. Só de ouvir falar: "Dona Amália vem aí", nós todos ficávamos paralizados.

A "Dona de Lourdes" - era assim que a chamávamos - usava para conosco uma dinâmica fantástica de leitura e escrita. Estávamos na 5ª série (hoje sexto ano), e algumas semanas após ter se iniciado as aulas, a Dona de Lourdes após ter feito a chamada, perguntou-nos (como se não já soubesse a resposta):

- Quem aqui, gosta de ler histórias em quadrinhos, levante a mão?

Todos na sala, evidentemente levantaram as mãos. Então ela disse-nos:

- Turma, eu tenho uma proposta para fazer para vocês: Que tal vocês criarem os seus próprios personagens e escreverem as suas próprias  estórias, não em forma de quadrinhos, mas em forma de narrativa, uma redação. Niguém é obrigado a fazer, mas os que fizerem ganharão um ponto, e os que lerem as suas estórias para a classe, ganharão dois pontos, e uma vez por semana, toda terça-feira, nós faremos as apresentações. O que vocês acham?

A maioria dos alunos que estavam na  sala vibraram com a ideia da Dona de Lourdes. Passada a euforia, um medo enorme se apoderou de nós. Não sabiamos o que fazer nem como fazer e levamos as nossas angústia até a professora, que nos acalmou e disse:

- Não se preocupem! Eu ajudarei vocês. Façam a primeira estória e tragam-na para mim na próxima terça-feira, e a partir daí nós vamos aprendendo juntos...

Aquilo  que a professora De Lourdes estava fazendo conosco não tinha prêço, e não tem até hoje. Foi a partir daí que desembrestei a escrever e aumentar ainda mais o meu gosto pela leitura, e comecei a madurecer, pois além das redações que agora escrevíamos como quem brincava na praça (e antes disso, morríamos de medo de escrever redações), líamos os livros "obrigatórios" com muito gosto. Essas "leituras obrigatórias", eram angustiantes pois tínhamos que ler o livro e fazer prova, era um livro por mês. A  professora mudou a didática, e nós não fazíamos mais a prova, agora nós falávamos sobre o livro: A estória, os personagens, os locais, as emoções, tudo o que vivenciávamos na estória, no livro durante a leitura... Lembro-me como se fosse ainda hoje, e jamais esqueci os livros que li. A maioria deles era da Editora Ática e da Coleção Vagalume. Entre eles: "A Ilha Perdida", "Éramos Seis", "O Cachorrinho Samba"... Nunca mais, nós os alunos da professora Lourdes, fomos os mesmos. No fim do ano, todos estavam escrevendo e lendo em sala de aula as nossas próprias estórias e construindo os nossos próprios personagens.

Além dos livros obrigatórios, eu lia por minha própria conta (correndo por fora), outros livros que tomava emprestado na Biblioteca Estadual e na Biblioteca Municipal. Tornei-me um "rato de biblioteca", amava e amo até hoje aquela atimosfera silenciosa que reinava dentro das bibliotecas - as pessoas respeitavam o ambiente de leitura - hoje as bibliotecas são muito barulhentas. Amava e ainda amo o cheiro de papel velho, e a combinação do cheiro de tinta em papel novo. Não troco o livro por nada, mesmo sabendo que se derrubam algumas árvores para construir alguns livros - a solução é plantar árvores com o objetivo de usá-las somente na fabricação dos livros - Amo o velho e bom livro. Amo a boa e maravilhosa leitura!

Ao começar a frenquentar as bibliotecas para ler por amor à leitura e pela paixão pelos livros, e não somente para fazer  pesquisas para trabalhos e para os deveres de casa - naquela época não havia a internet e eu era uma criança muito pobre, e a minha mãe não tinha dinheiro para comprar a Coleção Barsa e nem a Coleção Delta la Rousse - eu pude contemplar leituras clássicas maravilhosas da literatura internacional tais como: "A Ilha do  Tesouro", "Robinson Cruzoé", "Peter Pan", "David Copperfield", "A Família Robinson", "O Pequeno  Principe", "O Menino do Dedo Verde", "O Maior Presente do  Mundo", "Fernão Capelo Gaivota", "Longe é Um Lugar Que Não Existe"... E mais tarde: "Um Brasileiro no Exército de Napoleão" , "Horiizonte Perdido", "Ladrão na Noite", e todos os livros de T. Lobsang Rampa, entre muitos outros...

Tudo o que leio hoje, todas as pesquisas científicas e acadêmicas que faço, e tudo o que escrevo (até mesmo as besteiras), só faço por que um anjo me iluminou. Seu nome? Repito: Professora Maria de Lourdes! Muito do que sou hoje, devo a esse anjo. Quantas Marias de Lourdes existem ainda hoje? Professores assim ressignificam as vidas dos seus alunos, e podem ajudá-los a construir um futuro muito melhor e mais promissor. Foi por causa da "Dona de Loudes" que eu hoje sou um "rato de biblioteca". Ela me deu isso, e hoje eu passo a diante. Me esforço para ser a "Dona de Lourdes" na vida dos alunos cuja vida cruzam com a minha vida. Ler é tudo de bom!