quarta-feira, 21 de maio de 2014

Senado aprova cotas para negros em concursos públicos federais

Comentário
 
Os negros são mesmo tão incompetentes assim, que precisam de cotas em todos as áreas da sociedade? Não, claro que não! Inteligência e capacidade não tem nada que ver com a cor, a raça, ou mesmo a posição socioeconômica. Mas agindo assim, o governo está dizendo: "Os negros são incompetentes, e precisamos dar-lhes um mãozinha."

O que o governo quer realmente é ganhar os votos dos negros ignorantes. Os negros educados não concordam com as cotas raciais (estou entre eles). Não queremos cotas, queremos igualdade, social, racial, humanitária. Queremos uma sociedade que valoriza os seres humanos,  e que culmine em comunidades que valorizem a vida. Pessoas não são animaizinhos que precisam da sua cota diária de ração, oferecida pelos donos, para que não morram de fome.

Os negros e toda a sociedade que pensa e consegue discernir, quer a distribuição justa da renda, geração de empregos, políticas públicas de qualidade, escolas e educação de primeiríssima qualidade. Nós queremos mais justiça e menos corrupção... Queremos que o estado invista na vida, e nós faremos a nossa parte. Se for para falar em cotas - tenho batido nessa tecla aqui no blog desde sempre - que sejam cotas sociais. As cotas sociais envolvem os menos favorecidos, ou seja, toda a sociedade brasileira com os seus pobres excluídos e marginalizados, entre eles, brancos, negros, índios..., pessoas, seres humanos!

Mesmo em relação às cota sociais, ainda assim, creio serem desnecessárias. O que é necessário nesse pais são escolas de qualidade e educação de primeira classe para formar indivíduos de primeira classe e indivíduos competentes, que não precisem de uma ajudinha de nenhum governo. Negros, brancos, índios, pobres, ricos, têm que ser realmente iguais, perante as leis, e têm que construi e conquistar as suas vagas e os seus lugares ao sol por competência, e não por "peninha", ou nenhum tipo de proteção. Todos têm que "ralar" estudar muito, desde criancinha, para conquistar o seu lugar privilegiado na sociedade por merecimento, e não deixar dúvida nenhuma sobre a sua capacidade, a sua competência e o seu merecimento, e não dar margem para que as pessoas os odeiem ou os critiquem por tirar a vaga de outro. A criação de cotas geram um novo tipo de discriminação e separatismo. Isso divide a sociedade e as pessoas. E fica uma divisão injusta, como sempre: De um lado os negros "coitadinhos", e do outro, os brancos "revoltadinhos". O governo e as pessoas que apoiam essas leis negativas não enxergam a Apartheid social e racial que está se formando no pais. Isso é muito ruim e divide as pessoas. Quero encerrar esse comentário com uma pergunta? Onde estão as cotas das outras raças existente no país? Não somos todos pertencentes à Raça Humana?
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Leia abaixo o texto do Estadão Economia e Negócios:

Senado aprova cotas para negros em concursos públicos federais

20 de maio de 2014 | 20h22
Hugo Passarelli

Texto atualizado às 20h55

Ricardo Brito
O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira, 20, o projeto que institui uma reserva de 20% das vagas de concursos públicos federais a candidatos negros e pardos. A proposta, enviada pelo poder Executivo no final do ano passado ao Congresso e que já tinha sido aprovada pela Câmara dos Deputados em março, seguirá para sanção da presidente Dilma Rousseff.
A votação foi acompanhada por representantes da causa racial no País como a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros. Ao contrário dos debates acalorados entre deputados, a sessão do Senado ocorreu em clima de confraternização.
Pela proposta, a reserva de vagas vai ocorrer nos órgãos da administração pública direta, autarquias e fundações federais, assim como empresas públicas e sociedades mistas controladas pela União. A medida terá validade por dez anos.
A cota para negros e pardos no País, segundo o texto, só será aplicada quando o número de vagas em disputa for igual ou superior a três. Os editais dos concursos terão de divulgar expressamente o total de vagas correspondente a reserva para cada cargo ou emprego público oferecido. Pelo projeto, poderão concorrer às vagas da cota os candidatos negros que se autodeclararem negros ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito de cor ou raça utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A proposta prevê punições caso seja constatada falsidade na declaração do candidato. As sanções vão da eliminação do concurso à anulação do processo de admissão ao serviço ou emprego público do candidato que fraudar os dados.
Na justificativa do projeto enviado pelo Executivo, o governo afirma que, embora a população negra represente 50,74% da população total, a representação no poder público do Executivo Federal cai para 30% entre os servidores públicos federais. O dado refere-se a um levantamento feito em 2010 pelo IBGE. “Tem-se, assim, evidência de que, ainda que os concursos públicos constituam método de seleção isonômico, meritocrático e transparente, sua mera utilização não tem sido suficiente para garantir um tratamento isonômico entre as raças, falhando em fomentar o resgate de dívida histórica que o Brasil mantém com a população negra”, justifica o governo.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentado em fevereiro, mostra que a presença de negros é baixa entre as carreiras públicas mais concorridas, em especial as de âmbito federal. Na diplomacia, por exemplo, os pardos e negros representaram apenas 5,9% dos que ingressaram entre 2007 e 2012, contra 94,1% de brancos e outras etnias (amarelos e indígenas), de acordo com informações do Siape, que agrupa toda a folha de pagamento dos servidores públicos. Entre os auditores da receita, os negros e pardos são 12,3% e, na carreira de procurador da fazenda nacional, 14,2%.
Numa análise mais geral, a presença de negros parece relativamente equilibrada. Eles respondem por 47,4% dos ocupados no setor público, contra 51,5% de brancos, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2012. Nos empregos de esfera municipal, por exemplo, há mais negros (51,4%) que brancos (48%). Mas essa fatia se dilui nas instâncias estadual e federal – onde há mais concorrência e mais exigências, como ensino superior. Para se ter uma ideia, das mulheres negras ocupadas no setor público, 65% estão nos municípios, 27,5% nos Estados e apenas 7,5% no governo federal.
Como os cargos com remunerações maiores são predominantemente ocupados por brancos, os salários médios dos negros no emprego público são geralmente mais baixos, mesmo que os anos de estudos sejam equivalentes, segundo o estudo. Em média, os homens negros recebem 65,7% do que recebem os homens brancos, abaixo das mulheres brancas, cujo rendimento é equivalente a 68,6%. Na mesma comparação, as mulheres negras ganham menos que a metade.


Ações afirmativas. Em entrevista após a aprovação do texto, a ministra Luiza Bairros disse que a aprovação do projeto também possibilita o princípio das ações afirmativas no mercado de trabalho. Segundo ela, é no serviço público federal que existe a menor participação dos negros em comparação com o funcionalismo público estadual e municipal. “É preciso sim adotar medidas que estimule e incentive a participação dos negros”, afirmou.
A ministra disse que a futura lei terá um forte efeito de “demonstração” e levará a um impulso para que os demais entes federados tomem idêntica iniciativa. Segundo ela, cerca de 50 municípios já adotam a cota para concursos. Para Luiza, o prazo de dez anos de vigência da lei servirá para avaliar a qualidade da lei. Ela também acredita que vai haver uma repercussão nas empresas privadas.
Luiza disse que não tem uma preocupação “muito grande” com eventuais falsas declarações, uma vez que casos como esse, ressaltou, são “estatisticamente insignificantes”. “Até pela grande competitividade, eu acredito que isso vai coibir os candidatos de colocarem uma condição falsa com medo de que isso possa desclassificá-los”, afirmou ela, que disse que vai trabalhar pela sanção da matéria ainda neste mês.
Questionada se o projeto deve ter algum efeito eleitoral, uma vez que atinge a maior população do País, a ministra disse que qualquer medida correta tomada por um governo tem impactos eleitorais. “Não se pode diminuir a importância dessa conquista diante dessa conjuntura”, avaliou.
Emenda rejeitada. O Plenário rejeitou a emenda apresentada pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) para estabelecer a reserva de 40% das vagas de concursos públicos federais a residentes do estado onde os cargos serão preenchidos. Ela já havia sido rejeitada tanto na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) quanto na CCJ. De acordo com o relator na CCJ, o conteúdo da emenda tratava de tema diverso ao contido no projeto em análise.
(Colaborou Hugo Passarelli, com Agência Senado)

Fonte: Estadão Economia e Negócios

Projetos de Matérias Legislativas:
PLC - PROJETO DE LEI DA CÂMARA, Nº 29 de 2014

Acesse o site do Estadão e consulte a tabela de etnias que ingressam no serviço público no site do Estadão Economia e Negócios, fonte que eu consultei (e cujo texto colei aqui no blog) para fazer esse comentário:

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O oco preenchendo o vazio - Uma reflexão sobre a violência e o comportamento humano sob um "Olhar Teológico"

Teologia
 
Austri Junior - Editor









Não sou sociólogo e nem historiador, mas o que me aproxima dessas duas áreas do conhecimento são a minha paixão pela história e pela sociologia, o meu interesse pelos seres humanos e o fato de ser um teólogo que caminha pela teologia social, pela teologia da educação, pela teologia da libertação e pela história do pensamento cristão. Com isso aprendi a ver tudo com um "Olhar Teológico" para tentar compreender os fatos e as pessoas. Onde há gente, há teologia!



Estamos assistindo perplexos à tantos casos de violência em nosso pais, cada uma mais escabrosa que a outra. A moda de outrora voltou: fazer "justiça" com as próprias mãos. Nos primórdios da existência humana a terra era um lugar difícil e perigoso, tudo em volta formava um ambiente hostil à vida humana. Além dos perigos naturais como as bestas feras, existiam o perigo de se encontrar com tribos rivais, ou de ser atacadas por elas. O homem andava em bandos, dormiam em árvores e não fixava moradia em lugar algum, buscando por alimentação, proteção e segurança. O tempo foi passando, os seres humanos foram evoluindo, a civilidade foi surgindo de forma gradativa. Os traços rudes que aproximavam o homem de animais selvagens foram desaparecendo, e o homem conheceu o que é cortar o cabelo e fazer a barba, deixando de ser mais peludo. Foi-se desenvolvendo hábitos de higiene pessoal, como tomar banho, escovar os dentes, usar produtos de higiene, não sem antes deixar de ser nômade e fixar residência em algum lugarejo. Tudo foi acontecendo gradual e lentamente, durante séculos de existência e civilização humana. Tudo isso aconteceu na história da raça humana, mas há algo que me chama a atenção: o homem sempre esteve envolvido em conflitos e todo tipo de violência, principalmente a violência física. Há um provérbio popular pós moderno  que diz: "É fácil tirar o homem de dentro da favela. Difícil é tirar a favela de dentro do homem." O que há de verdade nisso? Tudo! Com a evolução da civilização vieram muitas coisas boas. O homem criou e inventou métodos de sobrevivência, e entre tantas coisas maravilhosas, também desenvolveu a religião, e há quem possa perguntar: "E a religião é uma coisa boa?" A verdade é que com religião ou sem religião o homem não conseguiu superar a sua natureza humana e com isso, não conseguiu dominar a pior característica dessa natureza: a violência! Muitas e muitas guerras foram e continuam sendo feitas em nome de Deus. Muitas torturas e mortes foram executadas em nome de Deus. Falcatruas, corrupções e roubos continuam sendo feitos em nome de Deus...

Muitas vidas foram sacrificadas e ceifadas para para que alguns homens pudessem fazer as suas grandes conquistas, no mundo inteiro, em todos os tempos. Tribos nômades e dentre eles os hebreus que outrora sofreram vários momentos de escravidão em sua história, para retomar as suas vidas e chegar à terra prometida, saquearam aldeias e quando se estabeleceram como nação também escravizaram pessoas. Antes deles, outras tribos e povos já faziam isso, e sempre foi preciso que reis, líderes e autoridades elaborassem leis como o código de Hamurabi, do qual muita coisa se encontra nas leis judaicas, incluindo os dez mandamentos da lei de Moisés por exemplo, cuja originalidade, paira enorme dúvida histórica e acadêmica. Sabemos que na antiguidade havia algo comum chamado despojos de guerra e que faziam parte dos despojos, além de objetos de valor e os animais, também a vida humana. Quem perdia a guerra era levado como prisioneiro, ou para ser escravizado, ou vendido como escravo, e algumas vezes para serem mortos em praça pública com requintes de crueldade só para divertir às pessoas. Quando os guerreiros matavam os homens sobreviventes no próprio local onde se dera o conflito, não abriam mão de levarem as mulheres mais jovens para servirem de escravas sexuais para si, ou para serem vendidas. Muitas tribos e povos invadiam o território vizinho apenas com o objetivo de roubar mulheres. A mulher não possuía nenhum valor humano e nem mesmo social, mas era uma "mercadoria" fácil de vender, e por ser mais frágil estava à mercê da violência masculina dentro e fora de casa. Qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência. Estamos há trinta dias se um sequestro em massa, de mais de duzentas jovens - ocorrido na África - que foram literalmente roubadas em nome de Deus, para serem vendidas como "esposas", ou seja, escravas sexuais. No velho continente, a Europa, guerras e mais guerras aconteceram por posses e propriedades de terras e de seres humanos, e muitos deles em nome de Deus. Quando não tinham mais para onde ir, pois estavam "civilizados", começaram os círculos das grandes navegações e vieram para na América do Norte e depois na América do sul e quase exterminaram os povos que nessas terras já se encontravam, não sem antes terem passado pela Ásia para comercializarem e comprarem os produtos que não possuíam, para mais tarde voltarem e os colonizarem mesmo de forma sutil, como fizeram os ingleses na Índia e na China. Hong Kong é a prova disso. Para conquistar e subjugar os povos das Américas,  deram uma "passadinha" na África e trouxeram os negros acorrentados em porões de navios imundos que mais pareciam pocilgas, para escravizarem, venderem e trabalharem para eles de graça. Fizeram isso por serem perversos e preguiçosos, como os portugueses, por exemplo. Sempre foi assim: a lei do mais forte, do mais rico e poderoso - a violência - prevalecendo sobre os mais fracos e sobre a minoria. Negros, mulheres, crianças e pobres sempre foram subjugados, e mal tratados sem voz e sem vez. Você consegue ver alguma semelhança com os dias de hoje?

Apesar de fazer um giro pelos primórdios da história da existência e da maldade humana quero chegar ao meu objetivo principal, que são os linchamentos e a violência urbana cada vez mais crescente, principalmente aqui no Brasil, e que muitas vezes tem a ajudinha da internet como ferramenta de divulgação. Um caso recente que chocou a população brasileira e às pessoas que ainda possuem bom senso, foi o linchamento de uma dona de casa de cerca de 33 anos, cruelmente assassinada por uma turba energúmena e sanguinária, entre eles, pessoas drogadas, pessoas perversas, ignorantes, loucas e desvairadas, sem nenhum respeito pela vida humana e pela lei. Nada dá à pessoa alguma, o direito de fazer "justiça" pelas próprias mãos. Por mais que o estado seja injusto, ineficiente e inoperante como temos visto nos últimos anos nesse pais, por mais que a pessoa seja culpada, nada justifica um ato de vandalismo e insanidade como esse. As pessoas estão perdendo o  juízo, e estão fazendo juízo dos valores errados, e nesse contexto podemos mencionar algumas situações (entre muitas) responsáveis por tão infame atitude como foi essa perversa crueldade ocorrida no Guarujá:

1) Em primeiro lugar - como esse texto é uma  reflexão sobre o comportamento humano sob um "Olhar Teológico" - quero mencionar a falta de Deus, ou, o afastamento  que as pessoas tomaram de Deus, e quando falo em Deus, não estou falando de religião, de religiosos, e muito menos de religiosidade, pois religiões não tornam nenhuma pessoa melhor, muitas vezes é o contrário. Uma pessoa que precisa de religião para ser decente, idônea, ética, sincera..., em algum momento mostrará quem é de verdade, pois as máscaras sempre caem. Somos todos imperfeitos. Conheço ateus que possuem qualidades que as pessoas que se dizem religiosas não possuem. Então não seria uma contradição dizer que o afastamento que as pessoas tomaram da presença de Deus as tornam piores, se muitos ateus, gnósticos ou agnósticos são pessoas melhores que muitas que apresentam traços de religiosidades? Sim! E o problema está na religiosidade. A religiosidade corrompe, e o pior de tudo é que muitas vezes corrompe em nome de Deus. Contudo, mesmo estando na presença de Deus nós somos todos imperfeitos, e a diferença entre um e outro é que quando a tentação é forte, que tem o Amor de Deus partirá do principio de que Deus sabe o que ele está fazendo, mesmo que ninguém mais saiba, e vai cobrar isso um dia. Dentro desse contexto, escrevendo como teólogo cristão para os cristãos, uma pessoa que possui o Amor de Deus se perguntará antes cometer barbáries: "Cristo faria isso que eu estou querendo fazer?" Então lembrar-se há dos ensinamentos do Mestre. Assim também agirão os seguidores do Buda, e os de Maomé, entre vários outros seguidores de outros tantos mestres que o mundo já produziu. Continua a contradição? Sim e não! Sim porque há ateus que fariam essa mesmo pergunta, mas de modo diferente: "Isso que eu estou querendo fazer é certo ou errado?" E, não, porque não acredito em ateísmo! Sinceramente não acredito que haja ateus. Na ciência da religião aprendemos que o homem é um ser que tem a necessidade de crer em algo, e que possui a necessidade de ligação com alguma entidade divina. E é verdade. O ser humano sempre acreditará em algo ou em alguém, mesmo que seja uma filosofia "qualquer", em um filósofo, em um estilo de vida, em um livro ou em um autor, em sua esposa ou no seu marido, no dinheiro..., no certo ou no errado. Os seres humanos possuem uma característica inerente ao seu espírito doada no ato da concepção através do sopro divino que é a fé. A fé não é algo exclusivo para, ou da religião. Fé tem a ver com acreditar! Sempre acreditaremos em algo, em nós mesmo, na força do trabalho, no amor..., então, a pergunta é: Ateu (de ou em) qual deus? E, mesmo acreditando só no dinheiro, ainda assim estaremos ligados à Deus, pois o dinheiro não é a raiz de todos os males, a ganância e a cobiça sim. Com o dinheiro podemos fazer muitas coisas boas pelas pessoas, ao invés de subjugá-las, dominá-las, humilha-las e ou excluí-las;

2) Em segundo lugar vem a maldade humana. Maldade essa que nenhuma religião ou religiosidade consegue retirar de dentro do homem, mas o Amor de Deus, sim, esse consegue modelar os seres humanos;

3) Em terceiro lugar, essa violência é cultural e religião nenhuma, por mais que tente, não conseguirá suprimir a cultura de um povo. Pode até tentar, mas não perdurará para sempre. O homem sempre voltará às suas raízes;

4) Em quarto lugar, vem a falta da educação. Quem não estuda, não lê, não assiste documentários, noticiários..., não consegue fazer boas análises, não consegue ter um bom discernimento dos fatos, não consegue interpretar os acontecimentos, não consegue se sobrepor sobre a raiva e sobre o ódio, porque não aprendeu pensar. "Um pais se faz com homens e livros", disse Monteiro Lobato. Quem não lê, não pensa, é simples assim! O que as pessoas fazem hoje? Só assistem telenovelas e lixos televisivos, verdadeiros esgotos despejados nas residências, e as emissoras de televisão ao invés de elevar o nível das programações, abaixa-o mais ainda. Quando não estão diante da TV, as as pessoas estão diante do computador jogando ou navegando nas redes sociais, acreditando em tudo o que lá está postado, sem filtrar, questionar, analisar a veracidade ou a qualidade do que estão vendo, lendo e ouvindo. Passam os seus preciosos dias desperdiçando-os, curtindo e compartilhando futilidades, bestialidades, amenidades, fugindo das coisas que os levam à uma reflexão mais intelectual, madura, inteligente, porque pensar dá trabalho e as pessoas estão preguiçosas, preferem o fast food da ignorância que o labor da elaboração intelectual. Isso se dá muitas vezes pelo vazio cultural, educacional, social... Desde 2010 venho travando uma batalha enorme, e estou em campanha, em favor do uso das redes sociais com responsabilidade social. As pessoas estão postando notícias falsas nas redes sociais, estão cometendo barbáries, maldades, atrocidades, irresponsabilidades, buliyng..., e estão postando o vídeo e as fotos na internet, e nós do lado de cá, estamos assistindo, não denunciamos, nos omitimos e muitas vezes contribuímos com uma série de besteirol, curtindo e compartilhando, dando gargalhadas: KKKKK...! A internete é algo fantástico e maravilhoso, além de ser uma ferramenta gratuita. Devemos usá-la para denunciar as coisas que estão erradas. Devemos usá-la para anunciar as coisas boas e compartilhar com as pessoas um mundo onde todos possam curtir  muito mais que fotos e imbecilidades. Temos no mundo dois exemplos maravilhosos (entre muitos outros) que são as blogueiras Yoanes Sanches, que é perseguida pelo governo castrista por denunciar no seu blogue e no seu Twitter, as injustiças que acontecem em Cuba, e Malala Yousafzai que aos treze anos de idade (hoje com 16 anos) criou um blogue para denunciar as injustiças principalmente contra as mulheres no Paquistão. Mas a nossa falta de educação e de cultura nos impedem, o nosso medo nos impedem, a nossa falta de visão nos impedem. Quem fica batendo nessa tecla é o chato e acaba sendo excluído, ou ostracizado, muitas das vezes vira alvo de chacota e de comentários maliciosos. O brasileiro é o povo que passa mais tempo na internet. Adivinhem onde e fazendo o que? No Facebook, bisbilhotando as fotos e a vida dos outros, postando, curtindo e compartilhando besteiras, e dando gargalhadas - KKKKK... O resultado disso é: O oco preenchendo o vazio!

Sem Deus, sem educação, sem amor, sem respeito..., nós não somos nada, e regressaremos ao nosso estado mais primitivo, por mais que a civilização humana tenha avançado e evoluído. Tecnologias não nos fará melhores, ao contrário, estamos nos tornando piores, pois não temos mais tempo para Deus, para a família, para as pessoas, para amar, para desfrutar das coisas boas e importantes. Fugimos do que é primordial e essencial para mergulharmos em superficialidades e futilidades que nos levam à mediocridade da mente e aos conflitos nas relações. Não sabemos compartilhar e curtir um mundo melhor, porque estamos nos tornando alienados, e estamos dando o pior de nós. Estamos construindo um mundo irreconhecível, podre, oco e vazio. A responsabilidade é toda nossa!
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sexta-feira, 9 de maio de 2014

"A minha mãe, é a mulher mais linda do mundo!"

Homenagem
por Austri Junior

À esquerda, minha sogra Nely (In memorian),
 e no centro, minha mãe, Célia

Lembro-me de quando eu era criança, havia na TV, um programa chamado "Vila Césamo", e nesse programa havia um  garotinho perdido que chorava procurando a sua mãe. Todos tentavam ajudá-lo: Professoras, donas de casas, policiais, transeuntes... Quando as pessoas perguntavam quem era a mãe dele, ele não sabia responder, mas sempre dizia:
- A minha mãe é a mulher mais linda do do mundo!

Para toda criança a sua "mãe é a mulher mais linda do mundo". Porque? Porque para toda criança:
Mãe não tem sexo, porque é um anjo;
Mãe é um ser divino,  abençoado e abençoador;
Mãe é rainha e protetora, carinho e amor;
Mãe é a genitora que não somente nos deu à luz, mas nos dá vida todo instante;
Mãe é a enfermeira que cuida das nossas feridas e a médica que cuida das nossas enfermidades;
Mãe é professora e educadora, que nos ensina tudo, e nos orienta para a vida;
Mãe é o nosso porto seguro, para onde fugimos quando estamos acuados;
Mãe é o alimento que nutre os nossos corpos e nos ensina nutrir a nossa alma, rezando, orando, buscando Deus;
Mãe é aquele lugarzinho gostoso, para onde podemos correr, quando estamos magoados;
Mãe é aquele ser especial, que é só meu e não quero dividir nem com meu pai, nem com meus irmãos...

Ah, mãe é tanta coisa que nem sei dizer. Se você me perguntar, não saberei responder porque. Eu ficaria horas aqui, falando e escrevendo sobre o que é ser mãe, mas muitos talvez não entenderiam, pois para eles, mãe é o oposto de tudo isso, porque muitas mães não conseguiram ser verdadeiramente mães, são apenas parideiras. Mas se essas mães conhecerem apenas uma mãe de verdade... Elas terão vontade de serem mães também, porque ser mãe, é dar e receber (se doar muito mais que receber). Sabemos que não é fácil ser mãe! Filho dá muito trabalho... 

Se perguntarmos à uma mãe de verdade se ela trocaria isso por outra coisa, com certeza a sua resposta seria, NÃO! Porque: 
A mãe troca a sua vida, pela vida do seu filho; 
A mãe deixa de comer, para dar de comer aos filhos;
A mãe deixa de comprar para si, e compra para os filhos;
Às vezes, uma mãe deixa de viver, para que seu filho viva...

Mas nada disso tem garantias. Às vezes o filho cresce, e de tudo se esquece. Muitos filhos quando crescem vão embora, e suas mães eles ignoram. Muitos filhos abandonam as suas mães em asilos, esquecendo-se de tudo aquilo... Aquilo pelo qual, a sua mãe por ele passou... Mas se perguntada  se faria isso novamente, a verdadeira mãe dirá: "Eu faria tudo de novo!"

Lembro-me de que no último episódio do programa "Vila Césamo", o garotinho encontrou a sua mãe, a sala estava cheia de crianças assistindo à TV, minhas irmãs, primas e primos, a minha mãe, a minha avó e eu. Foi muito emocionante e muito engraçado ao mesmo tempo, pois a mãe do menino era muito feia e toda descabelada, mas os risos deram lugar às lágrimas e nós na garganta (de quem conseguiu segurar o choro). Mãe e filhos se abraçaram chorando e ela disse para ele: 
- Meu filho eu estava lhe procurando! 
E o filho disse para a mãe: 
- Eu também estava procurando a senhora!
Alguém os interrompeu e perguntou: "
- Garoto, você tem certeza de que essa senhora é a sua mãe?
O menino respondeu: 
- Tenho sim! 
- Mas você não disse que a sua mãe é a mulher mais linda do mundo? 
O menino respondeu: 
- Então, a minha mãe é a mulher mais lida do mundo!

Nesse instante, rompemos em gargalhadas! É tão bom enquanto ainda temos a beleza  e a pureza do espírito de uma criança que ao buscar por nossas mães, diremos: "A minha mãe, é a mulher mais linda do mundo!" Porque a beleza das mães está em ser mãe, e a beleza de uma mãe, é totalmente interna, e não externa.

***
Ao término da escrita desse texto, chamei a minha esposa e li para ela, como sempre faço, pedindo sugestões e críticas. Bem, ela chorou muito, pois lembrou-se da mãe (minha sogra) que faleceu próximo ao dia das mães, em maio de 2011. O interessante é que enquanto escrevia o texto, lembrava-me dela e colocava aqui as suas características de mãe. Por isso homenageio aqui, a minha mãe, todas as mães, em especial, a minha sogra, Nely Gonçalves Silva.

Austri Junior


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Mães não morrem, jamais!

Homenagem




Mãe! 

Mãe é algo de tão bom e tão especial em nossas vidas, que sem elas nos sentimos confusos e desnorteados. Muitas palavras e mensagens lindas são usadas para lembrar e descrever as mães no seu dia, mas poucas palavras captam realmente o significado da palavra mãe. Por isso, se tivesse que escolher em todo o dicionário, apenas uma palavra em que pudesse captar a verdadeira essência do que significa ser mãe, eu usaria a palavra bússola! Uma filha, ou um filho sem a mãe perde o norte e anda em círculos até se encontrar. Sem mãe ficamos pedidos! Por isso, quando perdemos as nossas mães levamos algum tempo para nos situarmos. 

Mas se não temos mais a nossa mãe, que não nos sintamos tristes no dia das mães, porque sabemos que a nossa querida mãezinha está viva em nossos corações, vibrante em nossas mentes, e todos os dias das nossas vidas à elas pertencem, e o maior presente que podemos dar-lhes é a nossa vida: Colocar em prática os seus ensinamentos, viver a educação e as orientações que elas nos deram, porque o maior e melhor presente que podemos lhes dar foi o presente, que primeiro delas recebemos: Nossa existência!

Ser mãe é isso: Genitora! Aquela que gera, procria... Nos guarda, espera com amor, carícia, maternidade, vida sincera e singela. Podemos dedicar amor de mãe (ou de pai) para quem está precisando. Podemos pedir o amor e o carinho de um parente mais idoso, ou mesmo de uma pessoa com quem nos afinamos, para dividir e compartilhar a nossa dor, a nossa saudade e a nossa perda. Isso não significa que estamos substituindo a nossa mãe. Mãe de verdade jamais será substituída. A sua mãe, a minha mãe, sempre estarão vivas dentro de nós, caminhando lado a lado conosco, em espírito e em verdade.

Você e eu podemos dizer para nossas mãe agora: "Mãe, minhas obras lhe pertencem. Todos os atos da minha existência são seus e à ti também pertencem, pois foi você que me gerou a vida. Mãe, amo você, sempre amei, sempre vou amar, jamais te esquecerei." As mães não morrem jamais!


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domingo, 4 de maio de 2014

Uma reflexão social


Conto
por Austri Junior
Revisado e atualizado as 14hs e 14mim.



Norma acordou cedo naquele dia. Ao abrir a janela do apartamento pôde constatar que o dia estava nublado, e uma leve garôa descia do céu. Do alto de sua janela contemplou as folhas das árvores molhadas, e poças d'água se formando nas imperfeições do asfalto. Levantou o olhar e contemplou o horizonte, onde só haviam prédios. Ela gosta dessa paisagem. Poucas são as pessoas que gostam de prédios e apartamentos, mas a norma é uma pessoa incomum, gosta de viver em apartamentos e não se cansa de observar com satisfação os prédios em seu derredor, como uma adolescente apaixonada. Após alguns minutos dirigiu-se ao banheiro, tomou um banho, escovou os dentes, preparou o café e sentou-se à mesa em sua sala, de frente para a janela, e enquanto saboreava um café forte com pouco açúcar, e rosquinhas salgadas, continuava com o olhar estendido para fora do seu apartamento a contemplar o céu nublado, escuro e cinzento. Ela ama quando o dia está assim. Era um dia de sábado, Norma queria aproveitar para descansar e ler um livro, antes de fazer o almoço. Ainda estava em dúvida se aproveitaria o dia para ler sem ter que interromper  a sua tão amada leitura para preparar o almoço, ou se telefonaria e pediria comida no restaurante próximo de sua residência. Resolveu então ler sem se preocupar... Deixaria essa decisão para depois, pois estava encantada com a leitura que começara no dia anterior dentro do coletivo, indo pra o trabalho. Ela sempre aproveitava todos os instantes que tinha disponíveis para fazer o mais gostava e se dedicar ao que mais lhe encantava: a literatura. Estava lendo "Cem anos de solidão". Então leu a manhã inteira e fez uma pausa para o almoço por volta das doze horas. Resolvera comer apenas uma salada, e voltou para a sua leitura e nela se perdeu até as oito da noite. Só se dera conta da hora avançada quando não deu mais ignorar o grito de fome do seu estômago vazio. Levantou-se comeu um sanduíche,  com pão integral 12 grãos, com uma queijo branco e ricota, algumas folhas de alface, e tomate cru. Tomou um banho quente e gostoso, novamente entrou debaixo de um edredom  quentinho tomou o livro em suas mãos, e retomou a leitura até adormecer, depois de ler por mais três horas com afinco.

Norma dormia tranquila e profundamente, quando um barulho na porta da sala a despertou e lhe fez levantar para verificar o que estava acontecendo. Mal abrira a porta do seu quarto que ficava no fundo corredor que dava para a sala, quando avistou dois homens encapuzados no seu apartamento, e um deles portava uma arma cromada na mão esquerda cujo brilho era impossível de não perceber mesmo na penumbra da sala iluminada pela luz do poste que vinha lá de fora. Pensou em correr para o quarto e trancar-se lá dentro mas não foi possível, o homem armado fora mais rápido que o seu pensamento assustado. Foi puxada pelos cabelos, arrastada para dentro do quarto e jogada em cima da cama com muita violência. Assustada, tentou correr para a janela e gritar por ajuda mas foi brutalmente impedida pela violência cruel e desnecessária do líder, que armado, ameaçou mata-la, se ela não ficasse quieta e não fizesse o que ele lhe mandasse. Então, Norma sentou-se na cama e compreendeu que a sua vida estava por um fio e que poderia ser cessada à qualquer instante se ela cometesse alguma imprudência. Então procurou ficar calma e tentou controlar o medo e a ansiedade.

O bandido ordenou-lhe:
- Diz onde estão os objetos de valor. Quero jóias, dinheiro, telefone celular, relógios, computadores portáteis...
Ela lhe respondeu:
- Só tenho um relógio.
TAFF!!! Foi o barulho que ecoou dentro do quarto, resultado da bofetada que o bandido lhe desferira no rosto.
- NÃO BRINQUE COMIGO!!! Esbravejou!
- Diz onde é que estão agora, se não eu vou matar você aqui mesmo!
O seu comparsa então disse:
- Não faça isso com ela...
- Cala a boca! Não te perguntei nada!!! Respondeu irado.
Norma respondeu calmamente: 
- Se você não acredita olhe você mesmo.
O bandido virou-se para o comparsa e ordenou: 
- Vasculhe tudo! E você, Dona, não me dê mais nenhuma ordem. Outra coisa: se ele encontrar alguma coisa de valor aqui, eu vou te matar só pará você aprender a não mentir mais para nenhum vagabundo!

O líder só falava gritando e com muito rancor. A sua face era horripilantemente assustadora. Ela trazia em si a cara da morte, uma feição sisuda e pesada, os olhos esbugalhados que transmitiam todo o mal dentro daquele homem que parecia disposto à qualquer coisa para conseguir os seus objetivos. Visivelmente drogado, movimentava-se com inquietude e impaciência, notavelmente alterado, com as suas pupilas completamente dilatadas.

Norma é uma mulher inteligente, calma e tranquila, recatada nos seu trinta anos de vida, solteira e estudiosa. Uma professora dedicada que ama a arte e a cultura, uma mulher dada à literatura e às relações com todos os tipos de pessoas, sem distinção de raça cor, credo e situação sócio econômica. Ela é simplesmente uma pessoa de bem e do bem que só tem palavras de conforto e edificação para a vida das pessoas. Por ser temente à Deus orava em silêncio, pedindo livramento. Sabia que se chorasse, se gritasse ou alterasse a voz, se orasse em voz alta ou tentasse "converter" o bandido, essas poderiam ser as suas últimas ações. Ela tem consciência  e sabedoria de que viva, seria muito mais útil para si e para a sociedade que tanto lhe intrigava enquanto objeto de estudo, tanto durante a graduação, quanto no mestrado e no doutorado em ciências sociais. Na universidade, tentava junto aos alunos construir uma dialética que pudesse analisar o universo criminoso que está se apoderando da sociedade pós moderna. Seu conceito sobre esses eventos cotidianos a levara a crer que o ser humano não está tão longe assim de suas origens, e que às essas origens está retornando já há muito tempo, gradual e continuamente. Agora ela estava diante do seu objeto de estudo, e se sobrevivesse, pensava nesse momento: teria muita coisa que discutir na academia. Diante de tal fato percebeu ainda mais, que, tantos quantos forem os debates e discussões, análises e reflexões, sejam elas na academia, nas igrejas ou em qualquer outra instituição política ou social, não seriam suficientes para compreender a natureza humana e o seu comportamento anti social, perverso e criminoso. Ainda assim, ela tinha ideias à respeito dos fatos que agora a colocara nas estatísticas que muitas vezes ela mesma elaborou.

O comparsa ladrão após revirar todo o apartamento voltou ao quarto e disse ao seu líder:
- Não achei nada. Agora vou ver aqui dentro...
- Tem certeza? Peguntou o bandido mau.
- Sim! Certeza absoluta.
- Começa a procurar, então!
Ao abrir a porta do guarda roupas o ladrão deparou-se com um relógio digital muito simples e entregou-o ao comparsa, em seguida achou a bolsa da moça, e ao despejar fora todos os objetos, encontrou um cartão do banco, e após quinze minutos de busca e depois de ter revirado todo o móvel, olhou para o colega e disse:
- Não tem nada aqui.
O ladrão irritado, olhou para a Norma e perguntou em tom de aspereza:
Porque você não tem nada em casa? É para não dar para o ladrão?!
Então ela, muito calma lhe disse:
- Eu não sou consumista.
- O que é isso, Dona? O que quer dizer consumista, vê se fala "língua de gente!"
- Quer dizer que eu não tenho o que eu não preciso e não compro o que não gosto. Eu não preciso de jóias e não gosto de telefones, uso um computador de mesa e quem precisar falar comigo liga para a minha casa.

O ladrão ficou com enorme interrogação na cabeça,  e iracundo por ter perdido o seu tempo ali naquele apartamento, pegou o relógio da vítima, pediu a senha do banco, e ela lhe deu prontamente. Em seguida apontou-lhe a arma para a cabeça, e um estampido a Norma ouviu, antes de despertar assustada de tão horrível pesadelo. Olhou ao seu redor e o quarto estava em perfeita ordem. Tudo não passara de um sonho ruim e um tremendo susto. Levantou-se, foi até a sala, verificou se a porta estava mesmo fechada. Faltavam quinze minutos para as cinco da manhã, uma chuva muito forte caia la fora. Olhou pela janela, e o tempo continuava nublado. Escovou os dentes, tomou um copo de leite, voltou para debaixo das cobertas e tomou em suas mãos o velho e companheiro livro do Garcia Marques, e retomou a sua leitura, mas não sem antes refletir sobre a violência na sociedade: O que leva os seres humanos às raias da maldade que nos fazem liberar tanto mau dentro de nós? Com certeza não são apenas as mazelas sociais - concluiu Norma, aliviada por ter tido apenas um sonho ruim, enquanto que para muitos, o que ela vivenciou no sonho é a mais pura e bruta realidade.
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sábado, 26 de abril de 2014

Dupla face!

Comportamento



Nós humanos estamos sempre nos relacionando aqui e ali. Desde muito tempo, sabe-se que o homem é um ser social e precisa se relacionar com outros da sua espécie - e até mesmo com outros animais de outras espécies como os animais domésticos ou domesticados -  isso é natural e faz parte do convívio social humano.  Entre algumas situações que envolvem os relacionamentos, é a relação de poder. Dependendo do caráter de uma pessoa, o poder irá lhe consumir, dominar, subir à cabeça. Há pessoas ás quais não se pode outorgar nenhum tipo de poder ou liderança, pois ela o transformará arma letal para humilhar, desprezar, ostracizar, corromper..., matar, literalmente ou não. 

As coisas pioram muito quando uma pessoa do nosso convívio, à quem consideramos amiga, ou quando um pessoa se nos aproxima se dizendo nossa amiga apenas para tirar proveito. Nós nunca sabemos qual é a real intenção de alguém. Por trás de um sorriso ou de palavras maravilhosas pode esconder-se a falsidade. Por isso devemos sempre dizer o que pensamos e sentimos sem medo de estar sendo politicamente incorreto, assim, as pessoas saberão quem nós somos de verdade.

Há pessoas por exemplo que nos parecem amigas, mas depois que - inclusive com a nossa ajuda - se elegem para algum cargo político, ou mesmo para diretor de uma escola, e até mesmo sindico do prédio acabam mostrando a sua verdadeira face e passam a desprezar os amigos,. Quanto mais alto o cargo, pior a pessoa fica, e ate mesmo finge não conhecer aquele ou aquela, com quem, outrora eram tão ligados. isso nos incomoda e ficamos pensando: "Como essa pessoa mudo!" mas na realidade essa pessoa não mudou. Ela só está externando o que era por dentro. Nós conhecíamos o seu exterior, o interior de uma pessoa somente Deus pode sondar. As pessoas possuem habilidades incríveis para inclusive esconder a sua real face, o seu real caráter e personalidade. Isso tem nome: Traição! 



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sexta-feira, 21 de março de 2014

Professor ou educador?

Educação

Nem todo professor é um educador


Na minha curta trajetória dentro das escolas públicas tive a oportunidade ver e aprender muitas coisas. Ao contrário do que parece, sou muito observador, mesmo quando estou conversando, brincando e sorrindo estou vendo tudo. Não falo nada, não jogo charadas nem piadas, mas nada me passa desapercebido. E quanto mais o tempo vai passando vamos ficando mais experientes. Quanto mais experientes, mais aprendemos a desenvolver um olhar clínico, e nesse ponto, mesmo à distância, eu vejo muitas coisas. Nessa efêmera trajetória pude observar com muita nitidez e com muita frequência duas situações:
1 - Nem todo professor é um educador;
2 - Há professores que não servem como educadores.
Praticamente as duas situações são a mesma coisa, porém há uma pequena diferença: o professor que não é educador pode se tornar educador algum dia, mas aquele professor que não serve como educador, jamais o será em dia algum. Porque aqui está a diferença: O educador já nasce educador!

Quantas vezes ouvimos dizer que "pau que nasce torto morre torto"? Bem, no caso do pau, pode ser verdade, a não ser que o jardineiro lhe faça uma intervenção "ortopédica" amarrando-o à uma haste fincada ao seu lado enquanto ainda esse está verdinho, ou em tenra idade, pois depois de velho, ou arrancado da árvore será impossível. Também sempre ouvimos dizer que profissionais não nascem profissionais, são construídos ao longo do caminho, também é verdade, mas o educador nasce educador e passa por um processo de aprimoramento e lapidação ao longo do caminho, enquanto estuda e se capacita para exercer a profissão de professor, e depois, quando já está ocupando a função. E é aí que conseguimos perceber se esse professor serve ou não serve para ser realmente um educador.

O texto está sendo escrito no gênero masculino mas estou me referindo à ambos os gêneros, portanto, tenho visto muitas professoras (e professores) com enorme apatia pelo seu trabalho e cheias de antipatia pelos seus alunos, são pessoas que não se importam o mínimo com a educação, muito menos com os seres humanos que dependem delas, são pessoas que estão lecionado porque "no magistério é muito mais fácil arrumar emprego", ou, ainda estão lecionando porque já estão "velhas para mudar de profissão e aventurar". 

Muitas moças - ouço isso com frequência da própria boca de quem fala - foram fazer pedagogia porque é fácil e barato, ou fizeram vestibular para a licenciatura em artes porque é fácil de passar... Não quero ser pejorativo e falar de uma ou duas classes especificamente, só estou citando alguns exemplos. Professores que não servem para ser educadores existem em todas as disciplinas e em todas as áreas do conhecimento, e não somente em escolas públicas mas também nas escolas particulares, nas universidades e nas faculdades. Quem estuda ou trabalha com esses profissionais sabem disso.

Boa parte de quem se diz educador está preocupado apenas com o contracheque no final do mês, uma outra parte está preocupada com as greves e assembleias, e uma minima parte - e demos graças a Deus por isso - estão realmente envolvidas com a educação e com os seus educandos. Já disse isso antes aqui no blog e vou repetir pois o texto pede:  "O professor é aquele que chega em sala de aula e oferece apenas o conteúdo, enquanto que o educador envolve e se envolve com a disciplina, com o conteúdo e com os educandos. Para ser um bom educador é preciso gostar de gente".

É verdade! Os professores que não servem como educadores adentram á sua sala de aula (algumas vezes ou sempre) mau humorados. Passam o conteúdo na lousa e mal explicam a matéria. Muitas vezes com exacerbada preguiça, mandam o aluno copiar do livro. Fico intrigado com isso: porque copiar do livro, se já está no livro? Não seria melhor explicar o conteúdo do livro, estimular o debate sobre o assunto, tirar as dúvidas dos alunos, incentivar a pesquisa sobre o assunto na biblioteca para estimular a leitura e o gosto pelo conhecimento, buscar pesquisar também na internet, utilizar formas lúdicas, interativas e alternativas com um bom gancho pedagógico dentro da sala de aula e fora dela...? Mas isso dá muito trabalho, e esse tipo de professor não quer fazer um mínimo esforço que seja, para o seu aluno aprender e crescer.

Dar aula é difícil, eu sei. Principalmente quando o aluno não quer aprender. Existem turmas difíceis, indisciplinadas, desrespeitosas. Existem estudantes que vão à escola para fazer de tudo, menos estudar.... Muitas escolas não tem biblioteca, muito menos laboratório de informática, falta material didático, um simples pincel para escrever, um simples livo para ler... Muitos alunos não têm acesso à internet em casa e nem interesse. A maioria não faz nem a tarefa para casa. Mas é aí que entra o professor/educador. Ele conquista a turma, envolve a turma com a sua matéria (mesmo que seja a matemática, pois essa é uma matéria que muitos não gostam ou têm medo dela). O educador pesquisa, busca incansavelmente e cria novos métodos de ensino, ajuda os educandos a superarem as suas dificuldades, atende-os nos horários vagos e até mesmo na hora do recreio, conversa com os seus educandos e com os pais deles. Nem tudo é caso para coordenação ou suspensão. Boa parte dos casos se resolvem com conversas, mas dá trabalho.

Tornar-se professor apenas para não ficar desempregado, ou porque é fácil passar no vestibular ou por qualquer outro motivo que não seja vocação é uma grande perda de tempo. É melhor fazer outra coisa. Para ser professor é preciso antes de tudo ser um educador, ou tornar-se um (contrariando o que eu disse acima: "O educador nasce educador"). Entretanto a maioria dos educadores já nascem educadores. Educadores são aquelas pessoas que gostam de pessoas. Pessoas crianças, pessoas adolescentes (que são as mais difíceis), pessoas jovens, pessoas adultas, pessoas... 

Pessoas são difíceis, as vezes são desrespeitosas, "mau criadas", cínicas, abusadas (e as vezes abusadas mesmo. No sentido literal da palavra, e por isso são difíceis). Há pessoas ríspidas, mau humoradas, negligentes, desleixadas (as vezes essas pessoas fedem no sentido literal da palavra). O educador sabe lidar com tudo isso e muito mais. Quando não consegue pede ajuda. Educadores não são super heróis invencíveis como esses dos gibis e dos desenhos animados. São seres humanos com problemas, dúvidas, dificuldades, vulnerabilidades e fraquezas.

Há dias em que o educador quer jogar tudo para o alto, e as vezes joga mesmo. Mas os educadores também sabem reavaliar as suas posições, sabem compreender a posição dos outros, praticando a alteridade e estão sempre dispostos a recomeçar e ajudar os outros. Também precisam de ajuda! Há professores e educadores que pelas dificuldades (amplas e gerais) mudam o vértice, desistem e vão embora. Não os julguemos, pois cada um sabe de si. De qualquer forma, os dois são heróis em enfrentar essa educação caótica que está aí: Salários baixos, violência nas salas de aula, desvalorização da categoria, burocracia nas leis (são deferidos em processos seletivos e não podem assumir porque o órgão público quer fugir ao vinculo empregatício). Falta de concursos públicos, falta de plano de carreira e salários... Todo herói tem a sua Kriptonita!