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Os relacionamentos líquidos e as Redes Sociais

Zygmunt Bauman Psicologia e Comportamento “O amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo...

terça-feira, 30 de julho de 2013

Refletindo a escola brasileira


A quantas anda a educação no Brasil? Essa é uma pergunta cuja resposta, por mais que tentemos otimizar, ainda assim encontraremos dificuldade em responder positivamente, tamanha as dificuldades encontradas pelos professores, em sala de aula, para lecionar as suas disciplinas. As escolas estão sucateadas em todo o seu universo: salas de aulas, sala dos professores, material didático, dependências tais como banheiros, sala para educação especial, bibliotecas, refeitórios… Muito foi feito na educação no Brasil ultimamente, mas muito há que se fazer, pois a educação no Brasil ainda agoniza nas filas de espera em corredores sujos dos hospitais mal cuidados, à espera de uma mísera vaga na U.T.I.

O salário dos professores ainda é uma destoante e desafinada canção que ninguém consegue ouvir. Não é possível que em uma nação como o Brasil que gasta fortunas em desperdícios e em corrupção, não possa investir na educação para construir uma nação sadia e saudável. Investir na educação envolve melhores condições de aprendizagem para os alunos e melhores condições de trabalho para os professores – o que inclui não somente salários dignos, mas, capacitação e educação continuada, pois diga-se de passagem, existem educadores que precisam ser (re)educados, em todos os sentidos.

Não bastasse as dificuldades sócioeconômicas que encontramos nas escolas, ainda temos as questões relacionadas ao tráfico e uso de drogas – consequência direta das questões sociais mal resolvidas no país e da falta investimento em políticas públicas de qualidade – o que acarreta em  falta segurança nas escolas, que por sua vez faz vítimas entre alunos e professores. Se o estado não investe na sociedade, essa bomba vai explodir nas  escolas que é um barril de pólvora com o pavio aceso.

A escola tem as suas peculiaridades, e uma delas, tão importante quanto a disseminação de conhecimento, é ser uma instituição política, já disse o grande e inesquecível mestre, Paulo Freire, que com a sua “Pedagogia do Oprimido”, andou de braços dados com a “Teologia da Libertação”, um casamento perfeito que fez muito bem para a educação no Brasil, e se hoje temos a educação inclusiva nas escolas, e também a sócioeducação, foi graças à Paulo Freire e, à TdL (Teologia da Libertação), e aos movimentos estudantis e acadêmicos que abraçaram o movimento libertário denominado “Grito dos Excluídos.” É interessante dizer que a escola não avançou o quanto deveria, e hoje a escola exclui mais do que inclui, e isso passa pelo crivo da ignorância à cerca desses fatos relevantes que acabei de narrar, bem como aos interesses pessoais dos profissionais ali engajados -  que ajudam no retrocesso da caminhada da educação rumo à construção de cidadãos e cidadãs – quando ao invés de somar se dividem em facções, subtraindo a qualidade do ensino, da educação, do conhecimento e das inter-relações, multiplicando a decadência e o caos existente no ambiente escolar, que mais parece uma praça de guerra, muitas vezes com intensas e impensadas verborragias.

domingo, 28 de julho de 2013

Teologar é Libertar!

Teologia da Libertação 
por Austri Junior 

Papa Francisco durante a homilia na missa para membros da Igreja Católica 
Foto: Terra TV / Reprodução


Durante toda a semana tivemos conosco (no Brasil) a figura carismática de Jorge Bergoglio, o Papa Francisco I, argentino, líder espiritual dos cidadãos católicos romanos, cidadão do mundo, Chefe de Estado do Vaticano e Bispo de Roma. O Papa Francisco I com certeza deixará o Brasil com saudades no coração, mas o povo sentirá muito mais a sua falta e se pudessem escolher, com certeza pediriam para que tragam a sede do Vaticano para o Brasil, somente para ficarem mais próximos e mais tempo perto do seu "Grande Papai".

Nos acostumamos a ver pela TV o Papa Francisco I esbanjar amor, carinho, respeito, simpatia..., mas sobretudo Francisco esbanjou sabedoria. Francisco não reclamou da imprudência da policia federal e da prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro que o deixou encurralado no trânsito, e talvez tenha até  gostado disso, pois ficou como ele queria: Literalmente no meio do povo.  Ele também não extrapolou a esfera diplomática, e não feriu nenhum principio da constituição brasileira, mas quando foi necessário, assim como todos nós esperávamos que fizesse, Francisco falou ao povo da Varginha e aos jovens brasileiros e do mundo inteiro para que "não desistam da política e não se conformem com a corrupção". Como diz o proverbio popular: "Para quem sabe ler, um pingo é uma letra".

Francisco falou ao povo coisas da atualidade sempre contextualizando com a bíblia: "Peço licença para bater à porta dos vossos corações com carinho" (Conf. AP 3.20), "Não tenho ouro nem prata..." (Conf. AT 3.6), "Vocês, jovens, têm uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam da corrupção de pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram seu próprio benefício. Nunca desanimem, nunca percam a confiança. Não deixem que se apague a esperança, a realidade pode mudar. O homem podem mudar. Procurem ser vocês os primeiros a procurar o bem” - o que o papa está realmente dizendo é: "Não vos conformeis com esse mundo [século]..." (Conf. RM 12.2). E assim, ele pregou contra as injustiças sociais, contra a corrupção, contra a desigualdade social... Teologia da Libertação! Por mais que muitos não gostem ou por mais que fujam dessa teologia, é impossível ignorá-la ou até mesmo excluí-la. A TL (ou TdL como a chamam os cristãos católicos romanos) não estará morta enquanto existir opressão, opressores e oprimidos nesse mundo. Enquanto houver fome, miséria, injustiça e desigualdade social a Teologia da Libertação estará lá para ouvir o grito  dos excluídos! Francisco ouviu esse grito na Comunidade da Varginha. Precisamos todos nós ouvi-lo e fazer coro com os excluídos para que os governantes ouçam também. Cristo morreu gritando pelos excluídos. Ele foi um (de e) como nós: Excluído! Foi por isso que Cristo doou a sua vida. Cabe aos Sacerdotes: Pastores e Presbíteros, bem como aos Teólogos, fazerem ressoar esse grito pelos quatro cantos do mundo. Faz parte da nossa missão e é o nosso chamado: Teologizar para Libertar!

João Paulo II era um homem fantástico assim como Francisco I. Quando Bento XVI assumiu a cátedra do Vaticano o catolicismo perdeu um pouco daquilo que os católicos estavam acostumados: Carisma! Aliás, o carisma tem para os cristãos católicos romanos um sentido profundo e é muito valorizado na igreja. Francisco não só resgatou o (digamos) "carisma perdido" ao seu povo, mas devolveu-lhes a dignidade, a esperança e sobretudo lhes aumentou o "orgulho de serem católicos", coisas essas que andavam um pouco sumidas entre alguns cristão católicos, e eu percebia que quando um católico se apresentava com o "orgulho de ser católico" era quase que uma maneira de afrontar e ao mesmo tempo uma auto defesa contra o povo que (gosto de assim dizer) "se diz evangélico". Agora sinto que não precisam e nunca mais precisarão sentirem-se assim, e muito menos não  precisarão agir assim nunca mais. A simplicidade, a ética, a honestidade, a dignidade e sobretudo a autoridade do líder da igreja além de resgatar ao seu povo essa confiança e respeito, mostrou ao Brasil e ao  mundo inteiro o que é ser católico, mas acima de tudo, superou as bandeiras, as barreiras e as placas denominais (ou denominacionais), e mostrou o que é acima de tudo, SER CRISTÃO.

Francisco não resgatou apenas a dignidade do Cristão Católico Romano, mas também de todos os Cristãos de todas as denominações. Seus gestos e práticas humildes são coerentes com as práticas de Jesus Cristo e com o que deve ser a práxis de um verdadeiro cristão. Atrevo-me em dizer que "o cristianismo católico romano tem um representante legitimo e legitimado não somente pela igreja, mas pela vontade de Deus e pela ação do Espírito Santo de Deus para dirigir a igreja e conduzir o povo de Deus. Um homem do qual se pode dizer (dentro da ortodoxia católica romana): 'digno de calçar as sandálias do pescador'". Qual outro líder espiritual cristão nesses tempos modernos pôde ou pode dizer com a autoridade do Papa Francisco I: "Não tenho ouro nem prata, mas trago o que mais precioso me foi dado: Jesus Cristo". Podem ter certeza, minhas irmãs e meus irmãos, que enquanto eu viver jamais esquecerei essas palavras de Francisco. Jamais esquecerei a cena do Papa Francisco no papa móvel, com aquele garotinho que quer ser sacerdote. Foi muito emocionante (assisti à esse episódio com um grande nó  na garganta e com lágrimas nos olhos). Para ser sincero, jamais esquecerei o Papa Francisco I e a sua visita ao Brasil. Todos os líderes espirituais católicos romanos, protestantes, evangélicos, teólogos, e principalmente todos nós que nos dizemos cristãos, temos muito o que aprender com Mario Jorge Bergoglio, mais conhecido como Papa Francisco I, esse Homem de Deus!

Veja que exemplo de Teologia da Libertação que o papa deu em sua homilia (não diferente do discurso da igreja, independentemente da TdL):
Papa Francisco critica cultura atual, que 'esconde a solidariedade' 
Papa se encontra com representantes da sociedade civil no Rio de Janeiro

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Habemus Papam no Brasil!

Teologia
por Austri junior 

O Papa Francisco I já está no Brasil desde as 15:40 da tarde de hoje e encantou e emocionou as gentes que estiveram próximo. Carismático, carinhoso e muito paciente, conversou com os reportes a bordo da aeronave que o trouxe, desfilou com a s janelas do carro abertas, ficou literalmente encurralado no meio do povo - aliás, era exatamente o que ele queria: Ficar no meio do seu povo. Depois adentrou ao papa móvel (sem blindagem), tocou o seu povo e foi tocado, abençoou as crianças, e emocionou pela sabedoria seu discurso. Um discurso, cheio de sabedoria, de amor, de bondade...

Apesar de estar em uma recepção e cerimônia dedicada ao estadista, ele falou como Papa. Falou como homem de Deus! Falou  com a simplicidade de um Cristão "cristificado". Fugiu às amarras políticas, falou ao coração dos seus ouvintes e um excelente português (não falou em portunhol), brincou com a língua portuguesa demonstrando alegria, disposição e jovialidade ao dizer: "Cristo 'bota fé' nos jovens... Os jovens 'botam fé' em Cristo!"

Jorge Bergoglio esbanjou simpatia e bom humor durante todo o tempo, e isso foi só o começou. Veremos e receberemos muito mais durante o decorrer da semana. 

Carinhosamente  Francisco disse que o caminho para encontrar-se com o povo brasileiro é pelo portal do coração, e pediu carinhosamente licença para bater no coração dos brasileiros, coisa de gente educada. Para quem estava ligado, ele estava fazendo uma analogia com as palavras de Cristo em Apocalipse 3.20.   Entretanto a parte do discurso do Papa Francisco I que mais me encantou foi:   "Não tenho ouro nem prata, mas trago o que mais precioso me foi dado: Jesus Cristo!" Fazendo outra analogia bíblica, dessa vez com as palavras de Pedro em Atos (dos Apóstolos). Preciso dizer mais alguma coisa? Tudo que posso dizer para poetizar esse pequeno texto é que se a Hebe Camargo estivesse viva, ela com certeza diria: "O Papa Francisco é uma gracinha!!! "

sábado, 20 de julho de 2013

Podemos confiar que haverá segurança para o Papa e para as suas ovelhas na Jornada Mundial da Juventude?

Teologia
por Austri Junior



Estamos às vésperas de um grande evento religioso que acontecerá na semana que vem no Rio de janeiro, a "Jornada Mundial da Juventude". Milhares de peregrinos católicos apostólicos romanos, entre eles, a maioria jovens, é claro, pois esse é um evento direcionado aos jovens cristãos católicos e não católicos do mundo inteiro. Quando digo "não católicos" não estou me referindo aos jovens cristãos protestantes e muito menos aos jovens cristãos evangélicos - digo: Jovens católicos não praticantes - embora, em minha opinião, eles devessem estar todos juntos e unidos, católicos (praticantes ou não), protestantes e evangélicos.

Um dos objetivos desse mega encontro é promover a comunhão e a unidade entre os jovens cristãos católicos, além de despertar o interesse dos jovens que ainda não se definiram por uma religião e também dos jovens "católicos não praticantes" - o Brasil é o único país em todo o mundo onde existem católicos não praticantes - a se decidirem pelo cristianismo católico romano, e diga-se de passagem, isso é uma ideia maravilhosa. O evento terá início na terça feira, mas jovens de todo o mundo já estão por aqui, espalhados por cidades  brasileiras como o Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória... São esperado para todo o evento cerca de seis mil peregrinos espanhóis, quarenta mil peregrinos argentinos e outros milhares de peregrinos jovens pelo mundo a fora.

Essa é uma grande oportunidade para a igreja católica romana recuperar uma parte das forças perdidas ao  longo dos anos aqui em nosso país (embora talvez nunca venha recuperar tudo) penso que seria também uma ótima oportunidade das juventudes católica, protestantes e evangélicas se unirem em um só objetivo: Buscar os jovens que estão fora do bojo cristão e atolados no bojo das drogas, das bebedeiras, da violência, das prostituições e principalmente no bojo da criminalidade de uma maneira geral. Mas como sempre digo aqui: "A religião separa muito mais do que religa". O termo "religare" talvez sirva mais para as relações com o sagrado (relação vertical) - Deus para com a humanidade - do que para as relações humanas (relação horizontal) - a humanidade para com a humanidade.  


Uma coisa tem me preocupado profundamente: A violência das ruas! 
Não bastasse a violência cotidiana, que assusta e preocupa, agora temos também a violência predatória das ditas "manifestações" que abrigam bandidos e marginais mal intencionados. O Papa Francisco I não está preocupado com essa violência, tanto que vai desfilar em carro aberto e sem blindagem (confesso que isso me deixa em pânico). O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral disse que conta "com a população para ajudar na segurança do Papa". Eu nunca ouvi coisa mais ridícula e absurda em toda a minha vida! A presidente Dilma Roussef telefonou pessoalmente para o governador do Rio oferecendo  ajuda na segurança e o mesmo rejeitou a ajuda do governo federal dizendo que não precisa e que "está tudo sob controle, por enquanto". Claro que está tudo sobre controle, por enquanto... O Papa não chegou ainda. Temo pela segurança do Pontífice,  e pela segurança dos peregrinos turistas estrangeiros e brasileiros.


A semente do mal e da discórdia já começou a ser disseminada na internet: Os Ateus estão divulgando uma manifestação com um "grande desbatismo". Todos têm o direito de crer e não crer, todos têm o direito de se manifestarem, todos têm o direito de se batizarem e de se "desbatizarem". No entanto eu pergunto (sou o Teólogo das perguntas, pois tenho mais dúvidas do que respostas): O que o Papa Francisco e a igreja católica tem a ver com isso? Respeito os ateus e defendo o direito que todos têm de não acreditarem, mas essa ideia de protesto e de "desbatismo" é simplesmente ridícula e infantil, e para mim isso tem cheiro de confusão. Ninguém nasce crente, assim como também, ninguém nasce ateu. Nós aprendemos, geralmente com os nossos pais (ou com outras  pessoas), a crer e a não crer. Quando escolhemos não crer, automaticamente negamos aí, o nosso batismo (se fomos batizados). Então, é óbvio que não precisamos nos "desbatizar" (mesmo que seja uma ideia simbólica). Esse "desbatismo" não vai mudar nada na vida dos protestantes ateus e muito menos na vida do Papa Francisco, nem  no cristianismo e nem no catolicismo. Os protestantes ateus farão papel de bobos.

Outra semente maligna que está sendo disseminada na internet é a ideia de que mais de quatrocentos mil reais sairão dos cofres públicos com a vinda do Papa ao Brasil. Há no facebook uma foto com o Dalai Lama de um lado e o Papa Francisco I do outro, dizendo que o Dalai Lama esteve no  Brasil por mais de quarenta vezes, e que as despesas do Lama e de toda a sua comitiva foi "bancada" pelo próprio Lama. Isso me cheira a mais confusão e intriga. O governador do Rio, Sérgio Cabral alegou que há entidades estrangeiras incentivando as manifestações violentas pelo mundo a fora, e que essas entidades estariam agindo no Brasil. Penso que talvez esse seja o caso desse post no facebook, embora também, tenho outra teoria a respeito, que prefiro não dizer aqui para não levantar falsas calúnias pois não tenho certeza do fatos (é como eu disse em meu post  anterior denominado Você consegue imaginar a internet amordaçada?: "O que eu não quero que saibam eu não falo, não escrevo e não posto em meus perfis públicos").

O povo brasileiro anda  revoltado com gastos desnecessários e exorbitantes. Não sei se essa acusação de gastos com a visita do Papa ao Brasil procede, mas de qualquer forma, o povo costuma acreditar primeiro, quebrar depois e na maioria das vezes não questiona se é verdade ou não.  Vejam o caso dos quatro rapazes funcionários de um parque de diversões presos no sul do país, acusados de estuprar e matar uma adolescente: A população quebrou o parque todinho (e o dono do parque, por mais que os rapazes fossem culpados, não tinha nada a ver com o caso), e agora descobriu-se que os mesmos foram torturados para confessarem o crime. Os investigadores estão presos e o delegado está foragido. Mas ninguém vai retirar as pancadas que os rapazes receberam e ninguém vai restituir o prejuízo do dono do parque.



Existe uma ilustração para a pregação em sermões muito interessante, que vou resumir aqui: "Uma senhora procurou o padre de sua paróquia, chorando compulsiva e amargamente, muito arrependida por ter inventado muitas calúnias sobre a sua melhor amiga, apenas por vingança, depois de as mesmas terem discutido e brigado. O padre sabiamente disse para a sua ovelha: 'Apanhe um quilo de plumas bem leves, suba ao monte mais alto que encontrar, em um dia de ventania muito forte, e solte as plumas todas ao ar. Depois que fizer isso, volte aqui'. A mulher fez o que o padre pediu, e ao retornar o padre lhe disse: 'Agora volte lá e recolha todas as plumas. Não deixe uma para traz'. A mulher retrucou exclamando: 'Mas padre, isso é impossível!' Disse-lhe o padre: 'Assim também são as palavras, as calúnias, as fofocas, as intrigas e os boatos. Depois de lançadas, não se pode mais recolher. Vá e não peques mais'".


"Vá e não peques mais", é algo que não podemos dizer para quem criou esse post sobre os gastos com a visita do Papa ao Brasil, pois em muitos casos o inimigo não tem face e esse é um dos casos. Com certeza a intenção desse indivíduo (ou indivíduos) é inflamar a situação e semear a discórdia. Por isso não podemos contar apenas com a população para proteger o Papa, pois a população também está vulnerável nessa situação. Se não houver segurança suficiente para o Papa Francisco e para as suas ovelhas espero sinceramente que Deus os proteja e os guarde de todo o mal e de todos os maus que estiverem rondando por ali mal intencionados. Hoje quando se fala em manifestação no Brasil, eu fico com a "pulga atrás das orelhas". Não confio mais em manifestações pacíficas. E acredito que no caso da vinda de Francisco I ao Brasil, por si só já é uma grande manifestação. Uma grande manifestação realmente pacífica, organizada por jovens ordeiros e espirituais, preocupados com o mundo, com a sociedade e com as gentes. Jovens ainda (de uma certa forma) puros e inocentes. Esses manifestantes que lá se encontrarão são realmente pacifistas, católicos apostólicos romanos, que não estarão ali para quebrar, matar roubar e destruir. Eles estarão ali porque ainda acreditam em um mundo melhor. Estarão ali na esperança de que as pessoas sejam melhores e que não destruam o mundo que eles herdarão no futuro. Estarão ali por uma juventude melhor e unida. Fico muito feliz por eles, "porque os mansos herdarão a terra" (Mateus, Capítulo 5, Versículo 5).

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Raça Brasileira!!!

Sociedade
por Austri Junior



O Brasil ultimamente tem se apresentado dentro de casa e também à comunidade internacional como um caldeirão fervilhante. Um caldeirão onde podemos dizer, está sendo preparada uma grande sopa com todo o tipo de ingrediente a que se tem direito. Os ingredientes desse prato vão da melhoria e crescimento à corrupção e impunidade. Parece um paradoxo (e é mesmo)! Também, não é de se esperar menos que isso, pois o Brasil é um país imenso com uma pluralidade e diversidade enorme. Temos vários povos em um só povo. Por aqui chegaram os portugueses, os portugueses trouxeram os africanos que se juntaram aos nativos que aqui já se encontravam, e deram origem à Raça Brasileira que é parte da raça humana (como alguns preferem dizer). Além dos  portugueses e dos africanos, também aportaram por aqui os holandeses, os italianos, os alemães, os japoneses... Tudo isso junto, gerou essa diversidade que vai do sotaque à culinária. É claro que essa pluralidade engloba também a religião e a cultura, entre tantas e outras coisas... A miscigenação dessas raças gerou uma nova Raça. Essa nova raça é a Raça Brasileira.

Nessa sopa temos a Copa das Confederações (que acabou de acontecer no mês de junho) e teremos a Copa do Mundo que acontecerá em junho de 2014, depois da Copa do Mundo teremos as Olimpíadas. Quem não conhece o país pode pensar que somos um país com grande tradição e sucesso esportivo. Bem, se formos considerar somente o futebol como atividade esportiva, então podemos dizer que somos sim, um país com tradição esportiva. Alguém pode está se perguntando nesse momento: "Ainda existem países que não conhecem o Brasil?" A resposta é sim. Os jogadores da seleção de futebol do Thaiti por exemplo, espantaram-se ao chegar em Copacabana e descobrir que aqui tem mar. Aliás, a seleção preferida deles é a seleção espanhola, e não a brasileira.

O que o futebol, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, tem a ver com a sopa do crescimento e da corrupção? Tudo! O caldeirão começou a fervilhar quando o governo brasileiro usou o dinheiro público como combustível para cozinhar a sopa, que com certeza alimenta a chance de corrupção e tira do povo o direito à saúde e à educação. A partir daí, começaram as  manifestações ordeiras, e também as quebradeiras. Enganou-se, quem como  eu, pensou que essas manifestações acabariam com o fim da Copa das Confederações. O Brasil (povo) continua a se manifestar, e a ocupar os espaços públicos que lhe é de direito. Nessa última sexta feira, manifestantes desocuparam a sede da Assembleia Legislativa de Vitória-ES, após longo tempo de ocupação (pena que eles tenham depredado o local - vandalismo inaceitável). Eles estão lutando para que não seja mais cobrado o  pedágio da Terceira Ponte que liga o município de Vitória ao município de Vila Velha. Essa ponte já está paga há muito tempo e a RodoSol, empresa que administra o pedágio, continua arrancando o dinheiro do povo e enriquecendo. A proposta era de que a cobrança do pedágio cessaria quando a ponte estivesse paga e isso lá se vão cerca de vinte anos. A Terceira Ponte já foi paga pelo  menos três vezes.

Coisas boas estão acontecendo nesse país, pelo menos na área cultural como por exemplo o Festivais de Inverno nas áreas de montanhas, Festival de Cinema de Gramado, Vitória Cine Vídeo  em Vitória-ES, Festa Literária de Parati - Flip, embora exista uma Parati miserável convivendo paralelamente com esse magnífico evento. Coisa boa também foi o Brasil se classificar em quinto lugar na feira de Educação Profissional na Alemanha. Classifico como ótimas as manifestações pacíficas nas ruas do Brasil, as manifestações e críticas políticas nas redes sociais, o ato solidário da população Capixaba levando alimentos para os manifestantes que ocuparam a Assembleia Legislativa do Espírito Santo, aqui em Vitória. Tudo isso faz parte desse grande caldeirão de sopa. Caldeirão esse, que não para de ferver, e pelo visto não vai parar tão cedo, pois como eu disse acima, e todos nós sabemos, vem aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas, e o povo não esqueceu os gastos de dinheiro público com as construções dos estádios. Enquanto isso a votação dos royalties do petróleo que eram somente para a educação, e agora foi dividido com a saúde, está parado na câmara dos deputados, royalties esses, cujo projeto original sofreu alteração no senado, que cometeu um grande perjúrio e fez da matéria uma grande "lambança", como sempre.

A palavra de ordem desses novos tempos  é: "Precisamos ouvir as vozes das ruas". As vozes das ruas estão ficando roucas de tanto gritar  e os políticos continuam surdos. E por estarem surdos, continuam viajando com os jatos da FAB: Para ir à festa de casamento com a família e para assistir junto com a família, o jogo do Brasil na Copa das Confederações - observaram como o futebol e a Copa das Confederações estão envolvidas nesse jogo de insatisfação da sociedade e de corrupção, desvios e desmandos do poder público? Ingredientes da sopa! Essas vozes precisam chegar às urnas em 2014, e esperamos todos, que o gás, o combustível que mantém acesa as vozes das ruas não se esgotem antes desse dia.

As vozes das ruas representa um novo começo de era. Esperamos todos que essa nova era política no Brasil venha contemplar os pobres e humildes - ou humilhados - os excluídos e execrados. Que venha contemplar essa Raça que está sendo formada há pouco mais de 500 anos, e que  é uma Raça guerreira e trabalhadora. Uma Raça que luta e não desiste, uma Raça que esteve dormindo, mas que nos últimos quarenta e cinco dias despertou. A Raça Brasileira é uma Raça aguerrida porque sempre foi uma Raça sofrida. A Raça Brasileira é uma Raça que tem muita garra. Por isso estamos aqui, aí, ali, acolá... Estamos em todo lugar, para lutar, ocupar, conquistar o nosso lugar e espaço, no mundo e na história. Estamos construindo um novo país. Vai demorar para ficar pronto mas com certeza chegaremos lá! Ainda somos um país muito jovem e temos muito para aprender. Precisamos caminhar juntos, aprender juntos, fazer juntos, para crescermos juntos...

sábado, 6 de julho de 2013

Lembranças de uma professora

Conto
por Austri Junior


Papai era um homem de poucas palavras, discreto, tímido e também de poucas letras. Ele estudara somente até a antiga quarta séria do primário, mas sabia fazer contas como ninguém. Com o pouco estudo que tinha, ensinara-nos as quatro operações básicas da matemática, mesmo antes da hora. Dizia sempre: "Quem sabe fazer contas nunca será passado para traz". Quando a Dona Célia, a nossa professora, adentrava às operações aritméticas mais avançadas tais como a divisão e a multiplicação de dois, três e até mesmo de quatro números bem como a prova dos noves e a prova real, eu e os meus irmãos já sabíamos muito antes... Amávamos ir ao quadro negro fazer os cálculos, sabíamos também fazer o MMC, e a Dona Célia sempre nos pedía para ajudar os outros alunos. Foi daí que nasceu a minha vocação para  professora, e creio que foi por causa do amor que o nosso pai tinha pela matemática, que ao nos transmiti-lo, ajudou-nos na escolha das nossas profissões: os meus dois irmãos, hoje são engenheiros, Paulinho, o caçula,  cursou engenharia elétrica, e o marcos, o mais velho, formou-se em engenharia civil.

Papai tinha muito orgulho de nós, pois gostávamos de estudar e sempre tínhamos um livro nas mãos, e creio que o hábito da leitura em nossa casa também era fruto da influência dele, que além de ser um leitor assíduo - o exemplo fala mais alto que as palavras - também nos contava lindas histórias na hora de dormir. O meu pai era um exímio contador de histórias. Lembro-me de que ele nos tomava pelas mão - o Paulinho e eu - logo pela manhã, e nos levava para a escola, o Marcos ia caminhando ao nosso  lado, e papai seguia conversando conosco durante todo o trajeto para o grupo escolar... Papai sempre aproveitava as situações que se apresentavam à nossa frente para no ensinar algo. Ele estava sempre atento ao mínimos acontecimentos e socializava conosco, coisas simples, como um verdadeiro mestre. Ele era um  homem de muita sabedoria. Lembro-me de uma vez, quando tinha apenas nove anos, e era uma garotinha, estávamos chegando próximo da escola, e havia um homem bêbado e muito bravo, querendo agredir a esposa, papai com toda a mansidão que Deus lhe dera, pediu-nos que esperassem-no afastados, deu ordem ao Marcos - que na época esta com doze anos - que tomasse conta de nós, e então aproximando-se daquele senhor, começou a conversar com ele - de onde estávamos não conseguíamos ouvir o teor da conversa - e em menos de dez minutos, o homem estava abraçado à sua esposa e chorando muito. Papai então, voltou para nós e ajoelhando-se disse para os meu irmão: "Meninos, fiquem sempre longe da bebida, e nunca agridam pessoa alguma, principalmente  uma mulher". Voltando-se para mim, disse: "Filha nunca deixe que homem nenhum lhe agrida, ou grite com você. Dê-se sempre ao respeito, nunca abaixe a cabeça, nunca agrida a ninguém e não deixe que lhe agridam. Ninguém tem o direito de comandar os outros. O que fazem conosco, é porque assim permitimos. Minha filha, não namore e nem se case com homem de vício, nem com homem mentiroso e violento." E olhando para nós três, disse-nos: "Se plantarmos arroz, não colheremos feijão. Quem semeia vento, colhe tempestade." Apesar da tenra idade entendemos perfeitamente a mensagem que papai acabara de nos transmitir. Foi uma mensagem clara e em baixo tom. Papai falava baixo e mansamente.  Nunca ouvira ele levantar a voz para ninguém, nem para o nosso cachorro, o totó...

Mamãe era diferente do nosso pai. Tudo o que ele era, ela era o contrário, mas tinha um coração maravilhoso e era também uma mulher de muita sabedoria e era amada por todos da nossa família e por toda a vizinhança. Mamãe era agitada e falava alto, mas apesar disso eles viviam em perfeita sintonia. Nunca enredemos isso... Sabemos que os oposto se atraem, mas essa regra funciona bem com a eletricidade. Nos relacionamentos humanos o óleo não se mistura com a água, e forma uma mistura heterogênea, mas no caso da mamãe e do papai, a natureza abriu uma grande exceção, e eles viveram casados  e em harmonia por longos cinquenta e seis anos até o último suspiro daquele velo sábio, que sabia como cativar e cuidar das pessoas. Quatro meses depois da morte do papai, mamãe também partiu. Ela não apresentava nenhum problema de saúde, mas após a partida do nosso pai, ela perdeu o gosto pela vida, ficou deprimida e em uma noite deitou-se para dormir, e não acordou mais.

A nossa vida é mesmo assim: nascemos, crescemos, vivemos e partiremos um dia (ou uma noite) qualquer... Enquanto estamos aqui, façamos e demos o melhor de nós. A vida é curta e passa muito rapidamente. O que ficará de nós é o nosso legado. É tão bom que sejamos lembrados pela nossa benevolência, benignidade, bondade, mansidão...Tenho ótimas lembranças dos meus pais, enquanto muitas amigas ainda conservam as mágoas do seus pais mesmo depois de terem partido daqui. Conheço pessoas que ainda carregam no peito grandes dores causadas pelas pessoas que amaram e que lhes parecem não  foram correspondidas. Sempre amei os meus pais e sempre fui amada... Sinto muito falta da mamãe, e o papai era e continua sendo o meu grande herói! 

sábado, 22 de junho de 2013

"Porque os brasileiros estão furiosos?" - Perguntou o New York Times


Sociedade
Por Austri Junior
 
Os brasileiros continuam nas ruas do Brasil, protestando principalmente contra as Copas (das Confederações e do Mundo). Entretanto, os baderneiros, e os bandidos também continuam a destruir tudo o que encontram pela frente. Hoje, sábado 22/06/2013 foi um dia de passeatas pacíficas e de manifestações violentas. Se alguém me perguntar o que penso dessas manifestações,  responderei sem hesitar que estou cheio de orgulho do povo do meu país, e que abomino e repudio veementemente os atos de violência, tanto da parte dos bandidos e vândalos, quanto da  parte da polícia militar. Os governantes estão ameaçando o povo com o exército brasileiro. Não precisamos de exército, precisamos de polícias eficientes e bem preparadas. Uma polícia que saiba identificar o joio e o trigo, e que saiba agir, respeitando as pessoas, e não agredi-las em sua condição de sem chance de defesa,  quando estão nos pontos de ônibus ou se  manifestando pacificamente.

No texto anterior fiz um comentário desinformado sobre a "Marcha das Vadias" e quero me redimir e dizer  que a "Marcha das Vadias" que foi às ruas hoje tinha famílias e pessoas decentes em seu bojo, embora, algumas moças fazem questão de deixarem  os seios à mostra - diga-se de passagem, desnecessariamente. Penso que se deveria mudar o nome dessa marcha, que surgiu em defesa das mulheres que são atacadas e desrespeitadas por causa das roupas que usam. Não precisamos concordar (e nem discordar) das roupas que as pessoas usam, mas não devemos julgá-las, ou atacá-las por causa disso, e nem por causa de nada. Também hoje, Sábado, os principais jornais da Europa e dos EUA, anunciaram em suas manchetes o pronunciamento da presidente Dilma Roussef  à nação brasileira, porém apenas o New York Times fez uma pergunte inteligente e sábia: "Porque os brasileiros estão furiosos?"

Sei que o New York Times não vai ler o meu post, 
mas vou tentar responder aqui, o porque de os brasileiros estarem tão furiosos,
(embora eu não concordo com essa fúria. Os protestos devem se pacíficos): 

"- O país está mergulhado em corrupção e miséria enquanto os políticos e os governantes estão vivendo muito bem às custas do povo, e mentem, escondendo a realidade que vivemos em nossa sociedade. Queremos investimentos na educação e não escolas caindo aos pedaços. Queremos investimentos na saúde, e não hospitais precários. Queremos o fim da violência, pois sempre que saímos de casa, não sabemos se voltaremos. Queremos a redução da idade penal, queremos os corruptos na prisão e a devolução do dinheiro roubado dos cofres públicos, queremos o fim da PEC 37 que reduz o poder do MP e consolida a corrupção, queremos empregos e investimentos sociais, queremos o Marco (in)Feliciano fora da comissão dos Direitos Humanos e o fim da vergonhosa "cura gay". Queremos governantes que governem com o povo, pelo povo e para o povo, governantes que defendam e olhem para os excluídos sem paternalismo barato e "bolsas esmolas", queremos justiça social e distribuição das riquezas... Não queremos a Copa do Mundo. Não não queríamos estádio, nós queremos escolas e hospitais. Queremos dignidade!"

Vou disponibilizar um link no Portal UOU, onde você encontrará os vídeos da  Carla Dauden, uma brasileira que explica muito melhor que eu, o porque os  brasileiros não querem a Copa do Mundo.

O vídeo da Carla está  fazendo muito sucesso no exterior e no Brasil. 
Acesse o link abaixo, assista o vídeo e compartilhe: