Página estática. Para ler o texto que escolheu, role a barra até encontrá-lo:
“Educar para Libertar” (Paulo Freire)
“Tudo o que escrevo faço à partir de um pragmatismo, fruto da
minha práxis acadêmica e intelectual, cuja essência, culmina na
vivência social e observância atenta, não somente das partes, mas do
todo (e de tudo).” Austri Junior
Quero partilhar com os meus leitores alguns dos meus
pensamentos. Esses não são apenas teorias ou utopias e delírios, mas
como disse acima, são frutos da minha vivência:
Mensagens, Frases e Citações de Austri Junior acerca da Educação
“A Educação é sempre o início de um projeto majestoso para as grandes realizações pessoais” (Austri Junior)
“A Educação é um caminho para a felicidade” (Austri Junior)
“Investir na educação é resgatar vidas. A começa pela minha!”
(Austri Junior)
“A mediocridade se combate com o conhecimento.” (Austri Junior)
“Uma grande nação se constrói com distribuição justa da renda,
educação e políticas públicas de qualidade. Educação Social e Inclusiva
são ótimos caminhos.” (Austri Junior)
“Educação: Invista também nos melhores e ensine-os sobre como
promover a Justiça Social, e verás quão frutuoso será o resultado.”
(Austri Junior)
“É preciso ver a Educação com um novo olhar. Ressignificar os velhos
conceitos, e construir novos paradigmas é mister e urgente, uma vez que
na Educação o foco principal são as gentes.”
(Austri Junior)
“Não são poucas as vezes que a escola erra, e erra muito. Escutar e ver não são suficientes. É preciso ouvir e enxergar”. (Austri Junior)
“Viver é construir relações. Educar é
edificar seres humanos. O Educador deve ser um empreiteiro que constrói
pontes e estradas para a vida” (Austri Junior)
“Educar é servir! Educando, contribuímos com o crescimento do outro e
adquirimos conhecimento, servindo alcançamos a Graça. Portanto, ‘crescei na Graça e no conhecimento. ’” (Austri Junior)
A DIFERENÇA ENTRE O PROFESSOR E O EDUCADOR:
“O professor ensina conteúdos (e nada mais)! O Educador fala sobre a
vida ensina valores, ajuda a construir o pensamento crítico, ajuda a
‘limpar as feridas’… O Educador não tem medo dos alunos, se envolve e
envolve. O Educador conquista: Respeito e amizade sinceros, e devolve na
mesma medida, enquanto o professor se preocupa com o livro de ponto,
com o contra-cheque, com os bônus, com as greves… O Educador se preocupa
com as gentes. Enquanto o professor só ver ‘marginal’ e ‘aprendizes’ de
bandidos, o Educador ver o ser humano. Não estou delirando! Isso não é
utopia e nem fantasia… Precisamos refletir e escolher quem queremos ser:
Professor ou Educador. Todo Educador é um Professor em potencial, mas
nem todo professor é um Educador.” (Austri Junior)
Pensamentos de Austri Junior
“O amor é maior força de um ser humano. Força é poder.”
(Austri Junior)
“Não falo muito sobre a fé. A Fé é pessoal e subjetiva.”
(Austri Junior)
“As pessoas que não possuem vida íntima com Deus desconhecem o seu
poder, e têm medo e vergonha de falar do seu passado obscuro. As pessoas
transformadas pelo poder do Senhor falam abertamente do seu passado e
dão testemunho do poder de Deus. Dizer: ‘Eu já fui um usuário de drogas’, ou: ‘Eu já fui uma prostituta’, simplesmente por dizer, é diferente de dizer: ‘Já fiz isso ou aquilo, mas o Senhor transformou o meu ser’. Pense nisso!”
(Austri Junior)
“As realizações pessoais também fazem parte de um longo caminho para o sucesso e para a felicidade” (Austri Junior)
“Algumas vezes nos distanciamos tanto, por tanto tempo das nossas
famílias e dos nossos amigos, que quando nos reencontramos não os
reconhecemos mais, e nem eles a nós. Dentre nós, alguns melhoram, outros
pioram (ou simplesmente revelam aquilo que estava oculto), e nos
surpreendemos com atitudes que não esperávamos. Isso não quer dizer que
não os amamos mais, mas o que nos entristece mesmo é quando percebemos
que aquelas pessoas que amamos são incapazes de compreender e enxergar
questões óbvias. Estão cegas!” (Austri Junior)
“A pobreza, seja ela do tipo que for, deve ser combatida com toda a sua riqueza.” (Austri Junior)
“O rancor, esse devemos combater com a bondade, a misericórdia e a
nobreza. O rancor é o fruto da pequenez humana! Bondade, misericórdia e
nobreza, são atos de grandeza.” (Austri Junior)
“A pobreza é o fruto da injustiça social ou da preguiça pessoal. A
mediocridade é a ‘salada mixta’ da pobreza, da preguiça e do
desinteresse pessoal. A pobreza não serve como desculpa para o
fracasso.” (Austri Junior)
“Não se preocupe com as atitudes ‘pequenas’ e muito menos com os seus
autores. Com certeza eles passarão (ou ficarão), enquanto você cresce.” (Austri Junior)
“As mentes geniais e as mentes intelectuais sempre serão incompreendidas… Pelas mentes medianas e inferiores.”
(Austri Junior)
“Uma ótima forma de conhecer a capacidade de socialização,
humanização e aprendizagem de um indivíduo, é mensurando a sua
capacidade de amar incondicionalmente e doar o perdão. Quanto maior for a
sua generosidade, maior será a sua superioridade. O ser humano de dura
cerviz, de coração duro e mente rancorosa, torna-se uma pessoa difícil
de relacionar, extremamente anti-social, e impermeável ao conhecimento.
Fecha-se em sua raiva, e torna-se incapaz de interpretar com clareza. O
ódio, cega a visão, entenebrece o pensamento e encerra a mente do
indivíduo, que não aceita mais nada além daquilo que conhece ou
entendeu, fazendo-o rejeitar o produto do interlocutor contra o qual ele
se rebelou e excluiu.” (Austri Junior)
“As mentes inferiores gostam de se enganar com textos ‘sagrados’. As
mentes comuns se deixam enganar pelos textos ‘sagrados’. As mentes
superiores questionam todo e qualquer texto”.
(Austri Junior)
“Precisamos enxergar mesmo não tendo olhos, ouvir mesmo não tendo
ouvidos. Em muitos e delicados momentos, precisamos nos calar mesmo
possuindo uma LÍNGUA. Jamais devemos reproduzir o mau e o mal que vemos, ouvimos, sentimos e ou possuímos. A nossa missão deve ser sempre: TRAZER palavras amigas e LEVAR a Paz, a esperança, e o conforto a todas as pessoas.
Se agirmos assim, ao fim de cada dia teremos plantado uma ótima semente
em nossos corações, mas principalmente nos corações dos outros,
evitando as mágoas, os aborrecimentos, os ressentimentos… ‘O caminho se faz caminhando’.
Durante o percurso fazemos muitas e variadas escolhas, isso faz parte
do nosso aprendizado e do nosso crescimento, pois o homem não é um ser
pronto, concluído e fechado em si mesmo. E mesmo que não perceba, a sua
vida está sempre se trans-formando. O ser humano possui a beleza e a riqueza de se auto-construir e de Re-significar a sua própria existência! O Amor e a alteridade devem ser as nossas bússolas.
O primeiro nos leva à aceitação do outro como ele é. O segundo nos faz
entender o quanto doem as atitudes negativas de outrem. Portanto, antes
de uma atitude negativa façamos uma Re-flexão, e nos coloquemos no lugar do outro. Com atitudes positivas certamente as nossas vidas serão bem melhores.” (Austri Junior)
“Quem tem sede cava o poço. Não espera pela chuva!”
(Austri Junior)
“A verdade é que não fazemos a mínima idéia de quanto as nossas vidas impactam as vidas de outras pessoas.” (Austri Junior)
“Toda relação deve estar fundamentada no respeito. Cuidar uns dos
outros ajuda a construir relações sadias e duradouras!”
(Austri Junior)
“No ambiente de trabalho, devo enxergar sem olhos,
escutar sem ouvidos, e não reproduzir o mau e o mal que vejo e ouço. A
minha missão deve ser sempre, TRAZER palavras amigas, e LEVAR esperança a todos!” (Austri Junior)
Saudades…
Por Ausrti junior
Sinto muitas saudades,
Saudades de não sei o que…
Sinto muito falta,
Falta de não sei o que…
Meu coração chora, minha alma implora,
Mas não sei o que…
As lágrimas no meu rosto rolam,
Não sei por quê…
Não estou triste,
Apenas saudoso,
Saudoso de tudo,
Saudoso de não sei bem o que…
Apenas choro…
***
A COMUNICAÇÃO E OS RUÍDOS, NAS RELAÇÕES HUMANAS DENTRO DA ESCOLA
Em princípio,
poderíamos dizer que “nenhum ser humano é uma ilha”, e por esse motivo todos
precisam se relacionar uns com os outros, e com certeza, nos relacionamos todos
os dias e em todos os momentos, de uma forma ou de outra, com alguma pessoa. E
esse relacionamento passa sempre e inevitavelmente, pela comunicação. A
comunicação se dá de formas variadas, e é fundamental para os relacionamentos. Os
seres humanos são seres sociáveis, que vivem em comunidades e precisam uns dos
outros para viver e sobreviver. Precisamos do professor, do padeiro, do gari,
do médico..., do aluno – até mesmo as pessoas anti-sociais se relacionam e se
comunicam com outras pessoas. Todos necessitam comunicar-se em seu cotidiano,
mesmo as pessoas que não falam, pois a comunicação, não se dá somente através
da fala, mas também através dos gestos, dos olhares, das cores... Se não fosse
a comunicação, as relações humanas, nesse mundo não seriam possíveis, e tudo
estaria profundamente comprometido, a começar pela existência da humanidade. Viver
é comunicar-se, e a comunicação é o que permeia as relações humanas e a
essência da vida. Se há vida, inevitavelmente tem de haver comunicação. Se
deixarmos de nos comunicar, comprometeremos profundamente os relacionamentos, e
como o nosso foco prioritário nesse curso é a educação, podemos começar citando
alguns exemplos: Se o educador não se comunicar de forma clara com os seus
educandos, aniquilará o processo ensino-aprendizagem, se o vendedor deixar que
os ruídos interfiram na comunicação com o seu cliente, perderá a venda.
Entretanto, a maior importância que a comunicação pode exercer nos relacionamentos
humanos, está no diálogo entre os líderes mundiais que governam as potências internacionais,
que com as suas armas atômicas e letais, podem destruir o mundo e a humanidade.
A nossa experiência
no dia a dia em salas de aulas e dentro das escolas tem nos mostrado que a
comunicação entre professores e alunos não são das melhores, e alguns desafios
têm se levantado dentro da escola nos dias atuais:
Temos
observado que muitos professores ficaram “amarrados” no tradicionalismo e na antiguidade.
Muitos deles estão vivendo a era em que se amarrava “cachorro com lingüiça”. As
tecnologias estão à nossa volta e é uma realidade incontestável, e nos traz
ferramentas valiosíssimas, que podemos e devemos utilizar no
ensino-aprendizagem e na comunicação didática e pedagógica no relacionamento
com os alunos no dia-dia. Muitos professores têm medo da tecnologia, e fogem
absurdamente dela, ao invés de “partir para o ataque”: Reciclar-se em cursos
que lhes tragam maior conhecimento. Os alunos da escola atual dominam a
tecnologia melhor de que os seus professores.
Não
é a nossa intenção reclamar, ou mesmo justificar falhas, mas sabemos que a boa
aprendizagem começa com uma situação favorável. Ambientes quentes, falta de
material didático e pedagógico, péssimos salários... Isso e muito mais são
ruídos que atrapalham a comunicação entre professores e alunos, e que constroem
desafios enormes, que precisam ser vencidos, e urgentemente, pois comprometem a
comunicação e o desenvolvimento de ambos: Professor e aluno.
Por
último (e não menos importante em nossa análise), queremos citar o caos
generalizado em nossa sociedade. A nossa parca experiência vivencial dentro da
escola observa que a escola não dá conta de muitas coisas:
· A
ausência e o desinteresse das famílias;
· O
desinteresse e a falta de limites dos alunos;
· Alunos
analfabetos no 4º e até mesmo no 5º ano,
e alunos semi-analfabetos no 6º ano;
· As
drogas e a criminalidade invadiram as escolas.
Seria a escola tradicional a
solução? Seria o construtivismo um caminho inverso da sua própria proposta (ou, da sua proposta original), e
assim o poderíamos chamá-lo 'DES-TRUTIVISMO'? Com certeza, a sociedade não
é mais tradicional como aquela que outrora conhecemos. Mudanças aconteceram para
melhor e para pior. Para voltarmos ao modelo da escola tradicional (muito
educadores em conversa na sala dos professores têm defendido essa idéia),
teremos de retroceder em algumas questões das leis, algumas inclusive
se tornaram políticas públicas, com algumas coisas boas e muitas coisas ruins.
Entre elas, o Estatuto da Criança e do Adolescente, que precisa de reformas
urgentes.
É
certo que a família e a escola não têm se entendido muito bem, e que as
relações entre essas duas instituições – diga-se passagem, falidas – com
certeza estão estremecidas. A família reclama da escola e vice-versa. A família
precisa conhecer o seu papel nesse contexto e fazer a sua parte: Educar os seus
filhos e impor-lhes os limites, ensinando-lhes as regras para o convívio sadio
em sociedade, não utilizar a escolas como “depósito” para os seus filhos e não
transferir para a escola, o que é de sua responsabilidade. A grande maioria dos
pais só vai à escola em último caso, e alguns chegam à instituição gritando e
até mesmo quebrando coisas, e ameaçando os professores de morte. Normalmente é
a comunicação de alguém equilibrado, com especialização (ou não), em mediar
conflitos que acalmam os ânimos, o que nem sempre funciona, mas com certeza o
diálogo é a água que extingue esse fogo constante, insistente e quase sempre,
diário, que causam os ruídos na comunicação entre a família e a escola. Como já
dissemos acima, onde há vida há comunicação, e é ela, a comunicação, em forma
de diálogo, que apaga o fogo destruidor, em todo e qualquer relacionamento. Como
diziam os nossos avos: “De uma boa conversa, ninguém escapa!”
Ou seja: A
comunicação é tudo nas relações humanas. Entretanto, o respeito é a base de
todo e qualquer relacionamento.
Austri Junior - Para a discilplina Interfaces do Relacionamento Humano - O Papel da Comunicação dentro da Escola - No Cuso de Complementação Pedagógica em Licenciatura em Filosofia. Profª Adenete Miranda.
*(Submeti esse texto à uma revisão, e fiz pequenas mudanças para publicá-lo aqui no Blog).
***
Cristianismo: Exclusivismo e sectarismo
Nesse
fim de semana estive estudando o Campo Religioso Brasileiro, na
Pós-Graduação em Ensino Religioso, após o intervalo do almoço o assunto
da aula foi o 'trânsito' dentro do campo religioso pelas pessoas que
pertencem a uma religião, ou a uma denominação, e que transitam de
denominação em denominação, e de religião em religião. Uma moça
presbiteriana, após ter dormido quase toda a aula, despertou do sono
profundo - antes tivesse ficado domindo - e perguntou:
- E os maçons?
O professor lhe respondeu:
- A maçonaria não é religião!
Ela então, 'encheu o peito' disse com muito orgulho:
-
Na minha igreja, o pastor leu um documento que proíbe os maçons de se
tornarem membros e de serem batizados. Os maçons que já são membros da
igreja podem continuar, mas não podem fazer nada dentro da igreja, os
que não são membros, só podem visitar. Não poderão ser batizados, e não
serão aceitos como membros. E isso vale também para os homossexuais.
Eu
me sento sempre na primeira fila (a sala, enorme e com pouquissimas
pessoas, concentra os interessados na frente e no meio, depois desses,
muitas cadeiras vazias, e no fundão, os desinteressados, os ignorantes,
os fundamentalistas, os... que conversam o tempo todo entre si. Entre
eles, ela, a presbiteriana cheia de orgulho da sua perversa
instituição). Olhei para trás e perguntei:
- E a Evangelização, e o princípio da Salvação? Como ficam?
Ela resposdeu com muito mais orgulho:
- A igreja tem as suas normas, e não é obrigada a ceitar essas pessoas...
Então lhe disse:
- É esse tipo de atitude que torna o cristianismo uma religião exclusivista e excludente.
Então, ela encheu mais ainda o peito, encheu a boca, e respondeu-me com muito mais orgulho (e emburrecimento):
- Essa é a POLÍTICA da igreja, e a igreja não vai mudar para aceitar esse tipo de pessoas!!!
Confesso
que o meu sangue ferveu e enchi-me de raiva. Virei-me para frente e
silênciei-me, enquanto ela ficou tecendo comentários com os seus
partidários (do fundão).
O
professor continuou dissertando sobre o assunto e em dado momento disse
que certa igreja presbiteriana (ele também é dessa denominação),
proibiu as mulheres de falarem na igreja. Nesse momento, a moça
(orgulhosa e emburrecida) exclamou: - 'Nossa!!!' Ela achou essa
proibição um absurdo e começou a falar contra a atitude (burra, perversa
e excludente) da sua própria denominação. Então virei-me para trás,
olhei bem no fundo dos olhos dela, e disse-lhe:
- É o mesmo princípio!!! E virei-me para frente. Ela silenciou na mesma hora, e não falou mais durante o restante da aula.
Espero
sinceramente, que aquela moça tão jovem, possar refletir e
ressignificar a sua fé, e desfazer-se dos seus (pré)conceitos. Também
confesso que além de aborrecido, fiquei muito triste, ao saber que a 'política' da igreja presbiteriana é de selecionar e excluir pessoas.
Sempre
admirei a igreja presbiteriana, por ser um celeiro de intelectuais e
acadêmicos da melhor estirpe. O mestre percebeu a minha indignação, e ao
final da aula, veio conversar comigo, descemos as escadas juntos, ele
me disse sobre o 'relacionamento histórico da igreja presbiteriana com a
maçonaria', ao que lhe respondi, que sabia disso, e percebi que ele
tentou me 'consolar' ao dizer-me:
- A igreja presbiteriana é sectária.
Pior
para a igreja, se ela é sectária. Mas muito pior ainda para o Reino, e
para as pessoas. Confesso que estava pensando em migrar para essa
denominação por causa da sua liturgia e da sua prédica (que muito me
agrada e me atrai) - estou fugindo do neopentecostalismo, das fantasias,
dos exageros e dos lixos do G12, que estão invadindo o metodismo. Foi
muito bom conhecer de perto o pensamento presbiteriano antes de cometer o
segundo grande erro da minha vida: o primeiro erro foi procurar por um
Cristianismo Verdadeiro no metodismo, o segundo erro seria procurar pelo
Cristianismo Verdadeiro no presbiterianismo. Cheguei à triste conclusão
que buscar pelo Cristianismo Verdadeiro em denominações, não passa de
utopia e perda de tempo. Nenhuma forma de cristianismo que está
circulando por aí, presta. É tudo uma grande porcaria. O Verdadeiro
Cristianismo está dentro de mim e das pessoas Verdadeiramente Cristãs.
Onde está o Espírito de Deus, está a liberdade. O Espírito do Senhor
está nas pessoas livres das ditaduras doutrinárias das instituições. As
pessoas governadas por instituições estão sendo emburrecidas e
institucionalizadas. Elas estão cegas para enxegar o Cristo que Ama e
que tem Misericórdia. Também estão surdas para ouvir a voz do Cristo da
Graça que prega o Amor. Enquanto estiverem surdas para o Cristo, só
ouvirão as doutrinas, e os seus doutrinadores. E esses dizem: - "Fora!!!"
Estou
Re-significando o ser cristão em minha vida. Talvez eu desista dessa
busca, para encontrar a Verdadeira Paz. Quem sabe ela, a Paz, além de
estar dentro de mim mesmo, também não está em outra forma de
religiosidade que não seja cristã?
Mais que uma reflexão teológica, mais que uma análise da situação absurda da Ekklesia, esse texto é um desabafo 'Teo-eclesiástico'. Estou cansado!
Austri Junior,
Servo do Deus altíssimo, cansado (dos que se dizem servos, e das suas doutrinas, das suas pantominas e das suas presepadas).
NOTA:
A
humanidade é podre mesmo! Fui ao google buscar uma imagem adequada para
esse texto, e encontrei um blog maçon condenando os homossexuais e
defendendo a exclusão dos homosexuais na maçonaria, e uma 'seleção mais
apurada, quando do ingresso do indivíduo na maçonaria'.
E
assim caminha a humanidade: Enquanto uma certa casta de pessoas são
excluídas de determinados ambientes, também excluem os outros dos seus
ambientes. Isso gera um ciclo de exclusão-exclusão-exclusão.
***
O Campo Religioso Brasileiro
(Resenha do texto de Pierre Sanchis)
Por Austri Junior
O CAMPO RELIGIOSO BRASILEIRO
Introdução
Em “AS RELIGIÕES DOS BRASILEIROS”, Pierre
Sanchis (1997), faz uma abordagem objetiva à cerca do Campo Religioso
Brasileiro, analisando as matrizes desse campo e as suas vertentes. O autor
trabalha com muita propriedade as questões à cerca da diversidade dentro do
catolicismo e descreve os números dos dados religiosos dos sensos de 1980 a
1994, e as mudanças significativas no quadro religioso católico brasileiro, que
segundo o autor, esses “números se
dispõem na direção de um – aparente - e irreversível
[1] declínio”.
As
pesquisas apontam para um decréscimo do catolicismo em terras brasileiras, que
outrora se declarava em sua maioria católica romana. O cristianismo católico romano fora
oficialmente a religião do país, pelo menos durante os períodos colonial e
imperial e continuou sendo – veladamente – pelo menos até o século XX.
Retornando
à questão do decréscimo de católicos romanos, citemos os números das pesquisas,
mencionados por Sanchis, nas quais os brasileiros se declaravam católicos: “em
1980, 88% da população brasileira se declararam católicos; em 1991, 80%; em
1994, 74%”. Sanchis acrescenta em seu relato os dados dos censos em alguns
estados brasileiros que “introduz um
segundo fenômeno digno de nota: o fato da diversidade interna”.
Diversidades
no cristianismo
Por “diversidade
interna” [2] o
autor quer dizer, os movimentos e as tendências dentro do catolicismo
(brasileiro), e cita as CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base), a RCC (Renovação
Carismática Católica) e as Dioceses de Campos e de Goiás, cuja cristandade tem
as suas particularidades e peculiaridades próprias, além de outros movimentos
(diversificados) dentro do próprio catolicismo, que formam um etos específico.
Segundo
o autor, as diversidades religiosas no Brasil possuem duas matrizes. São elas: “O cristianismo – mais especificamente o
catolicismo - e o universo ‘afro’, de experiências e tradições que acompanharam
ritmicamente as levas de escravos, como seu último bem, seu tesouro até hoje
inalienável”.
Da mesma forma como o catolicismo brasileiro
é diversificado, assim também o cristianismo no Brasil, também é plural, e
diversificado pela presença do protestantismo. A hegemonia católica no Brasil
começou ser derrubada pelo protestantismo histórico, e depois pelo
protestantismo evangélico, cuja face se apresenta no pentecostalismo, que muito
contribuiu e continua contribuindo para a nova face da eclesialidade cristã,
não somente junto ao protestantismo histórico, mas também dentro do
catolicismo. Nesse último, o movimento pentecostal aprece travestido de
movimento carismático, a RCC.
Muitos sociólogos, teólogos e cientistas da
religião apostam no desaparecimento do protestantismo histórico – sob pena de
acabar, ou se engolido pelo pentecostalismo – entretanto, Pierre Sanchis afirma
que
(...) essa representação
está errada ou, pelo menos, ultrapassada. Recentes pesquisas no Rio de Janeiro mostram
que, depois de terem ficado próximas da estagnação até uma dezena de anos
atrás, as igrejas protestantes tradicionais (sem falar daquelas que entraram no
movimento da renovação pentecostal) são Igrejas vivas e que recrutam até na
juventude. A sua vitalidade é hoje comparável à dos Batistas e da Assembléia de
Deus.
Quando se fala de diversidade no cristianismo
brasileiro, com certeza não se pode ignorar o fenômeno religioso brasileiro,
conhecido como Pentecostalismo Brasileiro, que possui características bem
peculiares, e vem crescendo consideravelmente. A entrada do Movimento
Pentecostal no Brasil se deu de maneira impactante no que tange a realidade
religiosa brasileira. Vindo do exterior, chegou ao Brasil no “início do século”
e mexeu com as estrutura católica e protestante histórica, arrebanhando um
grande número de fiéis, cuja explosão desse fenômeno chega impressionar. O seu
crescimento é de cerca de 10 a 15%. As participações nas reuniões religiosas semanais
e nos cultos costumam atingir 85%, e a freqüência mensal chega atingir 94% -
segundo as pesquisas do Censo Institucional Evangélico e Novo Nascimento do
ISER, mencionada por Sanchis em seu ensaio - e isso se dá em todo o país.
Sanchis considera o pentecostalismo um “ramo avivalista do protestantismo”, e
afirma:
E foi o seu caráter
de ruptura com as tradições religiosas brasileiras que logo marcou o seu
caráter de visibilidade. Longamente retida, a explosão pentecostal deu-se
durante as décadas de 50 e 60, sob a forma de missões intensivas, verdadeiras “Cruzadas de Evangelização” organizadas
a partir mesmo do Brasil. As camadas sociais mais densamente atingidas foram
desde o início as camadas populares. Hoje ainda, apesar de uma nítida presença
em outras camadas e de certa ascensão social dos grupos pentecostais
primitivos, o espectro pentecostal, se corresponde ao perfil brasileiro quanto
à população de renda nédia baixa (entre 2 5 salários mínimos), inverte a sua
pirâmide quando se trata dos dois extremos: renda baixa e renda alta. Os
resultados seriam semelhantes quanto à escolaridade e à cor. Uma religião de
pobres.
Embora a nossa consideração sobre o ensaio de
Pierre Sanchis venha manifestar-se durante as nossas considerações finais no
fim desse texto, não podemos nos furtar a um breve comentário, sobre o
pentecostalismo ser “Uma religião de pobres”.[3] O nosso conhecimento
teológico é sábio o suficiente para rechaçar tal afirmação, e deixar muito
claro aqui e agora, que o pentecostalismo não é, e nunca foi religião. O pentecostalismo é uma vertente
dentro cristianismo. Esse sim é religião!
Semelhanças na diversidade
Da mesma maneira como não se pode ignorar o
pentecostalismo quando dissertamos sobre a diversidade cristã, também não
podemos ignorar o candomblé e a umbanda, bem como o espiritismo (cardecismo)
quando o assunto é a pluralidade religiosa na sociedade brasileira.
Sanchis insiste em dizer – não sem razão –
que as religiões afro que “souberam
arrancar-se da sua matriz geográfica e sociopolítica... para elaborar no
Brasil, primeiro o seu universo simbólico, mais tarde suas organizações
comunitárias, enfim uma proposta religiosa universal, independente de nação,
etnia, raça ou cor”, possuem – não meramente – algumas semelhanças com o
cristianismo.
Por “universo simbólico” [4] o autor quer dizer que as
religiões de origem africanas no Brasil (não podemos deixar de citar que a
umbanda é genuinamente uma religião brasileira, embora com matriz africana),
não são mais religiões africanas, e sim universais, já que estão em países como
a Argentina e a Suécia, por exemplo, e que não são mais religiões de pobres e
de negros, ou de analfabetos e ignorantes. Entretanto, quando o autor fala em
universalidade e independência, refere-se ao fato de que apesar de uma única
matriz, as religiões afro possuem características próprias que mudam de região
para região, dentro do Brasil, e que
o mundo religioso
afro no Brasil não constitui somente permanência, cópia ou repetição. Também
ele vive, recria-se constantemente, dinâmica e conflitualmente, segundo uma
linha de representação indentitária que, algumas vezes, o faz reivindicar a
autenticidade dos fundamentos de sua tradição, outras vezes o joga no caminho
da assimilação de outras influências, latentes ou ativamente presentes no
espaço religioso no Brasil.
A influência do cristianismo, basicamente do
catolicismo é latente, principalmente na umbanda – “no mundo do candomblé as coisas são mais complexas, e a realidade dos
valores de ‘consciência’ e do ‘pecado’ que marca a sua falta é mais ambígua” –
onde vemos reproduzidos fielmente uma parte dos valores cristãos, bem como uma
parte da doutrina cristã à cerca do pecado, podemos identificar a doutrina
católica à cerca da caridade: “Lugar
central de um valor cristão, que sem dúvida não fazia parte, na posição de
relevo do elenco de valores tradicionalmente africanos. Influência do
cristianismo? Sim”. Afirma Sanchis, num jogo de pergunta e resposta,
referindo-se evidentemente à época em que as religiões afro se estabeleceram no
Brasil, mas não somente isso, em se tratando da umbanda, é muito provável que
ela tenha nascido já com esses conceitos cristão-católicos, por influência e
assimilação da religiosidade que por aqui desde muito tempo imperava.
“Entre essas
influências, sem dúvida, a influência cristã e, especificamente, católica.
Impossível – de fato e de direito autoproclamado - pensar o mundo afro no
Brasil como puramente africano (‘Pureza e Perigo’... diz a antropóloga
inglesa). Afro-brasileiro, sim”.
Mas é somente do catolicismo-cristão, a
herança ética recebida pela umbanda? Sanchis diz que não. De fato, o
sincretismo religioso no Brasil (o termo sincretismo usado aqui, não é de forma
pejorativa, mas no sentido real da palavra), é muito comum em uma sociedade de
religiosidade plural como o Brasil. Da mesma forma que podemos ver elementos do
cristianismo mesclados à cultura e religiosidade afro, o contrário também é
verdadeiro (falaremos sobre isso em nossa consideração final). Segundo o autor,
a umbanda recebeu também a influências do espiritismo.
Na cultura religiosa brasileira Sanchis
identifica cinco filões. São eles:
1.
O cristianismo;
2.
As religiões afro;
3.
O espiritismo;
4.
As religiões orientais;
5.
A nova era e o esoterismo.
Esses filões de uma forma ou de outra, estão
mesclados à umbanda. Sanchis afirma que o “quarto
filão, e a quarta família, de introdução mais recente, mas já “brasileiramente”
assimilada em certas correntes umbandistas”, é “a dos cultos de origem oriental”. São eles:
Budismo nas suas
variadas obediências, hinduísmo de krishna, grupos japoneses do Seichô-no-Iê,
da Perfect Liberty ou da Igreja messiânica etc. Sem falar de correntes menos
institucionalizadas, de penetração capilar, que fazem parte mais propriamente
do quinto universo simbólico (...)
Para o autor, o quinto universo simbólico está
representado pelo “universo da Nova Era e
pelo esoterismo. Cristo está presente na
Nova Era, mas apenas como o iluminador eventualmente supremo”. A espiritualidade contida na Nova Era,
“levam muitos à conclusão de uma volta a
um paganismo culpabilizador”. Sobre as características da existência
espiritual e social da Nova Era, e da tradição esotérica no Brasil, eis o que
diz o autor:
Exuberante
proliferação de ramificações, encontros, fusões e superposições, tradições
particulares e sedimentações universais, a Nova Era - bem como a tradição
esotérica, presente no Brasil desde o século passado, que ela reencontra e com
que se cruza – representa ao mesmo tempo a contundente afirmação de uma
modernidade individualista, racional e dessacralizadora, a tentativa de
recapitular, no que tem de global, espiritual, carnal e cósmico, o caminho do
homem para uma completude nunca atingida. Porque nunca fechadamente concluída,
espiritual e sobrenatural só à custa de se querer totalmente e plenamente natural
(...)
Nesse ensaio, não poderíamos deixar de fazer
menção ao Santo Daime. Sobre essa forma de espiritualidade, Sanchis escreveu:
Enfim, na esteira dessa
“novidade” feita da recoberta do antigo, é bom inserir o que quer ser a
reemergência contemporânea da mais antiga raiz religiosa brasileira, a Doutrina
do Santo Daime, talvez um pouco menos atraente hoje, mas que já assumiu a
tarefa de conjugar, numa experiência espiritual forte e continuada, segmentos
das camadas sociais mais representativas da modernidade: intelectuais e
artistas, ao estrato mais radical do Brasil historicamente primevo (o indígena)
e topologicamete profundo e vegetal...
Considerações finais
Sanchis afirma que “estamos longe de um monolitismo religioso”, dado, é claro, a gama
de religiões e as suas vertentes, contidas no bojo do campo religioso
brasileiro. As religiões importadas, e as religiões tipicamente brasileiras
acompanhadas dos movimentos – sincréticos ou não – nelas inseridas, compõem o
campo religioso brasileiro e a espiritualidade plural de um povo, que mesmo sem
perceber, muitas vezes se tornam sincréticos e místicos, e de acordo com as
suas crenças e vertentes sociais vão caminhando em meio a esse emaranhado de
opções, buscando encontrar e até mesmo re-construir as suas identidades.
Se observarmos atentamente poderemos enxergar
elementos da cultura afro inseridas no neo pentecostalismo e no pentecostalismo
brasileiro: as danças, as palmas e os rodopios – que quando em transe – os
evangélicos manifestam em sua liturgia, sob a afirmação de que esse fenômeno é
o “derramar do Espírito Santo” – uma espécie de “unção” derramada por Deus.
Apesar das semelhanças e da porosidade no
Campo Religioso Brasileiro, o que vemos e percebemos (ainda) é o exclusivismo e
a exclusividade, principalmente dentro do – e por parte do – cristianismo. É um
clima que Pierre Sanchis chama de “Guerra Santa” [5].
Sanchis – com exceção da afirmação de que o
pentecostalismo é uma religião (já comentamos sobre isso acima) – captou com
excelente maestria a situação da realidade no Campo Religioso Brasileiro na
modernidade, embora, acreditamos que os números e dados por ele citado, já
tenham mudado significativamente, tendo em vista que os seus estudos já se
passaram quinze anos, o que nos proporciona uma ampla margem para novos estudos
à cerca do assunto que é uma fonte inesgotável de pesquisa, análise e
conhecimento.
Sabemos que tantos outros novos estudos à
cerca desse mesmo assunto foram desenvolvidos no Brasil, o que enriquece a
nossa busca por tentar compreender o campo religioso brasileiro, a
religiosidade dos brasileiros e as suas religiões, que como bem disse o autor
em sua introdução: “’As religiões dos
brasileiros... Um título de conferência que teria sido implausível ha meio
século’”.
Referências:
Sanchis, Pierre. As
Religiões dos Brasileiros. Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 28 – 43, 2º sem. 1997
***
Na
segunda feira (passada), por volta das oito da manhã, eu estava em
minha sala (na escola), trabalhando no computador, enquanto esperava a
hora de sair com as crianças para a academia, onde praticamos a HAMONIZAÇÃO PSICOMOTORA
(atividade que reúne alongamento, meditação, relaxamento e arte marcial
– que desenvolvi para trabalhar com os educandos do Programa Educação
em Tempo Integral, onde exerço a função de Educador Social), quando
adentrou uma menina, que vou chamar pelo nome de Margarida (por uma
questão ética), e que tem nove anos de idade.
Digitando, perguntei-lhe, sem retirar os olhos do teclado:
- Está tudo bem?
Ao que ela respondeu:
- Tudo…
- Tem certeza? Insisti.
- Tenho…
- Porque você não está brincando com as outras crianças?
- Eu quero ficar aqui com você! Respondeu.
- Mesmo?! Interroguei exclamando com muita surpresa.
- Mesmo! Ela exclamou.
Talvez alguém esteja se perguntando: “- Por qual motivo ele ficou tão surpreso assim?”
Na realidade, além de surpreso, fiquei muito feliz e satisfeito com a
atitude dela, pelo fato de que a Margarida não gostava muito de mim. Eu
lhe cobro com muita insistência, atitude de respeito e socialização com
os coleguinhas. Ela tem dificuldade em se relacionar com as outras
crianças, e com os adultos também. Vive metida em confusão, e em geral
ela é a causadora dos conflitos. A Margarida “gosta” muito de uma fofoca
e não respeita os limites que lhe são transmitidos, entre outras
coisas. Nesse dia descobri o porque. (As famílias nem sempre nos colocam
à par dos fatos reais, e nessa caminhada vamos avançando pouco a pouco,
e construindo a nossa compreensão dos fatos as vezes com certa
lentidão, porém com lucidez e muita clareza…)
Margarida então, disse em seguida:
- Eu quero conversar com você.
Imediatamente parei o meu trabalho e olhei para ela, dando-lhe toda a atenção:
- Pode falar meu amor…
- Eu quero falar sobre a Jane.
Jane (nome fictício) é a irmã dela que é mais velha – Jane tem onze anos – e
que participa do Programa também. A Jane sempre apresentou um
comportamento totalmente oposto ao comportamento da Margarida, e quando
ela disse que a conversa era sobre a irmã, pensei: “Senta que lá vem a
fofoca.”
Então lhe perguntei:
- O que tem a Jane?
- "Ô tiu", a Jane não é nada disso que você pensa.
- Como assim? Perguntei.
- Ela se junta com as colegas grandes e fica ‘apertando’ a
campanhia da casa dos outros e corre, ela e as colegas dela riem dos
adultos na rua, chama as pessoas de feias, e outro dia, elas riram de
uma mulher que estava no ponto de ônibus só porque a mulher é gorda. Ela
responde a minha mãe, e não respeita os adultos. Em casa ela me bate, e
não me deixa brincar com os brinquedos dela e fica me zuando porque eu
não conheço o meu pai, e ela conhece o pai dela. Quando não tem ninguém
em casa, ela liga o computador e fica na internet. Ela sabe que não
pode. Outro dia o meu padrasto brigou com a minha mãe porque a Jane
mexeu no computador e encheu o computador de vírus… Aqui ela fica
fingindo ‘prá’ você que é boazinha, só ‘prá’ você deixar ela ser a
líder.
Foram revelações interessantes, essas que a Margarida me fizera sobre
a irmã ‘boazinha’. Entretanto, as revelações bombásticas sobre a
situação familiar ainda estavam por vir. Então ela continuou:
- O meu padrasto comprou uma moto. Ninguém pode chegar perto da
moto, e nem passar a mão nela que ele briga e faz a maior confusão. No
sábado a Jane subiu na moto e ‘fingiu’ que estava dirigindo. O meu
padrasto chegou bêbado em casa, e viu a Jane em cima da moto. Ele foi
prá cima dela prá bater nela, a minha mãe não deixou, então ele começou
a bater na minha mãe, ela pegou uma faca e foi prá cima dele, então ele
fugiu, e a minha mãe chamou a polícia. O meu padrasto só chegou hoje de
manhã, na hora que nós saímos para o ‘Tempo Integral’.
- Como é a vida de vocês em casa? Indaguei.
- Nossa vida é um inferno!
- Por quê?
- Porque nós não podemos fazer nada. O nosso padrasto briga com a
gente o tempo todo, por qualquer coisa… nós não podemos nem brincar
direito.
- Ele bate em vocês?
- Não. Quando ele vai bater ‘na gente’ a nossa mãe não deixa, ela
diz que ele não é nosso pai, e por isso ele não tem o direito de bater
em nós.
- Ele bate na sua mãe sempre?
- Quando está bêbado… Respondeu.
- Como foi que a sua mãe conheceu essa pessoa?
- Quando a ‘gente tava’ se mudando, a minha mãe ‘tava’ carregando as
coisas grandes sozinha, ele viu e ofereceu ajuda. Então ele chamou a
minha mãe para sair de noite, ela aceitou, eles saíram outras vezes,
então começaram a morar e ele foi morar lá em casa.
A mãe dessa criança tem quatro filhos: um garoto de 13 (anos que mora
com a tia e ‘está dando um trabalho enorme’, segundo o relato da
Margarida, nessa mesma conversa. Segundo ela, o irmão – que no início do
ano também fez parte do Programa Educação em Tempo Integral – ‘está
dando um trabalhão e está começando a andar com a turma da pesada’). Tem
a Jane, com 11 anos, a Margarida, com 9 anos e uma filhinha de 2 anos
que é filha desse indivíduo que chamarei pelo nome fictício de
‘Mineiro’. Cada uma dessas crianças tem um pai diferente, e a Margarida
até nessa segunda feira não conhecia o pai, e nunca havia falado com
ele.
A menina seguiu o seu relato dizendo que ela e a irmã não podem fazer
o dever de casa porque o Mineiro não deixa. Ele também não deixa que
elas estudem para as provas, e também não podem fazer nenhum trabalho
relacionado à escola. Elas não podem nem tocar nos brinquedos da
irmãzinha que é a filha dele. Não podem beber o leite, porque o leite é
só da menininha. Ele trás para a filha biscoitos recheados e outras
guloseimas, mas a margarida e a Jane não podem comer. Ele dá presentes à
filha e não dá para as meninas que não são filhas dele – apesar das
atitudes abomináveis do Mineiro, penso que pode haver nesses atos
miseráveis desse indivíduo um gesto de vingança e um recado direto para a
mãe das meninas que diz: ‘você não tem o direito de bater nelas porque você não é o pai delas‘.
Margarida seguia com o seu relato, enquanto eu escutava atentamente, e
diga-se de passagem, emocionado, vendo a angústia e o sofrimento
daquela criança de apenas nove anos e com tantos problemas na vida,
embora eu sei que existem crianças com menos idade e muito mais
problemas que ela. A pior parte da narrativa foi quando ele me disse que
as vezes lhes falta o alimento, e que ele só compra para a ‘filha dele‘. Em todos os momentos em que ela se referiu à irmãzinha, ela só falava ‘a filha dele’. Em dado momento ela me disse:
- No dia das crianças nós não ganhamos nenhum presente, ele só
comprou para a filha dele e talvez no natal nós não vamos ganhar nenhum
presente também. A minha mãe ganha pouco e não tem condições de camprar
presente pra nós… Acho que nós não vamos nem ganhar caderno e lápis de
cor novo no ano que vem, porque a minha mãe não pode comprar.
Nesse momento os meus olhos se encheram d’água. Tentei segurar o
choro, um nó enorme travou a minha garganta, engoli-o com dificuldade e
as lágrimas desceram-me pela face, ali em minha sala de trabalho, diante
daquela garotinha, cujos olhos fixos em mim, expressa um grito de
socorro. É duro ouvir isso. É duro lembrar dessa narrativa, sem
experimentar o mesmo sentimento, enquanto digito aqui no blog.
Impossível (para mim) não chorar de novo!
Sequei as lágrimas com as mãos, tentando me recompor, enquanto sentia
uma dor apertar o meu peito, e o incomodo nó que insistia engasgar-me,
fechando a minha garganta.
A narrativa da Margarida foi muito mais além:
- A minha mãe está pensando em juntar dinheiro para alugar uma
casa, mas ela ganha pouco e tem muitas divididas. ela tem medo de que o
meu padrasto mate ela. Eles brigam muito, e quando eles brigam, a Jane
entra no meio tentando separar a briga. Eu tenho medo dele matar a minha mãe. Minha
mãe evita brigar com ele. Quando ele chega bêbado, a gente sai de casa,
porque a minha irmãzinha tem mancha na pele, e toda vez que eles brigam
a mancha da minha irmãzinha aumenta.
Esse foi um dos raros momentos em que a Margarida não se referiu à irmãzinha como ‘a filha dele’. A ‘mancha na pele’ da irmãzinha dela é o vitiligo, e é de ordem emocional – a mãe já havia me dito, em certa ocasião.
A narrativa dela prossegue com a seguinte fala:
- Eu nem podia falar, mais eu vou falar: o meu padrasto fuma
droga, ele gasta o dinheiro dele com essa porcaria. Todo dinheiro que
ele ganha ele gasta quase tudo nisso…
Percebi naquela menina de apenas nove anos, além de uma angústia
enorme, uma forte necessidade de desabafar. Contar para alguém sobre o
seu sofrimento, as suas angústias e opressões… Não era nem preciso
perguntar muita coisa, na sua inocência de criança ela ia dizendo essas
coisas que fazem parte do cotidiano dela, da mãe e das irmãs,
testemunhas de uma realidade cruel, que faz parte de uma sociedade ainda
mais cruel. Esse problema não é somente da Margarida, é também o
problema de milhares de Margaridas espalhadas por esse rincão
brasileiro, e que se repete todos os dias. Esse sofrimento também não é
prioridade das crianças brasileiras, mas de milhares de crianças e
mulheres: Margaridas, Rosas, Violetas, Acácias… que habitam esse enorme
planeta, dividido em cinco continentes.
Perguntei para a Margarida, preocupado:
- Ele usa a droga perto de você e da Jane?
- Não. A minha mãe proibiu ele de fazer isso perto da gente. Ele
se esconde. Tem um bequinho no quintal onde ele fuma. Sempre que ele
está fumando, a minha mãe vai escondidinha e filma tudo prá ver quem vai
ficar com a minha irmãzinha quando ela se separar do Mineiro.
- Margarida, que tipo de droga ele usa?
- Crack e maconha. Disse com uma grande e nítida tristeza no olhar.
Olhei bem dentro dos olhos dela e disse-lhe palavras de Amor e
conforto. Conversei com ela por um bom tempo, orientando-a , como um bom
Educador Social (que sem modéstia, eu sei que sou). E como não poderia
deixar de ser, como ex-Pastor e ex-Capelão, como ex-Catequista de
crianças e adolescentes (que fui nos meus bons e velhos tempos de
Católico Romano e Pregador da Renovação Carismática Católica), falei-lhe
do Amor de Deus e dos cuidados D’Ele para com ela, e para com a família
dela. Ela fitava-me com os olhinhos bem arregalados e com muito
interesse. Os seus olhos brilhavam, e no final ela disse:
- Agora estou muito mais aliviada. Foi muito bom conversar com
você, porque essa conversa tirou um peso muito grande ‘da minha costa’.
Fiquei surpreso com essa frase que não é comum em se tratando de uma
criança de nove anos, mas principalmente porque nunca pensei que a
Margarida fosse uma criança tão madura, quanto se apresentou nessa manhã
de segunda feira.
Pedi-lhe então que chamasse a Jane sua irmã mais vela para vir à
minha sala. Busquei a confirmação dos fatos, o que ela confirmou,
inclusive as suas próprias peripécias e o fato de que ela foi o pivô que
desencadeou a última briga entre a mãe e o padrasto, e a orientei
quantos aos devidos fatos, e fiz questão de lhe pedir que não tentasse
separar a briga dos pais, por mais que ela ame a mãe, para evitar que
ocorra uma tragédia maior. Orientei-a para que nesses momentos, ela
buscasse a ajuda de algum vizinho, de alguma pessoa adulta.
Ontem, sexta-feira, não tivemos atendimento às crianças do Programa
Educação em Tempo Integral pela manhã na escola, pois é dia do nosso PL.
No turno vespertino (horário de estudo da Margarida), precisei
substituir uma professora, e na hora do intervalo (recreio) estava
atravessando o pátio da escola, quando a Margarida veio correndo em
minha direção, me abraçou e me disse:
- ‘Tiu’, eu tenho uma notícia muito boa, quer ouvir?
- Claro! É sempre bom ouvir uma noticia boa. Principalmente vinda de você!!! Respondi com carinho.
- Hoje eu falei por telefone com o meu pai… Meu pai biológico.
Ele vem me conhecer e eu pedi um presente. Ele vai me dar um presente de
natal, e em Janeiro ele vem me buscar para passar as férias com ele.
Mal deu tempo de eu lhe dizer:
- Essa é realmente uma ótima noticia! Isso é realmente maravilhoso…
E ela saiu correndo e saltitando… Só queria mesmo partilhar aquela
notícia alviçareira comigo. Nunca vi um par de olhinhos brilharem tanto!
Austri Junior
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (12
sábado
nov 2011)
Posted in Comportamento
Tags
Impor limites às crianças, aos adolescentes e aos jovens, ajuda a construir uma sociedade melhor
Como Educador Social em uma escola do Município de Vitória-ES, tenho
tido a oportunidade de substituir alguns professores em sala de aula,
ministrando para as séries iniciais do ensino fundamental, cuja faixa
etária varia entre 6 e 14 anos. O meu trabalho de professor substituto
não acontece somente em sala de aula, mas, inclusive nas aulas de
educação física.
Observando os educandos em situações diversas e variadas, percebi que
o comportamento dos mesmos oscilam muito entre um ambiente e outro. Os
educandos com os quais eu trabalho no turno matutino no “Programa
Educação em Tempo Integral”, são os mesmos com os quais eu trabalho no
contra turno, durante as substituições. Não raramente, em sala de aula,
um ou outro se comporta muito diferente do comportamento habitual,
quando está comigo no turno matutino durante o Programa “Tempo
Integral”. Geralmente, eles parecem esquecer tudo o que lhes tenho
ensinado. O que me leva a crer, que um ser humano, principalmente as
crianças e os pré-adolescentes (que são o objeto da nossa análise nesse
momento), podem variar de comportamento muito facilmente, contrariando
os contrários à teoria de que “o homem é o produto do seu meio
ambiente”.
Também é impossível deixar de observar que nas aulas de educação
física, crianças se comportam de maneira muito diferente do seu
comportamento em sala de aula. Geralmente nas aulas de educação física o
comportamento daqueles mais “agitados” piora. São nas aulas de educação
física que tenho a oportunidade de ampliar as minhas observações, e
perceber que em geral o comportamento que os educandos apresentam na
comunidade escolar, é nada menos que uma reprodução do seu ambiente
social, que é claro, inclui também a escola. O que quero dizer é que em
geral, toda a violência e comportamento inadequado à um ser humano, que
os educandos apresentam na escola, é uma reprodução daquilo que eles
vivenciam em seus lares e em suas comunidades de origem.
Os meninos apresentam um quadro de extrema violência física. Eles se
agridem fisicamente quase que o tempo todo – alem do ‘bullying’, é
claro. Quando o assunto é violência física, a questão maior gira em
torno de menino x menino, embora as meninas não escapem da violência
masculina. Mas quando a agressão gira em torno do ‘bullying’, as meninas
são as vítimas preferidas dos meninos.
É visível e notório, principalmente nas meninas, a intriga (a famosa
fofoca), de uma “armando” contra a outra (muito parecido com as tramas
apresentadas nas novelas). Esse problema é tão arraigado ao
comportamento das meninas em tão tenra idade, que chega a impressionar.
Quando a questão gira em torno da violência física, a vítima preferida
das meninas são os meninos.
Uma coisa tem me chamado a atenção de uma forma muito acentuada,
nesses últimos meses: As meninas são extremamente mimadas, autoritárias e
intransigentes. Se não for como elas querem, elas se recusam a fazer, e
agora não estou falando do relacionamento com as aminguinhas e com os
amiguinhos. Estou me referindo à aula – no caso aqui, a aula é a de
educação física. Nessa hora deixo de lado toda a pedagogia e psicologia e
as faço entenderem que existe uma coisa chamada limite – isso faz parte
da (minha) didática. Não somente com as meninas mas também com alguns
meninos, pois em muitos lares e residências, são as crianças e os
adolescentes que decidem como “como a banda vai tocar”, e as famílias
obedecem. É impressionante, quando converso com alguns pais – os poucos
que aparecem na escola – sobre o comportamento dos filhos deles, e eles
me dizem: -”Ah professor, em casa também é assim. Ela/ele quer mandar o
tempo todo, e não faz nada do que eu digo. Eu não sei mais o que fazer
com essa criança…”
Penso que educar é acima de tudo impor limites!
Austri Junior
Fonte dessa imagem:
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (06
domingo
nov 2011)
Posted in Comportamento

Por Austri Junior
Objetivo
Extraído do (meu) Blog Teologia e Sociedade
www.circuloteologico.blogspot.com
***
***
Quem passou a vida em brancas nuvens
Por Austri Junior
Primavera de 2009
(24/11/2009)
Austri Junior
11/09/2011
as 02:30h
(comemorando 28 anos e 05 meses de namoro)
21/07/2009 (Aniversário da minha Rainha)
***
Desce vales,
rompe matas margeadas por cascatas.
Caminha cantarolando melodias,
tendo como orquestra,
as águas que escorrem pelas pedras,
junto ao capoeirão.
Maria Auxiliadora,
que na hora da refeição
ingere farinha e feijão,
e, sem descanso labuta com muita disposição.
Maria Auxiliadora,
depois que o sol se esconde
deixa a lavoura com alegria,
chega em sua cabana e banha-se
com satisfação,
sobre o seu corpo, água e sabão.
Maria Auxiliadora,
vai à cozinha, cozinhar o pirão.
após o jantar,
fala com o João
sobre as coisas do seu coração.
Na varanda de tábua rústica,
eles se enroscam e se amam no chão.
(Mais um dia se foi, mais uma noite se passou, mais um dia virá. Maria Auxiliadora está feliz. Não fosse o cansaço, pediria bis).
***
Inclusão Social (Educação Inclusiva)
(A Educação em Tempo Integral)
A Educação em Tempo em integral é diferente da escola de (ou em) Tempo Integral.
Na Educação em Tempo Integral os educandos passam o dia todo na escola, porém com uma diferenciação curricular e pedagógica, que funciona da seguinte maneira: no contra-turno, os educandos participam de atividades desportivas, oficinas diferenciadas: artísticas, culturais, didáticas, pedagógicas… visitas culturais aos museus, cinemas, teatros, fábricas… O Educador consciente nunca se refere à essas saídas como “passeios” pois não são! O bom educador, sempre irá tratar as atividades fora do ambiente escolar como “Encontros Pedagógicos”, pois todos os espaços serão sempre educativos e pedagógicos e constituem o Currículo Educativo da Educação Social. Ao retornar dos encontros, o Educador deve socializar com os educandos as atividades lá observadas, sejam elas um filme, uma peça teatral, uma apresentação, ou uma oficina, seja essa atividade de qualquer espécie, ela deve ser contextualizada, discutida e explorada ao máximo, buscado absorver essência de tudo o que foi vivenciado naquela oportunidade e desenvolver atividades que socializem as coisas mais importantes que aconteceram durante o encontro, ou oficina, estimulando os talentos individuais dos educandos,através de redações, estórias e histórias, tirinhas e quadrinizações, desenho livre, contos, falas e narrativas, debates…
Na Educação em Tempo Integral os educandos passam o dia todo na escola, porém com uma diferenciação curricular e pedagógica, que funciona da seguinte maneira: no contra-turno, os educandos participam de atividades desportivas, oficinas diferenciadas: artísticas, culturais, didáticas, pedagógicas… visitas culturais aos museus, cinemas, teatros, fábricas… O Educador consciente nunca se refere à essas saídas como “passeios” pois não são! O bom educador, sempre irá tratar as atividades fora do ambiente escolar como “Encontros Pedagógicos”, pois todos os espaços serão sempre educativos e pedagógicos e constituem o Currículo Educativo da Educação Social. Ao retornar dos encontros, o Educador deve socializar com os educandos as atividades lá observadas, sejam elas um filme, uma peça teatral, uma apresentação, ou uma oficina, seja essa atividade de qualquer espécie, ela deve ser contextualizada, discutida e explorada ao máximo, buscado absorver essência de tudo o que foi vivenciado naquela oportunidade e desenvolver atividades que socializem as coisas mais importantes que aconteceram durante o encontro, ou oficina, estimulando os talentos individuais dos educandos,através de redações, estórias e histórias, tirinhas e quadrinizações, desenho livre, contos, falas e narrativas, debates…
Eu que sempre fui um critico acirrado do Programa Educação em Tempo
Integral da Prefeitura Municipal de Vitória, no Espírito Santo, hoje
venho retirar publicamente através desse post muitas das críticas que
fiz à SEME e consequentemente ao Programa, entre elas a fala de que esse
programa era uma “cortina de fumaça.” O motivo pelo qual estou
retirando as críticas que fiz ao programa é porque nesse ano de 2011, a
Prefeitura assumiu totalmente o programa, inclusive a contratação dos
Educadores Sociais. Embora o salário e o nível de escolaridade exigidos
ainda não são compatíveis com a função – ainda há muita coisa para
melhorar – estamos percebendo que estamos no caminho. O que estamos
vendo nesse ano foram e serão mudanças significativas: processo seletivo
simplificado, que transformou o Educador Social em servidor público e
não mais um trabalhador contratado por alguma ONG que todo ano mudava, e
que recebia muito mal pelo seu valiosíssimo trabalho. Com isso, o
salário embora longe do ideal, melhorou e deu um salto substancial que
ultrapassa a casa dos 30%. Outra mudança significativa foi a abordagem e
a re-leitura que a SEME (Secretaria Municipal de Educação de Vitória
-ES) está fazendo do programa, inclusive as formações dos Educadores que
estão com um nível de conhecimento muito mais profundo e significativo,
entre outros…
O Programa ainda tem muito o que crescer e avançar, mas repito,
está no caminho certo. O Programa amadureceu e cresceu nesses quatro
anos de funcionamento (mais um ano como projeto piloto, em 2007, no Polo
[do colégio] Americano). Muito foi feito nas escolas
com e pelos educandos. As relações entre a Escola e o Programa que eram
truncadas e difíceis estão melhorando, mas ainda é necessário rever o
comportamento de algumas equipes do Programa e principalmente da parte
de alguns dos seus responsáveis – os coordenadores do Programa – que
ainda deixam muito a desejar junto à Diretoria, ao CTA e à escola como
um todo e vice-versa. Mas isso é um assunto que extrapola o trabalho que
a SEME vem fazendo – embora em minha opinião, a SEME pode resolver
facilmente os problemas de falta de compromisso por parte de alguns
coordenadores do Programa, contratando profissionais de fora de Rede
Municipal de Ensino, em regime de CLT. Muitos desses coordenadores são
professores “cansados” fugindo das salas de aulas, das preparações e das
correções de avaliações e trabalhos, entre outras coisas….
Outra coisa que precisa ser revista é que, Infelizmente, a função
de Educador Social passou a receber um nome que até então não existia ou
que nunca se tinha ouvido falar: “INTEGRADOR SOCIAL.” Dizem que por
questões trabalhistas e jurídicas. Eu entretanto, não abro mão da minha
função de Educador Social, pois Educador é o que sou. Pode-se argumentar
que é apenas uma questão de nomenclatura, mas para mim a questão vai
muito além disso e eu não abro mão de ser um Sócieducador para ser
“sócio-integrador.” A função do Sócieducador vai muito além da
integração, embora, que a Educação passa pela integração, e vice-versa,
pois a Educação é em sua plenitude um agente de integração, e o
Sócioeducador, é um agente de transformação (assim como a Educação), e
também um agente de integração.
Como a Sócioeducação é assunto inesgotável e riquíssimo, com
certeza voltaremos à novas abordagens futuramente. Por hora, quero
registrar que estou acreditando novamente no Programa Educação em Tempo
Integral da Prefeitura Municipal de Vitória, e apostando tudo nesse
trabalho. Sei que podemos melhorar e avançar muito mais e assim faremos,
principalmente quando os coordenadores do Programa (alguns, não todos),
se doarem como Educadores que são – ou que deveriam ser – e começarem
interessar-se pela Sócioeducação como uma ferramenta da Educação
Inclusiva que pode mudar e transformar a trajetória de muitos seres
humanos, influenciando diretamente na construção de uma sociedade melhor
(não de uma vez, isso é um processo construtivo, um passo à cada dia), e
não apenas se preocuparem com os seus contra-cheques e respectivos
descontos.
Por Austri Junior
A Educação no Brasil

A quantas anda a educação no Brasil? Essa é uma pergunta cuja
resposta, por mais que tentemos otimizar, ainda assim encontraremos
dificuldade em responder positivamente, tamanha as dificuldades
encontradas pelos professores, em sala de aula, para lecionar as suas
disciplinas. As escolas
estão sucateadas em todo o seu universo: salas de aulas, sala dos
professores, material didático, dependências tais como banheiros, sala
para educação especial, bibliotecas, refeitórios… Muito foi feito na
educação no Brasil ultimamente, mas muito há que se fazer, pois a
educação no Brasil ainda agoniza nas filas de espera em corredores sujos
dos hospitais mal cuidados, à espera de uma mísera vaga na U.T.I.
O salário dos professores ainda é uma destoante e desafinada canção
que ninguém consegue ouvir. Não é possível que em uma nação como o
Brasil que gasta fortunas em desperdícios e em corrupção, não possa
investir na educação para construir uma nação sadia e saudável. Investir
na educação envolve melhores condições de aprendizagem para os alunos e
melhores condições de trabalho para os professores – o que inclui não
somente salários dignos, mas, capacitação e educação continuada, pois
diga-se de passagem, existem educadores que precisam ser (re)educados,
em todos os sentidos.
Não bastasse as dificuldades sócioeconômicas que encontramos nas
escolas, ainda temos as questões relacionadas ao tráfico e uso de drogas
– consequência direta das questões sociais mal resolvidas no país e da
falta investimento em políticas públicas de qualidade – o que acarreta
em falta segurança nas escolas, que por sua vez faz vítimas entre
alunos e professores. Se o estado não investe na sociedade, essa bomba
vai explodir nas escolas que é um barril de pólvora com o pavio aceso.
A escola tem as suas peculiaridades, e uma delas, tão importante
quanto a disseminação de conhecimento, é ser uma instituição política,
já disse o grande e inesquecível mestre, Paulo Freire, que com a sua
“Pedagogia do Oprimido”, andou de braços dados com a “Teologia da
Libertação”, um casamento perfeito que fez muito bem para a educação no
Brasil, e se hoje temos a educação inclusiva nas escolas, e também a
sócioeducação, foi graças à Paulo Freire e, à TdL (Teologia da
Libertação), e aos movimentos estudantis e acadêmicos que abraçaram o
movimento libertário denominado “Grito dos Excluídos.” É interessante
dizer que a escola não avançou o quanto deveria, e hoje a escola exclui
mais do que inclui, e isso passa pelo crivo da ignorância à cerca desses
fatos relevantes que acabei de narrar, bem como aos interesses pessoais
dos profissionais ali engajados - que ajudam no retrocesso da
caminhada da educação rumo à construção de cidadãos e cidadãs – quando
ao invés de somar se dividem em facções, subtraindo a qualidade do
ensino, da educação, do conhecimento e das inter-relações, multiplicando
a decadência e o caos existente no ambiente escolar, que mais parece
uma praça de guerra, muitas vezes com intensas e impensadas
verborragias.
Por Austri Junior
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (01
terça-feira
nov 2011)
***
A educação vista por alguns ângulos:
O Meio-Ambiente, a Sustentabilidade, a Educação, e a Cidadania
Cada
vez mais o planeta mergulha na dificuldade que é sobreviver.
Sobrevivência é a palavra chave nos dias de hoje, dado a necessidade da
sustentabilidade. A sociedade em todo o planeta está cada vez mais
produzindo lixo.Raros são os municípios que tratam o seu lixo com
responsabilidade ambiental e social. Nem todos os municípios têm coleta
seletiva, e não estão nem dando sinal de quando vão começar.
Cabe à sociedade educar-se e mesmo que a prefeitura do seu
município não faça a coleta seletiva, cada um deve começar a cuidar do
seu lixo: separar o que é lixo seco e lixo molhado, lixos perecíveis
tais como alimentos e lixos orgânicos, lixo tóxico (baterias, fluidos,
substâncias líquidas), papel, plástico, vidro, metal…
A terra não consegue acompanhar o ritmo desenfreado de produção de
lixo, de desmatamento e poluições advindas principalmente das
indústrias. Os países em desenvolvimento e os países subdesenvolvidos
estão muito aquém do que se espera para poupar o planeta do colapso
ambiental, mas não são em si os grandes vilões. Os EUA por exemplo, se
recusam a assinar o “Protocolo de Kyoto”. O gigante em crescimento – a
China – ainda toca as suas indústrias à base do carvão. O gigante
Brasil, brada muito mas não age de acordo, embora existam no país muito
projetos e iniciativas para cuidar do meio-ambiente, nada de concreto
por parte dos governos e das autoridades está sendo feito.
A maioria dos programas, projetos e iniciativas na área ambiental
no Brasil, provém da sociedade, através da iniciativa de ONG’s, das escolas,
e de algumas instituições, bem como de poucas empresas. A maioria das
empresas não se preocupam com o meio-ambiente e derramam seu lixo muitas
vezes tóxicos em qualquer lugar, prejudicando o lençol freático, rios,
lagoas e mares.
Estamos longe de alcançar o nível de desenvolvimento
sócio-ambiental holandês, que aproveita todo o seu lixo para mover
grande parte das cidades: Trens, ônibus, usinas, o abastecimento de
energia e aquecimento nas residências na Holanda são movidos pelo gás
extraído do lixo produzido naquele país.
Mudar a situação e a realidade brasileira pode levar tempo. Mas
como tenho dito sempre aqui, a educação é o principal e melhor caminho
para o desenvolvimento de uma nação e do seu povo. Iniciativas na área
da Educação Sócio-Ambiental são muito bem vindas e é uma questão de
cidadania. Precisamos começar a ensinar sobre o meio-ambiente nas
escolas, desde a tenra idade.
Levar os educandos para visitar locais de reciclagens e afins é
melhor que nada, mas o ideal é que se tivesse a disciplina “Ecologia e
Meio-Ambiente” – ou seja qual for o nome – nas escolas, desde o ensino
fundamental até à faculdade. Hoje no Brasil a educação está obsoleta, e
se faz urgente uma reforma no currículo escolar. Muitas disciplinas
estudadas não têm utilidade alguma para a vida dos alunos. Também se
poderia usar as disciplinas já existentes para trabalhar as questões
sócio-ambientais e do dia-dia, para que o educando leve isso consigo, em
seu quotidiano.
Vale a pena mudar e inovar, para construir uma sociedade melhor e um planeta mais saudável. Gaia agradece!
Veja os quatro videos abaixo: “EDUCAÇÃO SOCIAL E CIDADANIA.”
***
A Tecnologia e a Educação
No post posterior, comentarei sobre Tecnologia x Analfabetismo.
Não muito diferente da situação do nosso personagem na UPA (clique no
link acima), estão os alunos e professores das Redes Públicas de Ensino.
Uma pesquisa mostrou que os professores das Redes Públicas estão
aquém do seu alunos no que diz respeito à tecnologia, pois essa é a
geração dos games, e além disso, existem alguns fatores que contribuem
para alimentar esses dados:
1) As crianças aprendem com maior e mais facilidade;
2) As crianças têm muito mais interesse em aprender a lidar com a tecnologia, e além disso, têm mais tempo livre;
3) Os professores (que conheço), que não dominam a informática e a internet, não têm o mínimo interesse em aprender.
Mesmo os alunos que se interessam pela tecnologia, mas não sabem
ler, acabam no mesmo emaranhado que o nosso personagem do post anterior.
Tenho feito muitas substituições em sala de aula no contra-turno na
escola onde trabalho como Educador Social, e no momento em que levo os
educandos para o laboratório de informática, vejo a dificuldade daqueles
que não sabem ler, em lidar com o computador. Infelizmente há alunos no
4º e no 5º ano que não sabem ler – maldito “Bloco Único”.
A questão é que a educação pública no Brasil anda de jegue, e vai
deixando para trás um rastro de ignorantes, analfabetos e
semi-analfabetos. Com o advento da informática, temos mais uma classe de
analfabeto: o analfabeto cibernético. Até pouco tempo eu era um
analfabeto cibernético. Em dado momento percebi que o mundo estava
viajando na velocidade da luz, enquanto eu estava como a educação
pública, montado no lombo de um jeguinho. Resolvi que nunca mais
passaria por constrangimentos… Fui à luta, e continuo lutando, buscando,
mergulhando, aprendendo mais à cada dia, e por isso, eu que tinha
aversão a tecnologia, hoje sou um grande fã e incentivador da mesma.
Fico muito feliz quando vejo uma pessoa com mais de trinta anos,
principalmente – se esta teve pouco acesso à educação – se interessando
em aprender a lidar com essa parafernalha tecnológica, também me alegro
muito quando vejo alguém que alcançou a terceira idade buscando o
conhecimento tecnológico. O contrário disso muito me entristece. Quando
vejo educadores fugindo da tecnologia, seja por qual for o motivo: medo,
aversão, pouco caso… Fico muito decepcionado.
Muitos professores estão muito atrasados no que diz respeito a
informática, mesmo dominando o conhecimento em algumas redes sociais
como o orkut e o facebook, não sabem usar o computador de maneira
produtiva.
A atitude negativa de professores incompetentes e desinteressados
reflete diretamente na qualidade da educação, que por sua vez reflete
diretamente na sociedade brasileira. E isso é que faz a diferença entre
um professor e um Educador: o professor ensina o que sabe, o Educador
busca aprender aquilo que não sabe, e uma vez, tendo aprendido, partilha
com os seus educandos. Essa partilha enriquece a vida de ambos,
fortalece a educação e constrói uma sociedade com consciência cidadã. É
essa sociedade que vota, que protesta, que cobra, que age, que trabalha
com ética, e que no futuro vai às Unidades de Saúde, aos bancos, à
repartições públicas e privadas “tocar na tela” para retirar uma senha,
enquanto acompanha o desenvolvimento da nação. Podemos escolher que
nação será essa: a que viaja na velocidade da luz, ou a que viaja de
jegue.
***
Tecnologia X Analfabetismo
Estive hoje pela manhã em uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA,
inaugurada há poucos meses no município de Serra-ES, onde resido. Lá
pude observar um atendimento de “primeira classe:” O paciente ao chegar
na unidade, depara-se com uma maquina eletrônica, onde ele toca na tela e
o computador dar as opções de atendimento, então o paciente toca na
tela outra vez, na opção de atendimento de que necessita, e a máquina
emite uma senha com um número e a opção de consulta desejada. Fiquei ali
a observar cada um que chegava, enquanto esperava a minha vez - Um
monitor que pendia do teto, emitia o som e mostrava o número da sua
senha.
Enquanto observava a maneira como as pessoas – em sua maioria muito
simples – se relacionavam com a tecnologia, ao mesmo tempo que admirava
o progresso chegando à saúde, alcançando o povo. Foi então que me
ocorreu o seguinte pensamento: “E quando chegar uma paciente analfabeto,
ou semi-analfabeto, como será que vai lhe dar com isso?”
Mal acabei de pensar, chegou um homem caucasiano aparentando 50 a
55 anos, e pediu informação sobre o atendimento. A recepcionista
disse-lhe:
- Senhor, toque na tela.
Ele olhou para um lado e para o outro e perguntou-lha:
- Qual tela?
- Essa aí em sua frente, senhor. Respondeu-lhe.
Ele olhou a tela e ficou meio atônito. Então a recepcionista lhe disse:
- Senhor, toque no canto da tela!
Enquanto aquele homem tentava processar as informações da
recepcionista, a fila para “tocar na tela” crescia atrás dele. A
recepcionista tornou orientá-lo:
- Toque no canto da tela senhor!
Aquele homem totalmente simples, retrato do povo, começou a ficar
com a face rubra e começou também a rir, todo sem graça. Tocou na tela,
mas tocou no local errado. A moça disse então:
- Senhor, toque naquele cantinho ali. Ele então tocou no local
certo, e instantaneamente, a maquina lhe ofereceu duas opções: Clínico
Geral e Odontologia. Então a recepcionista tornou a orientá-lo:
- Senhor, agora toque em Clínico Geral!
Foi aí que a coisa piorou. Ele olhava daqui, olhava dali, tocava em
um local, tocava em outro, e nada. Enquanto isso a fila crescia. Nessa
hora, a moça que estava tentando fazê-lo compreender os procedimentos
tecnológicos daquela “geringonça” moderna, perdeu a paciência, e gritou
com o homem, apontando o local exato onde ele deveria tocar. Foi então
que ele disse, também em um tom mais alto, como a pedir socorro e
desculpas, tudo ao mesmo tempo:
- Eu não sei ler!!!
Aquela frase dita com tanta vergonha, emitida num grito de desabafo
e justificativa me “cortou o coração”. A recepcionista ficou
desconcertada, um peso invadiu a recepção, e a recepcionionista começou a
pedir desculpas:
- Desculpa senhor, desculpa! Eu não sabia, me desculpa, eu não sabia!
Foi nesse momento que de onde estava, num ímpeto impulsivo, eu disse para uma senhora que estava atrás dele:
- Ajuda ele aí!!!
A mulher tocou na tela, e a máquina emitiu a tão desejada e demorada senha. A fila começou a andar.
*Amanhã voltaremos a conversar sobre Tecnologia e Analfabetismo.
***
Ao Mestre com carinho
Aos Mestres, com todo o carinho que um mestre merece!
Ser Mestre vai além do diploma e da academia.
Ser Mestre é fazer discípulos que o seguirão, e transmitirão os seus passos.
O Mestre e a Mestra são muito mais que professores,
são Educadores que ensinam lições para toda a vida, e
serão imortalizados no bojo de suas ideias e conceitos,
serão lembrados pelas suas condutas e ideais…
O Mestre e a Mestra merecem o respeito de todos,
o respaldo dos governantes, o reconhecimento da sociedade.
Eles precisam do carinho dos seus discípulos e discípulas!
Aqui está a minha homenagem aos meus Mestres e às minhas Mestras, que ajudaram a construir o ser humano que sou hoje,
que muito significaram e significam em minha vida.
Muitos deles não passaram, e jamais passarão.
À um deles homenageei significativamente há vinte e cinco anos atrás, dando ao meu filho o seu nome: Átila!
Hoje, escrevo essa mensagem, que à todos dedico:
Aos meus Mestres com todo o meu carinho!
***
***
O Dia dos Professores
No último sábado, 15/10/2011, o Brasil comemorou o dia dos professores. Mas o que é mesmo que os professores
têm para comemorar? As quantas andam a educação no Brasil? Sabemos que o
índice de analfabetismo no Brasil ainda é alto, e que o país ainda
amarga um grande número de semi-analfabetos e de analfabetos funcionais,
que são aquelas pessoas que só sabem escrever (ou assinar o próprio
nome).
Temos um sistema educacional falho, com
uma pedagogia que empurra cruelmente o educando para frente, com uma
sutileza denominada "avançar". Que avanço é esse que passa ou "pula"
alguns anos letivos, de forma que o aluno chega ao quarto ou quinto ano
do Ensino Fundamental na condição de semi-analfabeto?
O professor técnico ou simplesmente
acadêmico se regozija com esse dispositivo chamado "avanço" e se realiza
em um otimismo ufano, que parece bom para o aluno. O professor que está
ali somente pelo salário, ou por obrigação e até mesmo por falta de
opção, também aplaude essa iniciativa, pois é uma chance de se livrar
daquele "fardo". Mas professor comprometido com a educação, ou seja, o
Educador, não se sente feliz e realizado com essa situação, por saber
que isso não é avançar. Passar o
semi-analfabeto é na realidade um grande veneno para o aluno e a sua
família, para a escola e para a comunidade, bem como para o país e para a
sociedade como um todo. Isso é queimar etapas!
O aprendizado e a alfabetização nas
séries iniciais é fundamental para os anos subsequentes, e a questão que
coloco aqui vai muito além da simples discussão de que o educando
quando ingressa na escola muito novo, ou quando é alfabetizado muito
cedo perde o interesse pelos estudos mais tarde. Penso que a solução
para a aprendizagem não está na faixa etária, mas na metodologia. Creio
que à criança, podemos ensinar brincando. Elas aprendem enquanto se
divertem. Métodos cognitivos avançados e ousados podem transformar a
educação nesse país.
Mas ao professor desestimulado pelo
baixo salário, pela violência nas escolas, pelas péssimas condições de
trabalho, pela falta de respeito para com a sua pessoa em sala de aula e
pela sua profissão por parte dos governantes, bem como desprezado pelo
seu valor construtivo e contributivo para a sociedade, por parte dos
pais que despejam os seus filhos na escola, como se esses fossem um
objeto, e a escola um grande depósito, as minhas palavras não passam de
mero "blá, blá, blá..."
Não é justo que um professor ganhe tão
mal nesse país, enquanto políticos ladrões e corruptos ganham doze vezes
mais que aquele que educa, ensina, e ajuda a construir os seres
humanos, a educação, a cultura e a sociedade brasileira. Aquele que
forma o médico, o advogado, o político, o engenheiro... é "menor" que
todos esses, e ainda têm que ouvir o imbecil do Cid Gomes, governador do
Ceará, dizer que o professor não deve brigar por maiores salários
porque ser professor é vocação.
Penso que todo vocacionado, professor ou
não, precisa comer, vestir, pagar o aluguel, sustentar a família, pagar
as suas dívidas, cumprir com as suas obrigações e andar em dia com os
seus compromissos. Muito mais que isso, precisam de conforto e
bem-estar. Mesmo quando esse vocacionado seja um religioso: padre ou
freira, pastor ou pastora, missionário (a) ou evangelista... "Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário"
(1Tm 5.18). Essa palavra é para todas as classes de pessoas e de
profissionais em todo o planeta, principalmente para os professores e as
professoras que constroem as nações no mundo inteiro. Mas os políticos
corruptos só querem para sí.
Também não é justo, que o professor seja
responsabilizado e até mesmo culpado, quando o aluno não quer aprender
por preguiça, desinteresse, falta de limites que trazem de casa, reflexo
da decadência das famílias, da sociedade, e do caos gerado pela crise
moral e social.
Os professores trabalham hoje sem a
mínima condições de lecionar: falta de investimento, na carreira,
impossibilidade de pagar uma formação continuada, falta de materiais,
escolas sucateadas, ambientes hostis, falta de segurança... São
espancados e arrastados pelos cabelos, quando reivindicam melhoria
salarial. Pouco se oferece ao professor, e muito se cobra. Enquanto isso
"o salário, ó!"
Por Austri Junior
Em 14/10/2011
As 23:23h
01
terça-feira
nov 2011
PLANEJAMENTO PARA ENCONTRO EM SALA DE AULA DE ENSINO RELIGIOSO PARA A TURMA DO 9º ANO
O Diabo ainda povoa o imaginário da população no Brasil
contemporâneo, e, como no imaginário judaico, e na idade média católica,
a populção de baixa renda brasileira dos dias atuais ainda tem medo do
diabo, e, como sabemos por convivência eclesial (em nossas próprias
igrejas), e por conhecimento tanto empírico, quanto Teológico, que o
cristianismo protestante evangélico em seus movimentos pentecostais e
neo-pentecostais, e por influência desses movimentos que invadiram a
mídia, também algumas igrejas protestantes históricas estão “sofrendo a
influência do diabo em seus cultos e liturgias”, que de uma forma ou de
outra, acabam chegando à sociedade e inflenciando a comunidade e as
pessoas, mesmo aquelas não-evangélicas.
Objetivo
1) Levantar e fomentar o debate à cerca desse fenômeno na religião
judaico-cristã, e qual a sua influência na sociedade pós-moderna como um
todo;
2) Discutir a realidade e/ou a fantasia sobre a existência de tal ser;
3) Discutir qual o poder que de fato, o diabo poderia ter ou não sobre as vidas humanas;
4) Incentivar os educandos a compreender e respeitar as demais crenças e religiões, sem demonizá-las, e/ou satanizá-las.
Tempo investido:
Tantos encontos quanto forem necessários
Material utilizado no local do encontro
O texto apresentado abaixo:
“A PRESENÇA DO DIABO NO QUOTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM.”
Atividades
Buscar na biblioteca da escola, na internet e em textos sagrados de
religiões não cristãs a presença do diabo e/ou seres com semelhantes
características (possível ou supostamente o mal), para análise e
comparação, suscitando novos debates e questionamentos que levem os
educandos à pesquisa, e ao conhecimento de outras manifestações
religiosas, e à confrontarem os contextos religiosos diversos para a
compreensão e o respeito à diversidade e pluralidade religiosas.
***
A PRESENÇA DO DIABO NO COTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM
Sergio Alberto Feldman Graduado em História
pela Universidade de Tel Aviv (Israel). Mestre em História Social
(medieval) pela USP e Doutor em Antiguidade Tardia pela UFPR (Curitiba).
Professor adjunto de História Medieval na Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES).serfeldpr@yahoo.com.br
RESUMO
Este artigo almeja entender a presença do Diabo no ciclo da vida
das comunidades judaicas medievais. O Judaísmo é estritamente monoteísta
não oferecendo espaço para algum tipo de dualismo, tampouco a teologia
judaica aceita a existência do Diabo. Entretanto, a realidade é distante
da teoria: os judeus, especialmente as camadas menos cultas de sua
população, de fato crêem e temem o Diabo. Os rabinos e eruditos devem
levar em conta estas crenças e superstições. Esta contradição é
transparente nas tradições e nos costumes do Judaísmo medieval. Há
explicações opostas sobre os significados destes rituais/cerimônias,
celebrações e símbolos: algumas são eruditas e filosóficas, já outras
são apenas significados populares de superstições e crenças.
Introdução
O Diabo foi tema de vasta literatura no período medieval. Desde a
patrística grega e latina, e por todas as crônicas e relatos do mundo
medieval, o Diabo era onipresente e exercia uma influência notável, no
mundo dos vivos sendo referenciado como atuante e proselitista. Um aceso
debate ocorria entre teólogos e pensadores da Igreja que, ao mesmo
tempo, tratavam de delinear os limites de seu poder, para evitar que o
Cristianismo adotasse doutrinas dualistas, já que a onipotência divina,
não podia ser igualada pelo exército satânico e, por outro, lado faziam
uso cotidiano de sua presença e malignidade em prédicas, cultos e
exorcismos, de todos os tipos.Como a História se relacionou com este
tema nos últimos séculos?
A historiografia de influência iluminista adotou uma postura cética e de estrito racionalismo. A escola metódica enfocando temas de conteúdo político, diplomático e militar, envidou poucos esforços em abordar tal tema. Grassava certo repúdio por um tema obscuro, que era impregnado de crendices tolas e superstições. Tais temas não seriam dignos de estudo. O Romantismo, por sua vez, retomou o interesse pelo medievo e pelos temas religiosos. Em meados do séc. XIX reaparece esta temática.
A primeira obra digna de menção foi de autoria de Michelet, que em seu clássico livro La sorciére1 retomou de maneira pioneira o interesse, da história nos estudos do sobrenatural e das relações entre o mundo natural e o sobrenatural.No século XX, vemos uma retomada lenta do interesse no estudo do sobrenatural e em particular no Diabo. Em seu livro clássico O Declínio da Idade Média, editado pela primeira vez em 1919, o celebrado autor Johan Huizinga dedica algumas palavras e referências, à presença marcante do Demônio ou Diabo no cotidiano medieval. O autor em diversos aspectos seria um dos “ancestrais” do gênero histórico denominado como História das Mentalidades ou dos Comportamentos, que floresceu na segunda metade do século passado. Huizinga percebeu que o Demônio estava muito “vivo” no cotidiano das pessoas que viveram e descrevem os séculos XIV e XV.2 Na seqüência, já em meados do séc. XX, houve contribuições interessantes neste tema, mas somente na terceira geração da escola de Annales é que os estudos se ampliaram e aprofundaram. Temos algumas obras de expressão: Delumeau, Áries, Duby, Le Goff, Richards, entre muitos mais. Essa tendência se espalhou e gerou obras diversas.
A historiografia de influência iluminista adotou uma postura cética e de estrito racionalismo. A escola metódica enfocando temas de conteúdo político, diplomático e militar, envidou poucos esforços em abordar tal tema. Grassava certo repúdio por um tema obscuro, que era impregnado de crendices tolas e superstições. Tais temas não seriam dignos de estudo. O Romantismo, por sua vez, retomou o interesse pelo medievo e pelos temas religiosos. Em meados do séc. XIX reaparece esta temática.
A primeira obra digna de menção foi de autoria de Michelet, que em seu clássico livro La sorciére1 retomou de maneira pioneira o interesse, da história nos estudos do sobrenatural e das relações entre o mundo natural e o sobrenatural.No século XX, vemos uma retomada lenta do interesse no estudo do sobrenatural e em particular no Diabo. Em seu livro clássico O Declínio da Idade Média, editado pela primeira vez em 1919, o celebrado autor Johan Huizinga dedica algumas palavras e referências, à presença marcante do Demônio ou Diabo no cotidiano medieval. O autor em diversos aspectos seria um dos “ancestrais” do gênero histórico denominado como História das Mentalidades ou dos Comportamentos, que floresceu na segunda metade do século passado. Huizinga percebeu que o Demônio estava muito “vivo” no cotidiano das pessoas que viveram e descrevem os séculos XIV e XV.2 Na seqüência, já em meados do séc. XX, houve contribuições interessantes neste tema, mas somente na terceira geração da escola de Annales é que os estudos se ampliaram e aprofundaram. Temos algumas obras de expressão: Delumeau, Áries, Duby, Le Goff, Richards, entre muitos mais. Essa tendência se espalhou e gerou obras diversas.
No Brasil podemos citar a obra de Carlos Roberto Nogueira, tanto
sobre as bruxas e feiticeiras, quanto sobre o Diabo.3 O Diabo e Deus:
dilemas do monoteísmo Como as religiões monoteístas se colocavam diante
da temática do Diabo? A posição da Igreja é contraditória, mas, apesar
de criticar certos exageros, é uma instituição que aceitou e utilizou-se
de conceitos ligados ao Diabo. Desde a Antiguidade Tardia, os autores
da Patrística, que definiram e conceituaram a teologia clássica cristã,
debateram e advertiram sobre o Diabo. S. Jerônimo é uma das mais fortes
referências.João Crisóstomo em Antioquia advertia seus paroquianos sobre
os riscos do Diabo.
Isidoro de Sevilha falava intensamente e extensamente sobre o Diabo.4 Agostinho não tem dúvidas, na sua ótica neo-platônica e cristã, de que o Diabo transita no mundo inferior, na Cidade dos homens. Cria-se o conceito de que se travava uma batalha entre as forças do Bem e do mal. Nas palavras de Nogueira: “[...] os cristãos concordavam em que a queda do homem não foi mais que um episódio na história de um prodigioso combate cósmico, iniciado antes da Criação [...]”.5 A queda do homem teria sido precedida por uma revolta de algumas das falanges celestiais contra Deus e estes haviam sido precipitados do céu por Deus. Portanto, transitavam na terra e seduziam os humanos para obter adeptos a seu partido.Até mesmo gente culta como os teólogos e pensadores S. Tomás de Aquino, fundamentado e autorizado por Santo Agostinho, determina que: “Omnes quae visibiliter fiunt in hoc mundo possunt fieri per daemones”.6 Muitos dos autores e pensadores medievais demonstram certa dose de crítica a esta postura da Igreja, mas nunca negam a existência e a presença do Diabo. Os opositores mais ferrenhos da Igreja, no medievo, foram os heréticos dualistas também denominados maniqueus. Foram sendo reprimidos através do tempo e do espaço: maniqueísmo, mazdeísmo, os paulicianos, os bogomilos e os albigenses. Acreditavam na existência de dois poderes antagônicos e contradiziam o monoteísmo trinitário. Isso era a negação de dogmas fundamentais da Cristandade e sugeria a necessidade de repressão. Eram, portanto, mais adeptos de presença do mal, como entidade independente, do que a própria Igreja que criticavam.
A construção e a manutenção das crenças do imaginário se dão num processo de longa duração. O imaginário se constrói dentro e em função de um determinado contexto social. O Diabo surge no Cristianismo primitivo como uma faceta do intenso dualismo que marca a luta da Igreja para se afirmar nos séculos III e IV. O medievo é uma sucessão de confrontos entre o bem (encarnado pela Igreja) e o mal (encarnado pelo Diabo e seus aliados).
O belicismo, o simbolismo e o contratualismo vigentes neste período são facetas do confronto contínuo entre Deus e a Igreja que o representa contra o Diabo. No dizer de autores como Hilário Franco Jr. o que predominava era “[...] a visão sobrenatural que se tinha do Universo”.7 O “sobrenatural se mostrando no natural” era um fato cotidiano e corriqueiro, já que a hierofania (manifestações do sagrado no profano) era parte da crença aceita. Até os inimigos da Igreja têm esta visão dualista.
Mesmo sendo críticos da Igreja, muitos grupos heréticos tinham uma visão dualista do mundo e enxergavam o confronto entre o espírito e a matéria, entre o bem e o mal, Deus e o Diabo, no cotidiano e dentro de uma visão hierofânica. Isso pode ser visto entre as heresias dualistas e maniqueístas tais como os bogomílios, os albigenses, e os cátaros de uma maneira ampla, como já frisamos antes. O que muda é que a Igreja passa ser a encarnação do mal e que deve ser combatida.8 Os dualistas foram severamente perseguidos.
Para a Igreja católica, o Diabo não podia ser nivelado no mesmo patamar que Deus. Sendo essa premissa teológica respeitada, o Diabo tinha “salvo conduto”, para atuar entre os humanos e tentá-los. Sua atuação no cotidiano cristão medieval é completa. Está em tudo e em todos os lugares e situações. Seus seguidores são numerosos e ativos.9
A Igreja com todo o seu poder político, religioso e social era a maior formadora de opinião, apesar da crítica das heresias e da contestação social vigente na baixa Idade Média. A Igreja comanda a luta contra o mal e seu líder: Satã. A ordem de Cluny comanda a luta a partir do século X. A Inquisição medieval encabeçada pelos dominicanos se tornará a vanguarda da luta contra o mal encarnado nas heresias, já no século XIII. Grande número de textos foram escritos sobre o assunto. A Igreja autorizou a publicação e deu divulgação através da ordem dos dominicanos de uma obra clássica do tema da bruxaria e da demonologia, o assim chamado Malleus Maleficarum, também popularmente conhecido como O Manual da Caça as Bruxas, que foi editado no final do século XV, por dois freis dominicanos, Heinrich Kramer e Jacob Sprenger. O seu uso declarado era para servir como guia aos Inquisidores que interrogavam e torturavam bruxas e seguidores de heresias satanista. Exorcismos e formas de identificar bruxas e demônios povoam suas páginas.10
Além de bruxos e feiticeiras, uma minoria era tradicionalmente discriminada e perseguida em épocas de crise durante a Idade Média europeia: a minoria judaica.11
Isidoro de Sevilha falava intensamente e extensamente sobre o Diabo.4 Agostinho não tem dúvidas, na sua ótica neo-platônica e cristã, de que o Diabo transita no mundo inferior, na Cidade dos homens. Cria-se o conceito de que se travava uma batalha entre as forças do Bem e do mal. Nas palavras de Nogueira: “[...] os cristãos concordavam em que a queda do homem não foi mais que um episódio na história de um prodigioso combate cósmico, iniciado antes da Criação [...]”.5 A queda do homem teria sido precedida por uma revolta de algumas das falanges celestiais contra Deus e estes haviam sido precipitados do céu por Deus. Portanto, transitavam na terra e seduziam os humanos para obter adeptos a seu partido.Até mesmo gente culta como os teólogos e pensadores S. Tomás de Aquino, fundamentado e autorizado por Santo Agostinho, determina que: “Omnes quae visibiliter fiunt in hoc mundo possunt fieri per daemones”.6 Muitos dos autores e pensadores medievais demonstram certa dose de crítica a esta postura da Igreja, mas nunca negam a existência e a presença do Diabo. Os opositores mais ferrenhos da Igreja, no medievo, foram os heréticos dualistas também denominados maniqueus. Foram sendo reprimidos através do tempo e do espaço: maniqueísmo, mazdeísmo, os paulicianos, os bogomilos e os albigenses. Acreditavam na existência de dois poderes antagônicos e contradiziam o monoteísmo trinitário. Isso era a negação de dogmas fundamentais da Cristandade e sugeria a necessidade de repressão. Eram, portanto, mais adeptos de presença do mal, como entidade independente, do que a própria Igreja que criticavam.
A construção e a manutenção das crenças do imaginário se dão num processo de longa duração. O imaginário se constrói dentro e em função de um determinado contexto social. O Diabo surge no Cristianismo primitivo como uma faceta do intenso dualismo que marca a luta da Igreja para se afirmar nos séculos III e IV. O medievo é uma sucessão de confrontos entre o bem (encarnado pela Igreja) e o mal (encarnado pelo Diabo e seus aliados).
O belicismo, o simbolismo e o contratualismo vigentes neste período são facetas do confronto contínuo entre Deus e a Igreja que o representa contra o Diabo. No dizer de autores como Hilário Franco Jr. o que predominava era “[...] a visão sobrenatural que se tinha do Universo”.7 O “sobrenatural se mostrando no natural” era um fato cotidiano e corriqueiro, já que a hierofania (manifestações do sagrado no profano) era parte da crença aceita. Até os inimigos da Igreja têm esta visão dualista.
Mesmo sendo críticos da Igreja, muitos grupos heréticos tinham uma visão dualista do mundo e enxergavam o confronto entre o espírito e a matéria, entre o bem e o mal, Deus e o Diabo, no cotidiano e dentro de uma visão hierofânica. Isso pode ser visto entre as heresias dualistas e maniqueístas tais como os bogomílios, os albigenses, e os cátaros de uma maneira ampla, como já frisamos antes. O que muda é que a Igreja passa ser a encarnação do mal e que deve ser combatida.8 Os dualistas foram severamente perseguidos.
Para a Igreja católica, o Diabo não podia ser nivelado no mesmo patamar que Deus. Sendo essa premissa teológica respeitada, o Diabo tinha “salvo conduto”, para atuar entre os humanos e tentá-los. Sua atuação no cotidiano cristão medieval é completa. Está em tudo e em todos os lugares e situações. Seus seguidores são numerosos e ativos.9
A Igreja com todo o seu poder político, religioso e social era a maior formadora de opinião, apesar da crítica das heresias e da contestação social vigente na baixa Idade Média. A Igreja comanda a luta contra o mal e seu líder: Satã. A ordem de Cluny comanda a luta a partir do século X. A Inquisição medieval encabeçada pelos dominicanos se tornará a vanguarda da luta contra o mal encarnado nas heresias, já no século XIII. Grande número de textos foram escritos sobre o assunto. A Igreja autorizou a publicação e deu divulgação através da ordem dos dominicanos de uma obra clássica do tema da bruxaria e da demonologia, o assim chamado Malleus Maleficarum, também popularmente conhecido como O Manual da Caça as Bruxas, que foi editado no final do século XV, por dois freis dominicanos, Heinrich Kramer e Jacob Sprenger. O seu uso declarado era para servir como guia aos Inquisidores que interrogavam e torturavam bruxas e seguidores de heresias satanista. Exorcismos e formas de identificar bruxas e demônios povoam suas páginas.10
Além de bruxos e feiticeiras, uma minoria era tradicionalmente discriminada e perseguida em épocas de crise durante a Idade Média europeia: a minoria judaica.11
Veja a matéria completa:
Revista Fênix
Revista Fênix
______________________
Fonte: Blog História Viva
Extraído do (meu) Blog Teologia e Sociedade
www.circuloteologico.blogspot.com
Austri
Junior – Para a Disciplina Metodologia do Ensino Religioso do Curso de
Pós-Graduação em Ciências da Religião da Faculdade Unida de Vitória –
FUV, em 2010, Profº Mestre Edson Maciel Junior.
***
Refletindo a escola brasileira
A quantas anda a educação no Brasil? Essa é uma pergunta cuja
resposta, por mais que tentemos otimizar, ainda assim encontraremos
dificuldade em responder positivamente, tamanha as dificuldades
encontradas pelos professores, em sala de aula, para lecionar as suas
disciplinas. As escolas estão sucateadas em todo o seu universo: salas
de aulas, sala dos professores, material didático, dependências tais
como banheiros, sala para educação especial, bibliotecas, refeitórios…
Muito foi feito na educação no Brasil ultimamente, mas muito há que se
fazer, pois a educação no Brasil ainda agoniza nas filas de espera em
corredores sujos dos hospitais mal cuidados, à espera de uma mísera vaga
na U.T.I.
O salário dos professores ainda é uma destoante e desafinada canção
que ninguém consegue ouvir. Não é possível que em uma nação como o
Brasil que gasta fortunas em desperdícios e em corrupção, não possa
investir na educação para construir uma nação sadia e saudável. Investir
na educação envolve melhores condições de aprendizagem para os alunos e
melhores condições de trabalho para os professores – o que inclui não
somente salários dignos, mas, capacitação e educação continuada, pois
diga-se de passagem, existem educadores que precisam ser (re)educados,
em todos os sentidos.
Não bastasse as dificuldades sócioeconômicas que encontramos nas
escolas, ainda temos as questões relacionadas ao tráfico e uso de drogas
– consequência direta das questões sociais mal resolvidas no país e da
falta investimento em políticas públicas de qualidade – o que acarreta
em falta segurança nas escolas, que por sua vez faz vítimas entre
alunos e professores. Se o estado não investe na sociedade, essa bomba
vai explodir nas escolas que é um barril de pólvora com o pavio aceso.
A escola tem as suas peculiaridades, e uma delas, tão importante
quanto a disseminação de conhecimento, é ser uma instituição política,
já disse o grande e inesquecível mestre, Paulo Freire, que com a sua
“Pedagogia do Oprimido”, andou de braços dados com a “Teologia da
Libertação”, um casamento perfeito que fez muito bem para a educação no
Brasil, e se hoje temos a educação inclusiva nas escolas, e também a
sócioeducação, foi graças à Paulo Freire e, à TdL (Teologia da
Libertação), e aos movimentos estudantis e acadêmicos que abraçaram o
movimento libertário denominado “Grito dos Excluídos.” É interessante
dizer que a escola não avançou o quanto deveria, e hoje a escola exclui
mais do que inclui, e isso passa pelo crivo da ignorância à cerca desses
fatos relevantes que acabei de narrar, bem como aos interesses pessoais
dos profissionais ali engajados - que ajudam no retrocesso da
caminhada da educação rumo à construção de cidadãos e cidadãs – quando
ao invés de somar se dividem em facções, subtraindo a qualidade do
ensino, da educação, do conhecimento e das inter-relações, multiplicando
a decadência e o caos existente no ambiente escolar, que mais parece
uma praça de guerra, muitas vezes com intensas e impensadas
verborragias.
Por Austri Junior***
Drogas lícitas e drogas ilícitas, qual a diferença?
Hoje é o Dia Nacional da Cachaça, e assisti no telejornal local (Tv
Capixaba – Rede Bandeirantes de Televisão) a matéria em que os
produtores capixabas da bebida que é chamada também de “branquinha”,
“purinha”, entre outros, estão preocupados com a clandestinidade e com a
pirataria da bebida, que hoje atinge a taxa de 80% da venda do produto
aqui no Estado do Espírito Santo.
Não sou especialista em bebidas, muito menos em cachaça, mas sei
que existe a cachaça com graduações suaves que variam entre 18º a 22º,
puras ou conservadas em barris de jacarandá e ou de carvalho, assim como
o Whisk. Também sei que assim como o vinho, a cerveja, e qualquer outra
bebida, a cachaça deve ser apreciada com moderação, e isso depende
exclusivamente de cada indivíduo.
A bebida alcoólica, seja ela de pouca ou de muita graduação, pura
ou misturada, clandestina ou devidamente registrada nos órgãos
governamentais, tem sido a ruína de muitas vidas humanas e de muitas
famílias, e como toda droga, ela é altamente destrutiva, e é por esse
motivo, que penso ser totalmente nociva a comemoração de qualquer que
seja a bebida com um dia nacional para ela.
Os produtores dessa droga chamada cachaça devidamente
descriminalizada estão preocupados com os seus ganhos financeiros, e
dizem que as autoridades precisam tomar uma decisão quanto à
falsificação da bebida. Isso me faz recordar a campanha que a Souza Cruz
está divulgando na radio CBN, que diz algo mais ou menos assim: “A Souza Cruz é contra qualquer atitude que venha trazer prejuízo para a sociedade“,
referindo-se à venda clandestina de cigarros de “má qualidade” oriundos
do Paraguai. Isso parece uma piada, e de muito mal gosto – Humor negro!
Baseado nesse contexto fico pensando: há aquelas pessoas que
defendem a legalização da maconha. Na realidade a maconha já é
legalizada, ou seja, a maconha é proibida. É proibida porque é crime. Na
realidade, o que essas pessoas querem é descriminalizar a maconha. Isso
é uma péssima ideia! Por vários motivos: saúde pública, segurança
pública, questões comportamentais e sociais…
Estamos vendo a falsificação e a clandestinidade não somente da
cachaça, do cigarro, dos whiskes que vêm do Paraguai e de outros cantos
do mundo, inclusive do próprio Brasil. Você acredita que o mesmo não
acontecerá com as drogas hoje ilícitas, caso elas venham ser
descriminalizadas no futuro? Hoje essas drogas, já são “batizadas”,
imagine se isso vai acabar ou parar por aí. O argumento mais forte dos
apologetas da descriminalização da maconha é que vai acabar com a
curiosidade das pessoas. Na realidade a maconha (e qualquer outra droga,
como a cachaça por exemplo) sempre será o veículo que irá fazer com que
os jovens e os adultos se acabem na curiosidade: fumando, bebendo,
matando, morrendo…
Você pensa que ao descriminalizar a maconha, e ela começar a ser
vendida em supermercados, bares, padarias, lanchonetes, farmácias,
botequins… os muitos usuários bandidos e “vagabundos” existentes nesse
Brasilzão, vão comprar maconha, seja na boca ou no boteco? Eles vão
roubar, assaltar e matar os trabalhadores dos estabelecimentos
comerciais onde esse “produto” estiver à venda. Vão arrombar e explodir
os depósitos dos supermercados, assim como fazem com os bancos e com os
caixas eletônicos em estabelecimentos comerciais, e detonarão com muitas
vidas. Os funcionários viciados das empresas que venderem a maconha
terão contato direto com a “maldita”, e sofrerão muitas tentações para
roubar um “saquinho da coisa”. Onde e por quem essa “coisa” será vendida
para evitar esses problemas? Vão colocar a polícia ou o exército para
vender maconha e evitar os transtornos que temos hoje com os caixas
eletrônicos por exemplo? Penso que isso seria colocar a raposa tomando
conta do galinheiro.
Droga lícita ou ilícita, a cachaça e a maconha têm muito em comum:
ambas destroem vidas humanas, destroem as famílias, trazem inúmeros
prejuízos para a sociedade, e são chamadas de “MALDITAS.”
"Você pode fumar baseado, baseado em que você pode
fazer quase tudo… Você pode beber baseado, baseado em que você pode fazer quase tudo...", já disse Baby Consuelo, que depois passou chamar-se Baby do Brasil, e que agora se auto intitula “Popstora.”
Austri Junior
***
Opinião
Vale tudo na luta pela audiência
Programas de auditórios: fabricas de monstrinhos!
Exceto os tele jornais, os programas educativos e os de conteúdos
culturais, um bom filme, e alguns programas de humor (futuramente
escreverei sobre “A grande Família“), não
assisto mais nada na televisão aberta, principalmente aos domingos, a
não ser que eu queira passar raiva, pois os programas são realmente
“maravilhosos”: “QUE LIXO LEGAL”, “O LIXÃO DO FAUSTÃO”, “ELIXANA”… Aos
sábados a “coisa” também não é diferente, só tem lixo, com excessão do
“LUCIANO HUCK”. Não posso esquecer os “LIXOS GOSPELS”, que são
despejados na tv todos os dias. Entretanto, ao trocar de canal sempre
dou uma olhada no lixo que estão produzindo – sem me deter no local – e
tenho visto “crianças prodígios”, geralmente em programas de auditório
que no Brasil são verdadeiros lixos.
Eu particularmente não gosto dessa exploração que ocorre nesse tipo
de programa, e penso que os pais deveriam repensar algo melhor para o
futuro dos seus filhos que não seja a fama, o dinheiro e o sucesso na
mídia televisiva.
Esses programas são verdadeiras “fábricas de monstrinhos” e o Raul
Gil é o maior fabricante de monstrinhos que existe na tv brasileira, o
maior exemplo disso é a Maísa. Essa menininha, a Maísa, é
insuportavelmente chata, enjoada, exibida… e muitos outro adjetivos
ruins. Reconheço que ela é muito inteligente, aliás, todas essas
crianças são, mas em algum ponto do caminho elas se perdem entre o
talento e a inteligência, talvez estejam sendo mal orientadas e mal
educadas. Talvez a absurda atenção que recebem da mídia esteja exaltando
os seus egos ao ponto de elas assumirem o controle de suas próprias
vidas. As vezes tenho a impressão que são crianças sem limites.
Essa minha análise é um olhar de quem está de fora e distante, mas é
também o olhar do Educador Social antenado no comportamento social
dessas crianças. Não são julgamentos e nem verdades absolutas, posso
estar errado em minha análise, e quero muito estar.
Quanto ao fato de assistir a televisão, o que há de bom é a
liberdade e o discernimento de trocar de canal. Quem gosta de lixo são
os vermes, as bactérias, os micróbios e os urubus, entre outros…
A minha intenção inicial era escrever sobre o programa “A Grande
Família”, que vai ao ar todas as noites de quintas feiras, na Rede Globo
de Televisão, logo pós a novela das “oito” que começa às “nove”.
Entretanto, há muitos anos venho observando que com raríssimas
excessões, os programas de humor – e seus respectivos quadros – na
televisão brasileira, são de baixíssima qualidade.
No caso de A Grande Família por exemplo, nessa atual temporada, o
programa perdeu totalmente a graça e é raro o episódio em que eles não
erram a mão na dosagem. Há algum tempo, o programa vem perdendo a
qualidade, e no ano de 2010, era o personagem Agustinho que “segurava a
peteca”. Em 2011 o dito personagem se perdeu, não por causa do seu
interprete que é um excelente ator, mas por conta do roteiro mesmo. Para
compensar essa perda, o personagem Paulão está muito engraçado, e é ele
quem está segurando o programa. A verdade é que a Globo está errando a
mão, e não é somente em “A Grande Família”, o programa “Zorra Total”
deveria se chamar “Porcaria Total”, e isso está acontecendo há décadas
com os programas humorísticos em todas as emissoras de TV brasileiras.
Com raríssima excessão, o programa “Os caras de Pau” tem conseguido
manter a graça, mas não todo o tempo.
Não é somente a Globo que despeja o seu esgoto em nossos lares, e
esses lixos e porcarias não são somente em seus programas de humor, e
sim em quase todas as programações. Toda a televisão (aberta) no Brasil,
é um tremendo paiol de asneiras, chatices, baboseiras, e idiotices.
Raramente consigo assistir um programa na televisão que me traga
satisfação total. As emissoras erram demasiadamente em seus conteúdos,
extrapolam com seus personagens, e caricaturaram com enorme
desproporção. Por esse motivo, faço uso demasiado do controle remoto, o
que faz muito bem para a minha mente, que precisa nutrir-se do alimento
cultural e intelectual, para não ficar raquítica e subnutrida.
Abro um precedente aqui para elogiar a Rede Brasil em toda a sua
programação, e a Rede Vida de Televisão. Entre as TV’s abertas e as TV’s
que transmitem em UHF, essas duas detém a minha preferência. Aproveito a
oportunidade para registrar que sou Cristão Protestante (Metodista), o
que valoriza ainda mais a minha opinião quanto à Rede Vida e a sua
programação, e isso não tem nada que ver com o fato de eu ser um Teólogo
que caminha na esteira do Ecumenismo, e sim com a qualidade que a Rede
Vida imprime ao seu trabalho e aos seus produtos. A Rede Vida é
realmente “o canal da família brasileira.”
Quanto aos programas de humor no Brasil, em sua maioria se
“especializaram” em zombar dos homossexuais, e carregam demais nos
personagens, o maior exemplo disso é “A praça é Nossa”. O Zorra Total e o
Tom Cavalcante, não ficam atrás nesse “quesito porcaria”, que muitas
vezes faltam com o respeito com os homossexuais. O Falecido estilista e
Deputado Federal pelo Estado de São Paulo, Clodovil Hernandes, brigava
muito com os humoristas por causa disso.
Bem fez o José Eugênio Soares, que deixou para trás esse lixo todo,
e seguiu a linha do David Letermann, entre outros “Talk Shows” de
qualidade que fazem um enorme sucesso nos EUA e na Europa, e instituiu o
seu consagrado “Programa do Jô”, outrora “Jô Soares Onze e Meia” (SBT),
onde reina a “Qualidade Total”. Em seu programa o Jô faz de tudo um
pouco, inclusive aquilo que é a sua marca registrada: o humor – essa não
é a opinião de um crítico versado em televisão, mas de um telespectador
exigente.
Austri Junior
***
Poesias
Poesia é o absurdo surreal e imaginário, que brota das
mentes que sonham e esperam um mundo coerente, co-habitável com a
realidade…
Poesia é a beleza de viver, mesmo que esteja morrendo … Ou morto vivo!
Poesia é força vigorante que ressuscita os desanimados e dá vida aos desesperançados.
Por Austri Junior
Postado originalmente no Blog Cultira e Sociedade (01
terça-feira
nov 2011)
Posted in Poesias
Criança! É bom ser criança!
Criança!
Quão bom seria se as crianças fossem crianças.
Ser criança é ter esperança,
ter vida,
ter amor,
ter paz…
Ser criança é dar e receber amor e carinho.
Todas as crianças precisam ter um futuro
para sonhar e conquistar.
Ser criança é vibrar hoje, com o amanhã!
Ser criança é viver e deixar viver,
ser criança é amar!
Crianças não deveriam fazer guerras,
crianças não deveriam matar,
crianças não deveriam separar ou excluir as pessoas
como fazem os adultos.
Criança precisa ser gente,
e não animais feridos, acuados, abandonados…
Toda criança merece viver e ser feliz.
Com pesar percebi:
Muitas crianças não são mais crianças,
tornaram-se como adultos,
como adultos da pior estirpe.
As crianças cresceram,
perderam a inocência… Crianças não são mais crianças.
Por Austri Junior
***
Crianças
Criança! É bom ser criança!
Criança é esperança
de vida, amor, paz, e carinho.
Criança é futuro.
Criança vibra,
Criança vive,
Criança ama,
Criança não faz guerra,
Criança não mata,
Criança não separa as pessoas,
Criança é gente,
Criança é feliz.
Crianças, não cresçam.
Crianças, continuem crianças…
de vida, amor, paz, e carinho.
Criança é futuro.
Criança vibra,
Criança vive,
Criança ama,
Criança não faz guerra,
Criança não mata,
Criança não separa as pessoas,
Criança é gente,
Criança é feliz.
Crianças, não cresçam.
Crianças, continuem crianças…
***
Crianças não são mais crianças
(Crianças Segunda Parte)
Quão bom seria se as crianças fossem crianças.
Ser criança é ter esperança,
ter vida,
ter amor,
ter paz…
Ser criança é dar e receber amor e carinho.
Todas as crianças precisam ter um futuro
para sonhar e conquistar.
Ser criança é vibrar hoje, com o amanhã!
Ser criança é viver e deixar viver,
ser criança é amar!
Crianças não deveriam fazer guerras,
crianças não deveriam matar,
crianças não deveriam separar ou excluir as pessoas
como fazem os adultos.
Criança precisa ser gente,
e não animais feridos, acuados, abandonados…
Toda criança merece viver e ser feliz.
Com pesar percebi:
Muitas crianças não são mais crianças,
tornaram-se como adultos,
como adultos da pior estirpe.
As crianças cresceram,
perderam a inocência… Crianças não são mais crianças.
Por Austri Junior
01
terça-feira
nov 2011
Viver,
sentir, amar…
Viver,
sorrir, caminhar…
Viver,
fazer, realizar…
Amar e transformar vidas,
Sorrir e conquistar,
na entrada e na saída…
Caminhar e realizar sonhos!
Por Austri Junior
em 14/09/2011, as 19:37h
01
terça-feira
nov 2011
Biografia!
Quem passou a vida em brancas nuvens
não conheceu a importância da existência,
não percebeu da vida a sua essência…
Perdeu o trem da sua própria história
esqueceu-se que subir às montanhas e descer aos vales,
vale todo sofrimento, tristeza e aborrecimento.
Entre a rosa e a raiz estão os espinhos
Entretanto, a beleza da flor e o seu perfume
nos conquistam e nos embriagam.
Assim é a vida,
assim, a nossa existência…
Passo a passo,
vamos construindo a nossa história.
Não podemos apagá-la,
mesmo as partes tristes,
ruins e desgostosas.
Aprendamos com os fortes
que com os destroços do naufrágio
constroem as suas jangadas,
retornam ao seus lugares
e continuam as suas jornadas.
Aprendamos com os sábios
que mesmo querendo retornar,
continuam as suas jornadas,
escrevendo as suas biografias.
Por Austri Junior
Em 16/09/2011, as 19:31h
***
Tributo à Primavera
(Dança a Natureza)
Dançam as árvores ao vento,
que sopra como música, acalento.
que beleza a natureza, interagindo
com humanos.
que sopra como música, acalento.
que beleza a natureza, interagindo
com humanos.
Veja os humanos, que tristeza,
derrubando… destruindo a
natureza!
derrubando… destruindo a
natureza!
Primavera de 2009
(24/11/2009)
01
terça-feira
nov 2011
Na beleza dos jardins
Postado originamente no Blog Cultura e Sociedade (02 quarta-feira nov 2011)
***
Poesia para Mirtes
Quero amar
com a simplicidade
de uma criança,
como o perfume suave das rosas,
como o doce gorjear dos pássaros
nas matas e florestas.
com a simplicidade
de uma criança,
como o perfume suave das rosas,
como o doce gorjear dos pássaros
nas matas e florestas.
Quero sentir
o teu amor aquecendo o meu corpo
como o sol que “calienta” a face da terra.
o teu amor aquecendo o meu corpo
como o sol que “calienta” a face da terra.
Quero viver
cada dia ao teu lado
como se fosse o primeiro em nossas vidas.
cada dia ao teu lado
como se fosse o primeiro em nossas vidas.
Quero beijar-te
sempre, como da primeira vez,
e dizer-te, amo você,
como o som suave de uma flauta
que registra o primeiro encontro de dois jovens apaixonados.
sempre, como da primeira vez,
e dizer-te, amo você,
como o som suave de uma flauta
que registra o primeiro encontro de dois jovens apaixonados.
Quero abraçar
e tocar o teu corpo
como se nunca mais fosse tocá-lo novamente,
e tocar o teu corpo
como se nunca mais fosse tocá-lo novamente,
Quero caminhar
contigo, rumo ao horizonte, sem olhar para trás
e nunca mais voltar…
Quero ser como um jardim em tua vida!contigo, rumo ao horizonte, sem olhar para trás
e nunca mais voltar…
Austri Junior
11/09/2011
as 02:30h
(comemorando 28 anos e 05 meses de namoro)
01
terça-feira
nov 2011
***
Coração!
És o Meu Amor.
Não Me Importam Outros Valores…
Não Desejo Outra Flor.
Não Quero Outros Sabores
Que Não Tenham a Pureza,a Beleza,
O Gosto, E O Calor Do Seu Amor.
Não Me Importam Outros Valores…
Não Desejo Outra Flor.
Não Quero Outros Sabores
Que Não Tenham a Pureza,a Beleza,
O Gosto, E O Calor Do Seu Amor.
Por Austri Junior
04/07/1983
04/07/1983
Postado originalmente no BlogCultura e Sociedade (02
quarta-feira
nov 2011)
Assim é você em minha vida
Feliz Aniversário
Cantam os Pássaros e as Flores,
Cantam os Rios e as Florestas
Hoje, o Mundo canta em Festa…
Nasceu Minha Rainha,
Uma Rainha em minha Vida
Um Amor sem Medida,
Uma Mulher sem Igual
Um Amor Maravilhoso
Que Nasceu no Coração de Deus.
Por Austri Junior21/07/2009 (Aniversário da minha Rainha)
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (02
quarta-feira
nov 2011)
***
Mulher brasileira
Maria Auxiliadora,
mulher forte,
que trabalha na lavoura;
na madrugada,
empunha a sua enxada…
rompe matas margeadas por cascatas.
Caminha cantarolando melodias,
tendo como orquestra,
as águas que escorrem pelas pedras,
junto ao capoeirão.
Maria Auxiliadora,
que na hora da refeição
ingere farinha e feijão,
e, sem descanso labuta com muita disposição.
Maria Auxiliadora,
depois que o sol se esconde
deixa a lavoura com alegria,
chega em sua cabana e banha-se
com satisfação,
sobre o seu corpo, água e sabão.
Maria Auxiliadora,
vai à cozinha, cozinhar o pirão.
após o jantar,
fala com o João
sobre as coisas do seu coração.
Na varanda de tábua rústica,
eles se enroscam e se amam no chão.
(Mais um dia se foi, mais uma noite se passou, mais um dia virá. Maria Auxiliadora está feliz. Não fosse o cansaço, pediria bis).
Por Austri Junior – 1980
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (02
quarta-feira
nov 2011)
Quero ver-te correr pela relva macia como o tecido da sua pele. Cabelos ao vento, livre como os pássaros que gorjeiam em meio a guerra, trazendo o amor e a paz… Como as águas que regam a terra trazendo bondade, vida e carinho.
Por Austri Junior
Em 07/02/1982
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (01 terça-feira nov 2011)
Mirtes, Amo Você!
(Feliz Aniversário!!!)
Mirtes,
Estar ao teu lado é viver com o calor do sol;
ser iluminado pela luz da lua;
ser movido pela força da natureza;
banhado pelas ondas do mar;
ao doce perfume das rosas…
Amo você!
Por Austri Junior em 10/02/2011
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (01 terça-feira nov 2011)
Posted in Mirtes
***
Quem tem sede, cava o poço, não espera pela chuva!
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (02 quarta-feira nov 2011)
***
Sentimentos

Chore!
Chore como as águas da chuva.
Chore torrencialmente sem parar…
Chore, até não aguentar.
Chorando, sentindo-se leve…
Chorando, apronte-se para recomeçar.
Chorando lave o seu espírito…
Chorando, livre-se do conflito.
Chorando, o mundo também pode ser bonito.
Chore!
Chore sem parar…
Sentimentos
(Segunda Parte)
Sorria!
Sorrindo,
sentindo leve…
Sorrindo,
apronte-se para amar.
Sorrindo,
transmita a sua calma…
Sorrindo,
lave a sua alma.
Sorrindo,
livre-se do conflito.
Sorrindo,
o mundo é mais bonito.
Sorria!
Sorria sempre, sem parar…
Sorrir!
Sorrir é o começo para gargalhar…
Mas se preciso for,
chore…
Até consigo se encontrar.
Sorrindo,
sentindo leve…
Sorrindo,
apronte-se para amar.
Sorrindo,
transmita a sua calma…
Sorrindo,
lave a sua alma.
Sorrindo,
livre-se do conflito.
Sorrindo,
o mundo é mais bonito.
Sorria!
Sorria sempre, sem parar…
Sorrir!
Sorrir é o começo para gargalhar…
Mas se preciso for,
chore…
Até consigo se encontrar.
Por Austri Junior
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (02
quarta-feira
nov 2011)
A vida é uma rosa
Amar consiste em viver!
Viver consiste em aprender:
A vida é uma rosa!
Isso é preciso entender…
Por Austri Junior
Postado Originalmente no Blog Cultura e Sociedade (02
quarta-feira
nov 2011)
Alma Remexida
Por Austri Junior
Alma na música, música na alma.
Alma na música, música me acalma.
Alma na música, música na alma.
Música me faz lembrar…
Música me faz chorar.
Alma na música, música na alma.
Que vontade de viajar…
No tempo voltar, e por lá ficar…
Alma na música, música na alma…
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (18
sexta-feira
nov 2011)
***
Por Austri Junior
Nunca deixemos o adulto que cresceu em nós
sufoque e mate a criança que habita a nossa alma.
Não devemos permitir que as coisas más
atormentem o nosso espírito,
gerando mágoas, ressentimentos e rancor.
Antes, vivamos no amor, e busquemos a vida;
sorrir cura a as tristezas e as feridas.
Precisamos ser como uma verdadeira criança:
Brincar, sorrir, correr, pular, viver, sonhar, amar sempre…
Com alma de criança!
Austri Junior
em 12/10/2011
As 14:13
***
Manisfestações podem mudar os rumos de uma nação
Transformações:
O mundo está sofrendo uma grande metamorfose: EUA, China, Wall Street, Grécia, Oriente Médio (Egito, Líbia, Al Qaeda…), Brasil…
Ainda me lembro do movimento estudantil dos “Caras Pintadas”, que
ganhou as ruas de todo o país, e deu vida ao Empechmment do então
presidente da República, Fernando Collor de Mello. Muito antes disso
tivemos o movimento “Diretas Já”, que desencadeou o inicio do retorno da
Democracia no Brasil.
A grande questão hoje é que essa democracia tão desejada, ainda não
chegou definitivamente. Ainda somos obrigados a ir às urnas e votar.
Bem, será nas urnas que vamos dar o troco aos políticos corruptos e
ladrões que estão não somente no Congresso Nacional em Brasília, mas
também nas Assembleias Legislativas Estaduais, e nas Câmaras Municipais
nas capitais e no interior do país.
Ninguém aguenta mais tanto dinheiro indo pelo ralo, tanta
falcatrua, tanta corrupção… Tanto aumento do número de parlamentares,
principalmente nas Câmaras Municipais, bem como o aumento de salário
para os políticos, enquanto o restante das classes trabalhadores amargam
um mísero salário que não condiz com a profissão.
Depois de amanhã (sábado dia 15/10/2011), o país estará comemorando
o dia dos professores. Então pergunto? O que há mesmo para comemorar?
(Amanhã conversaremos sobre isso).
Ontem vimos crescer o número de manifestações e de manifestantes no
Brasil, em prol do “Projeto Ficha Limpa”, para que se varra a corrupção
política no país.
Essas manifestações começaram a tomar corpo no dia 7 de Setembro,
dia da Independência do Brasil, e já há outra manifestação marcada para o
dia 15 de Novembro, dia da proclamação da República.
A ideia é aumentar cada vez mais o número de manifestações e de
manifestantes para que a consciencialização política atinja toda a
população, e haja entre as brasileiras e os brasileiros uma Educação
Política, para que se aprenda a votar nesse país.
Tudo isso é extremamente louvável, e devemos todos contribuir para
que isso aconteça, pois o caminho é longo e árduo. Muita água passará
por baixo dessa ponte… Vamos mergulhar?
Austri Junior
01
terça-feira
nov 2011
Posted in Política
***
***
A corrupção na sociedade brasileira
Campanhas nas redes sociais
Sempre defendi o uso das redes sociais e da internet com
responsabilidade social. Nestes últimos tempos temos visto a sociedade
utilizar-se amplamente do twitter e do facebook para propor, divulgar e
promover vários tipos de campanhas sociais e de campanhas pela vida, e
entre essas campanhas nas redes sociais, está várias manifestações
contra a corrupção na sociedade brasileira. No dia 7 de Setembro o
Brasil protestou contra a corrupção promovendo a “Marcha contra a
Corrupção”, na madrugada da última segunda feira, a ONG Rio de Paz
fincou na areia de Copacabana 593 vassouras sugerindo a varredura da
corrupção dentro do Congresso Nacional Brasileiro, na próxima terça
feira, a mesma entidade fará uma manifestação em Copacabana e no aterro
do flamengo, utilizando-se de cartazes com a foto de uma munição de
revólver com os dizeres: “A Corrupção Mata.”
A corrupção mata
A corrupção no Brasil tem matado de várias formas e todos os dias e
todas as noites, na surdina das patrulhas dos policiais corruptos que
tramam a morte de juízes que combatem a corrupção, no abandono do sertão
nordestino, onde imperam a seca e a fome, que matam as crianças e
também os animais que muitas das vezes são a única fonte de renda das
famílias tão sacrificadas. A corrupção mata através dos descasos das
autoridades nos mais diversos campos de atuação: na sujeira do Congresso
Nacional, na calada da noite nas comunidades onde reinam as milícias
bandidas, na caveira mórbida que acompanha o tráfico de drogas, nas
propinas que andam pelas meias e pelas cuecas, na indústria das
liminares, nas regras absurdas impostas pelas administradoras dos planos
de saúde aos médicos e aos pacientes, nas aposentadorias fantasmas
dentro do INSS…
É muito dinheiro escorrendo pelo ralo!
Basta de tanta corrupção
O povo brasileiro não aguenta mais tanta corrupção nesse país. Em
nove meses de governo da Dilma, já caíram cinco ministros. A corrupção
no governo Lula “rolou solta”. E não é de hoje nem de agora que a
corrupção impera na sociedade brasileira. Desde a época do império que
esse país vem sendo arrasado, espoliado, assolado, maltratado, solapado,
vilipendiado pela corrupção praticada inúmeras vezes pelos corruptos e
pelas corruptas no seio do Brasil.
Fora com eles!
Precisamos nos indignar, sim! Precisamos protestar, sim! Precisamos
mobilizar as pessoas, as entidades e intuições, as redes sociais,
escrever em blogues, promover manifestações e dar o troco nas urnas.
Mas, sobretudo, dar um basta na corrupção precisa começar e acontecer
primeiramente em nós: Precisamos ser éticos!
O Brasil está intoxicado de tanta corrupção
Quando comprarmos qualquer coisa que seja, temos que exercer a
cidadania e pedir a nota fiscal. Nunca, e jamais, comprar produtos
piratas: CD, DVD, tenis, camisa, bonés. Se não podemos pagar, fiquemos
sem, mas pirataria jamais. O Brasil lidera o ranking mundial na
comercialização de produtos piratas. Não devemos vender o nosso voto,
aumentar o preço das notas e serviços, “dar um jeitinho”, cobrar de
acordo com a “cara do cliente”, comprar no camelô (mesmo sabendo que ele
precisa trabalhar), comprar mercadoria suspeita, ou roubada, porque
está mais barata. Lembre-se: A ética começa em casa! Deve começar em mim
e em você que devemos ensinar aos nossos filhos, e ensinar-lhes que
eles precisam ensiná-la aos nossos netos, e assim sucessivamente. A
ética é um rico e imensurável tesouro, um grande legado para a
humanidade. Se for perdida, deve ser buscada, até que seja encontrada e
guardada a sete chaves dentro de nós. É uma questão de valores e
princípios. Isso é o que vai nos diferenciar do mau caráter, do ladrão,
do corrupto, do ser vil que tanto desprezamos e criticamos quando
assistimos na TV, ou lemos no jornal os seus atos abomináveis de
corrupção sem fim.
Austri Junior
***
Feliz Ano Novo!
Por Austri Junior
Feliz Ano Novo! Próspero Ano Novo! Assim estamos nos comunicando,
nos felicitando, nos congratulando, nesses últimos dias que faltam para o
fim do ano de 2011, e para a chegada do ano de 2012. Entretanto, o que é
mesmo a felicidade? Cada um de nós tem a sua própria idéia do que seja a
felicidade. Evidentemente, e com certeza, na maioria das vezes as
nossas interpretações sobre a felicidade, vão convergir umas com as dos
outros, como também, em alguns pontos elas divergirão entre si de acordo
com a cosmo visão de cada indivíduo. A interpretação do que é a
felicidade com certeza, também passa pela vivência religiosa, pois
queiramos ou não, a experiência com o Sagrado e com o Divino, afeta o
modo como cada um de nós fazemos as nossas leituras da vida, e isso
influencia as leituras que fazemos dos fatos e dos mundos.
Fugindo à pieguice – essa sentimentalidade excessiva e afetada –
que em geral costuma nortear algumas análises sobre a subjetividade do
tema em questão, fui ao dicionário da língua portuguesa da FAE (Fundação
de Assistência ao Estudante), para ver quais as definições propostas
pelo dicionário em questão para o termo ‘FELIZ’.
Eis as definições apresentadas:
Feliz = Afortunado; próspero; satisfeito; ditoso; abençoado.
Achei muito interessante as definições para o termo feliz, então
busquei também as definições para o termo ‘FELICIDADE’, pois algo ou
alguém que é ou está feliz, está em um estado de felicidade.
Eis as definições do dicionário para o temo:
Felicidade = Ventura; contentamento; bem-estar; boa sorte.
Interessante, para definir um ser humano feliz, podemos dizer:
“Um ‘Abençoado’ em estado de ‘Contentamento’.”
Então, quando dizemos: ‘Feliz Ano Novo!’ Estamos desejando que aquela pessoa tenha um ano afortunado, próspero, satisfeito, ditoso, abençoado, e estamos dizendo: ‘Boa Sorte, Estejas Bem, Seja Contente, Bem Aventurado!’
Bem Aventurado! – Isso tudo me lembrou às Bem-Aventuranças em Mt 5. 1-10 (que vai até o Vs. 12).
1 – Vendo Jesus a multidão, subiu ao monte; e depois de se ter sentado, aproximaram-se seus discípulos;
2 – e ele começou a ensiná-los, dizendo:
3 – ‘Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4 – Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
5 – Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.
6 – Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.
7 – Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
8 – Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
9 – Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.
10 – Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus’ (Bíblia Almeida – Revista e Atualizada no Brasil).
Concluindo, quero esclarecer que a minha hermenêutica vê essa
pregação do Senhor Jesus, como uma grande orientação para que os
indivíduos exercitem em si a práxis ética e moral, para que possa fluir
‘mui bem’ o relacionamento inter pessoal para a construção de uma
sociedade melhor e mais justa, pois em uma sociedade mais justa as
pessoas são mais felizes, ou seja, ‘Bem Aventuradas!’
para uma vida feliz não basta apenas ter dinheiro, ter emprego, ter
bens e investimentos… Essa em geral é a idéia que as pessoas têm da
prosperidade, e hoje o que se vê são as pessoas ‘correndo atrás’ dessa
prosperidade. Existem pessoas que estão pagando – literalmente – por
essa prosperidade, e o que é pior: Estão pagando por essa prosperidade
às igrejas, cujo dinheiro vai para o bolso dos ‘predadores do
evangelho’.
Amados, o conceito do que realmente é a prosperidade – felicidade,
bem-aventurança – vai muito além do dinheiro, e se tiver que pagar pela
minha ‘prosperidade’, prefiro ir às casas lotéricas. Não estou dizendo
que dinheiro não vale nada, muito menos estou aqui pregando a velha
máxima que diz: ‘O dinheiro não trás a felicidade’. O dinheiro vale muito, e ajuda muito na felicidade, porém não é cerne dela. Para os fundamentalistas cito: ‘Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males… ’ (1Tm 6.10 – Almeida Revista e Atualizada no Brasil).
É o amor ao dinheiro que é a raiz de todos os males, e não o
dinheiro. O ‘amor’ descrito aqui nesse versículo é a ganância. Ter
dinheiro é muito importante, é o dinheiro que paga as nossas contas,
assim como garante a sobrevivência das instituições, inclusive a
sobrevivência financeira das Igrejas. Ter trabalho também é muito
importante, ele nos trás o dinheiro que garante a nossa sobrevivência
financeira, e faz sentirmo-nos úteis, trazendo satisfação e bem-estar
pessoal – quando gostamos do que fazemos, pois o salário sem o bem-estar
(Bem Aventurança), só trás amargura e infelicidade. O Resultado disso
são as murmurações, o mau humor, o stress, os conflitos pessoais e
interpessoais principalmente no trabalho… Percebe como uma coisa está
ligada à outra? Eu poderia ficar o dia inteiro aqui, diante do meu
monitor com os dedos no teclado, e jamais esgotaria esse assunto hoje (e
talvez nunca o esgotasse), também correria o risco de ser redundante,
se já não estou sendo. Entretanto, penso que já deu para todos nós
percebermos que ‘sem amor eu nada seria’.
Portanto, ao desejarmos ‘Feliz Ano Novo’,
que a Bem Aventurança comece em mim e em você, pois o Reino dos Céus
começa aqui na terra – o Reino dos Céus está em mim e em você. O Reino
dos Céus está em nós! Como posso desejar às pessoas um ano bem
aventurado, se não for sincero e do fundo do meu coração, sabendo
realmente o que estou falando e desejando, e não apenas por cortesia,
para ser simpático ou por interesses comerciais. Como posso desejar um
ano bem-aventurado se não sou ou se não me sinto verdadeiramente
bem-aventurado.
Para ser ‘Bem Aventurado’, eu preciso:
1 – Ter um espírito humilde;
2 – Chorar sinceramente pelos que não são afortunados, prósperos, satisfeitos, ditosos e abençoados;
3 – Ser manso;
4 – Ter fome e sede de justiça (ter fome e sede de justiça não é ser justiceiro nem vingativo);
5 – Ser misericordioso com todas as pessoas. Principalmente com os que não são afortunados, prósperos, satisfeitos, ditosos e abençoados;
6 – Ser limpo de coração;
7 – Ser um pacificador…
E se você e eu somos perseguidos por causa da justiça, então somos ‘bem-aventurados’, por estarmos fazendo o que é certo, ou seja, estamos cumprindo com o maior dos mandamentos: Estamos amando o nosso próximo.
‘Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor’ (Almeida Revista e Atualizada no Brasil).
Ao desejarmos, hoje, amanhã, e depois, Feliz Ano Novo, ou um
Próspero Ano Novo para alguém, façamos com com espírito humilde e de
coração puro, ou seja, com Amor. E é nesse espírito e com esse coração
que desejo à todos os meu amigos, à todos os seguidores do Blog Olhar
Teológico, à todos os meus seguidores no twitter, e à todos os amigos do
facebook um Próspero e
Feliz Ano Novo!
Austri Junior
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (21 sábado jan 2012)
***
Austri Junior
Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (21 sábado jan 2012)
***
Pais e Filhos - Um relacionamento de vida e de morte
Tenho refletido
imensamente nos últimos três ou quatro anos a respeito dos
relacinamentos entre os pais e os filhos, e vice-versa. A pergunta que
comecei a fazer, e que a grande maioria da sociedade tem feito à cerca
das tragédias que se sucedem na sociedade brasileira, onde os pais estão
assassinando os seus filhos, e os filhos estão assassinando os seus
pais, é: 'O que está acontecendo com a humanidade?'
É certo que a humanidade é por natureza Des-Humana.
Como Teólogo Cristão, vou citar como exemplo de desumanidade (tragédia)
dentro da família, o assassinato de Caim sobre o seu irmão Abel - é
muito provável que tenham existido outros assassinatos em família antes
disso, visto que a grande maioria dos seres humananos sempre tiveram um
comportamento violento e selvagem.
Hoje, os cristãos produzem e re-produzem
falas - no mínimo 'inocentes' - contra o iluminismo e outros movimentos
culturais europeus, e contra a filosofia e alguns filósofos,
acusando-os de serem os mesmos, os responsáveis pela má conduta da
humanidade hoje, mas a verdade, é que esses movimentos ajudaram na
'civilização' da humanidade, que traz em seu seio uma violência velada -
que poderíamos chamar de 'gosto de sangue na boca'.
Também
é certíssimo que as religiões ajudaram e ajudam a construir seres
humanos melhores, principalmente as religiões que pregam o amor, o
perdão, o respeito, a alteridade, a misericórdia, e no caso do
Cristianismo podemos e devemos acrescentar a Graça e a diaconia.
Entretanto, nem o iluminismo e muito menos religião alguma são garantias
para a construção de seres humamos melhores, e nem podem ser
responsabilizados por seres humanos piores.
Como eu disse, a violência é inerente ao caráter e ao temperamento da humanidade. Muitos conseguem controlar-se.
Pense nisso: '... o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpri dominá-lo' (Gn 4. 7c). Foi isso que o Senhor Deus disse para Caim, quando ele assassinou o próprio irmão. Também é certo que nem todos sentem o desejo de exterminar outrem, nem mesmo na hora da ira.
De volta à pergunta:
Então
'o que está acontecendo com a humanidade' hoje, onde o numero de mortes
e assassinatos entre pais e filhos têm ceifado a vida e destruído
tantas famílias?
Penso que esses
fatos não são recentes, o fato é que antes, não tínhamos uma mídia tão
eficiente para anunciá-los, por isso não se tinha tantas notícias assim.
Entretanto, últimammente os casos aumentaram, e à
isso, atribuo os seguintes fatores, como teoria, de quem vê essa
situação com um 'Olhar Teológico':
- Embora as religiões não sejam garantias para a construção de seres humanos melhores, com certeza ajudam, e muito, à um ser humano com fortes tendências à violência. Sem Deus, sem fé ou crença em uma Divindade, ou em uma Força Superior - chamemos como quisermos - as pessoas voltarão ao seu estado primitivo muito rapidamente, ou seja, regressarão à selvageria, isso é só uma questão de tempo;
- A inversão dos valores éticos e morais - ou valores universais - têm contribuído em muito para que a situação se agrave;
- As drogas - lícitas e ilícitas - talvez sejam a maior causadora dos casos de vilência entre os pais e os filhos hoje em dia.
Penso
que à esses três pontos acima podemos acrescentar muitas outras causas,
e mesmo assim não conseguiremos esgotar esse assunto (o que não é nem
de longe a nossa intenção). Entretanto, esses três pontos que são
causadores do aumento do caos na sociedade e na família, têm causa e
origem na própria (decadência da) família e das igrejas:
- As famílias afastaram-se de Deus. As igrejas também;
- As famílias se perderam dos valores éticos e morais. As igrejas também;
- As famílias (e as igrejas) estão perdendo a guerra contra as drogas.
Por
diversos motivos sociais, espirituais e psicológicos as famílias não
vão mais à igreja juntos, e nem oram mais (juntos) em seus lares. Os
lares agora são 'dormitórios', e quando sobra um tempinho,
ao invés da conversa, do diálogo, da partilha e da comunhão, bem como
dos passeios no parques nas praças, no campo, na praia, na casa dos
parentes... As famílias assistem televisão - e sempre assistem aos os
piores lixos: BBB, Faustão, Eliana, Novelas, Gugu Liberato, Ana
Rickmann, Ratinho, Casos de (baixaria em) Família, Sônia Abrão, (Não)
Vale a Pena Ver de Novo...
O esgoto 'televisivo'
é despejado nas residencias sem tratamento, e fede como uma porsilga.
Mas a culpa disso é da própria sociedade - famílias e pessoas - que têm a
decisão daquilo que quer fazer e da programação que quer assistir. No
caso da programação na 'TEVÊ-LIXÃO', basta um click no
controle, e as mesmas podem ver: Roda Viva, Ver TV - Um Programapara
Quem Gosta de Televisão (Que debate e critica o Lixo na TV), Tês contra
Um, Tribuna Independente, Programa do Jô, Awê, Vejam Só!...
Os programas
de televisão têm sido a bússula ética, moral, psicológica, social... das
familias brasileira. O lixo na televisão tem ajudado aconstruir o
caráter de crianças, jovens e adultos na sociedade decadente brasileira,
e isso é Trans-Ferido e Trans-Portado, para dentro das igrejas, que têm Ab-Sorvido tudo com isso com muito gosto, ao invés de fazer a sua parte, que é a Educação dos seus membros.
Porque as igrejas, ao invés de educar preferem absorver? 'Pois assim se ganha mais dinheiro. A sua piscina está cheia de ratos, as suas idéias não correspondem aos fatos...' As instituições eclesiásticas têm se afastado de Deus de várias formas:
- Algumas buscam o dinheiro;
- Outras buscam somente o 'poder do céu'
(fica somente orando, e gritando 'Gloria a Deus e Aleluia', e
negligenciam a sua parte, que é a orientação das pessoas, dentro da
Doutrina do Cristo, mas o que vemos prevalecer é a ignorância e a
doutrina da igreja).
Na matemática Cristã, a inversão de valores, é igual a afastar-se de Deus.
Os pais estão afastando-se dos seus filhos cada vez mais. Quem está educando esses filhos, além do lixo na TV?
Os pais Têm Trans-Ferido as
suas responsabilidades para as 'babás' (que muitas vezes não têm nenhum
preparo psicológico, social, moral, ético, e muitas vezes, além de não
terem formação profissional para exercer tão difícil função, não têm nem
estudo ou educação adequada para si próprias).
Os
pais estão transferindo as suas funções para os avós - geralmente as
avós - que não são pais (dessas crianças), e os seus graus de parentesco
com a criança já dizem tudo: Avós, e não mães ou pais. Avós geralmente
são permissivas, e muitas das vezes são 'abobalhadas', e acham tudo o
que os netinhos fazem, uma 'gracinha'. Não vêem nada demais nas coisas
que as crianças dizem, pensam ou fazem.
Muitas
avós carregam enormes sentimentos de culpa por terem sido severas com
os filhos, e querem compensar isso com os netos sendo 'boazinhas'. Avós
'boazinhas' estragam os netinhos, que depois se tornam seres humanos da
pior qualidade: sem limites, sem responsabilidades, sem respeito pelas
pessoas e pelas leis, e o mesmo se dá com os pais 'bonzinhos', que não
educam e não impõem limites aos seus filhos. Os pais também estão
transferindo as suas responabilidades para a escola, que não dá conta
daquilo que é dever dos pais.
Os pais estão
cada vez mais envolvidos em seus trabalhos e preocupados em ascender
financeiramente, e tentam compensar os seus filhos com presentes e com
falta de limites. Isso tudo ofusca a visão dos pais que não transmitem
aos seus filhos as imposições necessárias, e uma educação adequada.
Muitos nem tiveram isso, por conta da incapacidade dos seus pais em
educá-los, ou por conta de uma psicologia que prega a liberade total, o
que vem gerando ao longo dos anos, dentro da família e da sociedade, a
permissividade, que traz em seu bojo, o caos generalizado. Os filhos
dessa geração estão repetindo os mesmo erros dos seus pais.
O resultado
desse caos são pessoas sem limites, sem respeito, pessoas com o caráter
defeituoso, pessoas sem amor... Pessoas cheias de ódio, cheias de
rancores e mágoas (pelos próprios pais), e que não conseguiram curar-se
para livra-se desse mau, e um dia, tudo isso explode e vem à tona como
uma grande e perversa bomba atômica.
Mas o que
dizer das pessoas cujos pais lhes educaram da melhor forma possivel, que
lhes impuseram os limites, e até mesmo lhes introduziram em uma vida
'religiosa', em uma instituição eclesiástica com uma doutrina saudável, e
os mesmos fazem coisas terríveveis? Penso que existem pessoas de todos
os tipos: Entre essas as que aprendem e as que não querem aprender, as
que mudam e as que não querem mudar... Junte-se a isso e muito mais, o
pensamento de que há nesse mundo pessoas más, perversas, e 'selvagens'.
Pessoas que são piores que o animais selvagens e irracionais. É uma
questão de caráter, temperamento, e natureza ruím.
Não sou
psicólogo e nem me atrevo a falar como tal, estou falando como Teólogo, e
penso que precisamos conhecer os limites do outro, pois se
pressionarmos demasiadamente o botão, ou se pressionarmos o botão
errado, nossos filhos poderão surtar. Acrescente isso ao uso das drogas e
teremos dado início ao desejo de vingança em um coração dominado pelo
ódio, interligado a uma mente doentia, dentro de um corpo que se entupiu
de alcool, cocaína, crack..., ou seja lá que porcaria for. Tudo o que é
demais, com certeza vai sobrar, seja ela a permissividade ou a pressão.
Os filhos estão matando os seus pais, porque os pais estão 'matando' os
seus filhos.
Concluindo,
podemos acrescentar principalmente nos casos em que os pais estão
assassinando os seus filhos (literalmente), e vice-versa, as
escolhas erradas que as pessoas fazem em suas vidas, entre essas ecolhas
erradas, estão a escolha dos cônjujes (principalmente os cônjujes do
segundo relacionamento). Isso vale para os casos de estupro e de
pedofilia dentro de casa). Muitas vezes, os pais, e principalmente as
mães, começam a matar as suas filhas no momento em que fazem essas
escolhas totalmente equivocadas. As escolhas que fazemos das pessaos com
quem vamos nos relacionar, seja no matrimônio ou em nossas amizades - e
isso vale tanto para os pais quanto para os filhos - muitas das vezes
influenciam, e até determinam as nossas vidas e os nossos atos.
Principalmente nos casos em que as pessoas não têm uma personalidade
própria, e não sabem ou não conseguem dirigir as suas próprias vidas.
Sobre
tudo, precisamos entender que é preciso educar com amor e firmeza, pois
educar é ensinar, cuidar, acompanhar..., é ensinar que existem limites.
Impor esses limites de forma sadia, clara, transparente, e dar o
exemplo. A minha boca não pode dizer uma coisa, e o meu comportamento
dizer outra coisa totalmente diferente. Não tenhamos dúvidas: O
comportamento e as ações falam muito mais alto do que qualquer palavra,
seja essa palavra, sussurrada ou gritada em um microfone - e isso vale
também para as igrejas!
***
"Enquanto houver cavalo, São Jorge não vai andar a pé!"
Por Austri Junior
Estava assistindo a televisão, e ao trocar de canal deparei-me com um
desses programas "gospel's". A imagem chamou-me a atenção: o pregador
em cima de um caminhão, abarrotado de gente, pastores e políticos com
ele. Esse homem gritava, louca e desesperadamente para uma enorme
multidão em frente a explanada dos ministérios em Brasília. Era uma
manifestação contra a PL 122 - Lei que confere aos homossexuais o
direito de exercerem a sua cidadania sem serem ostracizados pela
sociedade. Nessa manifestação, o pregador incitava o povo contra os
direitos de cidadãos dos homossexuais, alegando o direito dos cidadãos
(no caso, eles) de se manifestarem contra a referida lei, e usava o termo
"CIDADANIA TERRENA".
Fiquei pensando: quantos tipos de
cidadania existem? A cidadania não seria uma só? Cidadania não é a
garantia de ir e vir e que todos os cidadãos (supostamente) são iguais
perante a lei, e que todos os cidadãos têm direitos e deveres ? A
cidadania não
consiste em você e eu garantir os nossos direitos garantindo e
respeitado os direitos dos outros cidadãos?
O problema é que está sendo necessário fazer leis para que os outros
tenha os seus direitos garantidos, mas os que pensam diferente fazem
manifestações para garantir que os diferentes não tenham seus direitos
garantidos. Esses só podem ter deveres: pagar impostos, obedecer as
leis... Nada mais!
Voltando à questão da "CIDADANIA TERRENA", algo que me
intrigou muito, pergunto: Existe cidadania marítima, cidadania celeste,
ou até mesmo cidadania desértica ou cidadania arenosa?
Ao que parece, para aquele pregador, existe uma "CIDADANIA ESPIRITUAL".
O que me impressiona é a quantidade de pessoas que se aglomeram para
ouvir tantas asneiras, o que me parece muito perigoso. Mas esse é o
retrato da igreja brasileira, que passa longe do verdadeiro
cristianismo. No fim da manifestação, ele, o pregador enfurecidamente
louco e desesperado, incitou o povo a orar ao Senhor Deus pelo direito
de se manifestarem contra os direitos dos outros e não perdeu tempo: já
orou também por "prosperidade".
Quando a imagem foi cortada para o estúdio - a manifestação era uma
apresentação em vídeo tape - o pregador reforçou a ideia de que os
"evangélicos" deveriam exercer a "CIDADANIA TERRENA", pois não são
anjos, e sim seres humanos, e disse: "Se você é anjo, me dá o seu salário para mim, porque você não precisa dele, eu preciso."
Ele citou alguns versículos bíblicos para justificar a sua, asquerosa,
esdrúxula e tôsca hermenêutica da "CIDADANIA TERRENA" e novamente não
perdeu tempo: pediu doações para os muitos compromissos financeiros que
ele tem, alegando estar passando por um "DESERTO ESTREITO."
Novamente me ponho a pensar: como é fácil
manipular os incautos, os desavisados, os infantilmente espirituais, os
ignorantes teológicos, os cegamente religiosos... E quantos desses não
ficam com a geladeira vazia, para doar, contribuir e sustentar esses
"manipuladores gospels", enquanto que, "a geladeira dele deve estar cheia", como bem comentou a minha esposa, que repulsivamente rejeitou tal apelo inescrupuloso.
***
Fora Jesus!!!
Por Austri Junior
Porque Jesus seria deixado para trás pelas igrejas?
No sábado pela manhã, deparei-me com essa charge no facebook, a mesma foi postada pelo meu amigo, o Teólogo Fernando Marin, em seu perfil. Dei boas gargalhadas, pois esta é realmente uma ótima piada, e que realmente reflete a realidade de muitas instituições eclesiásticas.
Então me coloquei a pensar: "Se Jesus
estivesse entre nós hoje, Ele ficaria de fora de muitas 'igrejas'.
Ostracizado, banido, exilado... Por vários e muitos motivos, inclusive
pelo dinheiro."
Comecei a enumerar alguns fatos - além
do dinheiro - pelos quais os 'pastores' de hoje, deixariam o Cristo de
Deus fora das 'suas igrejas':
- O Cristo bebe vinho;
- O Cristo de Deus não ostenta riquezas, carrões, e roupas 'chiques';
- O Cristo é solteiro - Não poderia ser pastor em algumas denominações;
- O Cristo andou com prostitutas, bêbados, ladrões... E hoje, ele andaria com esses e com os gays, e os drogaditos (não para fazer o que eles fazem mas para amá-los, e mostrar-lhes o Amor do Pai;
- O Cristo não prega a malfadada, a esdrúxula, a obscura, a doentia, a tôsca, a perversa, e cancerígena 'teologia da prosperidade' (que eu prefiro chamar de 'teoria da prosperidade');
- O Cristo de Deus não destorce a mensagem, para extorquir o fiéis, e encher os bolsos com dinheiro, iates, jatinhos, viagens internacionais, e para pagar as faculdades caríssimas dos filhos em Boston, em New York, em London...;
- O Cristo fala manso. Ele não grita, não pula, não sapateia - Seria taxado de 'morto espiritualmente', 'sorveteriano'... Sem 'fogo', sem 'unção', 'frio'... Dir-se-ia dele, que Deus o vomitaria no dia do juízo, e que Ele não é 'sapatinho de fogo', ou 'canela de fogo'... Entre outras coisas;
- O Cristo de Deus, com certeza faria a opção pelos pobres. Abraçaria a Teologia da Libertação, o Evangelho Social, o Evangelho Político... E seria duramente criticado, excomungado como o Leonardo Boff, banido e demonizado. Seria chamado de 'liberal' e 'libertino'... como fazem com o Reverendo Carlos Calvani e com outros tantos sacerdotes e Teólogos;
- O Cristo seria chamado de gay, por beijar os seus discípulos, e seria expulso da maioria das denominações - homem não pode beijar homem. Seria chamado de safado por beijar as irmãs, e de pedófilo por beijar e dar carinho às crianças, pondo-as no colo, como fez para demonstrar para Thiago e para Filipe, que para entrar no Reino dos Céus é necessário ser como uma criança;
- O Cristo de Deus, não poderia entrar em muitas igrejas, e seria expulso, ou severamente punido e esquecido em outras tantas, por usar cabelos e barba grandes. Seus algozes lhe chamariam hostilmente de 'hippie' e 'vagabundo', entre outras coisas...
Eu poderia ficar aqui o dia todo,
enumerando os motivos pelos quais Jesus não poderia adentrar, ou fazer
parte de muitas instituições eclesiásticas. Entretanto, deixo para o
leitor e para a leitora a tarefa de completar essa lista de dez simples
motivos, pelos quais os farizeus de hoje excluiriam o Senhor.
Apenas para ilustrar
Em algumas 'igrejas', Jesus seria:
- 'Colocado no banco' - Em disciplina;
- Fariam uma carta-denúncia contra Ele. Entregariam uma para o Bispo e uma cópia nas mãos dele;
- Fariam reuniões para expulsá-lo;
- Convocariam um concílio para fazer-se retratar;
- Se reuniriam na surdina para tramar contra Ele;
- Fariam convenções para neutralizá-lo;
- Mandariam Ele para pastorear em um interiorzinho, ou na favela;
- 'Queimariam' Ele na primeira oportunidade;
- Dificultariam ao máximo o Ministério d'Ele, isso se Ele conseguisse chegar ao presbiterato, ou seja, ordenado, ou nomeado, ou 'ungido';
- Puxariam o tapete d'Ele na primeira oportunidade, e colocariam a igreja contra Ele...
Pensando um pouco mais
Entretanto depois desse terrível
escândalo financeiro envolvendo a fraude e o desvio dos dízimos na
instituição eclesiástica denominada 'Igreja Maranata' (postagens
abaixo), também comecei a pensar em alguns motivos pelos quais, Jesus
rejeitaria as igrejas de hoje, e se tornaria um 'Cristão Desigrejado',
ou um 'Cristão Independente':
- Pastores ladrões;
- Desvios, fraudes, enganações, sumiço... Nas finanças das igrejas;
- Uso abusivo do texto em Malaquias 3.8;
- 'Teologia da Prosperidade';
- G12;
- Gritaria;
- 'Profetadas';
- 'Reveladas' e 'revelamentos';
- Profeteiros' e 'profeteiras';
- 'Sapatos e canelas de fogo';
- Exageros na homilia, na música, na liturgia...;
- Arrogância;
- Desamor;
- Fofocas;
- Falta de perdão;
- Destorção do Evangelho;
- Falta de ética;
- Julgamento;
- Ostracismo e exclusão;
- Intolerância religiosa;
- Disseminação do ódio no sermão;
- Promiscuidade, dissimulação e hipocrisia;
- Demonização do outro;
- Falta de misericódia;
- Falsidade e traição...
Observem que nessa minha lista de
motivos pelos quais Jesus, o Cristo de Deus rejeitaria as igrejas e
templos que aí estão, os quatros primeiros ítens giram em torno do
dinheiro. Os sete ítens seguintes são sobre dogmas e doutrinas, e os
catorze últimos ítens, estão relacionados ao caráter e ao comportamento
dos seres humanos.
Pretendo publicar (ainda nesse ano) um
texto mais elaborado, que vai analizar as pequisas que abordam o
crescimento de 'evangélicos não praticantes', mais conhecidos como
'crentes desigrejados', cujo objetivo é refletir o 'Novo retrato da fé
no Brasil'. Não é a toa que cresce no Brasil, o número de cristãos que
não querem mais ir à igreja. Esse fenômemo sócio-religioso está
construindo a 'Nova face da igreja brasileira'.
***
Quem é mais importante - Deus ou o Diabo?
Por Austri Junior
Neste domingo último, estive assistindo
pela internet à um culto de uma Igreja Metodista. A IM, que outrora fora
uma Igreja Cristã Protestante Histórica, hoje, para infelicidade de
muitos, está navegando pelas águas do G12 - ao invés de navegar nas
águas do Espírito - e se transformando para a minha infelicidade, em uma
igreja cristã evangélica.
Fiquei abismado: O pastor, um jovem
mancebo de mui tenra idade, e excelente pregador. Pregava tranquilo,
suave, sem gritarias, com uma ótima dicção, com ótima concordância
verbal, usando o plural na forma correta, quando errava uma palavra,
repetia-a corretamente corrigindo-a... Mas o sermão, que tristeza!
O sermão do jovem pregador estava
totalmente fora do foco bíblico. Como sempre ocorre com as pregações no
G12 e nas igrejas em células, que sempre culminam em erros bíblicos e
teológicos gravíssimos.
Ele Pregou Gênesis 39 (e leu o capítulo
inteirinho), o que na minha visão - pois aprendi na academia, nas
disciplinas: Homilética, Pregação e Técnicas de Comunicação - é um
grande erro, ler o capítulo inteiro. O pregador ao preparar o seu
sermão, deve se preparar para ele. Estudá-lo exaustivamente, e na hora
da pregação, deve ler os versículos chaves, e narrar a passagem e os
fatos com clareza e de forma lúcida, coerente, enfática...
O pregador - repito: um excelente
pregador - Ao invés de exaltar à Deus e dizer a verdade sobre essa
passagem, começou o seu sermão exaltando o diabo, desmerecendo
totalmente a Glória de Deus na vida de José, afirmando que 'o diabo não
pode criar, mas pode deturpar a obra de Deus' - pelo que pude observar,
esse diabo é muito poderoso!
O rapaz avançou dizendo que José estava
muito seguro de sí, e quando estamos seguros, o diabo entra e nos faz
fazermos a vontade dele.
Bem, minhas amadas e meus amados, o que
eu, Austri Junior, tenho para dizer para vocês, à respeito dessa
passagem, é justamente o contrário: José estava seguro, porque estava
com Deus, e Deus estava nele e com ele, e José não pecou, ele resistiu
brava e honradamente às tentativas de sedução, por parte da esposa do
faraó que por causa disso, armou-lhe uma cilada. O nosso pregador em
questão poderia ter aproveitado essa verdade bíblica, para exaltar o
poder de Deus em nossas vidas, e exaltar as Bênçãos Espirituais,
derramadas pelo Criador em nossa existência, por sermos fiéis aos seus
Mandamentos, e tantas outras Maravilhas..., mas ele prefiriu ficar
acentuando as artimanhas do diabo e culminou na famigerada, obsoleta,
esdrúxula, cancerígena, perversa, vazia, injusta, bíblica e
teológicamente incorreta, teoria da prosperidade.
Enfim: Deus não foi Exaltado, Louvado,
Glorificado... E muito menos, José, foi sequer honrado, por sua
fidelidade, na pregação bíblica e teológicamente incorreta e horrorosa,
manipulada e destorcida, totalmente fora de foco de um excelente
pregador, que poderia estar pregando a Verdade que Liberta, ao invés de
destorcer a bíblia e enaltecer as 'qualidades' do diabo, e desmerecendo
as Obras Maravilhosas de Deus, como o mundo, por exemplo. Os crentes têm
verdadeiro pavor e aversão ao mundo. Mas por incrivel que pareça,
assistem ao 'Big Brother', assistem as novelas, que eles mesmos tanto
atacam, e quando estão doentes correm para o médico, ou saem iguais a
verdadeiros malucos destrambelhados á procura de campanhas em
denominações que prometem curas fantásticas e grandes manifestações de
milagres.
Se o mundo é tão ruim e nocivo assim,
porque eles não morrem logo, para ficarem pertinho de Deus e juntinho de
Jesus? Será que por esses motivos acima citados, e além disso, por
causa do pecado da lingua (cuja carta do Thiago bem nos alerta), por
causa dos desvios dos dízimos, das mentiras, e tantas outras mazelas
evangélicas... Eles não querem morrer com medo do inferno e do diabo que
eles tanto exaltam em suas pregações e em suas músicas?
O culto estava sendo transmitido on
line, começou às 19:30h, e o pastor só começou a pregar às 20:30h,
depois de uma série de cansativas pantominas.
Até quando Senhor?
Austri Junior - Teólogo, Cristão Protestante e Metodista (cansado de tanta besteira), e Editor do Blog Olhar Teológico.
***
"Enquanto houver cavalo, São Jorge não vai andar a pé"!
Estava assistindo a televisão, e ao trocar de canal deparei-me com um
desses programas "gospel's". A imagem chamou-me a atenção: o pregador
em cima de um caminhão, abarrotado de gente, pastores e políticos com
ele. Esse homem gritava, louca e desesperadamente para uma enorme
multidão em frente a explanada dos ministérios em Brasília. Era uma
manifestação contra a PL 122 - Lei que confere aos homossexuais o
direito de exercerem a sua cidadania sem serem ostracizados pela
sociedade. Nessa manifestação, o pregador incitava o povo contra os
direitos de cidadãos dos homossexuais, alegando o direito dos cidadãos
(no caso, eles) a se manifestarem contra a referida lei, e usava o termo
"CIDADANIA TERRENA". Fiquei pensando: quantos tipos de
cidadania existem? A cidadania não seria uma só? Cidadania não é a
garantia de ir e vir e que todos os cidadãos (supostamente) são iguais
perante a lei, e que todos os cidadãos têm direitos e deveres ? A
cidadania não
consiste em você e eu garantir os nossos direitos garantindo e
respeitado os direitos dos outros cidadãos?
O problema é que está sendo necessário fazer leis para que os outros
tenha os seus direitos garantidos, mas os que pensam diferente fazem
manifestações para garantir que os diferentes não tenham seus direitos
garantidos. Esses só podem ter deveres: pagar impostos, obedecer as
leis... Nada mais!
Voltando à questão da "CIDADANIA TERRENA", algo que me
intrigou muito, pergunto: Existe cidadania marítima, cidadania celeste,
ou até mesmo cidadania desértica ou cidadania arenosa?
Ao que parece, para aquele pregador, existe uma "CIDADANIA ESPIRITUAL".
O que me impressiona é a quantidade de pessoas que se aglomeram para
ouvir tantas asneiras, o que me parece muito perigoso. Mas esse é o
retrato da igreja brasileira, que passa longe do verdadeiro
cristianismo. No fim da manifestação, ele, o pregador enfurecidamente
louco e desesperado, incitou o povo a orar ao Senhor Deus pelo direito
de se manifestarem contra os direitos dos outros e não perdeu tempo: já
orou também por "prosperidade".
Quando a imagem foi cortada para o estúdio - a manifestação era uma
apresentação em vídeo tape - o pregador reforçou a ideia de que os
"evangélicos" deveriam exercer a "CIDADANIA TERRENA", pois não são
anjos, e sim seres humanos, e disse: "Se você é anjo, me dá o seu salário para mim, porque você não precisa dele, eu preciso."
Ele citou alguns versículos bíblicos para justificar a sua, asquerosa,
esdrúxula e tôsca hermenêutica da "CIDADANIA TERRENA" e novamente não
perdeu tempo: pediu doações para os muitos compromissos financeiros que
ele tem, alegando estar passando por um "DESERTO ESTREITO."
Novamente me ponho a pensar: como é fácil
manipular os incautos, os desavisados, os infantilmente espirituais, os
ignorantes teológicos, os cegamente religiosos... E quantos desses não
ficam com a geladeira vazia, para doar, contribuir e sustentar esses
"manipuladores gospe'ls", enquanto que, "a geladeira dele deve estar cheia", como bem comentou a minha esposa, que repulsivamente rejeitou tal apelo inescrupuloso.
***
Cristianismo hoje!
Um dos grandes exemplos do Cristianismo hoje,
são as bizarrices que acontecem nas igrejas
evangélicas brasileiras.
Quando será que isso vai acabar?
Se é que não vai piorar!
Se é que não vai piorar!
Por Austri Junior
O que é o Ciristianismo?
Entende-se por Cristianismo, a religião que tem como alvo, seguir os ensinamentos do Cristo.
Quem é Cristo?
Xristos é a palavra grega que significa 'Ungido'. Logo, temos aqui, um homem que foi ungido, e o seu nome, Yeshua (hebraico), que traduzido para o grego é Iesous, e que em português, o conhecemos pelo Nome de Jesus, ou seja: Jesus, o Cristo.
Quem ungiu a Jesus?
Yeshua é o Cristo de Yahweh
- a palavra hebraica para definir Deus, que aportuguesada, pronuncia-se
Iavé. Portanto, Iavé ungiu Jesus com o seu Santo Espírito, e o enviou à
terra, e por ser um Deus Trino - Pai, Filho e Espírito Santo - veio com
Jesus, em Espírito e em Verdade, anunciar aos homens o Euangelion
(grego), que nós conhecemos como Evangelho, que significa 'As Boas
Novas'. E quais são essa 'Boas Novas'? As boas novas, é que 'está
próximo, o Reino de Deus'...
Sguir
o Cristianismo é ser Cristão. Ser Cristão significa ser semelhante a
Cristo, seguir o seu ensinamentos, buscar ao máximo, amar como Ele,
pensar como Ele, viver como Ele, sentir como Ele, agir como Ele...
O
Padre Zezinho definiu isso muito bem, em sua canção que diz: 'Um dia
uma criança me parou, olhou-me nos meus ólhos a sorrir, caneta e papel
em sua mão, tarefa escola para cumpir, e perguntou no meu de um sorriso o
que preciso para ser feliz?'
Então, o que é preciso para ser feliz?
Parafraseando José Fernandes - o Padre Zezinho:
Amar
como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou... Viver como Jesus viveu...
sentir como Jesus sentia e sorrir como Jesus sorria...
Os cristão hoje estão amando como Jesus amou, vivendo como Jesus
viveu...? Penso que não! A mensagem de Jesus foi totalmente destorcida, e
está totalmente fora do foco original e principal. À começar pelo Amor e
pelo Perdão. A mensagem de Jesus anuncia Amor, Perdão, Graça, Paz,
Misericórdia, Diaconia - um grande exemplo de diaconia foi a mensagem
onde um samaritano acudiu um homem caído à estrada, depois de ter sido
ignorado por um sacerdote - servir ao próximo.
A
mensagem original do Senhor que diz: 'o Reino de Deus está próximo',
hoje foi transformada em escatologia, ou seja o fim do mundo, quando na
raelidade, a mensagem original é: Cuide do seu próximo! 'Amai-vos uns
aos outros, assim como eu vos tenho amado...'
O Cristianismo hoje!
O cristianismo hoje está tal qual o cristianismo da idade média:
- Venda de indulgências - teoria (teologia) da prosperidade;
- Busca por amuletos e curas milagrosas - campanhas que são verdadeiros engôdos;
- Exageiros, fantasias e frenesi - um grande exemplo disso, é a 'Lipo Aspiração Divina'.
Austri Junior
Bacharel em Teologia
Http://austrijunior.blogspot.com
***
Considerações finais
O discurso sem a ação é mera verbosidade, uma grande falácia, e apenas verborragia! Falar em ética sem a práxis é paradoxo! Qualquer coisa fora disso, é meramente um discurso teórico e retórico. No fim, tudo acaba na mesma. Ou seja, se não agirmos, não vai dar em nada!
Posto isso, creio que tudo o que podemos fazer, é no mínimo ser éticos!
Austri Junior
***
Austri Junior
A – JESUS VÊ O HOMEM .
Teologizar para Libertar!
***
Austri Junior
***
Discurso sobre a ética sem a práxis: Um paradoxo!
Introdução
Não
é preciso olhar muito para perceber que o mundo está caminhando com
passos largos. A tecnologia está correndo a galope. Como se diz
popularmente: a mil por hora. As informações chegam até nós quase que
instantaneamente ao fato ocorrido. Nossos carros estão lindos, velozes,
com design avançados, computadores de bordo... Os aviões estão tão
magníficos que dispensam maiores comentários. A tecnologia eletrônica
propiciou um avanço maior para os computadores, para os televisores,
paras os relógios... Como tudo o que é bom ficou à mercê do impacto da
evolução tecnológica, é evidente as coisas que não são boas também
sofreram este impacto. É um paradoxo, mas as tecnologias desenvolvidas
para as armas de guerras deram lugar às coisas boas e práticas que
experimentamos em nosso cotidiano. Entretanto, essa mesma tecnologia tem
ceifado muitas vidas nos campos de guerra. O ideal é a paz, mas
infelizmente - ou felizmente - existem as armas que auxiliam na defesa
da soberania de um país, e isto também é um paradoxo. Parece-me que
quanto mais o mundo precisa de novas tecnologias, mais evolui. E,
quanto mais evolui, mais regride - continua o paradoxo. - Temos como
medir essas coisas?
A QUEM DEVEMOS OUVIR?
Antes
de responder a pergunta acima, precisamos avançar um pouco mais e
recordar-nos de fatos tristes de uma realidade muito próxima de nós
brasileiros, que é a banalização da violência. Banalização essa, que deu
lugar à guerra urbana: bandidos x sociedade e poder judicial (a
impressão que eu tenho é que os bandidos estão vencendo essa guerra). As
armas fabricadas para defender a nossa soberania, hoje, estão nas mãos
dos bandidos, que estão usando essas mesmas armas contra a população
e, principalmente contra a polícia, inclusive atingindo e até
derrubando os seus helicópteros, e matando policiais. Bandidos existem
em todos os níveis e estão inseridos em todas as instâncias e
instituições da sociedade: no congresso nacional, nas câmaras
municipais e estaduais, no poder judiciário, entre os governantes, nas
instituições eclesiásticas e principalmente entre policiais e cidadãos
de todas as classes sociais. Falando assim, parece que não sobra
ninguém. Mas sobra sim! O fato é que o nível de bandidagem e de
corrupção é tão forte e está tão arraigado, que fica difícil
identificar quem é quem, com exceção dos que empunham as suas armas
contra o povo - quem, ou o que, produziu esse tipo gente?
É
difícil responder todas essas perguntas com uma verdade única e
absoluta (pois verdades absolutas não existem), mas o fato é que a
humanidade está andando na contra mão da ética, e, com isso, perderam de
vista os valores e os princípios morais e universais. Não é que não
saibam discernir o que é certo ou o que é errado, ou o que bom e o que é
mau, ou mesmo o que é o bem e o que é o mal. Sabem sim! O que vale
para esse tipo de pessoas são os seus valores e os seus princípios
próprios. Vale tudo para manter os seus empregos: aliar-se aos
perversos e às perversas, fazer tramóias, inventar calúnias, aliar-se
ao mal (e ao mau), mentir, falsificar, burlar, dar sumiço em
documentos, roubar e até matar...
Quanto
mais se aproxima da evolução, mais a humanidade se afasta da ética.
Tudo começa no lar, desde a tenra idade. Não ensinamos mais os nossos
filhos pedirem: com licença, por favor, muito obrigado, me desculpe,
perdoe-me, posso entrar?
Não ensinamos mais aos nossos filhos que eles precisam respeitar todas as pessoas, independente da idade, do sexo, da raça e cor, do nível sócio-financeiro e cultural, respeitar as diferenças...
Não ensinamos mais aos nossos filhos que eles precisam respeitar as filas em qualquer ambiente.
Pelo contrário: o que tenho visto nos lugares por onde passo todos os dias são adultos e crianças furando fila, as crianças são "treinadas" pelos próprios pais para correrem à frente de todos e sentar-se no ônibus, guardando lugares para os mesmos. As pessoas estão furando as filas nas padarias, nos supermercados, nos postos de gasolina, nos postos de saúde...
Parece pouco, mas é assim que começa a corrupção. Isto é faltar com a ética. Tudo isso vai gerando e produzindo corruptos, ladrões e bandidos, seres desumanos e de última categoria. E são estes que estão inseridos nos seio da sociedade e das comunidades.
Mediante esses fatos, você mesmo(a) pode responder a pergunta acima.
Não ensinamos mais aos nossos filhos que eles precisam respeitar todas as pessoas, independente da idade, do sexo, da raça e cor, do nível sócio-financeiro e cultural, respeitar as diferenças...
Não ensinamos mais aos nossos filhos que eles precisam respeitar as filas em qualquer ambiente.
Pelo contrário: o que tenho visto nos lugares por onde passo todos os dias são adultos e crianças furando fila, as crianças são "treinadas" pelos próprios pais para correrem à frente de todos e sentar-se no ônibus, guardando lugares para os mesmos. As pessoas estão furando as filas nas padarias, nos supermercados, nos postos de gasolina, nos postos de saúde...
Parece pouco, mas é assim que começa a corrupção. Isto é faltar com a ética. Tudo isso vai gerando e produzindo corruptos, ladrões e bandidos, seres desumanos e de última categoria. E são estes que estão inseridos nos seio da sociedade e das comunidades.
Mediante esses fatos, você mesmo(a) pode responder a pergunta acima.
O QUE PODEMOS FAZER?
Outro
fator primordial que fabrica bandidos - seres que deveriam ser
humanos, mas que agem inclusive como bichos selvagens - é a falta de
políticas públicas de qualidade. Está faltando coisas básicas e
primordiais como distribuição justa da renda, educação escolar e
social, empregos, saúde valorização do ser humano na sua essência. Isso
tudo, e muito mais, está acontecendo por causa da corrupção no país
que já alastrou e enraizou-se no seio da maioria das pessoas. Existe
corrupção em todos os níveis, e corrupção gera mais corrupção, que gera
a falta da ética, que gera bandidos em todos os níveis - as coisas são
interligadas e é necessário que possamos refletir e repensar as nossas
atitudes e perguntar: será que não estou contribuindo com a corrupção e
a falta de ética com o meu comportamento e as minhas atitudes na
minha casa, no meu local de trabalho, na minha igreja, nos locais por
onde passo, com as pessoas com as quais convivo?
Se você é um educador ou uma educadora, pense: será que estou educando mesmo? - educadores verdadeiros são os que se envolvem em todos os níveis, inclusive em nível pessoal.
É necessário re-significar o nosso modus vivendis para transformar realmente a comunidade a nossa volta, para que as sementes por nós plantadas possam contribuir para desconstruir os paradigmas que conhecemos e praticamos, para que possamos reconstruir uma sociedade ética, moral, idônea...
Se você é um educador ou uma educadora, pense: será que estou educando mesmo? - educadores verdadeiros são os que se envolvem em todos os níveis, inclusive em nível pessoal.
É necessário re-significar o nosso modus vivendis para transformar realmente a comunidade a nossa volta, para que as sementes por nós plantadas possam contribuir para desconstruir os paradigmas que conhecemos e praticamos, para que possamos reconstruir uma sociedade ética, moral, idônea...
Considerações finais
O discurso sem a ação é mera verbosidade, uma grande falácia, e apenas verborragia! Falar em ética sem a práxis é paradoxo! Qualquer coisa fora disso, é meramente um discurso teórico e retórico. No fim, tudo acaba na mesma. Ou seja, se não agirmos, não vai dar em nada!
Posto isso, creio que tudo o que podemos fazer, é no mínimo ser éticos!
Austri Junior
***
A Reforma Protestante!
"ECCLESIA REFORMATA, SEMPER REFORMANDA"
No
dia 31 de
Outubro de 1517, o Monge Católico, Martinho Lutero afixou na porta da
capela de Wittemberg
as 95 teses que gostaria de discutir com a igreja, nessas 95 teses
estavam assuntos da mais alta relevância para a fé, como por exemplo: a
penitência, as indulgências e a salvação pela
fé. O acontecido marcou o início da Reforma Protestante, e representou o
ponto de partida para uma nova eclesialidade que hoje está se perdendo
muito rapidamente.
A
"igreja reformada sempre reformando" que se tinha no início de todo o
movimento protestante, deu lugar nos dias de hoje à ignorância
generalizada, à intolerância, à ganância e ao comércio, como nos tempos
de Lutero, e esvaziou o espírito e o sacrifício de um povo que deu a sua
vida e a sua liberdade por uma nobre causa. "Não há nada de novo
debaixo do céu".
A
Reforma se perdeu, e perdeu o sentido de ser. Naquele tempo, havia sim
motivo para protestar contra os desmandos de Roma, hoje, nós precisamos
lutar contra os desmandos dos "crentes", que de "protestantes", passaram
a ser chamados de "evangélicos" e que do Evangelho de Cristo, pouco ou
nada possuem.
Os
Cristãos de hoje - que perderam o trem da história - poderiam ter
mantido o espírito da reforma, protestando contra as injustiças sociais,
a falta de ética na política e na sociedade, lutando por uma uma vida
melhor para o seu semelhante e pregando o Evangelho, sem apontar os
dedos para ninguém, apenas evangelizando com alteridade e expandindo o
Amor de Deus.
Hoje,
quem precisa de uma reforma imediata são as chamadas igrejas
evangélicas. Uma Reforma "Ampla Geral, e Irrestrita". Mas não são
somente as igrejas instituições e denominações que estão precisando
rever as suas condutas. A Igreja Corpo de Cristo - pessoas - estão
necessitando com urgência mudar o vértice de suas caminhadas e
pregações.
É necessário que todos os Cristãos sejam "Protestantes" sim!
Que protestem contra todo o caos instalado na sociedade, contra a má
qualidade na educação, contra os desvios de verbas públicas, contra a
corrupção generalizada no seio da sociedade...
É
preciso que os Cristãos Católicos Romanos e que os Cristãos
Protestantes, protestem contra tudo o que estiver errado em suas igrejas:
enganos, comércios, fraudes, desvios da doutrina bíblica, teoria da
prosperidade, venda de indulgências - que nos dias atuais vêm
disfarçadas de ofertas e outros engodos...
"ECCLESIA REFORMATA, SEMPER REFORMANDA!"
Austri Junior
***
O que é Cristianismo?
A postagem anterior "O que é cristianismo?" estava com problemas técnicos, e ao tentar concertar, acabei deletando.
Acredito realmente que "tudo concorre para o bem daqueles que amam a
Deus." Tenho agora a oportunidade de editar uma nova reflexão (embora
não tão nova assim) à cerca da pergunta:
O que é cristianismo?
Observem que escrevi a pergunta acima: "O que é cristianismo?"
com "c" minúsculo. Em minha interpretação existe cristianismo e
Cristianismo. O cristianismo "pertence" somente aos crentes e aos
evangélicos, enquanto que o Cristianismo "emana" dos Cristãos.
- Não é a mesma coisa?
- Claro que não!
Em se tratando do cristianismo, todo crente é evangélico e todo evangélico é crente, mas esses nem sempre são Cristãos. Entretanto,
todo Cristão - sejam eles Ortodoxos, Católicos Romanos, Católicos
Anglicanos, Protestantes: Históricos e Evangélicos - são Crentes e
Evangélicos.
- Qual é a diferença?
O Cristianismo é "Puro e Simples" (C.S
Lewis) como Jesus; não exclui, não julga e não condena. Antes Ama,
Acolhe, Perdoa, Cuida, tem Misericórdia e é cheio da Graça.
Cristianismo é Diaconia, Coinonia, Alegria, Fraternidade, Solidariedade, Justiça Social, Piedade, Oração e Racionalidade...
O contrário é: egoísmo, complicação, intolerância, arrogância, confusão manipulação - "teologia da prosperidade*" - calote, "fofoca santa" (como se fosse possível a fofoca ser santa, pois toda fofoca provém do "encardido",
como já dizia o saudoso Padre Léo da Canção Nova), picuinha,
disse-que-disse-que-disseram, "ermeneutica" (no lugar da hermenêutica),
"omelética" (no lugar da homilética), pedofilia, adultério - inclusive a
adulteração da bíblia - falta do Amor, do Perdão, da Misericórdia... da
Graça.
À pratica de tudo o que é contrário aos ensinamentos de Jesus Cristo, e mais: do ufanismo, do triunfalismo e do oba-oba nas denominações, eu chamo cristianismo. Aos que praticam esse tipo de cristianismo, eu chamo de crente e ou de evangélico (sejam esses de qual for a denominação, ideologia, doutrina ou movimento: católicos, evangélicos, anglicanos...)
Cristianismo Real e Verdadeiro é Atitude - Modus Vivendis!
Ao Cristão Real e Verdadeiro eu chamo Cristão Cristificado!
Ser Cristão Cristificado é ser Teologal, ou seja, ter a vida no Altar de Deus, e não ter a vida no altar do templo.
Ser Teologal é ter Vida com Deus!
Ter Vida com Deus não quer dizer ser perfeito. Ter Vida com Deus é busca e renúncia, fé e piedade, errar pedir perdão (perdoar) e se concertar. É esforçar-se e esmerar-se na jornada pela pureza e pela simplicidade do Evangelho.
Precisamos ter a vida no altar (de Deus), precisamos ser Teologais!
Cristianismo e Cristão eu escrevo com "C".
À pratica de tudo o que é contrário aos ensinamentos de Jesus Cristo, e mais: do ufanismo, do triunfalismo e do oba-oba nas denominações, eu chamo cristianismo. Aos que praticam esse tipo de cristianismo, eu chamo de crente e ou de evangélico (sejam esses de qual for a denominação, ideologia, doutrina ou movimento: católicos, evangélicos, anglicanos...)
Cristianismo Real e Verdadeiro é Atitude - Modus Vivendis!
Ao Cristão Real e Verdadeiro eu chamo Cristão Cristificado!
Ser Cristão Cristificado é ser Teologal, ou seja, ter a vida no Altar de Deus, e não ter a vida no altar do templo.
Ser Teologal é ter Vida com Deus!
Ter Vida com Deus não quer dizer ser perfeito. Ter Vida com Deus é busca e renúncia, fé e piedade, errar pedir perdão (perdoar) e se concertar. É esforçar-se e esmerar-se na jornada pela pureza e pela simplicidade do Evangelho.
Precisamos ter a vida no altar (de Deus), precisamos ser Teologais!
Cristianismo e Cristão eu escrevo com "C".
Assim também me refiro ao Verdadeiro Teólogo, e à Verdadeira Teologia (independente do Cristianismo). Escrevo-os sempre com o "T" maiúsculo - observem!
* À "teologia da prosperidade", o meu querido Mestre e amigo Luiz Caetano Grecco Teixeira chama "ideologia da prosperidade". Inspirado em seus ensinamentos (e correção) eu passei chamá-la de "teoria da prosperidade."
* À "teologia da prosperidade", o meu querido Mestre e amigo Luiz Caetano Grecco Teixeira chama "ideologia da prosperidade". Inspirado em seus ensinamentos (e correção) eu passei chamá-la de "teoria da prosperidade."
Austri Junior
***
Entendes o que falas?
(Uma reflexão à cerca da Hemenêutica Bíblica)
Compreendes o que vens lendo?
Segundo a narrativa bíblica em Atos dos
Apóstolos, um anjo do Senhor enviou Filipe à um caminho que descia de
Jerusalém à Gaza. Nesse caminho estava passando um etíope, alto oficial
da rainha Candace. Logo em seguida, nesse mesmo relato, diz a bíblia:
que o espírito ordenou a Filipe que se aproximasse do carro do etíope e
o acompanhasse. "Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e
perguntou: COMPREENDES O QUE VENS LENDO?" (At. 8.30 - Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil - Segunda Edição).
Muito interessante foi a resposta que o etíope deu ao Filipe:
"Como poderei entender se alguém não me explicar?" (At.8.31a - Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil - Segunda Edição).
Essa resposta do etíope encerra, ou,
deveria encerrar uma discussão muito antiga e nociva, à cerca da
importância do estudo da Teologia e evidentemente, do conhecimento
teológico.
O conhecimento teológico, traz em seu bojo, o conhecimento exegético e sobre tudo, o conhecimento hermenêutico.
É muito comum ouvirmos dizer que "a
letra mata", referindo-se à Teologia, e ao conhecimento teológico. Mas
observemos bem: os que falam coisas assim, são os ignorantes, ou se
preferirmos, os desprovidos de conhecimentos. Geralmente dizem isso
numa tentativade esconder a sua ignorância e manter os que estão em seu
entorno e debaixo dos seus tacões na ignorância junto deles, pois
quanto menos os outros souberem, para eles será muito melhor - e quase
sempre, esses ditadores da ignorância conseguem os seu objetivos:
manter os seus "discípulos" atrelados aos arreios da ignorância, ou
seja, emburrecidos. Poucos escapam!
Quando Paulo, falando à cerca de Jesus, o Cristo, disse: "o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica"
(2Cor. 3.6 - Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil - Segunda
Edição), ele foi muito claro: quando disse: "a letra mata", ele estava
se referindo à lei de Moisés - que também pode ser de Hamurabi - ou
seja, a lei de talião: olho por olho e dente por dente. A nova aliança é
Jesus Cristo, que anunciou as Boas Novas (o Evangelho), que veio
trazer Graça, Amor, Perdão, Misericórdia, Alteridade...
Com essa fabulosa resposta, o etíope
está nos dizendo que precisamos estudar. Mas que tipo de estudo? Todos
os fins de semana, a igreja de Cristo se reúne nos templos em suas
Escolas Dominicais, Catequeses, e ou Escolas Sabatinas para estudar
sobre a bíblia, e quanto mais estudam piores ficam. Qual é a qualidade
desses ensinamentos, e qual é a capacitação que possuem esses pseudos
professores?
E os pseudos pregadores, todos os dias
gritando nos ouvidos dos passivos receptores de asneiras bíblicas? O
que fazer para mudar esse quadro terrível?
Sem estudo, somos como crianças, diante de um texto complexo!
Entre tantas interrogações existentes na bíblia, a pergunta que o Filipe fez ao etíope é a mais importante dentre todas elas: "Entendes tu o que lês?" (At. 8.30 - Bíblia Almeida- Edição Revista e Corrigida, Editada em 1995).
Entendes tu o que lês?
Quero citar mais dois textos bíblicos e conversar sobre eles:
1º) Lucas em sua narrativa sobre os
Atos dos Apóstolos, mais precisamente, quando os mesmos reunidos em uma
casa, durante a festa dos 50, mais conhecida como pentecostes, fala da
descida do Espírito Santo e do Dom de línguas:
1.Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2.De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
3.Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
4.Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
5.Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.
6.Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7.Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?
8.Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?
9.Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia,
10.a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,
11.judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!
12.Estavam,
pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos
outros: Que significam estas coisas? (At. 2. 1-12 Bíblia Ave Maria).
O
que tem de incompreensível nesse texto que faz com que ele seja
distorcido, ao ponto de que seja inventado uma nova teoria chamada de
"língua dos anjos", ou "oração em linguas", ou então "falar em línguas"?
Quais foram as linguas (idiomas) citadas nesse texto?
Os idiomas citados nesse textos foram as línguas dos medos, persas, elamitas, romanos...
O texto é muito claro. Os Apóstolos não falaram em (outras) línguas. Os que os ouviram, é que os escutavam falar em suas próprias línguas, ou seja, eles escutaram os Apóstolos falarem em seus próprios idiomas: judeus, persas, egípcios, líbios, cirenenses, capadócios, romanos...
E os ouvintes ficaram tão maravilhados em ouvirem as maravilhas de Deus em suas próprias línguas, que perguntam: "Que significam estas coisas?"
Creio que posso responder: Essas
coisas são o poder de Deus se manifestando para Salvar, Curar,
Libertar, Transformar. O poder de Deus se manifestou para que o
Evangelho pudesse ter sido pregado e entendido por todos que estavam
ali. Aquilo foi puro "milagre": Todos entenderam o que estava sendo dito em suas próprias línguas, o texto repete isso por três vezes. Portanto, o texto está muito claro. Ninguém falou em línguas diferentes ou em "linguas estranhas" (estranhas aqui é estrangeiras).
Por isso pergunto:
O que quer dizer então: Shuryah labashuryah, Shurikanta labianta, Sakalabahs...?
O que quer dizer então: Shuryah labashuryah, Shurikanta labianta, Sakalabahs...?
Será que é assim mesmo que se escreve
isso? Que língua é essa? Grego e Hebraico eu sei que não é! É essa a
"famosa língua dos anjos"?
Paulo disse ao coríntios: "Ainda que eu
falasse a língua dos homens e dos anjos..." (1Cor. 13.1a - Bíblia
Almeida Revista e Atualizada no Brasil).
Ele não disse nada sobre essa língua
ser estranha, e também nada disse sobre os anjos "falar em mistério",
nem que deveríamos nós, falarmos na lingua do anjos. Como podemos
falar sobre o Evangelho e sobre as maravihas de Deus em mistérios, se a
bíblia é revelação?
Entendes o que falas?
O que significa KALABASHURYAH?
Porque essas frases são repetidas
inúmeras vezes nos templos, emitindo sons incompreensíveis com o rótulo
de profecia, revelação ou até mesmo como recados Deus? "DEUS MANDA
DIZER..."
Se Deus quisesse dizer não diria Ele, diretamente para você ou para mim em nossa própria língua, como ele fez em Atos dos Apóstolos?
Você que não é adepto dessas distorções bíblicas, entendes o que falam esses "profetas do mistério"?
2º) Falando aos coríntios no capítulo 14, Paulo diz que "quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, Salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação" (1Cor. 14.5c - Bíblia Ameida Revista e Atualizada no Brasil).
Quando Paulo fala em profecias, não
está falando de adivinhações, muito menos de "revelações". Tudo o que
Deus revelou para nós está na bíblia. Quando Paulo fala em profetas
está falando daquele que não se conforma com as distorções e prega sem
massagear o ego do transgressor e sem condená-lo, mas apontando-lhe os
erros, como os profetas do Antigo Testamento. E quando ele cita outras línguas, está
se reportando ao fato de que ninguém deve em uma comunidade, falar
(outras) línguas que as pessoas ali reunidas não possam entender.
"Salvo se as interpretar". Posso trazer para uma comunidade um
palestrante japonês para falar ao povo, se com ele eu não contratar um
interprete?
Portanto volto a perguntar:
O que quer dizer kalabashuryah, shuryah labashuryah, shurikanta labianta, sakalabahs...?
Entendes o que falas?
Se não entendes o que lês, como poderás entender o que falas?
Por Austri Junior
***
Jesus nos chama para a Salvação (Mt 9.9)
Sermão de Austri Junior
Introdução
Irmãos,
Jesus na sua infinita misericórdia, olha para nós e não se preocupa
com o que somos, e nem como estamos; porque quando ele nos escolhe, nos
elege para sempre.
Irmãos, o texto Bíblico em Mt 9.9 diz: “Partindo Jesus dali...”
- Dali onde? De onde Jesus partiu? Onde Ele estava?
Para entender o texto, vamos examinar o contexto anterior:
No
capítulo 5 Jesus estava em Cafarnaum, subiu ao monte, e, acercado
pela multidão e rodeado por seus discípulos ele ensinava toda a base
de sua doutrina, que é a doutrina Bíblica e que Jesus recebeu do Pai,
ensinou a todos de sua época e deixou para nós hoje. Essa doutrina
começa com o sermão do monte onde Jesus falou das Bem-aventuranças;
sobre ser sal da terra e luz do mundo, fala também do adultério, da
vingança, do amor ao próximo, entre tantas outras coisas... Toda essa
pregação doutrinária de Jesus encerra-se no capítulo 7; e, no capitulo
8, após ter descido do monte, Jesus dá sequência a tudo o que pregou
executando curas e libertações, demonstrando o seu amor pelo homem e
chamando-o para a salvação.
(Irmãos, o tema da nossa mensagem de hoje é):
QUANDO JESUS NOS CHAMA.
I – JESUS VIU UM HOMEM... (v.9b);
(Irmãos, o tema da nossa mensagem de hoje é):
QUANDO JESUS NOS CHAMA.
I – JESUS VIU UM HOMEM... (v.9b);
A – JESUS VÊ O HOMEM .
Ao partir de Cafarnaum para percorrer os povoados e cidades próximas (e também as cidades distantes é claro), Jesus viu Mateus. Quando
o texto diz que “Jesus viu um homem chamado Mateus” (v.9b), podemos
trazer esse versículo para os dias de hoje e dizer: JESUS VIU UM HOMEM
CHAMADO AUSTRI...
Tudo isso nos leva a crer que:
JESUS ESTÁ ATENTO A TUDO E A TODOS;
Jesus
vê tudo à sua volta, nada passa despercebido aos olhos de Jesus, pois
ele está ligado em tudo. Jesus é “antenado” e está preocupado
conosco, com a nossa pessoa.
JESUS OLHA PARA NÓS.
E,
quando Jesus olha para nós ele não nos olha com olhares de
recriminação. Jesus não é cego, ele vê os nossos defeitos as nossas
falhas e nossas fraquezas, bem como os nossos pecados, os
nossos
erros, pois como Jesus não é cego, Jesus também não é desmemoriado,
nem “gagá” ou retardado. O gostoso e maravilhoso em tudo isso é que
Jesus é Misericordioso, Jesus é Benigno, Bondoso, e acima de tudo,
Jesus é extremamente Amoroso. E por ser Amoroso, Jesus tem um olhar diferente.
B – UM OLHAR DIFERENTE.
Quando o homem olha para outro homem, o seu olhar também é diferente. Diferente do olhar de Jesus. E
é claro – e até certo ponto é normal que seja assim – pois apesar de
que o Apóstolo Paulo disse que nós “temos a mente de Cristo”, é muito
difícil achar um ser humano (seja homem ou mulher) que já tenha
atingido essa plenitude.
Quando
coloquei o contexto anterior (e até mesmo o contexto mediato), foi
para alertar de que devemos buscar os ensinos do Cristo e buscarmos
agir como Ele nos ensinou, e agir como Ele agiu. Quando virmos um Homem
“caído” em seus erros e falhas, esteja ele deitado ou sentado...,
devemos chamá-lo; estender-lhe as mãos, e levá-lo até Jesus Cristo, que é
a Salvação.
Jesus nos chama para a Salvação porque o Seu olhar é um olhar
diferente. Quando Jesus nos chama, não importa qual seja a nossa
posição: de pé, deitado ou sentado. Jesus nos chama para a salvação.
II – MATEUS ESTAVA SENTADO (v.9b);
(Quando Jesus nos chama, não importa a nossa posição)
A – NÃO IMPORTA QUEM VOCÊ É.
Quando
Jesus viu Mateus ele estava sentado na coletoria. Todos nós sabemos
que Mateus, também conhecido como Levi, era coletor de impostos, e,
como tal, ele era mal visto no meio do seu povo. Assim como Zaqueu (que
também era cobrador de impostos e roubava do povo), Mateus era
considerado pelos Judeus como pecador, pois era republicano. Ele era
considerado como “traidor da pátria”, pois jogava do lado oposto, jogava
no “time dos Romanos.” Jesus olhou para Mateus, viu os seus defeitos
(pois não é cego), más como Jesus não se importa com quem você é, mas sim, com quem você será Jesus também o chamou.
- Irmãos, Jesus não olhou para Mateus apenas como um ladrão, e a prova disso estão bem aqui à nossa frente.
Se
Jesus tivesse olhado para Mateus apenas como um ladrão, com certeza
hoje nós não teríamos essa maravilhosa pérola nas mãos. Jesus não olha
para o que nós somos. Jesus olha para quem nós seremos Ele sabe que lá
na frente nós seremos uma bênção porque Jesus é um grande Descobridor de Talentos.
B – JESUS VÊ OS NOSSOS TALENTOS.
Irmãos,
um dia, Jesus, esse Grande e Brilhante Descobridor de Talentos olhou
para Mateus e viu os seus talentos. Um dia Jesus olhou para você e eu,
e viu em nós algo mais. Coisas que o Homem não consegue ver porque
não possui o olhar de Jesus. Jesus nos vê com as lentes do Amor, da
Compreensão e da Misericórdia.
Um
dia Jesus olhou para você e eu e viu em nós um pecador, uma pecadora.
Mas da mesma forma como Ele agiu quando se encontrou com a mulher
Samaritana no poço de Jacó, Ele fez conosco. Viu os nossos pecados, os
nossos erros e as nossas falhas, pois repito: Jesus não é cego. Ele se
lembra de tudo aquilo que fizemos e de tudo o fazemos, pois além de
não ser cego Jesus também não é desmemoriado, nem “gagá” e muito menos
retardado.
Quando a Bíblia diz que os nossos pecados, erros ou delitos
será jogados no mar do esquecimento, a interpretação é: Deus que é Amor, jamais vai lançar em nosso rosto nada do que fizemos. Pecado perdoado, para sempre “deletado.”
Embora
você e eu nos esquecemos disso, Jesus não se esquece. Ele não é
desmemoriado e quando nos vê sentado em nossos erros, defeitos e
problemas Ele nos chama:“SEGUE-ME!”
III – “ELE SE LEVANTOU E O SEGUIU” (v. 9c).
(Quando Jesus nos chama, devemos nos levantar e segui-lo).
A – CHAMADOS PARA FORA.
Jesus chamou Mateus tirando-o de seu lugar de acomodação: dos erros, das falhas, da mentira, da usurpação, e, do pecado generalizado. Nós também, outrora, fomos chamados por Jesus,
chamados para fora do pecado.
Conforme
os relatos de Marcos capítulo 2.15 e Lucas capítulo 5.29, Levi
ofereceu um banquete para Jesus. Jesus foi ao banquete e levou os seus
discípulos, e foi extremamente criticado e julgado pelos farizeus
(como sempre).
- Porque Jesus foi criticado pelos farizeus?
- Essa história não nos parece comum?
- Já não vimos e assistimos todos os dias esse mesmo filme?
-
Já não estrelamos nós mesmos esse filme? – Ora no papel de Jesus, ora
no papel de farizeus? Porém há muitos de nós que, infelizmente, já
estrelamos muito mais vezes esse filme no papel de farizeus.
É
interessante dizer que quando estamos desempenhando o papel de Jesus,
andando com publicanos e pecadores, sejam eles, ladrões, prostitutas
ou homossexuais, ficamos felizes porque estamos “fazendo a obra de
Deus, levando os ‘perdidos’ até Jesus”; cumprindo com os ensinamentos
do mestre, contidos nos capítulos cinco, seis e sete das
Bem-aventuranças, e com todos os ensinamentos espalhados por toda a
Bíblia. A Bíblia está recheada de indicações para que possamos seguir e
servir melhor. Más quando vemos alguém, andando, ajudando, e,
defendendo essas mesmas pessoas, nós nos iramos, e, de Jesus, nós
passamos a fariseus, e os condenamos, os criticamos e os julgamos.
Esquecendo-nos de que outrora, éramos como “perdidos pecadores”, e
que, Jesus teve misericórdia de nós, e enviou irmãos misericordiosos
que cuidaram de nós, e que a mesma misericórdia que nós queremos para
nós e para aqueles a quem amamos, nós negamos para os outros.
Irmãos, Jesus não condena a ninguém; a não ser aos próprios fariseus. Antes, Jesus nos chama para a Salvação.
B – SEGUIR E SERVIR.
Ao se levantar, Mateus estava dizendo: “Eis me aqui Senhor.”
Ao seguir a Jesus, ele estava dizendo: “Usa-me Senhor.”
Mas
muito mais que isso, ele deu um banquete em sua casa para Jesus e
convidou os seus amigos pecadores. Quando um Judeu dava uma festa ou
oferecia um banquete, ele abria as portas da sua casa para toda a
comunidade.
Entre
os pecadores convidados na casa de Mateus, estavam outro tipo de
pecadores: os farizeus que amavam apontar o dedo para criticar, condenar
e julgar.
Bem
irmãos, a Bíblia não nos diz se Jesus pregou naquele lugar. A Bíblia
também não nos diz se houveram mais conversões além da conversão de
Mateus. Más com certeza, podemos afirmar que naquele banquete, a maior
pregação de Jesus naquele dia ou naquela noite, foi o seu testemunho de
vida:
COMEU E BEBEU COM PUBLICANOS E PECADORES, depois que chamou Mateus: SEGUE – ME!
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
“Jesus viu um homem... ele estava sentado... Jesus o chamou: Segue – me! Ele se levantou e o seguiu” (Mt 9.9).
Ao
olhar para nós e nos chamar, Jesus não nos chama somente para a
Salvação, más também para o serviço. Uma coisa está ligada a outra, e é
impossível separá-las. Quando Mateus ofereceu um banquete para Jesus,
ali começou o seu Ministério de servir ao Senhor Jesus. Mas o banquete
maior, é aquele que Jesus reservou para Mateus e para todos nós:
A ALEGRIA DA SALVAÇÃO!
Quando Jesus nos olha, Ele nos vê. E quando nos vê, Ele percebe os nossos talentos e nos chama.
Quando Jesus nos chama, devemos nos levantar e segui-Lo!
E
nessa caminhada com Jesus devemos olhar para aqueles que estão
sentados, e chamá-los, e estender-lhes as mãos e levá-los até Jesus que é
o Caminho, e a Verdade, e a Vida, e desfrutemos todos do banquete da
Salvação ao qual nos chamou o Senhor.
A DEUS SEJA A GLÓRIA.
Austri Junior
Pregador do Evangelho de Cristo
***
Teólogo é aquele que assume as suas posições com transparência. Não fica em cima do muro, não é dissimulado e defende as suas convicções. O verdadeiro Teólogo dá a face para bater e luta por suas ideias e ideais, em toda e qualquer área.
O Teólogo não compactua a com cortina de fumaça e com a manipulação. Antes, combate-a com vigor e fulgor. O verdadeiro Teólogo não teme o desconhecido. Não foge da ciência, não a teme e não briga com ela. O Teólogo é um apaixonado por aquilo que estudou, e busca incansavelmente pelo conhecimento, investigando a verdade, sem absolutizá-la. O Teólogo é poroso na construção e absorção do conhecimento. Trabalha com alteridade, construindo pontes e não muralhas e trincheiras, e sempre que puder, com certeza irá Teologizar até o fim. Teologizar para libertar!
Austri Junior
***
Manifestação no Rio de Janeiro contra intolerância religiosa
Aconteceu
ontem 18/09/2011 no Rio de Janeiro uma Manifestação contra a intolerância religiosa, que
reuniu católicos, espíritas, bahá'is e protestantes.
Penso que esse movimento é de suma importância e muitíssimo oportuno, pois é chegada a hora de dar um basta na intolerância religiosa no seio da sociedade brasileira.
O
foco do movimento pela intolerância nesse ano (2011), foram as crianças – uma
decisão sábia – pois as crianças reproduzem nas escolas, e nas comunidades onde
vivem, toda a intolerância religiosa que aprendem nos templos que frequentam, e
absorvem o aprendizado hostil que os seus pais apresentam em relação às outras
religiões, e geralmente essas intolerâncias todas acabam em demonização do outro e das suas religiões.
Austri Junior
Ética se aprende em casa – refletindo à cerca da corrupção na sociedade sob uma lente teológica.
Desde
a tenra idade os pais devem ensinar aos seus filhos os valores éticos que
deveriam permear a sociedade – ética se aprende em casa – pois existem valores universais
que mensuram a conduta dos seres humanos e que diferenciam uns dos outros.
Abro
um parêntese aqui para um breve comentário sob a lente da Teologia: A ética não
pertence à religião; à nenhuma delas, muito menos ao Cristianismo. A ética
pertence à filosofia, e é claro, foi absorvida pelas religiões e inclusive pelo
cristianismo. Portanto, temos hoje uma infinidade de livros com o título de
“Ética Cristã”, inclusive em seminários e em faculdades teológicas, encontramos
a disciplina “Ética Cristã”. Imagine se cada religião construísse a sua ética:
“Ética Bahá'i”, “Ética Kardecista”, “Ética Budista”, “Ética Umbandista”... Penso
que o correto a se dizer é: “Ética na Religião”, ou, “Ética no Cristianismo”,
assim como é em outras áreas: “Ética no Direito”, “Ética na Política”, “Ética
no Jornalismo”...
Ética
é uma só em qualquer parte do mundo, e em qualquer religião. A ética é
filosófica e não religiosa, embora muitas pessoas fazem uma enorme confusão, e
isso é quase que natural, pois se todas instituições devem prezar e preservar pela
ética, muito mais ainda na igreja. A ética é tão importante e útil para a
humanidade, que o Cristianismo “tomou posse” dela, embora ultimamente não estejamos
vendo muita ética imperar dentro de algumas igrejas (instituições), porque não
está fazendo parte da vida de muitas Igrejas (pessoas/corpo de Cristo). Se a ética
está escassa dentro das igrejas e na vida das Igrejas, muito mais ainda faltará
na sociedade e demais instituições. Temos visto a “bancada evangélica” no
Congresso Nacional Brasileiro, corrompendo-se “descaradamente” em “nome de
jesus” (Jesus com “j” minúsculo mesmo).
Juízes, promotores, políticos,
policiais, delegados, advogados, médicos, professores, presidentes de
associações, presidentes de sindicatos, sindicos de prédios, diretores de
escolas, reitores, empresários... Temos visto todos os dias nos noticiários, um
a um envolvidos em corrupção e a corrupção está presente em todos os níveis
sociais, pois não são somente os ricos, ou os que detêm qualquer tipo de poder
que praticam a corrupção. As camadas mais pobres da sociedade também corrompem e são
corrompidas, por falta da ética em suas condutas.
Ética
se aprende em casa - mas nada impede que as igrejas, as escolas e as demais
instituições, principalmente as instituições que detêm os poderes executivos,
legislativos, e judiciários, a pratiquem e
lutem para instituí-las e para mantê-las em todas as instâncias da
sociedade. Na realidade, essa é uma das funções e obrigações dessas
instituições.
A
falta da ética no indivíduo origina a corrupção na sociedade. Sobre a
corrupção na sociedade falaremos amanhã, quarta feira.
Austri Junior
***
***
Fast food da fé - Vergonha 'gospel'!
Nesse fim de semana, recebi
por e-mail, uma postagem do Blog Brasil Metodista, enviado pelo meu
amigo, o Teólogo Fernando Marin que falava de um "Milagre Card".
Se Jesus estivesse entre nós hoje, ele faria novamente a clássica pergunta: "Eli, Eli, lama sabactani?" Mt 27:46.
Fico pensando à cerca desses acontecimentos que nunca deveriam ter começado, e uma vez que algum aproveitador iniciou isso, já deveria ter acabado há muito tempo - uma vez que a comercialização da fé existe muito antes de Jesus, e bem sabemos, foi isso que revoltou a Lutero (incluindo a venda das indulgências), e que desencadeou a Reforma Protestante.
Já passou da hora de o Ministério Público Federal investigar e mandar prender os caloteiros da fé, que não se cansam (e nunca se cansarão) de enganar o povo, que por sua vez, se deixam enganar.
Se por um lado, há por parte dos enganadores a falta de ética, por outro lado, há por parte dos enganados a ganância em enriquecer rapidamente - fruto da teoria da prosperidade - bem como a falta de experiência com o Altíssimo. Todo encontro verdadeiro com Deus, provoca mudanças e transformações reais. Se não for assim, não passa de efêmera emoção.
Por esse motivo, os fieis enganados não buscam o Senhor da Bênção, contentando-se apenas com a "benção" instantânea, ou seja, o "fast food" da fé, que últimamente tem combinado muito bem com as "mega churchill", que cada vez mais, crescem com o "mercado gospel".
Esse tipo de inovação eu repudio, abomino e dispenso. Está na hora de derrubar e chicotear as mesas dos mercadores e cambistas nos templos, cuja ganância e cobiça estão diminuindo a importância da fé cristã, e dando contra-testemunho. Os falsos profetas estão fazendo da fé cristã da um grande centro de comércio, e um rentável meio de vida.
"O zelo da tua casa* me consumirá" (Jo 2:17). Denunciar é o papel do Teólogo e do Cristão comprometido com o Reino!
*Casa = Reino
Austri Junior
***
Profissão Teólogo
Hoje,
dia 30 de Novembro, o Brasil comemora o Dia do Teólogo. Nesse contexto
reflexivo cabem algumas perguntas interessantes – eu gosto muito das
interrogações, porque mais importante que saber as respostas, é saber quais
perguntas devemos (ou podemos) fazer.
Entre essas perguntas, existem duas que considero não somente
interessantes, mas extremamente importantes, para que a nossa reflexão possa
avançar. São elas:
1.
Teólogo por quê?
2.
Teólogo para quê?
Conversando sobre a primeira pergunta
A
resposta para a primeira pergunta: 'Teólogo por quê?' é subjetiva, e,
evidentemente, eu só poderia responder essa pergunta baseada nos meus ideais. É
claro que muitos candidatos a Teólogos chegam à academia, cheios de ideais
(espirituais), confundindo facilmente a Teologia com a religião, e entre os
objetivos principais da escolha de um candidato pela Teologia, está a doce
ilusão pelo 'conhecimento profundo da Palavra de Deus'. Nessa busca profunda
pelo ‘conhecimento profundo da Palavra de Deus’, estão embutidos vários
interesses e conceitos. Esses interesses podem ser, entre outros, inocentes, infantis,
ou arrogantes. Em algumas pessoas, aparecem os três casos ou mais.
Os inocentes
Os
inocentes se decepcionam e não duram muito, logo vão embora, com medo de ‘perder
a fé’. Dado a esse fato, sempre questiono: Se o conhecimento faz alguém perder
a fé, é porque, fé esse alguém não tinha. E se não tem, não pode perder.
Ninguém perde o que não possui.
Os Arrogantes
Os
arrogantes pensam que sabem mais que todos. Inclusive, eles/elas pensam que os professores
sabem menos que eles. Os arrogantes pensam
que vão aprender muito, e que vão ficar melhores e mais sábios que todos à sua
volta. Mas o pior arrogante entre os arrogantes são aqueles que por pensarem
saber mais que os professores, passam meses, e até anos, envolvidos em embates e
polêmicas inúteis, atrapalhando o curso da aula, e atrapalhando os que querem
ouvir e conversar – teologar – para aprender. Os arrogantes são
os verdadeiros servos inúteis, dos quais a bíblia nos fala. Esses classificam
tudo como sendo ‘obra do diabo’, inclusive a Teologia e os Teólogos, e se dizem
guerreiros, soldados de Cristo, empunhando uma ‘espada apologética’ enferrujada,
tentando matar a todos e a tudo que não convergem com aquilo em que ele ou ela
acreditam, e seguem numa batalha desesperada, tentando ‘blindar’ a bíblia por todos
os lados, com um furioso e até mesmo, com um rancoroso discurso de ser ‘o guardião,
ou, a guardiã da sã doutrina’.
Os infantis
Os
infantis pensam que vão aprender tudo e sanar todas as suas dúvidas. Ledo
engano! Mas, se sobreviverem ao conhecimento que desvenda mitos e lendas, que revela
a verdade e lança luz sobre alguns mistérios, através da hermenêutica, e de
outras disciplinas, esses amadurecem, perdem a fé cega e infantil que ‘emburrece’,
crescem e dão frutos, porque, com a fé fortalecida e com a crença, agora
adulta, podem caminhar livrementes. Livres do fundamentalismo, dos preconceitos,
das doutrinas, das manipulações... E se tornam capazes de construir os seus próprios
pensamentos, porque conseguem Teologizar – Construir as suas próprias Teologias, além de ler e interpretar
as Teologias já existentes, e, até mesmo, desconstruir não somente muitos
equívocos teológicos, mas, repensar e re-significar algumas teologias. Muitas delas,
hoje, ultrapassadas.
Aqueles
que estão humildemente 'antenados', logo aprendem que sairão da academia com
muito mais dúvidas do que quando entraram. Isso muitas vezes choca a nossa
infantilidade. Há outra coisa que fica muito clara também no inicio: A Teologia
é uma busca profunda e constante – pesquisa séria – e o nome do curso
deixa isso muito claro: ‘Bacharelado em Teologia’. Portanto, um ‘Bacharel
em Teologia’, é um pesquisador. Não se faz Teologia sem pesquisas. O
Teólogo que não lê e não pesquisa, pode desistir da profissão ou do título de
Teólogo. Outra situação que o teologando (estudante de
Teologia), percebe logo nos primeiros meses de trabalho na academia, é que
a Teologia se aprende estudando e teologizando, ou seja, fazendo
e produzindo Teologia. O que nos leva ao entendimento de que o Teólogo
será sempre um teologando. Ninguém está pronto. O que é muito positivo, pois em um copo
cheio, não cabe mais nada, e muitas vezes, é necessário esvaziar o copo. Mas
nem todos têm essa percepção.
Conversando sobre a segunda pergunta: ‘Teólogo para que?’
Esse deveria ser o
primeiro questionamento que um candidato ao Bacharelado em Teologia deveria se
fazer, junto às suas variantes:
1- Para
quê eu quero ser um Teólogo? (percebam que eu formulei a pergunta com ‘para
quê? ’ e não ‘por quê? ’ – Há uma enorme diferença!);
2- Para
que serve o Teólogo?
3- Para
quê mais um Teólogo?
Cabem nesse contexto
muitas perguntas, e, talvez você esteja questionando agora: porque ele não
perguntou: ‘Para que, isso?’ ou, ‘Para que, aquilo...?’ Bem, talvez a resposta
seja: Eu não pensei em o que você está pensando, ou, eu não considero tal ou
tais perguntas relevantes. Mas com certeza, a minha resposta para você é: por
uma questão de bom senso acadêmico, eu não pretendo esgotar o assunto. Contudo,
mais importante que não esgotar o assunto, é: Dar-lhes elementos para pensar e
para questionar. É isso que a Teologia faz, e é para isso que serve um Teólogo,
entre outras coisas. Seria muita ingenuidade da nossa parte, em qualquer que
seja a área do conhecimento, buscar esgotar um assunto de uma só vez.
Antes de prosseguir quero
chamar a sua atenção para que observe que o verbo ‘construir’, aparece
no texto, repetidas vezes e com certa insistência. Isso por que, considero que
um Teólogo é um ‘engenheiro’, cuja função é construir principalmente pontes e
estradas nos relacionamentos humanos, e desconstruir (implodir), ruínas e estruturas que comprometem a segurança dos
seres humanos. Apesar de que a palavra Teologia, literalmente traduzida significa
estudo à cerca de Deus, ou, das coisas de Deus – Teo = Deus, Logia
= Estudo, conhecimento - a Teologia é uma Ciência Antropológica.
É impossível tentar conhecer
a Deus e as suas coisas, ignorando o homem. Uma ótima definição do que é a Teologia,
que ouvi na academia, e que tomei para minha vida acadêmica e intelectual, é: “A
Teologia são tentativas humanas de entender a Deus”. Por isso, um Teólogo
dispõe de duas ferramentas importantíssimas para o seu trabalho.
A primeira ferramenta é a
Razão – o raciocínio e o discernimento – (Rm 12.1), e esses devem
vir acompanhados do bom senso, da temperança, da paciência, da boa vontade, da
perseverança, do Amor... Isso lhe parece familiar? É claro que isso lhe é
familiar. Os Apóstolos Paulo (na Epístola destinada aos Gálatas) e Pedro (em
sua Segunda Epístola) nos escreveram falando sobre essas atitudes. E por que
nos escreveram eles, sobre isso? Porque aprenderam de Jesus, que aprendeu de
Deus, que sabe o que é melhor para nós.
A segunda ferramenta é a Bíblia
– Não se faz Teologia Cristã sem a bíblia. É sobre a bíblia que são feitos os questionamentos
hermenêuticos, exegéticos, históricos, homiléticos, apologéticos...
Entretanto, esses
questionamentos não podem ser cegos, passionais, irracionais, irreflexivos,
intransigentes, intolerantes, pessoais, fundamentalistas, extremistas, radicais...
A bíblia não precisa da
nossa blindagem, assim como Deus não precisa que tomemos as suas ‘dores’ – Ele tomou
as nossas. Lembra-se? – ‘Deus pode aguentar muito bem essa parada’. Nós é que
não aguentamos, e por isso saímos por aí brigando com todo mundo e com todo o
mundo, colecionando inimigos e antipatias gratuitamente, e com isso,
desperdiçamos a oportunidade de Evangelizar, de transmitir a Paz de Cristo e o
Amor de Deus. Com nossas atitudes negativas, perdemos a oportunidade de ajudar
as pessoas e acabamos transformando o Cristianismo em religião indesejável,
abominável e de quinta categoria.
Ser Teólogo
Ser Teólogo é descortinar
o impossível! Não falo aqui, de Deus, mas, das grandes tempestades trazidas
pelas religiões que não foram criadas por Deus (nenhuma delas), mas sim, por
seres humanos. Somente um Teólogo descomprometido com a religião e com a religiosidade
cega e parcial, que geralmente é irracional, pois vêm carregadas com emoções e
sentimentos humanos, pode combater e tentar desconstruir os conceitos negativos gerados
pelos 'predadores do Evangelho', que, com as suas pregações desvairadas, suas hemenêuticas toscas, e com
as suas doenças emocionais, bem como, com a sua falta de conhecimento teológico
(mesmo que possuam um diploma, ou certificado de teologia), e também com as
suas ambições desonestas que manipulam os versículos bíblicos e se aproveitam
da fé cega e infantil dos desavisados para pregar prosperidade e ganhar
dinheiro.
Ser Teólogo é sofrer a
ingratidão da igreja, corpo e instituição, e o não reconhecimento da sociedade,
de forma que em sua vida, o Teólogo é quase um ‘patinho feio’: Não encontra um
lugar para viver e conviver com os outros, até que descubra a beleza de ser Teólogo,
e se assuma com tal, em meio às intempéries e desconfianças.
Ser Teólogo é assumir as
suas posições, e não se colocar em cima de um muro, ou se camuflar como um
camaleão, de acordo com o ambiente. Mas para isso, terá que pagar um preço
alto, e amargar rótulos tais como: Herege, Libertino, Desobediente, Servo do demônio,
Anti-Cristo... E ser ostracizado, muitas vezes, literalmente banido e exilado.
Ser Teólogo é não poder
exercer a profissão, porque, apesar de que agora a Teologia já é reconhecida
como profissão, a ‘Profissão Teólogo’ não é reconhecida nem pela Igreja, muito menos pela sociedade.
Lembro-me do dia em que Júlio Zabatieiro, disse na aula de ‘Religião, Modernidade
e Desencanto’ no curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião:
“- O Teólogo é mais importante que o Sacerdote”. Por um instante,
os meus olhos brilharam como os de uma criança em frente a uma vitrina cheia de
doces. Mas logo em seguida ele disse: “- Entretanto, o sacerdote vem em
primeiro lugar na preferência popular, pois o povo rejeita o Teólogo, em
detrimento do Sacerdote”. Isso se reflete na sociedade de uma maneira
geral, e, embora a importância do Teólogo seja de vital valor em vários âmbitos,
e o mesmo deveria ser consultado em diversos momentos que envolvem o ser humano,
e a sociedade inclusive com análise antropológica, é muito comum ver muito mais
Teólogos procurando emprego, do que qualquer outro profissional da área de Ciências
Humanas e Sociais. O Teólogo é aquele que não ganha dinheiro com a profissão, e
é o profissional que mais trabalha fora da sua área. Ele faz tudo, menos
Teologia.
O Teólogo é um Cientista
Social, porque a Teologia não é religião. Teologia é Ciência. Ciências Sociais -
Ciência Humana.
Pense: Teólogo para quê?
Penso que o Teólogo é
para ser diferente e fazer a diferença. Buscar a unidade da igreja com a
Igreja. Teólogo para promover o Ecumenismo entre Cristãos, ‘afim de que
todos sejam um’, como O Pai é no Filho, também sejamos nós n’Eles, e
uns para com os outros. Teólogo para construir pontes entre a igreja (instituição)
e a sociedade. Teólogo para ajudar na construção de uma Igreja (corpo de Cristo)
sadia e saudável, com menos doenças causadas pela religiosidade e pela
ignorância bíblica. Teólogo para desconstruir as trincheiras, os muros e as
muralhas construídas pela igreja e pela Igreja diante da sociedade, do
conhecimento, da ciência... Diante do mundo, diante de tudo porque cometeram
muitos erros de hermenêutica, não fizeram as exegeses corretas e se separaram
do ‘mundo’. Teólogos e Teólogas para construir, para amar, para orientar, para instruir,
para ensinar e para aprender. Teólogos e Teólogas para protestarem contra as
injustiças e mazelas sociais, contra as injustiças e mazelas das Igrjas e nas igrejas
(instituições). Teólogos e Teólogas para protestarem contra as igrejas
evangélicas e suas doutrinas miseráveis, pobres e opressoras que estão
distorcendo o Evangelho de Cristo, manchando o Cristianismo e adoecendo as
pessoas... Teólogos e Teólogas para fazerem a diferença em um mundo conturbado,
cheio de violência e desgraças (literalmente fora da Graça Divina). Teólogos e Teólogas
para resgatarem o Cristianismo e o Protestantismo, e não para serem mais um a
distorcerem a ‘Palavra de Deus’, a manipularem as pessoas, os fatos e os
sermões...
Teólogos para tantas
coisas... Coisas que nos faltam. Coisas que ainda estão por fazer, desfazer,
ver e rever... Teólogos para re-significar a Teologia e a igreja. Teólogos para
construir Teologias sadias e significativas. Teólogos para construir uma Teologia
prática, social e libertária.
Uma Teologia que nos liberte terminantemente das
amarras cativas, do fundamentalismo, da sóciopatia, da in-tolerância burra, cega e
odiosa que odeia tudo e todos sob o rótulo cínico e hipócrita de ser o ‘ungido
de Deus’ que vai ‘pregar a verdade’, doa a quem doer “proclamando que não devemos nos
contentar com as 'coisas desse mundo', e que devemos ficar atentos para não nos acovardarmos
diante das ‘coisas erradas’ da sociedade, sendo conivente e compactuando com o
mal, sob o rótulo da tolerância”.
Portanto, amadas irmãs e
amados irmãos, Teólogos para quê?
Penso eu: Teólogos para
antes de tudo, se perguntarem:
‘- Teólogo Por quê?’
Aprendendo sobre a vida
Vida e Morte
Nesses últimos
meses do ano de 2011, e nesses últimos dias dessa semana, assim como
nesses últimos
minutos da minha vida, Deus tem me falado muito sobre a vida, o que tem
me
feito pensar e refletir muito sobre esse maravilhoso Dom que está
sujeito aos
combates e revés, às intempéries e tempestades, e às mazelas sociais, e
às indiferenças humanas entre outras coisas.
Durante esse ano
de 2011 recebemos alguns golpes da morte: perdemos dois amigos, um com câncer
na garganta, outro com cirrose. Perdemos a minha sogra, que passou mal numa
quinta de tarde, foi para o hospital andando, lá ela estava sorrindo e
conversando normalmente, e no sábado às 18 horas, sorrindo e conversando,
recebeu a morte em sua vida. Nesse sábado que passou, enterramos a tia da minha
esposa, que também recebeu a morte, ainda cheia de vida... Sem falar em outros
que se foram, ainda nesse ano, pessoas ligadas à nossa pessoa e às pessoas
nossas. São muitas mortes ceifando vidas –
nesse ano, eu não aguento mais ir ao 'Jardim da paz'.
Morremos um pouco
a cada dia, pois se ficam o amor e as lembranças, ainda assim, um pedaço de nós
é enterrado junto com os que se vão. Mas não é a ordem natural do ciclo da
vida: nascer-crescer, viver-morrer?
A verdade é que
nunca tivemos e nunca teremos o controle sobre ambas - vida e morte. Elas vêm e
se vão à nossa revelia, e por mais que saibamos das suas existências, elas, a
vida e a morte, sempre estarão entre nós...
Refletindo sobre a vida
O que é, pois a
vida, se não uma rápida e curta passagem? A bíblia nos convida a escolher a
vida. O Reverendo Calvani em seu artigo supracitado, diz que escolher a vida é ‘assumir
os seus ricos’, e ele tem toda razão. Assumir a vida é também cuidar dela,
e cuidar da vida envolvem uma série de questões que passam pelo corpo (físico,
material), pela alma (emoções e sentimentos), bem como pelo espírito (o transcendental,
o Sagrado e o Divino). Para alguns, os seres humanos são dicotomos, e para
outros, tricotomos. Dicotomos ou tricotomos, não importa. O fato é que nós
seres humanos somos um todo, e não se pode separar. A verdade é que precisamos cuidar
bem da vida. Não somente da nossa, mas também da vida do outro. Cuidar da vida
do outro não significa ‘cuidar da vida alheia’, ou seja: meter o ‘bedelho’ onde
não nos convém!
O Corpo
Alguns cristãos
costumam não valorizar o corpo. Pelo contrário, antes, o demonizam, o reprimem,
desvalorizam-no ao máximo... Alguns cristãos pensam que o corpo serve de passaporte
para a Salvação: quanto mais o corpo sofre, ou quanto mais sacrificado ou
flagelado, mais próximo de Deus estará. Verdade ou não, e eu acredito que não,
o fato é que essas pessoas estão na contra mão de Deus da mesma forma que
aquelas que super valorizam o corpo, com seus asteróides e anabolizantes, com
seus exercícios físicos em excessos, com os seus ‘super-bronzeamentos’
artificiais ou não, e com as suas roupinhas apertadas ou curtas de mais – às vezes
sem roupa nenhuma. Cuidar da vida é cuidar do corpo também, principalmente para
o Cristão equilibrado. Os equilibrados, Cristãos ou não, sabem que precisamos
do corpo. Enquanto estivermos aqui, a vida passa por ele, e ele é um excelente
condutor de energia. A vida é energia pura. Vida é ‘Dinamis’= PODER. Quer mais
poder que a vida?
A Alma
A alma é facilmente
confundida com o espírito, e isso gera uma grande confusão na cabeça das
pessoas, o que ajuda a trazer conflitos de todas as espécies, além de enormes controvérsias,
entre elas, grandes controvérsias teológicas. Costuma-se dizer que a alma é
imortal. Eu entendo a alma como sentimentos e emoções, e isso é muito
simples de ser compreendido: os sentimentos e emoções ao qual me refiro são o
ódio, a inveja, a alegria, a tristeza, a paixão, os desejos - que por sua vez
se refletem muito nitidamente no corpo. E é por isso que temos por aí, uma
série de doenças psico-somáticas. Se realmente eu estiver certo em minha
Teologia, e a alma for realmente sentimento, então a alma não é imortal. Ela
morre com o corpo. Todos sabem e concordam que o corpo é mortal, e segundo a
biologia, a vida cessa quando o corpo morre e analisando a vida pela ótica bíblica,
na eternidade só haverá paz e júbilo. A paz e o júbilo, além de ser inerente à
alma, também pertence ao espírito que pertence ao Espírito. O rancor, o ódio, a
inveja, a tristeza, a dor, as doenças... Não pertencem ao Espírito, e sim à
alma e ao corpo. Logo, se o corpo morre, com ele, a alma. Mas segundo a Teologia
Paulina, nós ressuscitaremos com um ‘corpo glorificado’. Eu não me importo e nem
me preocupo com essas questões, mas penso que um corpo glorificado seria um
corpo perfeito: sem doenças e sem sentimentos ruins. Logo, ou seria esse corpo
sem alma (se a minha teologia estiver correta), ou um corpo glorificado seria
um corpo com uma alma perfeita, ou seja, somente os sentimentos bons, que
poderíamos sim, dizer que para um corpo em glória, uma alma glorificada. Não penso
que isso seja impossível. Infelizmente, os que pensam assim também,
desvalorizam o corpo físico e super valorizam a Alma. Por esse motivo quero
reforçar que, sem corpo físico, sem alma. Deus é ‘MYSTERIUM TREMENDUM’. Partindo desse princípio, precisamos mais do
corpo do que da alma. Quem precisa de sentimentos ruins e negativos, como o
ódio, a inveja... Apesar dos sentimentos bons? Mas o corpo é o grande condutor,
o ‘HOSPEDEIRO DA VIDA’. Li no Orkut de uma Reverenda Anglicana (que nunca
aceitou os meus vários e insistentes pedidos de amizade): ‘AMAR É TRANSFERIR A ALMA DE CASA’. Acho isso lindo e muito
profundo. A Casa aqui é o corpo. Precisamos cuidar muito bem da nossa alma e do
nosso corpo.
O Espírito
‘Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...; ’ (Gn 1.26 – Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil). Segundo
a minha hermenêutica, é no espírito que somos feito à imagem e à semelhança do
Altíssimo, e não – é claro – na aparência física. O sopro do ‘fôlego
de vida’ (Gn 2.7), em nós, gerou um espírito - embora esse versículo
diz que ‘... o homem passou a ser ALMA vivente.’ (Gn 2.7b). Ao dizer ‘alma
vivente’, talvez o autor considerasse a alma como espírito, ou naquela
época só se tinha conhecimento, ou só se acreditava na dicotomia, ou quem sabe,
ele não tinha nenhum conhecimento sobre isso. Perdoe-me os biblicistas e os
fundamentalistas. Não estou querendo diminuir a bíblia enquanto a suposta ou
possível ‘Palavra de Deus’,
só estou
teologizando. Fique com as suas crenças e eu com as minhas. Não
precisamos ser
inimigos por causa disso. O papel da Teologia e do Teólogo é questionar,
e não
aceitar tudo o que está pronto, como se fosse a única e a última verdade
absoluta, principalmente porque nada além de Deus é absoluto, e como já
disse: ‘Deus
é Myterium Tremendum’. Enquanto estivermos aqui nesse corpo e com essa
alma, você
e eu, em nosso espírito, jamais saberemos a verdade sobre Deus! Tudo o
que precisamos
saber sobre Deus é que necessitamos d’Ele, do Seu Amor, do Seu Perdão,
da Sua Misericórdia, da Sua Graça. Precisamos Amá-lo e Adorá-lo em
Espírito e em
Verdade, o que para nós os Cristãos, significa: em Cristo Jesus - ou
seja – ‘em
o Nome de Jesus’. Isso não quer dizer por obrigação, ou por medo de Deus
ou do suposto
inferno, muito menos por interesse na Salvação, ou na pseudo
prosperidade, mas
por amor e devoção, por amizade com Deus e simplicidade de coração,
independente
do que diz a bíblia, os pregadores, os teólogos ou os Teólogos, as
denominações, os livrecos de auto-ajuda ou de evangelização, as pseudos
revelações – ou seja: as ‘reveladas’ e os ‘revelamentos’. A bíblia,
palavra de Deus ou não, é toda a
REVELAÇÃO de Deus para as nossas vidas, e Jesus é a Verdadeira Palavra
de Deus
para nós. 'No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus. Todas as coisas
foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A
vida estava nele e a vida era a luz dos homens' (Jo 1.1-4 – Bília Almeida Revista
e Atualizada no Brasil). Penso que é o espírito do homem que vai para a Glória
e que será glorificado pelo Amor do Pai, na Graça do Filho, através das
consolações do Espírito Santo. É esse espírito, que tem sede e necessidade de
Deus, ou seja, do Sagrado e do Divino, que vai subir com ótimos sentimentos de
amor, de paz, de alegria... Para amar, glorificar e adorar em Espírito e em
Verdade. Creio que é assim que vamos voltar para o Pai.
Concluindo
A vida é uma
grande oportunidade que Deus nos dá para aprendermos, para evoluirmos, e cuidar
de tudo o que Ele nos concedeu: o corpo, a alma, o espírito, os
relacionamentos, os bens materiais, o trabalho... De que adianta a nossa vida
se não damos significado, não respeitamos e não valorizamos a existência do
outro, se não fazemos nada pelo próximo, mesmo que seja um minuto de silêncio
para sensibilizarmos o mundo quanto às mazelas sociais que assolam a vida dos menos favorecidos,
entre elas a fome, como sugeriu em sua rede social o facebook, o meu irmão e
amigo, o Teólogo Fernando Marim, que foi mal interpretado e duramente
criticado? Mas como ele mesmo disse: ‘O
que será que essas pessoas estão fazendo para erradicar a fome no mundo?’ Todo
gênio e todo visionário sempre será duramente criticado e terrívelmente incompreendido, mas isso não é
o cerne da questão. O problema é que os gênios e os visionários sempre serão
criticados, incompreendidos e ostracizados pelos ignorantes que se acham muito
espertos. A maior esperteza no ser humano consiste em captar a essência da vida,
contida no Amor de Deus.
***
Missões:
Amor, Respeito, Serviço e Alteridade
"Ide por todo o mundo"
Mt 28.19
Hoje
recebi por e-mail, um vídeo muito interessante, e também muito
impactante - embora não nego o grande apelo sentimental ali contido -
que me fez pensar muito.
O
vídeo nos chamava a atenção para os "pontos vermelhos" no globo
terrestre, informando que aquele é o número de pessoas não alcançadas -
pessoas não cristãs - e que precisavam ser alcançadas.
Se
assistirmos ao vídeo somente com a nossa fé, e pior ainda: somente com a
nossa emoção, com certeza sairemos correndo e nos candidataremos à ir
"por todo o mundo". A mensagem peca quando começa a criticar os que não
"obedecem": "Aqueles que não vão, os que não doam dinheiro, os que não
oram e os que não deixam o seus irem", são os "desobedientes", diz a
mensagem.
Ora,
isso é manipulação das piores. Eu já estava todo envolvido e ansioso
para acessar o site e me candidatar, quando comecei a perceber a
manipulação e o interesse em fazer os outros se sentirem culpados. E foi
nessa hora que o Teólogo tomou o controle da situação dizendo para o
religioso: "essa missão já começou errada".
"Ir
por todo o mundo" é uma Missão de valor inestimável para o Reino, e foi
ordem de Jesus. Entretanto, não ir, não significa desobediência. O
mundo começa em mim e em você, na minha e na sua casa, na minha e sua
igreja (templo e instituição), na minha e na sua família, na minha e na
sua comunidade, no meu e no seu trabalho... Onde estamos somos
missionários e podemos fazer missões. Isso também não quer dizer que não
devemos ir para longe. Entretanto não precisamos necessariamente, ir ao
continente africano, à Índia, e ou, ao oriente, ou mesmo ao oriente
médio, para evangelizar.
Também
não creio que temos o dever e a obrigação de "evangelizar" os budistas,
os xintoístas, os muçulmanos... Temos sim o dever e a obrigação de
respeitá-los e compreender que cada um deve continuar em suas
respectivas religiões, entre elas a umbanda, o candomblé, o
kardecismo..., até que elas próprias impelidas pelo Espírito do Senhor, e
não pelo meu espírito, embora eu possa e deva ser o canal dessa Graça,
se decidam por essa ou aquela religião e venham compreender e sentir o
Amor de Deus, onde Deus queira que elas estejam. Ali essas pessoas
poderão ser usadas por Deus, e da maneira que Ele quiser.
Evangelizar
não é fazer prosélitos nem apontar os dedos sujos e cheios de pecados
para os outros, fazendo-se de santo ou de santa, quando na realidade se
está com a mente lotada de coisas obscuras, tais como julgamentos
religiosos, ódio, malícia, falta de perdão, falta de respeito...
Toda
missão deve ser feita com alteridade, com muito Amor e com muito
respeito ao ser humano, à sua cultura, à sociedade e à comunidade onde
ele está inserido. Missão não é pregar usos e costumes, e muito menos
moralidades, aniquilando a cultura local como foi feito aqui na América
Latina e principalmente no Brasil, primeiramente pelos missionários
católicos romanos (entre eles os jesuítas), e depois pelos pastores e
missionários norte americanos e europeus, que aqui estiveram quando em
terras tupiniquin foi implantado o "Protestantismo de Missões".
Na
ocasião da ocupação e exploração do Brasil por parte dos portugueses -
não falo de descobrimento porque o Brasil já tinha os seus habitantes
quando os europeus chegaram por aqui. Esses habitantes são os nativos
brasileiros, erroneamente chamados de índios. Esses sim, descobriram o
Brasil - os jesuítas obrigaram os nativos brasileiros - e de toda a
amazônia - à vestirem roupas: moralismo! E no decorrer das missões
católica, dizimaram uma imensidão desses nativos, oprimiram-nos,
escravizara-nos, e os demonizaram.
Depois
foram os pastores e missionários americanos e os pastores e missionário
europeus, com seus ternos e gravatas, que nos impuseram a sua cultura, e
o seu modo de se vestir, pregando o uso e costumes, e nos disseram que
não podemos usar cabelo grande e nem barba. Eles que desrespeitaram a
nossa cultura, e o nosso modus vivendi, também demonizaram o nosso país e
as religiões afro-ameríndias, e disseminaram na mente do povo
brasileiro que o tambor era um instrumento do diabo. Essa mentalidade
perdura entre nós até os dias de hoje. Você vê tambores nos grupos
musicais nas igrejas brasileiras?
"Penso,
logo existo!" Além do "Ide por todo o mundo", o famoso "Cogito ergo
sun", deveria nortear as missões cristãs, que, de cristãs, muitas não
têm nada. Antes de pensar em fazer missões, eu deveria pensar em que
tipo de missionário devo ser, e em que tipo de missão eu devo executar.
Por isso tenho alguma perguntas:
- Será que todos precisam mesmo ser cristãos?
- Será que os cristãos estão sendo referência positiva no mundo (sal da terra)?
- A quem devo pregar? As Boas Novas (Evangelho), ou a religião, a denominação ou a mim mesmo?
- Devo pregar o Amor de Deus ou pregar aquilo que eu acredito, mas não sou?
Ide, portanto, e pregai o Amor, a Graça e a Paz, o perdão, a misericórdia, o respeito, a alteridade. Evangelizar não é fazer prosélitos. A ordem foi "fazei discípulos" (Mt 28.19), não para mim ou para você, muito menos para a denominação em nem para a religião. Quando Jesus disse: "Ide", ainda não havia nem sequer o cristianismo, ele disse: "... em nome do Pai e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19).
Estás interessado em ir? Então vá! "Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo"; tão somente, amém!
O
Amor do Pai, a Graça do Filho e as consolações do Espírito Santo do
Deus Altíssimo e Todo Poderoso nos acompanhem em nossas missões à cada
lugar por onde passarmos e com todos com os quais nos comunicarmos.
Inclusive nos blogs e nas redes sociais, amém.
"O mundo é minha paróquia". A internet é meu púlpito!
Austri Junior
***
O que está acontecendo com a Igreja?
Ontem (sábado, 17/04/2011), Saí da Pós-Graduação e fui ao antigo bairro onde residi por longos 20 anos com dois objetivos:
1) Visitar e orar por um ex-vizinho, porém amigo que está com suspeita de câncer no pulmão;
2) Ver a quantas iam o trabalho do pedreiro que estaria em casa de minha mãe, fazendo alguns reparos.
Embora,
o objetivo principal de minha missão fosse visitar um enfermo, não é
sobre ele que quero falar-lhes, mas sim sobre o pedreiro, e quero
iniciar essa reflexão com uma pergunta: O que está acontecendo com a
Igreja de Cristo?
Para que possamos avançar nesse texto, devo esclarecer alguns pontos:
Ao
chegar em casa de minha mãe não vi sinal de nenhuma obra em andamento.
O material estava armazenado na varanda, tal como havia sido deixado
pelos entregadores da loja, e, minha mãe, assentada na sala, assistia
televisão, enquanto me esperava. Adentrei à casa e perguntei-lhe então: "
- Ué! cadê" o pedreiro que vinha reformar o telhado?
Essa
pergunta ligou o "botão da revolta" na mente de minha mãe, que se
levantou e começou a dizer algumas palavras não muito agradáveis sobre o
contratado, que não havia cumprido a sua palavra no trato. E, depois
de esbravejar um "bocado", disse; " - O indivíduo faltou, porque estava com a cara cheia de cachaça!" "Indivíduo" não foi bem a palavra que ela usou.
O
pedreiro, que vamos chamar de João (por uma questão ética, omitirei o
seu nome verdadeiro), há mais de 20 anos, era membro de uma igreja
pentecostal. João trajava sempre a clássica indumentária do "crente"
varão: Camisa social (manga comprida), calça social, e chinelo de dedo
mais conhecido como chinelo bambolê, ou se preferirmos, sandálias
havaianas, inclusive no trabalho. Era sério e sisudo, quase não sorria,
vivia com a bíblia debaixo do braço, passava em frente à nossa casa
todas as noites e aos domingos pela manhã na ida e na volta da igreja
quase não conversava com os "ímpios", para não se contaminar, e quando
abria a boca para falar, comunicava-se em dois idiomas: o "evangeliquês"
e o "crentês". Era um indivíduo responsável, embora nunca fosse um bom
pedreiro - não tinha capricho com o seu trabalho, mas era respeitado
na comunidade. Agora, João, se tornou um bêbado, que - segundo a esposa
desabafou com a minha mãe - chega bêbado em casa, quebra toda a louça,
e, ontem, eles não tinham nada em casa para comer porque " - o
João abandonou a igreja, Dª Célia, e só vive bêbado. Gasta todo o
dinheiro que ganha, com cachaça. Ontem chegou em casa embriagado,
xingando muitos palavrões, quebrou um monte de copos, e hoje cedinho foi
para o bar encher a cara de cachaça." Disse ela para a minha mãe.
Eu fico triste com esses relatos, independente de igreja ou de religião, e no caso do João, venho observando a sua trajetória há muito tempo. Os seus filhos, que vi todos pequeninos e os acompanhei crescendo, viviam na igreja com o pai e com a mãe. O casal sempre passava um ao lado do outro acompanhados de uma "penca de crianças". Mas enquanto o tempo passava, os filhos e as filhas do João iam se afastando da igreja. As meninas foram engravidando e se envolvendo com rapazes de má índole, enquanto que os filhos do João, um a um, foram se tornando eles também, rapazes de má índole, envolvendo-se com drogas, roubos, sendo presos... Comportamento tão criticado pelo João, quando esse era um "crentão". João costumava "descer a lenha" na vida dos católicos, dos "pagãos" e dos "ímpios" - palavras muito usadas pelos evangélicos para definir as pessoas que não comungam de suas crenças e ou possuem um estilo de vida diferente dos deles - com seu clássico "crentês", usando versículos bíblicos tão bem memorizados e decorados na ponta língua. Mas como está escrito na carta de Tiago: "Ora, a língua é fogo..." (Tg 3.6) - Leia os capítulos 3 e 4 da carta de Tiago.
Sei
que temos muito a discorrer nessa reflexão, e o meu tempo é pouco - o
bom disso é que posso voltar ao assunto mais tarde - mas quero dizer
que muitos fatos ocorreram, enquanto os filhos do João cresciam. Não
estou responsabilizando a igreja (denominação) pelo que ocorreu com os
filhos do João. Certamente - tomo todo o cuidado para não julgar o João
- este faltou com uma educação mais apropriada aos seus filhos, como
por exemplo, os limites e as orientações, embora, creio eu, que uma
igreja que possui uma eclesialidade sadia pode ajudar muito, aos pais a
educarem o seus filhos. Sei que o ambiente comunitário, assim como o
ambiente familiar, além do ambiente eclesial e escolar, também
contribuem para a formação do indivíduo. Entretanto, volto a perguntar: o
que está acontecendo com a Igreja de Cristo? Ao fazer essa pergunta,
estou me referindo à Igreja corpo de Cristo - pessoas.
Muita
gente tem feito o caminho inverso: da igreja (denominação), para o
alcool, para as drogas, para a prostituição... enfim. Sei que somos
capazes de fazer as nossas escolhas - e em minha opinião a predestinação é
somente com relação à Salvação e provém da Soberania de Deus - mas com
certeza, alguma coisa aconteceu ao João, no decorrer da sua caminhada
evangélica. Uma pessoa que não bebe (principalmente um cristão),
dificilmente, em uma manhã, levantar-se-a da sua cama, e num repente,
dirá: "Eu hoje, vou encher a cara!"
As coisas vêm acontecendo aos poucos, de uma forma gradativa, até que um dia...
Já conversamos aqui no Círculo Teológico sobre isso (algumas postagens abaixo) sob o título de O QUE É A IGREJA?
Aproveito a oportunidade que encontrei nesse fato ocorrido na vida do João, para dizer duas coisas:
1) Nunca julgue ninguém;
2) Cuide do seu irmão.
O Apóstolo Paulo disse certa vez, que "aquele que está de pé, cuide para que não caia".
A queda sempre se inicia na arrogância e na prepotência, ou seja, na
soberba. A queda passa pela língua inflamada, e, a queda quase sempre é
fruto do descaso e do abandono. Por isso, sempre digo: cuide do seu
próximo, cuide do seu irmão. Você que está de pé, ajude aquele que está
por algum motivo, enfraquecido. A vida é dura, e em algum momento da
caminhada podemos tropeçar, e até mesmo cair. Eu costumo dizer que para
morrer basta estar vivo. Para cair, basta estar de pé! Seu irmão está
sumido, ou sinalizando que está com dificuldades? Fique atento,
estenda-lhe as mãos. Hoje é ele, amanhã pode ser um de nós.
Austri Junior
***
Austri Junior
***
O que está acontecendo com a igreja? (Parte2)
A igreja - instituição - é composta por
pessoas. Sem pessoas não há instituição, assim como em clubes,
sociedade, partidos políticos..., a igreja precisa de determinado
número de pessoas para funcionar. Seria uma heresia comparar a igreja
com clubes, e ou com partidos políticos? Para os ignorantes, os
religiosos, e para as pessoas de mentes cauterizadas, sim! Poucas
pessoas sabem que ao registrar uma igreja no cartório de ofícios, seja
ela qual for, a mesma é registrada como associação, ou como sociedade.
Um clube não é nada menos que uma associação ou uma sociedade.
Portanto, toda igreja não passa de uma sociedade ou de um clube.
É muito comum ouvirmos pregadores, e até mesmo teólogos afirmarem: "- A igreja não é um clube social!"
Para você que pensa assim, eu lhe confesso que já pensei assim também,
e cansei de repetir em minhas pregações essa informação que hoje
considero errada. - você não precisa concordar comigo - mas a igreja é
sim um clube, e é social porque é composta por seres humanos, e todo ser
humano é, ou deveria ser, um ser social.
A igreja hoje é um depósito de gente
que está preocupada em ficar rica, em atacar os homossexuais, atacar as
outras igrejas, e as outras religiões, e no caso das igrejas
protestantes e evangélicas, o alvo preferido é a igreja católica
romana, a igreja anglicana, e as religiões afro-brasileira, entre
outras, tais como as religiões orientais, principalmente aquelas que
pregam a reencarnação. Entre tantas religiões, coisas e pessoas que a
igreja está preocupada em destruir, satanizar e demonizar, está o
ecumenismo. A igreja vive para demonizar e satanizar as instituições e
as pessoas que pensam e são diferente daquilo que ela prega, mas não
vive.
A igreja hoje não passa de uma
instituição fria, feita de corações de pedras que busca o
enriquecimento e o crescimento a qualquer custo, e adoece os seus
membros, impondo-lhes inclusive, um fardo enorme que eles não conseguem
carregar, como no caso do João - o personagem do nosso post
anterior.
Diga-me:
- Para quê, ou para quem serve uma
réplica do templo de Salomão, e em que isso irá edificar a igreja, a
sua vida, ou a minha vida, e a vida de qualquer outro cristão?
- O que significa a palavra "pecado"? A palavra pecado significa errar o alvo, não é mesmo?
- Então, qual é o alvo do cristão?
- Não seria o Cristo Ressurrecto, o alvo dos cristãos?
- O Alvo do cristianismo não é a promoção do Reino, através da pregação do Evangelho puro e simples?
- Porque então a igreja se comporta como um elemento estranho à essência da Missão de Jesus? - Missão que foi dada a igreja!
- O que está acontecendo com a igreja?
Gostaria de escrever mais. Esse assunto
como qualquer outro é inesgotável, mas quero deixar você ruminando
essas coisas aqui apresentadas, mesmo que você não concorde comigo.
Como eu já disse, é seu direito não concordar, e eu serei o primeiro a
defender o seu direito de discordar de mim.
Antes de finalizar, gostaria de dizer que a igreja é sim uma instituição política. Se assim não fosse, não teria sobrevivido por mais de dois milênios, algumas instituições eclesiais estão sobrevivendo por centenas de anos, e outras por algumas décadas.
Sei que não existe igreja perfeita e
nunca existirá. Não estou aqui criticando a igreja simplesmente por
criticar ou apenas para polemizar. Estou aqui a dizer que a igreja pode
e deve melhorar. A igreja deve voltar atrás e refletir a sua missão,
rever os seus conceitos, buscar o Cristo do Evangelho e o seu
Evangelho.
Estou a dizer que a igreja
(instituição) é diferente da Igreja (corpo), embora seja dirigida,
administrada, e idealizada por pessoas. Infelizmente, em sua maioria,
por pessoas doentes. A igreja está adoecendo a Igreja, porque está
doente há muito tempo.
A igreja não está adoecendo somente a
Igreja. Está também, acabando com o testemunho de Jesus, está
destruindo as Boas Novas, está apodrecida e apodrecendo a religião,
apodrecendo a comunhão entre irmãos, está afastando a sociedade para
longe de si. A igreja absorve no seu bojo, a religião, e religião quer
dizer ligar entre si, religar.
Portanto, a religião que deveria servir de instrumento para o Evangelho de Cristo, na libertação das pessoas, infelizmente está oprimindo a Igreja Corpo de Cristo, e está dando mau testemunho para a sociedade que ela tanta critica. Como se tudo isso não bastasse, a igreja está dando à luz e criando verdadeiros monstros e monstras, enquanto ela mesma se torna a mãe desses monstros e dessas monstras: ladrões, mentirosos, adúlteros, pedófilos, caloteiros, manipuladores, enganadores, estupradores, homossexuais, fofoqueiros, tramadores, falsários e farsantes, vigaristas...
Alguém pode dizer: "mas essas pessoas já chegaram na igreja assim!"
- Sim, é verdade! Mas a pregação do Evangelho não deveria tê-las transformado?
Isso tudo que escrevi é para toda as igrejas cristãs e para todas as denominações (instituições). Como disse, não existem igrejas perfeitas. Também sei que no bojo da igreja existem administradores, lideres, servos, leigos e leigas que são homens e mulheres de Deus. Jamais poderia generalizar. Ainda existem pessoas decentes, boas e honestas na igreja. Com defeitos é claro, pois ninguém é perfeito. Mas são pessoas confiáveis, e pessoas que se esforçam para serem verdadeiramente cristãs.
Austri Junior
***
Anúncio sem exegese:
palavra sem luz , manipulação, extorção e distorção - Um grande perigo!
Estava
assistindo a televisão, e ao trocar de canal deparei-me com um desses
programas “gospel’s”. A imagem chamou-me a atenção: o pregador em cima
de um caminhão, abarrotado de gente, pastores e políticos com ele. Esse
homem gritava, louca e desesperadamente para uma enorme multidão em
frente a explanada dos ministérios em Brasília. Era uma manifestação
contra a PL 122 – Lei que confere aos homossexuais o direito de
exercerem a sua cidadania sem serem ostracizados pela sociedade. Nessa
manifestação, o pregador incitava o povo contra os direitos de
cidadãos dos homossexuais, alegando o direito dos cidadãos (no caso,
eles) a se manifestarem contra a referida lei, e usava o termo “CIDADANIA TERRENA“.
Fiquei pensando: quantos tipos de cidadania existem? A cidadania não
seria uma só? Cidadania não é a garantia de ir e vir e que todos os
cidadãos (supostamente) são iguais perante a lei, e que todos os
cidadãos têm direitos e deveres ? A cidadania não consiste em você e eu
garantir os nossos direitos garantindo e respeitado os direitos dos
outros cidadãos?
O
problema é que está sendo necessário fazer leis para que os outros
tenha os seus direitos garantidos, mas os que pensam diferente fazem
manifestações para garantir que os diferentes não tenham seus direitos
garantidos. Esses só podem ter deveres: pagar impostos, obedecer as
leis… Nada mais!
Voltando à questão da “CIDADANIA TERRENA“,
algo que me intrigou muito, pergunto: Existe cidadania marítima,
cidadania celeste, ou até mesmo cidadania desértica ou cidadania
arenosa?
Ao que parece, para aquele pregador, existe uma “CIDADANIA ESPIRITUAL“.
O que me impressiona é a quantidade de pessoas que se aglomeram para
ouvir tantas asneiras, o que me parece muito perigoso. Mas esse é o
retrato da igreja brasileira, que passa longe do verdadeiro
cristianismo. No fim da manifestação, ele, o pregador enfurecidamente
louco e desesperado, incitou o povo a orar ao Senhor Deus pelo direito
de se manifestarem contra os direitos dos outros e não perdeu tempo: já
orou também por “prosperidade”.
Quando
a imagem foi cortada para o estúdio – a manifestação era uma
apresentação em vídeo-tape – o pregador reforçou a ideia de que os
“evangélicos” deveriam exercer a “CIDADANIA TERRENA“, pois não são anjos, e sim seres humanos, e disse: “Se você é anjo, me dá o seu salário para mim, porque você não precisa dele, eu preciso.” Ele citou alguns versículos bíblicos para justificar a sua, asquerosa, esdrúxula e tosca hermenêutica da “CIDADANIA TERRENA”
e novamente não perdeu tempo: pediu doações para os muitos
compromissos financeiros que ele tem, alegando estar passando por um “DESERTO ESTREITO.”
Novamente
me ponho a pensar: como é fácil manipular os incautos, os desavisados,
os infantilmente espirituais, os ignorantes teológicos, os cegamente
religiosos… E quantos desses não ficam com a geladeira vazia, para
doar, contribuir e sustentar esses “manipuladores gospel’s”, enquanto
que, “a geladeira dele deve estar cheia”, como bem comentou a minha esposa, que repulsivamente rejeitou tal apelo escrupuloso.
Nota:
O objetivo dessa reflexão não é a crítica pura e simples do direito de
discordar ou manifestar as idéias, mas o fato de que tudo serve de
motivo para manipular as massas desavisadas, principalmente para
"arrancar" dinheiro em nome de Deus.
Austri Junior
***
Sobre Teologia, Ciências da Religião, e o Ensino Religioso
Com
certeza o conhecimento Teológico ajuda muito o Cientista da
Religião. Digo-o por experiência própria, pois Religião, seja ela
qual for, passa pela Teologia. É evidente que se faz necessário
esclarecer aqui, que não existe uma Teologia, até porque não existe
uma religião. É preciso considerar a Pluralidade Religiosa, e,
evidentemente a Diversidade de Religiões. Em função disso, é
impossível conhecer todas as Teologias, mas, em um contexto cristão
por exemplo, a falta de conhecimento Teológico nessa área causa certa
dificuldade. Eu jamais, por exemplo, poderei me aventurar no campo
Teológico Islão sem uma devido e preciso conhecimento Teológico que
diga respeito à essa determinada Religião. O que posso fazer nesse
aspecto, é uma pesquisa bem fundamentada antes de falar sobre o
assunto, e ainda assim, com certeza, deixarei a desejar e ficarei
devendo muitas coisas, e isso vale para todas as religiões.
Pude
presenciar o embaraço e o despreparo Teológico de um professor, que
veio de outro estado especialmente para dar aula de uma determinada
disciplina (vou omitir o dados por uma questão de ética), para a nossa
turma de Pós-Graduação em Ciências da Religião. O rapaz é Mestre em
Ciências da Religião formado por uma universidade conceituadíssima no
país, e esbarrou nas "PEDREIRAS FUNDAMENTALISTAS" que frequentavam a
turma, em sua maioria, líderes e pastores "evangélicos", e, aí foi o
caos. E olha que o professor não era nenhum bobinho, ele sabia muito
na área dele, e foi isso que amenizou um pouco a situação dele.
Também
presenciei as dificuldades dos colegas que tinham formações em
outras áreas, que ficavam perdidos nas aulas, eu mesmo passei por
essa situação várias vezes, quando aparecia um professor "fera" na
sala. Eu me sentia um ignorante. O que me "consolava" (literalmente
entre aspas), era saber que ninguém sabe tudo - mas tem que assumir o
compromisso de buscar e pesquisar, pois a ignorância não justifica o
despreparo.
Quanto
ao Ensino Religioso no ensino fundamental, quero acrescentar, que o mesmo só deve ser
ministrado nas escolas escolas públicas se for sob o ponto de vista das
Ciências da Religião, e deve se limitar em estudar o FENÔMENO
RELIGIOSO.
O
ER não deve ser denominacional, não deve ser tendencioso, não deve
ter a finalidade de fazer prosélitos, não deve ser Teológico e muito
menos cristão. Ao se falar em cristianismo no ER, deve se enfatizar o
ECUMENISMO.
Em
ER, é necessário trabalhar a diversidade e a pluralidade
religiosidade no Brasil e no mundo. E, jamais, nunca, em hipótese
alguma, deve-se deixar de lado as Religiões AFRO-BRASILEIRAS, as
religiões AMERÍNDIAS, o ESPIRITÍSMO... Tudo isso sem zombaria,
discriminação, preferências, sarcasmo, desdém... E, jamais, nunca, em
hipótese alguma, permitir que os educandos trilhem por esses
caminhos. Nessa faixa etária eles estão influenciados pelo que vêm,
vivem e ouvem: em casa, na instituição religiosa onde convivem, na
rua... O ER é um grande desafio para o professor, pois vai ter muito
trabalho em ajudá-los a desconstruir alguns conceitos pré-concebidos -
muitos deles, perversos e maldosos. Não nos enganemos: eles já
possuem as suas "malas prontas".
Austri Junior
***
'Igreja nunca mais!'
Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: "Igreja nunca mais!"
Austri Junior
O que leva uma pessoa desistir da
suposta comunhão eclesial que deveria reinar tanto no corpo quanto na
instituição? O que está acontecendo com, e nas igrejas, que muitos têm
se afastado dessa suposta comunhão? Eu sei que você tem as respostas.
Sim! Respostas no plural, pois essas respostas são realmente muitas –
esse pequeno texto não tem a intenção de enumerá-las em sua totalidade,
pois muitas são as causas pelas quais as pessoa não querem mais ir à
igreja, e deixam de ser Igreja.
É
chegada a hora de re-significar a definição do que é a igreja e do que é
ser Igreja. Quantos termos temos para definir os que estão inseridos
no contexto eclesiástico? Pelo menos três não é mesmo? São eles: Cristão, crente e evangélico.
Todo cristão é um crente e é evangélico. Todo crente é um evangélico, e
todo evangélico é um crente. Entretanto, nem todo crente e evangélico
são cristãos. Esses até pensam que são, ou dizem ser, mas… A distância
entre uma coisa e a outra é muito grande.
A
verdade é que em alguns (talvez em muitos) casos, a comunhão é
realmente apenas uma suposição. Ser cristão pela metade gera a
fragmentação na comunhão e na diaconia. Comunhão e diaconia fragmentadas
geram descontentamento e decepção, que por sua vez geram a evasão. A
evasão traz em seu bojo a celebre frase: “IGREJA NUNCA MAIS!”
Austri Junior
***
A Teologia é também uma tentativa humana de compreender o Sagrado e o Divino. Há hoje em dia muita confusão para se compreender e separar a Teologia da religião, e das Ciências da Religião. Em minha opinião, parte da culpa disso tudo é dos sacerdotes cristãos – sejam eles, católicos, ortodoxos, anglicanos ou protestantes, pois estes têm condições e conhecimento teológico para ensinar a coisa certa, e deixam os pastores e pregadores chamados “evangélicos” bagunçarem o cristianismo, tornado-o uma religião de segunda categoria e causando tremenda confusão nas pessoas “religiosas” e na sociedade.
O conhecimento, seja ele teológico, cientifico ou religioso não dá conta de resolver esse problema junto à sociedade que foi mal orientada desde que o catolicismo foi implantado no país, ainda na época da colonização. Infelizmente é comum ouvirmos os sacerdotes católicos e pastores “evangélicos” dizerem em seus sermões, em seus escritos, em entrevistas… “a religião católica…” ou então, “a religião evangélica…” Catolisimo e evangelicalismo nunca foram e nunca serão religião. Religião é: Cristianismo, Budismo, Islamismo, Espiritísmo, Baháísmo, Xintoísmo…
Religião, Teologia e as Ciências da Religião na Educação Religiosa
Com toda certeza, a Ciência da
Religião não é religião. A Teologia também não é religião. Teologia é
Ciência Humana, e já foi a mãe de todas as ciências.
A Teologia é também uma tentativa humana de compreender o Sagrado e o Divino. Há hoje em dia muita confusão para se compreender e separar a Teologia da religião, e das Ciências da Religião. Em minha opinião, parte da culpa disso tudo é dos sacerdotes cristãos – sejam eles, católicos, ortodoxos, anglicanos ou protestantes, pois estes têm condições e conhecimento teológico para ensinar a coisa certa, e deixam os pastores e pregadores chamados “evangélicos” bagunçarem o cristianismo, tornado-o uma religião de segunda categoria e causando tremenda confusão nas pessoas “religiosas” e na sociedade.
O conhecimento, seja ele teológico, cientifico ou religioso não dá conta de resolver esse problema junto à sociedade que foi mal orientada desde que o catolicismo foi implantado no país, ainda na época da colonização. Infelizmente é comum ouvirmos os sacerdotes católicos e pastores “evangélicos” dizerem em seus sermões, em seus escritos, em entrevistas… “a religião católica…” ou então, “a religião evangélica…” Catolisimo e evangelicalismo nunca foram e nunca serão religião. Religião é: Cristianismo, Budismo, Islamismo, Espiritísmo, Baháísmo, Xintoísmo…
Teologia, religião e Ensino Religioso
O
ensino religioso nas escolas públicas também só irá funcionar se for
ministrado sob a ótica das Ciências da Religião, como rege a LDB 9.033,
parágrafo 33, eu diria mais: com o objeto de estudo último
voltado para a pesquisa do FENÔMENO RELIGIOSO E A MANIFESTAÇÃO DO
SAGRADO, LEVANDO-SE EM CONTA A RELEVÂNCIA DAS QUESTÕES SÓCIO
ANTROPOLÓGICA E A PÓS-MODERNIDADE. Pois se não procurarmos entender o
ser humano e a sociedade, jamais entenderemos o fenômeno religioso.
Religião não existe sem pessoas. Deus não fez nenhuma religião – nem
mesmo o judaísmo – as religiões foram criadas pelos seres humanos desde
os primórdios da existência humana. Jesus também não fundou
nenhuma religião, e ele deixa isso muito claro no evangelho. O
cristianismo foi criado pelos discípulo de Jesus.
Teologia, a rainha das ciências
Como já disse, a Teologia não é religião. Teologia é Ciência e realmente é já foi a rainha da Ciências. Penso que se deveria estudar Teologia no 2º Grau, assim como se estuda a Filosofia e a Sociologia. Isso seria o avanço e a continuidade do Ensino Religioso no 1º Grau. Esse fato, possibilitaria o discernimento e o conhecimento mais aprofundado, e traria à sociedade o benefício da aceitação, da tolerância da convivência pacífica e ecumênica. De igual forma, também deveria ter as disciplinas: INTRODUÇÃO À TEOLOGIA e se possível, TEOLOGIA SISTEMÁTICA nos cursos superiores, principalmente os cursos da área de humanas, a exemplo da disciplina FILOSOFIA DA RELIGIÃO, que já existe em alguns cursos.
Austri Junior
***
Ecumenismo e diálogo
Quando
o assunto é ecumenismo e diálogo, na América Latina e no Brasil,
seria hipocrisia não incluir as religiões indígenas e as religiões
afro-brasileiras. E pior seria, se, ao sentarem-se à mesa, os
interlocutores deste assunto – que é da maior importância, não somente
para a Igreja, mas também para a sociedade – não derem voz e vez com
dimensão igualitária aos representantes das religiões indígenas e
afro-brasileiras, com disposição não somente a ouvi-los, mas,
interagir com os mesmos respeitando-se mutuamente em suas diferenças.
Historicamente sabemos que as religiões afro-brasileiras só sobreviveram por causa do sincretismo com o catolicismo romano, mas ainda hoje, em pleno século XXI, onde a DECLARAÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS e a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA garantem plenos direitos de liberdade religiosa; no Brasil, as pessoas ainda são vitimas de preconceitos religiosos, e são amplamente descriminadas por causa das religiões e dos credos que confessam. São excluídos da sociedade, e são agredidas, moral, verbal e até fisicamente por adeptos e até mesmos por líderes de outras formas de religiosidades, incluindo aqueles que se dizem pastores e “evangélicos”, quando na realidade o evangelho de Jesus Cristo prega amor ao próximo.
Abomino toda e qualquer forma de preconceito, pois todo conceito pré-concebido, gera a intolerância e a exclusão. Seja ela, social, racial, sexual e ou religiosa, e, em todas as suas formas.
Muitos usam textos como Mt. 10.5 “Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos...”, para justificar que as outras religiões, inclusive o catolicismo, e as religiões Afro-descendentes, devem ser deixadas de fora da discussão, por serem do demônio. Isto não é segregação?
SER DEIXADO DE FORA
Sinto arrepios quando escrevo, ouço, ou, pronuncio esta frase. Se Jesus pronunciou este versículo – se é que o pronunciou – com esta intenção, realmente não faz sentido ser cristão. Muito menos, pregar que “Deus é Amor”, embora alguns digam de pronto: “mas Deus também é justiça!”.
Enquanto
cristão, ecumênico, pregador do Evangelho, defensor do diálogo entre
as religiões, bem como entre as denominações cristãs, da pluralidade
religiosa, e da inclusividade, enquanto eterno teologando e
pós-graduando em Ciências da Religião, com visão sócio-antropológica -
o que não me faz nem melhor, nem pior que ninguém - gosto de
vislumbrar sempre um novo amanhecer, uma nova igreja, uma nova Teologia,
e uma nova sociedade, que deve acontecer a partir de uma Teologia
inclusivista e plural, que venha gerar o respeito o diálogo e a
aceitação de uns para com os outros, na comunhão dos santos para
construir uma Teologia, uma Igreja (corpo de Cristo), e uma sociedade
sadia. O julgamento e a "porta estreita" devem ficar por conta de Deus. Que é Soberano!
Não
acredito em uma religião única e em nenhuma religião suprema. Deus
seria muito sádico e extremamente perverso se permitisse tantas outras
religiões simplesmente para queimar a todos os que não fossem
cristãos no famoso “dia do juízo”. Se assim
acreditasse, recusar-me-ia, servir, amar e adorar tal Deus, embora
Ele seja supremo, e pode “queimar-nos” a hora que Ele quiser. Porém,
creio em um Deus Supremo, totalmente Soberano, Justo e cheio de Amor,
de Bondade, e de Misericórdia. Penso que se não fosse assim, Ele não
teria dado o seu Filho Unigênito para morrer na cruz. Creio na
predestinação de todos para a Salvação, embora "Deus tenha escolhido Judas para a perdição".
“E
nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e
aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (1Jo 4.16).
Que nós nunca nos esqueçamos de que “DEUS É AMOR”.
Austri Junior
***
Dialogo Intra-Religioso - Caminho para um Ecumenismo Saudável
Panikkar compreendeu muito bem o fato de que o Sagrado se manifesta de forma absoluta
- objetiva - ao mesmo tempo em que a sua compreensão e percepção
antropológica, se dá de uma forma totalmente pessoal - subjetiva.
Somente aquele que possui a grandiosidade universal e a iluminação - que vai além da religião e da espiritualidade, que, ultrapassando as paixões, se bem que para ter e defender a visão (ou ideia) da Pluralidade Religiosa, é preciso ser um apaixonado - consegue desprender-se do conceito de "propriedade", visto que Deus não pertence a ninguém e nem mesmo a nenhuma religião .
Não existe religião absoluta, única, exclusiva, ou a única verdadeira. Quando uma religião se comporta como "A Religião", essa tal se torna excludente, e reivindica para si o "status" de "Religião Absoluta". O absolutismo já caiu do poder há muito tempo, em todas as estâncias do poder: Político, Econômico, Familiar e principalmente Religioso. A Reforma Religiosa marcou o princípio da Democracia Eclesiástica e a Liberdade Espiritual. O contrário disso é ditadura e arrogância. Precisamos investir no Diálogo (seja ele qual for e em todos os âmbitos e níveis de entendimento), e na aceitação, para imprimirmos uma nova era que abrangerá todas as religiões e os seus co-religionários, e alcançarmos o Diálogo entre irmãos.
A defesa de Panikkar pelo Diálogo Intra-Religioso, define muito bem a importância do entendimento primeiro dentro de casa.
O Diálogo Intra-Religioso se faz urgente e necessário, e é o caminho para um ecumenismo saudável!
Austri Junior
Cristianismo x Cristianismo
Hoje
passei a manhã toda em busca de dois artigos interessantes, na área da
Teologia para publicar aqui no Blogue. Um dos artigos era para a Página
Circulo Teológico, espaço que reservei especialmente para artigos
teológicos de outros teólogos, e o segundo artigo eu pretendia publicar
na Página Academia Theologica, espaço reservado para artigos teológicos
de cunho acadêmico, histórico, técnico e intelectual.
Foi
muito interessante observar que os teólogos têm muito medo de
disponibilizar os seus artigos. Uma grande parte da boa, séria e
verdadeira teologia que está disponível na internet, não está realmente
disponível. Geralmente está publicada em PDF, ou "marcada" de alguma
forma. Eu entendo esse "medo", pois há pessoas que passam a vida
acadêmica, ou mesmo "internáutica", envolvida com o Control C + Control
V, e não informam sequer a fonte, quanto mais quem é o autor, dando a
entender que o texto é de sua propriedade, num ato anti-ético e
desonesto. Entretanto observo que em outras áreas, como no jornalismo,
na arte, na cultura, na educação, na filosofia, nas ciências sociais...,
isso ocorre com menor incidência em relação à área teológica.
Mas
o motivo principal pelo qual passei muito tempo na internet pesquisando
bons artigos, e encontrando dificuldade em conseguir algo de real
valor, não foi somente o medo dos teólogos, e os seus textos protegidos
em PDF, ou "marcados". Eu buscava encontrar um texto clássico sobre o
Calvinismo para a Página Circulo Teológico, e um texto histórico, cultural, técnico e ou, acadêmico sobre o Arminianismo para a Página Academia Theologica, e me deparei com uma verdadeira "guerra teológica" - Calvinismo x Arminianismo.
Como
Bacharel em Teologia conheço bem a origem desse embate, embora nunca
tenha me interessado por ele. Nos tempos de academia (faculdade), o que
mais se ouvia e se via em sala de aula e muito mais nos corredores, na
cantina e nas caronas de volta para casa era esse terrível e enfadonho
assunto teológico: Calvinismo x Arminianismo. E, por causa disso,
pessoas deixam de falar umas com as outras, acabam se ofendendo
mutuamente, em uma discussão que já dura centenas de anos, e que nunca
se chegará à um denominador teológico comum.
As
pessoas esquecem que temos muito mais em comum, e muito mais coisas
para nos unir que no separar, do que simples linhas teológicas, tais
como: Teologia Bíblica x Teologia Sistemática, Teologia da Libertação x Teologia Ortodoxa
, Teologia Liberal x Teologia Conservadora... Também vejo as pessoas se
gladiando por questões religiosas e eclesiásticas, tais como:
Catolicismo x Protestantismo x Catolicismo... Teorias, ideologias,
filosofias e principalmente teologismos servem muito bem para o nosso
conhecimento e são muitíssimo importantes. Não podemos, ou não
deveríamos viver sem eles, mas "Jesus é a aliança, entre você e Deus..." Jesus é a aliança entre você e eu!
Estamos
assistindo os "evangélicos" se "comendo" em pregações toscas e
esdrúxulas, disputando a salvação, isso quando não disputam fiéis, com
as suas parafernalhas ensurdecedoras: cada igreja com o som mais alto
que a outra, mesmo quando uma está lado a lado com a outra. Esse tipo de
atitude acaba reproduzindo uma cultura típica de pessoas com pouco ou
nenhum acesso à educação, que mais lembram as antigas "zonas do baixo
meritrício" - onde cada casa de prostituição bem "coladinha" uma com a
outra, colocava um som bem alto, na tentativa de abafar o som da
concorrência, atraindo a atenção do cliente - sem falar na falta de
educação social, na falta de cidadania, e na falta de respeito, não
somente de uma denominação para com a outra, mas para com os vizinhos, e
com a comunidade do entorno. Normalmente essas controvérsias
teológicas, eclesiásticas e religiosas, iniciam-se e terminam com as
pessoas e as instituições reivindicando para sí a posse absoluta da
questão soterológica.
Pensando nessas controvérsias, costumo parafrasear:
"Há muito mais entre Deus e a bíblia, do que supõe a nossa vã teologia."
Austri Junior
***
***
Extra Ecclesiam nulla salus
Por Austri Junior
ECUMENISMO E DIÁLOGO – UMA ANÁLISE
DA FUNÇÃO E DOS DESAFIOS DA TEOLOGIA, DIANTE DE UMA SOCIEDADE
PLURIRELIGIOSA, FACE AO CRISTIANISMO, ENQUANTO RELIGIÃO EXCLUDENTE; SOB UMA
PERSPECTIVA ECUMÊNICA.
INTRODUÇÃO
Extra Ecclesiam nulla salus – fora da igreja não há salvação – Esta idéia propagou-se pelo mundo e chegou à pós-modernidade “fazendo a cabeça” dos cristãos protestantes históricos e, dos cristãos protestantes evangélicos: principalmente aqueles de linha radical extremistas, transformando o cristianismo em uma religião excludente, seletista, segregacionária, que rejeita o outro, exclui o diferente, e, sem o mínimo sequer de alteridade, afastou-se da real proposta evangélica de Jesus Cristo que é o amor. Amor enquanto cuidado, acolhimento, misericórdia, e, acima de tudo: inclusão - Diaconia - Diante dessa situação caótica, como fica a teologia, e, qual é o seu papel? O que fazer, e como fazer?
A TEOLOGIA
Teologia é a tentativa humana de compreender o Sagrado, o Divino, o Transcendental – ou seja, Deus. Porém, a sua função não na se limita apenas em “tentar” explicar somente o Espiritual, ou, o Sobre-Natural. Ela é extremamente importante para a compreensão do Mysterium Tremendum; mas sabemos da necessidade de se ter uma teologia antropológica, interagindo nas questões sociais, entre outras estâncias onde o ser humano está inserido.
A teologia é a ciência que abrange uma vasta área do saber humano. Por isto, a necessidade de que ela lance mão também da razão. A teologia e o teólogo devem “fazer a ponte” entre a bíblia e a igreja, e, entre a igreja e a sociedade. É mister que a teologia se posicione com firmeza diante dos desafios lançados na pós-modernidade.
Desde os primórdios, em que as religiões se manifestaram no mundo, até os tempos pós-modernos, os seres humanos vêm se debatendo e se digladiando em questões religiosas onde imperam o ódio e o rancor, ao ponto de se travar batalhas sangrentas em nome de Deus. As brigas entre religiões são antigas e vêm de muito longe. Fazendo uma observação antropo-teológica, cultural e histórica (e não precisa ser minuciosa) da trajetória da humanidade, desde a antiguidade, e, das suas questões religiosas – e da bíblia, veremos que as religiões não só se misturaram ao longo dos tempos, como também deram origem umas às outras, como é o caso do judaísmo e do cristianismo – desse evento, advém a termo judaico-cristão. Entretanto, eventos assim, nem sempre aconteceram de uma maneira harmoniosa, mas sim, de uma forma muito traumática. Estas rupturas por mais que seja um processo histórico que vai acontecendo aos poucos ao longo do tempo, costumam gerar mágoas e ressentimentos, e a briga se arrasta por séculos a fio, como é o caso da reforma cristã do século XVI. Já faz cinco séculos e até hoje o conflito é eminente – mesmo que velado. Nesse contexto, é que a teologia se faz necessária, inclusive como elemento indispensável para o diálogo. A teologia é a ferramenta que propicia a reflexão e traz à luz, os elementos racionais, e, espirituais, que devem fazer parte da discussão. Quem não possui o conhecimento teológico não consegue compreender a dimensão do problema, por mais que se ache capacitado, e, preparado para discuti-lo. A questão aqui não é somente de ordem espiritual, emocional, psicológica, social, política, cultural ou antropológica. Essa questão engloba tudo isso, e muito mais. E a teologia possui as ferramentas necessárias para compreender e analisar todas as questões envolvidas no fenômeno religioso. Apenas a razão, o intelecto, a isenção religiosa, e até mesmo a frieza da incredulidade, sem a espiritualidade só atrapalham – é relevante, hoje em dia, a volta da humanidade ao sagrado, em todos os campos das religiões, e, dos movimentos espirituais que surgem a cada instante ao redor do mundo. Isto é uma realidade incontestável, e, que, não pode de forma alguma ser ignorada. E isso tudo acontece porque o ser humano em sua imanência sente a necessidade da transcendência.
Por isso, a teologia é a base, e a pilastra indispensável para a análise dos fatos e acontecimentos que vêm se desenrolando ao longo da existência religiosa no convívio da humanidade. Outra ferramenta importante na análise do fenômeno religioso, e na busca da mediação dos conflitos existentes, são as Ciências da Religião, porém, sem a teologia, o Cientista da Religião é como um coxo claudicante descendo a montanha correndo, visto que é muito difícil faze-lo sem correr, e sem claudicar.
Um complexo por mais simples que seja (e o fenômeno religioso não é simples, ao contrário: é muito complexo), precisa de todas as peças para funcionar bem. Se faltar um dente na engrenagem, o trabalho da máquina fica comprometido, e, mesmo que ela funcione por um tempo, em algum momento, a produção será interrompida. Não é possível analisar uma questão tão profunda como o fenômeno religioso, de maneira superficial. Ou seja: sem as ferramentas da hermenêutica, e, da exegese histórico-crìtica, entre outras disciplinas teológicas, impossível contribuir de forma saudável para um consenso na busca do ecumenismo cristão.
O teólogo, por sua vez, assim como o cientista da religião, deve possuir os conhecimentos teológicos e todas as suas ferramentas necessárias, bem a razão, para exercer o seu trabalho com responsabilidade, pois é função da teologia, a responsabilidade pelos estudos de casos da religião, em seu todo: humano e cientifico.
Porém, em se tratando do diálogo, o teólogo jamais poderá agir somente no campo da imparcialidade, da razão, e da isenção cientificas.
O teólogo sem o compromisso com o ecumenismo, sem o amor pela causa, sem a paixão ardente, sem a vivência eclesiástica, e, sem a crença em Deus, e no seu Filho ressuscitado, será impossível avançar nas discussões ecumênicas. Sem tudo isso, e sem o amor pela humanidade, sabendo que a pregação de Jesus foi e é opção pelos seres humanos, será impossível acreditar e avançar nas discussões sobre o Ecumenismo. Dialogar com as demais religiões significa um grande avanço teológico, histórico, antropológico, cultural... Entre outros fatores, o Ecumenismo poderá significar a paz entre as religiões, as nações, e, no mundo, pois o Ecumenismo é a promoção da justiça. Não é possível que haja tanta exclusão e tanta segregação no mundo, diante da proposta de Jesus que é a comunhão entre irmãos. Comunhão significa inclusão. Quando há inclusão ocorre a justiça, e justiça é a proposta de Jesus. Sem justiça social, ecológica, religiosa, e em todos os níveis em que onde se encontram os seres humanos, o que podemos colher é a exclusão, a discórdia, a intolerância, a segregação, a violência, o desemprego, as guerras... Enclausurar-se em crenças e doutrinas, dogmas e instituições excluindo os outros, relegando-os a um plano inferior, deixando-os no ostracismo, é simples e puramente promover a desigualdade, a intolerância, e a segregação, o apartheid religioso. Por isso o cristianismo tornou-se uma religião de segunda categoria, transformando-se em uma religião excludente, onde o diferente não é aceito, e não tem o direito de expressar a sua fé, e, em muitos casos, chegando às raias do absurdo de ser demonizado. Isto não é promover a justiça. Cercear o outro da sua liberdade é reproduzir o caos da intolerância, negando ao outro o direito de viver plenamente. É impressionante, como “a vítima transforma-se em algoz, e o oprimido transforma-se em opressor” (já dizia o professor Paulo Freire).
Como disse José Bitencourt (em sala de aula):
- “Se queremos a paz, devemos clamar por justiça”.
Justiça em todos os níveis. A Justiça começa em mim e em você, e se queremos justiça, pratiquemo-la.
CONCLUINDO
A teologia deve cumprir o seu papel diante da Igreja – corpo de Cristo, e da igreja instituição; bem como diante de toda a sociedade. Vai longe o tempo em que se predominava o pensamento arcaico e pré-conceituoso (no sentido literalmente pejorativo) de que “a teologia não serve para nada”.
A teologia tem a enorme responsabilidade da reflexão espiritual, social, cultural, antropológica, filosófica, ética, moral, histórica, ecológica, didática, pedagógica...
A teologia precisa ser humana, e ao mesmo tempo “Divina”, precisa ser aberta, cheia de amor e misericórdia. Precisa absorver em seu bojo aqueles que são diferentes, acolher os oprimidos e injustiçados, os que estão à margem, e os que estão de fora. Precisa deixar fluir o conhecimento, e se abrir ao novo, abandonar os conceitos pré-concebidos, e, jogar fora os velhos paradigmas, abrir o leque do diálogo, e retomar a plenitude da vida retornando à proposta de Jesus: “O meu mandamento é este: que vos ameis aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15. 12).
A teologia precisa ser Cristã, e, precisa ter mais que nunca, cem por cento de alteridade. Diante de uma sociedade plural, é necessário construir relacionamentos saudáveis, para que haja harmonia na convivência religiosa – não se apaga o fogo com comburentes. Cabe à teologia construir as pontes e as estradas diante do pluralismo religioso cultural. A ferramenta que a teologia deverá usar é o Diálogo Inter-Religioso. Não pensemos que será fácil. Pelo contrário: é um grande desafio. É “briga” para muitas décadas, talvez, séculos. Mas não podemos desistir, nem perder a esperança, muito menos a fé.
Precisamos acreditar e “lutar”, sabendo que não estamos sós. Existem outros no mundo que desejam as mesmas coisas que desejamos. Ainda existem pessoas que acreditam, e têm sede de justiça. Precisamos buscar o direcionamento d’Aquele que viveu na própria pele os dois lados: Ele foi marginalizado e excluído; mas pregou e viveu o amor, o perdão, a inclusão, e buscou profundamente pelo DIÁLOGO.
Façamos a nossa parte, buscando o exemplo e a força de quem pode mais que você e eu, pois assim nos foi dito: “[...] porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15. 5c).
A proposta de Jesus para a humanidade
foi a inclusão. Entretanto, a hermeneutica bíblica fundamentalista está
pregando e incentivando a exclusão. Não é sem motivos que há muitos
decepcionados com o Cristianismo, e estão fermentando o circulo dos
'Cristãos Desigrejados'
.
Austri Junior
.
Austri Junior
***
Corpo de Cristo
Por Austri Junior
Certa madrugada, na primeira semana do mês de Janeiro do ano de 2012, (de férias em Nilópolis, Estado do Rio de Janeiro), estava eu checando as notificações no perfil do Blog Olhar Teológico (no facebook), quando uma pessoa, abordou-me no chat, e perguntou se podia me fazer uma pergunta teológica. Prontamente disse-lhe que sim, e então a pergunta surgiu na tela do meu netbook:
"- Você acredita que o Corpo de Jesus era humano, ou era Divino?"
Essa não é mesmo uma ótima pergunta?
Respondi o que eu penso sobre o assunto, até por que, a pergunta foi dirigida à mim de uma forma muito pessoal e subjetiva: 'Você acredita...?'
Com certeza, a minha resposta - subjetiva - não agradou à minha inquerente, que pediu provas bíblicas (os fundamentalistas não aceitam nada que não esteja na bíblia, e isso dificulta o crescimento, o diálogo e a compreenção).
As minhas idéias não agradam aos 'crentes' radicais, fundamentalistas, extremistas, biblicistas, e evidetemente de pouco ou nenhum teor teológico. Mas não me importo nada com isso, muito pelo contrário. Só não entendo para que as pessoas fazem perguntas, se não estão dispostas a refletirem sobre as respostas - Eu disse refletir, e não aceitar prontamente, ou mesmo mudar de opinião somente porque eu ou alguém disse. Entretanto, essa pergunta ficou martelando em minha mente, ao ponto de me inspirar a escrever esse texto.
Minha Resposta (subjetiva):
Acredito que o corpo de Jesus era humano, e que o seu Espírito é Divino. Não acredito que Jesus tivesse um corpo antes de vir aqui para doar a sua Vida para nos Salvar. Se Assim fosse, Jesus:
1) Não teria precisado de uma mulher para nascer;
2) Não teria nascido em corpo de menino;
3) Não teria nem mesmo nascido (já desceria 'pronto');
4) Não teria sangrando, morrido e ressuscitado...
Penso que um Corpo Divino ou Espiritual:
- Não possui necessidades fisiológicas tais como comer e beber, bem como as necessidades consequentes desses atos;
-Não chora;
- Não sangra;
- Não Morre...
Essas necessidades são nossas. São necessidades humanas! Jesus teve um corpo humano para vivenciar e experencias as nossas necessidades, experimentar as nossas misérias, e por nelas o seu coração, daí o sentido da palavra 'Misericórdia'.
Deus precisou fazer dois milagres muito grandes para enviar o seu Filho Amado, no qual ele colocou toda a sua complacência (Mt. 3.17), para executar a economia da Salvação da humanidade. O primeiro milagre foi o Milagre do Nascimento Virginal, através do Derramar do Espírito Santo e o segundo milagre foi a Ressurreição da morte, acompanhada da Ascenção aos Céus.
Percebam que os dois maiores milagres - não de Jesus, mas - na Vida d'Ele, foram a Concepção Sagrada que o trouxe ao mundo, e a Ressurreição que o levou desse mundo. Penso que se o seu corpo fosse Divino, nada disso teria acontecido, pois Ele não teria morrido. A Glória de Deus se manifesta principalmente nas necessidades humanas. É a partir daí que os grandes (e pequenos) milagres acontecem. Deus não precisa provar nada para ninguém, nem para Ele mesmo. Deus não é exibicionista, e sim Misericordioso, e as suas Epfanias acontecem por Amor aos seres humanos.
Essa questão do Corpo de Cristo, do Nascimento Virginal, da Concepção pelo Poder do Espírito Santo de Deus, da Vida e da Morte de Jesus..., sempre suscitou o debate e a suspeita, teológico, bíblico, eclesiástico, empírico... por esses motivos e tantos outros, muitos concílios foram realizados - e em épocas diferentes muitas coisas suscederam, muitas controvérsias apareceram e desapareceram - Marcião foi condenado... Agostinho foi exaltado... e o povo ainda continua sem saber direito o que pensar. Nem mesmo a Teologia dará conta disso. Primeiro porque o povo rejeita categoricamente o Conhecimento Teológico, segundo porque 'Deus é Misteryum Tremendum'. Podemos fazer suposições teológicas que nem sempre agradarão, e em muitos casos suscitarão a ira dos que penssam diferente. Aliás, isso é uma característica típica dos cristãos, e faz parte da identidade do cristianismo: Irar-se diante das divergências e dos que pensam diferente.
Para compensar aos que não abrem mão de Divinizar Jesus, concluo essa minha reflexão afirmando que apesar de entender que o Corpo de Cristo era 100% humano (esse corpo Ele adquiriu aqui na terra, ao nascer de uma virgem), pois não acredito que Jesus tivesse um corpo carnal enquanto estava com o Pai, antes de descer aqui para doar a sua Preciosíssima Vida para nos Salvar, afirmo categoricamente - e não abro mão disso:
O Espírito de Jesus é 100% Divino!
Por isso Ele 'não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca' (1Pe 2.22).
O que aconteceu com esse corpo humano depois da Ascenção do Senhor é outra história. Enquanto caminhou com os seus pais, com os seus parentes e amigos, e bem como com os seus discípulos, o Corpo de Cristo era como o seu e como o meu, humano - assim entendo eu.
Austri Junior
***
O Protestantismo acabou?
Resumo
crítico do texto de Zwínglio M. Dias - A larva e a borboleta (notas
sobre as [im]possibilidades do Protestantismo no interior da cultura
brasileira) - por Austri Junior, FUV, Vitória, ES, Dezembro de 2010.
Introdução
“O Protestantismo acabou!” Zwínglio Dias, sabiamente inicia o seu texto comentando a reação de sua mãe, “uma antiga presbiteriana, criada na mais severa tradição do pietismo puritano, moralista e asceta”.
Perspicazmente
a mãe do autor, assim como os protestantes antigos – aquelas pessoas
que mesmo sem conhecimento teológico, e não é preciso nenhuma formação
teológica para isso – estão percebendo que o protestantismo de
outrora está se esvaindo dos templos e mudando a imagem (fisionomia)
da igreja. A mídia televisiva tem trazido todos os dias para dentro
das residências uma miscelânea evangélica, verdadeiros shows da fé,
assim como os shows gospels em locais públicos e nas igrejas, que
arrebanham multidões, dentro delas, o alvo daqueles que promovem tais
shows com o objetivo de encher as igrejas e ou ganhar dinheiro – os
jovens, dos quais, a maioria não sabe nem porque está ali, pois
desconhece o verdadeiro princípio protestante.
Assim,
mais que nunca, a expressão ‘Protestantismo’ deixou de ser unívoca.
Se para o público em geral a expressão se presta para designar os
cristãos não-romano-católicos, ela está longe de ser aceita
possivelmente pelas diferentes correntes que compõem o espectro
eclesiológico oriundo da Reforma Protestante do século XV. A emergência
dos movimentos Pentecostais, nos inícios do século XX, caudatários
sem dúvida, de outros movimentos nascidos na Europa e na América do
Norte a partir do século XVII, com sua ênfase anti-racionalista e de
grande fervor religioso-emocional, ao adaptarem-se ao substrato
religioso da cultura latino-americana e, particularmente, da
brasileira, trouxeram consigo uma complicação ainda maior. Com isso a
expressão ‘protestantismo’ tornou-se absolutamente insuficiente para
caracterizar e enfeixar as multifacetadas variantes das alternativas
eclesiológicas cristãs ao Romano Catolicismo em nosso continente.
Se
a expressão “Protestantismo” servia para designar oposição ao
Catolicismo Romano, resultado direto da Reforma Religiosa, hoje essa
expressão não faz mais sentido, e usa-se em larga escala a expressão
“evangélicos” para tal fim.
Algumas
pessoas ainda ligadas ao Protestantismo, e que possuem conhecimento
histórico ou formação teológica não abrem mão de se autodenominarem
“Protestantes”, e preferem ser chamados assim, que serem chamadas de
“evangélicos”. Penso que a expressão “Protestante” precisa ter o seu
valor histórico resgatado, e que os que assim se vêem ou se sentem:
Protestantes, estão cobertos de razão. A expressão “protestante” nos
dias de hoje, cumpriria muito bem o seu papel de Igreja que protesta
contra as injustiças sociais, contra as teorias e ideologias de
prosperidade que assolam as igrejas, contra a usurpação dos dízimos e
das ofertas com o intuito de ludibriar os incautos que são usados e
abusados nas denominações em nome de uma religiosidade onde se barganha
as bênçãos, entre tantas outras coisas. Dentre essas, as segregações
religiosas, inclusive aquelas praticadas em larga escala pelos cristãos
exclusivistas e pelos cristãos fundamentalistas que ostracizam,
ridicularizam e demonizam os que pensam e os que são diferentes.
O autor relata que na “América
Latina outros apelativos, como ‘evangélicos’ e ‘crentes’, ganharam a
preferência de diferentes famílias confessionais, ao ponto da
expressão ‘Protestante’ perder não apenas o seu conteúdo semântico como
sua própria referência histórica”. E prossegue explanando que no Brasil a causa desse efeito é fruto da “refração
cultural sofrida pelas versões norte-americanas do Protestantismo
aqui implantadas, que não foram capazes de assumir, plenamente, os
valores e as formas culturais próprias do ethos cultural-religioso
brasileiro”.
A ocupação do continente abandonado
Segundo o autor, “as igrejas e sociedades missionárias européias e norte americanas levaram muito tempo para assumir a América Latina como um território tão importante quanto a Ásia e a África” A prioridade no empreendimento missionário, estava voltada para os “dois lados do Atlântico Norte”.
Segundo o autor, “as igrejas e sociedades missionárias européias e norte americanas levaram muito tempo para assumir a América Latina como um território tão importante quanto a Ásia e a África” A prioridade no empreendimento missionário, estava voltada para os “dois lados do Atlântico Norte”.
A
conferência missionária de Edinburgo, em 1910, excluiu a participação
dos missionários que por aqui atuavam e o Congresso do Panamá, em
1916, foi convocado como reação a esta exclusão. O renomado
missionário escocês John Mackay, com significativa presença no Peru, a
partir de 1916, criou a expressão continente abandonado e tornou-se
um dos principais defensores da presença missionária no continente.
O desinteresse inicial pelo continente sul-americano deveu-se ao “fato de a América Latina ser considerada um continente cristianizado pelo Romano-catolicismo”
e também pelo fato de que o continente ocupava pouca e inexpressiva
visibilidade política e econômica na escala de interesses dos Europeus,
e dos Norte Americanos. “Por outro lado, a expansão dos interesses
econômicos e políticos da Grã Bretanha e o crescente interesse
norte-americano em manter sob seu controle a região ao sul do Rio Grande
vão abrir as portas, de par em par, para as tentativas protestantes
de conquista da região”.
É
interessante lembrar que interesses políticos e econômicos sempre
caminharam lado a lado com os interesses eclesiásticos, pois a igreja e a
sociedade são inseparáveis, ao contrário do desejo religioso dos mais
ascetas. Entretanto também cabe lembrar aqui que hoje os interesses
econômicos de algumas igrejas estão se tornando vergonhosamente
espúrios.
O
autor deixa claro que apesar do desinteresse político-econômico
euro-americano aqui em nossa região, havia também a ideia de que o nosso
continente era considerado cristianizado pelo Catolicismo Romano.
Embora até os nossos dias a população cristã na América Latina e no
Brasil seja em sua maioria, católico-romanos, os “evangélicos” dos
nossos dias, sequer consideram cristãs, as pessoas que confessam a fé
católica. Outro fato importante até aqui narrado que nos arremete a uma
leitura profunda, é a exclusão dos missionários que atuavam no
hemisfério sul, da Conferência missionária de Edinburgo em 1910.
Exclusão é uma característica predominante no cristianismo até os dias
de hoje.
O Protestantismo de Imigração, o Protestantismo de Missão e os Movimentos Evangélicos Pentecostais
Zwínglio
Dias nos aprensenta – como todos os autores – três momentos da
implantação da igreja na história da igreja no brasil: o primeiro
momento é a chegada dos imigrantes no Brasil. Vimos que a Inglaterra, ao
contrário da América do Norte, tinha interesses comerciais no Brasil.
A abertura dos portos brasileiros facilitaram a entrada da Igreja
Anglicana em terras brasileiras, assim como a intenção do Imperador Dom
Pedro II em apurar a raça brasileira, com o seu projeto conhecido na
história por “eugenía”, dispensando a mão de obra escrava, e trazendo
para o Brasil os imigrantes europeus, dentre eles os alemães, que
trouxeram em sua bagagem religiosa o Luteranismo.
ABORDAGENS GERAIS
Fatos
importantíssimos aconteceram, dando origem ao protestantismo de
imigração e de missão em terras brasileiras. Foram trazidos para o país
famílias para trabalhar na indústria e na lavoura. Com a "eugenia",
tentativa (inútil, diga-se de passagem) de branquear a raça, D. Pedro II
trouxe para o Brasil os imigrantes europeus, entre eles os alemães –
que como já dissemos – consigo trouxeram o luteranismo, e com ele se
fecharam em colônias, assim como os alemães, também os ingleses
fizeram a mesma coisa com a sua espiritualidade anglicana. Os ingleses
construiram o seu primeiro templo no Brasil em 1821, na cidade de
Recife.
Após
esses e outros fatos estabeleceram-se no país os missionários
estrangeiros que trouxeram a sua fé para evangelizar o Brasil. Foram
eles:
Os Congregacionistas;
Os Presbiterianos;
Os Metodistas;
Os Batistas.
Mais
tarde o retrato religioso no Brasil toma nova forma. Surge o
movimento pentecostal, e, posteriormente, o movimento neo-pentecostal;
que muda o quadro da espiritualidade do povo brasileiro que já não se
satisfaz mais com os ritos e cultos tradicionais do protestantismo
histórico:
Desenvolvendo-se
nos grandes aglomerados urbanos, em meio às massas de trabalhadores
(i)migrantres, as Igrejas do Movimento Pentecostal conheceram acelerado
crescimento numérico a partir da década de 50 complexificando-se,
desde então, numa teia de formas organizacionais as mais distintas. Aí
se combinaram a herança do messianismo milenarista oriundo da
espiritualidade do Protestantismo histórico e o substrato religioso da
cultura brasileira, também eivado do milenarismo subjacente ao
catolicismo popular, num encontro feliz, ainda mais que regado com o, a
princípio, admirado, mas nem sempre desejado, rigorismo moralista do
Protestantismo de missão, hoje a caminho de sair de cena, especialmente
nas formações eclesiológicas recentes do movimento Pentecostal.
Considerações finais
No texto acima pudemos observar do autor, entre outras nuances, duas que mais nos chamou a atenção. São elas: o “acelerado crescimento numérico” do Movimento Pentecostal “a partir da década de 50”, e o “rigorismo moralista do Protestantismo de Missão, hoje a caminho de sair de cena...”
No texto acima pudemos observar do autor, entre outras nuances, duas que mais nos chamou a atenção. São elas: o “acelerado crescimento numérico” do Movimento Pentecostal “a partir da década de 50”, e o “rigorismo moralista do Protestantismo de Missão, hoje a caminho de sair de cena...”
Bem,
eu não poderia deixar de dizer, mesmo que por experiência empírica
que as denominações “evangélicas” que hoje representam esse Movimento
Pentecostal, em sua maioria conserva em seu modelo eclesiástico não
somente o mesmo “rigorismo moralista” do Protestantismo, como
introduziram em suas doutrinas um “rigorismo moralista” muito mais
exacerbado – agravado, encolerizado – que exclui, demoniza, ostraciza...
os que são e pensam diferente. Isso nos arremete à interpretação de
que o crescimento é apenas numérico mesmo, mas não em qualidade , o
que eleva – ou eu deveria dizer: rebaixa – o cristianismo à religião no
mínimo excludente, e porque não dizer, que essas atitudes colocam o
cristianismo como religião de segunda categoria, uma vez que foge ao
mandamento Divino, e à proposta de Jesus: “Amar ao próximo como a ti mesmo”.
Zwínglio conclui esse paragrafo afirmando que o “rigorismo moralista do Protestantismo de Missão”, está “hoje a caminho de sair de cena...”
Como acabei de colocar, temos visto algumas denominações exacerbar
esse “rigorismo moralista”. Pode ser que algum dia ele, o “rigorismo
moralista” venha mesmo sair de cena, pois as igrejas estão adentrando e
se adequando à pós-modernidade, o que eu particularmente penso que
seja muito bom. Deixar o que é arcaico e retrógrado para trás é
sinonimo de evolução e crescimento. Precisamos fazer isso sem abandonar
os princípios e a doutrina de Jesus em Mateus 6-8, embora a ortodoxia
bíblica não se resuma apenas a esses dois capítulos – não estou
arrancando as páginas da bíblia – digo isso para alivio do
fundamentalistas e dos biblicistas, para que esse meu texto não lhes
suscite a ira.
O
que me preocupa não é o “rigorismo moralista” sair de cena. Ele tem
que sair mesmo, pois faz parte do arcaico e do retrogrado. O que me
preocupa é que o Protestantismo histórico com as sua eclesialidade
sadia e equilibrada também está saindo de cena: “o Protestantismo acabou!”
Por Austri Junior
***
PLANEJAMENTO PARA ENCONTRO EM SALA DE AULA DE ENSINO RELIGIOSO PARA A TURMA DO 9º ANO
Por Austri Junior
Introdução
O
Diabo ainda povoa o imaginário da população no Brasil contemporâneo,
e, como no imaginário judaico, e na idade média católica, a populção de
baixa renda brasileira dos dias atuais ainda tem medo do diabo, e,
como sabemos por convivência eclesial (em nossas próprias igrejas), e
por conhecimento tanto empírico, quanto Teológico, que o cristianismo
protestante evangélico em seus movimentos pentecostais e
neo-pentecostais, e por influência desses movimentos que invadiram a
mídia, também algumas igrejas protestantes históricas estão "sofrendo a
influência do diabo em seus cultos e liturgias", que de uma forma ou de
outra, acabam chegando à sociedade e inflenciando a comunidade e as
pessoas, mesmo aquelas não-evangélicas.
Objetivo
1)
Levantar e fomentar o debate à cerca desse fenômeno na religião
judaico-cristã, e qual a sua influência na sociedade pós-moderna como um
todo;
2) Discutir a realidade e/ou a fantasia sobre a existência de tal ser;
3) Discutir qual o poder que de fato, o diabo poderia ter ou não sobre as vidas humanas;
4) Incentivar os educandos a compreender e respeitar as demais crenças e religiões, sem demonizá-las, e/ou satanizá-las.
Tempo investido:
Tantos encontos quanto forem necessários
Material utilizado no local do encontro
O texto apresentado abaixo:
"A PRESENÇA DO DIABO NO QUOTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM."
Atividades
Buscar
na biblioteca da escola, na internet e em textos sagrados de religiões
não cristãs a presença do diabo e/ou seres com semelhantes
características (possível ou supostamente o mal), para análise e
comparação, suscitando novos debates e questionamentos que levem os
educandos à pesquisa, e ao conhecimento de outras manifestações
religiosas, e à confrontarem os contextos religiosos diversos para a
compreensão e o respeito à diversidade e pluralidade religiosas.
***
A PRESENÇA DO DIABO NO COTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM
Sergio Alberto Feldman
Graduado em História pela Universidade de Tel Aviv (Israel). Mestre em
História Social (medieval) pela USP e Doutor em Antiguidade Tardia
pela UFPR (Curitiba). Professor adjunto de História Medieval na
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).serfeldpr@yahoo.com.br
RESUMO
Este
artigo almeja entender a presença do Diabo no ciclo da vida das
comunidades judaicas medievais. O Judaísmo é estritamente monoteísta não
oferecendo espaço para algum tipo de dualismo, tampouco a teologia
judaica aceita a existência do Diabo. Entretanto, a realidade é distante
da teoria: os judeus, especialmente as camadas menos cultas de sua
população, de fato crêem e temem o Diabo. Os rabinos e eruditos devem
levar em conta estas crenças e superstições. Esta contradição é
transparente nas tradições e nos costumes do Judaísmo medieval. Há
explicações opostas sobre os significados destes rituais/cerimônias,
celebrações e símbolos: algumas são eruditas e filosóficas, já outras
são apenas significados populares de superstições e crenças.
Introdução
O
Diabo foi tema de vasta literatura no período medieval. Desde a
patrística grega e latina, e por todas as crônicas e relatos do mundo
medieval, o Diabo era onipresente e exercia uma influência notável, no
mundo dos vivos sendo referenciado como atuante e proselitista. Um aceso
debate ocorria entre teólogos e pensadores da Igreja que, ao mesmo
tempo, tratavam de delinear os limites de seu poder, para evitar que o
Cristianismo adotasse doutrinas dualistas, já que a onipotência divina,
não podia ser igualada pelo exército satânico e, por outro, lado faziam
uso cotidiano de sua presença e malignidade em prédicas, cultos e
exorcismos, de todos os tipos.
Como a História se relacionou com este tema nos últimos séculos?
A historiografia de influência iluminista adotou uma postura cética e de estrito racionalismo. A escola metódica enfocando temas de conteúdo político, diplomático e militar, envidou poucos esforços em abordar tal tema. Grassava certo repúdio por um tema obscuro, que era impregnado de crendices tolas e superstições. Tais temas não seriam dignos de estudo. O Romantismo, por sua vez, retomou o interesse pelo medievo e pelos temas religiosos. Em meados do séc. XIX reaparece esta temática.
A primeira obra digna de menção foi de autoria de Michelet, que em seu clássico livro La sorciére1 retomou de maneira pioneira o interesse, da história nos estudos do sobrenatural e das relações entre o mundo natural e o sobrenatural.
No século XX, vemos uma retomada lenta do interesse no estudo do sobrenatural e em particular no Diabo. Em seu livro clássico O Declínio da Idade Média, editado pela primeira vez em 1919, o celebrado autor Johan Huizinga dedica algumas palavras e referências, à presença marcante do Demônio ou Diabo no cotidiano medieval. O autor em diversos aspectos seria um dos “ancestrais” do gênero histórico denominado como História das Mentalidades ou dos Comportamentos, que floresceu na segunda metade do século passado. Huizinga percebeu que o Demônio estava muito “vivo” no cotidiano das pessoas que viveram e descrevem os séculos XIV e XV.2
Na seqüência, já em meados do séc. XX, houve contribuições interessantes neste tema, mas somente na terceira geração da escola de Annales é que os estudos se ampliaram e aprofundaram. Temos algumas obras de expressão: Delumeau, Áries, Duby, Le Goff, Richards, entre muitos mais. Essa tendência se espalhou e gerou obras diversas.
Como a História se relacionou com este tema nos últimos séculos?
A historiografia de influência iluminista adotou uma postura cética e de estrito racionalismo. A escola metódica enfocando temas de conteúdo político, diplomático e militar, envidou poucos esforços em abordar tal tema. Grassava certo repúdio por um tema obscuro, que era impregnado de crendices tolas e superstições. Tais temas não seriam dignos de estudo. O Romantismo, por sua vez, retomou o interesse pelo medievo e pelos temas religiosos. Em meados do séc. XIX reaparece esta temática.
A primeira obra digna de menção foi de autoria de Michelet, que em seu clássico livro La sorciére1 retomou de maneira pioneira o interesse, da história nos estudos do sobrenatural e das relações entre o mundo natural e o sobrenatural.
No século XX, vemos uma retomada lenta do interesse no estudo do sobrenatural e em particular no Diabo. Em seu livro clássico O Declínio da Idade Média, editado pela primeira vez em 1919, o celebrado autor Johan Huizinga dedica algumas palavras e referências, à presença marcante do Demônio ou Diabo no cotidiano medieval. O autor em diversos aspectos seria um dos “ancestrais” do gênero histórico denominado como História das Mentalidades ou dos Comportamentos, que floresceu na segunda metade do século passado. Huizinga percebeu que o Demônio estava muito “vivo” no cotidiano das pessoas que viveram e descrevem os séculos XIV e XV.2
Na seqüência, já em meados do séc. XX, houve contribuições interessantes neste tema, mas somente na terceira geração da escola de Annales é que os estudos se ampliaram e aprofundaram. Temos algumas obras de expressão: Delumeau, Áries, Duby, Le Goff, Richards, entre muitos mais. Essa tendência se espalhou e gerou obras diversas.
No
Brasil podemos citar a obra de Carlos Roberto Nogueira, tanto sobre as
bruxas e feiticeiras, quanto sobre o Diabo.3 O Diabo e Deus: dilemas
do monoteísmo Como as religiões monoteístas se colocavam diante da
temática do Diabo? A posição da Igreja é contraditória, mas, apesar de
criticar certos exageros, é uma instituição que aceitou e utilizou-se
de conceitos ligados ao Diabo. Desde a Antiguidade Tardia, os autores
da Patrística, que definiram e conceituaram a teologia clássica cristã,
debateram e advertiram sobre o Diabo. S. Jerônimo é uma das mais
fortes referências.
João Crisóstomo em Antioquia advertia seus paroquianos sobre os riscos do Diabo.
Isidoro de Sevilha falava intensamente e extensamente sobre o Diabo.4 Agostinho não tem dúvidas, na sua ótica neo-platônica e cristã, de que o Diabo transita no mundo inferior, na Cidade dos homens. Cria-se o conceito de que se travava uma batalha entre as forças do Bem e do mal. Nas palavras de Nogueira: “[...] os cristãos concordavam em que a queda do homem não foi mais que um episódio na história de um prodigioso combate cósmico, iniciado antes da Criação [...]”.5 A queda do homem teria sido precedida por uma revolta de algumas das falanges celestiais contra Deus e estes haviam sido precipitados do céu por Deus. Portanto, transitavam na terra e seduziam os humanos para obter adeptos a seu partido.
Até mesmo gente culta como os teólogos e pensadores S. Tomás de Aquino, fundamentado e autorizado por Santo Agostinho, determina que: “Omnes quae visibiliter fiunt in hoc mundo possunt fieri per daemones”.6
Muitos dos autores e pensadores medievais demonstram certa dose de crítica a esta postura da Igreja, mas nunca negam a existência e a presença do Diabo. Os opositores mais ferrenhos da Igreja, no medievo, foram os heréticos dualistas também denominados maniqueus. Foram sendo reprimidos através do tempo e do espaço: maniqueísmo, mazdeísmo, os paulicianos, os bogomilos e os albigenses. Acreditavam na existência de dois poderes antagônicos e contradiziam o monoteísmo trinitário. Isso era a negação de dogmas fundamentais da Cristandade e sugeria a necessidade de repressão. Eram, portanto, mais adeptos de presença do mal, como entidade independente, do que a própria Igreja que criticavam.
A construção e a manutenção das crenças do imaginário se dão num processo de longa duração. O imaginário se constrói dentro e em função de um determinado contexto social. O Diabo surge no Cristianismo primitivo como uma faceta do intenso dualismo que marca a luta da Igreja para se afirmar nos séculos III e IV. O medievo é uma sucessão de confrontos entre o bem (encarnado pela Igreja) e o mal (encarnado pelo Diabo e seus aliados).
O belicismo, o simbolismo e o contratualismo vigentes neste período são facetas do confronto contínuo entre Deus e a Igreja que o representa contra o Diabo. No dizer de autores como Hilário Franco Jr. o que predominava era “[...] a visão sobrenatural que se tinha do Universo”.7 O “sobrenatural se mostrando no natural” era um fato cotidiano e corriqueiro, já que a hierofania (manifestações do sagrado no profano) era parte da crença aceita. Até os inimigos da Igreja têm esta visão dualista.
Mesmo sendo críticos da Igreja, muitos grupos heréticos tinham uma visão dualista do mundo e enxergavam o confronto entre o espírito e a matéria, entre o bem e o mal, Deus e o Diabo, no cotidiano e dentro de uma visão hierofânica. Isso pode ser visto entre as heresias dualistas e maniqueístas tais como os bogomílios, os albigenses, e os cátaros de uma maneira ampla, como já frisamos antes. O que muda é que a Igreja passa ser a encarnação do mal e que deve ser combatida.8 Os dualistas foram severamente perseguidos.
Para a Igreja católica, o Diabo não podia ser nivelado no mesmo patamar que Deus. Sendo essa premissa teológica respeitada, o Diabo tinha “salvo conduto”, para atuar entre os humanos e tentá-los. Sua atuação no cotidiano cristão medieval é completa. Está em tudo e em todos os lugares e situações. Seus seguidores são numerosos e ativos.9
A Igreja com todo o seu poder político, religioso e social era a maior formadora de opinião, apesar da crítica das heresias e da contestação social vigente na baixa Idade Média. A Igreja comanda a luta contra o mal e seu líder: Satã. A ordem de Cluny comanda a luta a partir do século X. A Inquisição medieval encabeçada pelos dominicanos se tornará a vanguarda da luta contra o mal encarnado nas heresias, já no século XIII. Grande número de textos foram escritos sobre o assunto. A Igreja autorizou a publicação e deu divulgação através da ordem dos dominicanos de uma obra clássica do tema da bruxaria e da demonologia, o assim chamado Malleus Maleficarum, também popularmente conhecido como O Manual da Caça as Bruxas, que foi editado no final do século XV, por dois freis dominicanos, Heinrich Kramer e Jacob Sprenger. O seu uso declarado era para servir como guia aos Inquisidores que interrogavam e torturavam bruxas e seguidores de heresias satanista. Exorcismos e formas de identificar bruxas e demônios povoam suas páginas.10
Além de bruxos e feiticeiras, uma minoria era tradicionalmente discriminada e perseguida em épocas de crise durante a Idade Média europeia: a minoria judaica.11
João Crisóstomo em Antioquia advertia seus paroquianos sobre os riscos do Diabo.
Isidoro de Sevilha falava intensamente e extensamente sobre o Diabo.4 Agostinho não tem dúvidas, na sua ótica neo-platônica e cristã, de que o Diabo transita no mundo inferior, na Cidade dos homens. Cria-se o conceito de que se travava uma batalha entre as forças do Bem e do mal. Nas palavras de Nogueira: “[...] os cristãos concordavam em que a queda do homem não foi mais que um episódio na história de um prodigioso combate cósmico, iniciado antes da Criação [...]”.5 A queda do homem teria sido precedida por uma revolta de algumas das falanges celestiais contra Deus e estes haviam sido precipitados do céu por Deus. Portanto, transitavam na terra e seduziam os humanos para obter adeptos a seu partido.
Até mesmo gente culta como os teólogos e pensadores S. Tomás de Aquino, fundamentado e autorizado por Santo Agostinho, determina que: “Omnes quae visibiliter fiunt in hoc mundo possunt fieri per daemones”.6
Muitos dos autores e pensadores medievais demonstram certa dose de crítica a esta postura da Igreja, mas nunca negam a existência e a presença do Diabo. Os opositores mais ferrenhos da Igreja, no medievo, foram os heréticos dualistas também denominados maniqueus. Foram sendo reprimidos através do tempo e do espaço: maniqueísmo, mazdeísmo, os paulicianos, os bogomilos e os albigenses. Acreditavam na existência de dois poderes antagônicos e contradiziam o monoteísmo trinitário. Isso era a negação de dogmas fundamentais da Cristandade e sugeria a necessidade de repressão. Eram, portanto, mais adeptos de presença do mal, como entidade independente, do que a própria Igreja que criticavam.
A construção e a manutenção das crenças do imaginário se dão num processo de longa duração. O imaginário se constrói dentro e em função de um determinado contexto social. O Diabo surge no Cristianismo primitivo como uma faceta do intenso dualismo que marca a luta da Igreja para se afirmar nos séculos III e IV. O medievo é uma sucessão de confrontos entre o bem (encarnado pela Igreja) e o mal (encarnado pelo Diabo e seus aliados).
O belicismo, o simbolismo e o contratualismo vigentes neste período são facetas do confronto contínuo entre Deus e a Igreja que o representa contra o Diabo. No dizer de autores como Hilário Franco Jr. o que predominava era “[...] a visão sobrenatural que se tinha do Universo”.7 O “sobrenatural se mostrando no natural” era um fato cotidiano e corriqueiro, já que a hierofania (manifestações do sagrado no profano) era parte da crença aceita. Até os inimigos da Igreja têm esta visão dualista.
Mesmo sendo críticos da Igreja, muitos grupos heréticos tinham uma visão dualista do mundo e enxergavam o confronto entre o espírito e a matéria, entre o bem e o mal, Deus e o Diabo, no cotidiano e dentro de uma visão hierofânica. Isso pode ser visto entre as heresias dualistas e maniqueístas tais como os bogomílios, os albigenses, e os cátaros de uma maneira ampla, como já frisamos antes. O que muda é que a Igreja passa ser a encarnação do mal e que deve ser combatida.8 Os dualistas foram severamente perseguidos.
Para a Igreja católica, o Diabo não podia ser nivelado no mesmo patamar que Deus. Sendo essa premissa teológica respeitada, o Diabo tinha “salvo conduto”, para atuar entre os humanos e tentá-los. Sua atuação no cotidiano cristão medieval é completa. Está em tudo e em todos os lugares e situações. Seus seguidores são numerosos e ativos.9
A Igreja com todo o seu poder político, religioso e social era a maior formadora de opinião, apesar da crítica das heresias e da contestação social vigente na baixa Idade Média. A Igreja comanda a luta contra o mal e seu líder: Satã. A ordem de Cluny comanda a luta a partir do século X. A Inquisição medieval encabeçada pelos dominicanos se tornará a vanguarda da luta contra o mal encarnado nas heresias, já no século XIII. Grande número de textos foram escritos sobre o assunto. A Igreja autorizou a publicação e deu divulgação através da ordem dos dominicanos de uma obra clássica do tema da bruxaria e da demonologia, o assim chamado Malleus Maleficarum, também popularmente conhecido como O Manual da Caça as Bruxas, que foi editado no final do século XV, por dois freis dominicanos, Heinrich Kramer e Jacob Sprenger. O seu uso declarado era para servir como guia aos Inquisidores que interrogavam e torturavam bruxas e seguidores de heresias satanista. Exorcismos e formas de identificar bruxas e demônios povoam suas páginas.10
Além de bruxos e feiticeiras, uma minoria era tradicionalmente discriminada e perseguida em épocas de crise durante a Idade Média europeia: a minoria judaica.11
Veja a matéria completa:
Revista Fênix
http://www.revistafenix.pro. br/PDF11/ARTIGO.8.SECAO.LIVRE- Sergio.Alberto.Feldman.pdf
Revista Fênix
http://www.revistafenix.pro.
______________________
Fonte: Blog História Viva
Extraído do (meu) Blog Teologia e Sociedade
Austri
Junior - Para a Disciplina Metodologia do Ensino Religioso do Curso de
Pós-Graduação em Ciências da Religião da Faculdade Unida de Vitória -
FUV, em 2010, Profº Mestre Edson Maciel Junior.
***
A ciência da Religião
1.1 Introdução
O objeto da nossa pesquisa é a Ciência da Religião, que muito facilmente, fora do ambiente acadêmico, é confundida com a Teologia. A Ciência da Religião cumpre
um papel muito diferente do papel da Teologia. A sua função é a
analise de determinada religião, e o fenômeno religioso. O cientista da
religião, mesmo que tenha uma formação teológica voltada para esta ou
aquela religião, ou que esteja por convicção, por simpatia, ou por
emoção, vinculado a determinada denominação cristã, deve manter-se
neutro, e focar com a racionalidade de um cientista, toda análise, ou
estudo de caso, quando no exercício da sua funcionalidade, ou não. É
comum vermos teólogos que trilham o caminho da Ciência da Religião, confundindo
as relações entre uma e outra ciência. Se um acadêmico age dessa
forma, quanto mais os leigos e os religiosos que usam o empirismo para
analisar as coisas que conhecem de longe, ou somente por ter ouvido
falar. Os cientistas ao contrário – dos empíricos – buscam a exatidão
das palavras pela necessidade que têm de ser entendidos. Palavras
ambíguas trazem confusão, incompreensão e, inexatidão.
1.1.2 Conceito
A Ciência da Religião não é Teologia. A Ciência da Religião é uma Ciência Humana,
e, tal qual, nada e ninguém poderão mudar esse conceito. Conceito é a
palavra-chave quando se trabalha com a ciência, pois a ciência
trabalha com a precisão das palavras, e o cientista da religião deve
buscá-las sempre que possível, e delas não abrir mão, se quiser ser
entendido.
Essas
“palavras precisas” são os conceitos. A maioria destes, porém, não é
de propriedade exclusiva dos cientistas da religião, que compartilham o
seu vocabulário com cientistas de outras disciplinas. A palavra
“religião” serve para especialistas de diversas disciplinas, embora nem
sempre – e nem em todos os lugares – denomine a mesma coisa.[1]
A verdade é que o conceito “religião”
é muito amplo, e nem sempre se chega a um denominador comum. Uma
palavra – e a palavra religião não foge à regra – costuma assumir vários
conceitos dependendo de quem a analisa, pois dificilmente haverá
consenso entre os cientistas. E no caso do cientista da religião menos
ainda, pois o mesmo ao fazer a sua pesquisa, mesmo buscando a exatidão
das palavras, não tem como mensurar isso em laboratório, assim como os
cientistas da exatidão, que costumam comprovar as suas descobertas e
as suas teorias através dos cálculos e das fórmulas, até que surja uma
nova teoria, que derrube a anterior. Por esse motivo alguns
cientistas da religião passam a sua existência debatendo e discordando
entre si: “Embora existam muitas definições de religião – algumas
centenas, presumivelmente – e embora muitas definições sejam lançadas
permanentemente, até hoje não se chegou ao resultado esperado.[2]”
A Ciência da Religião tem
pela frente um longo e incansável caminho a percorrer, uma vez que os
desafios sobre a religião são muitos e, com certeza, são desafios
inextinguíveis. Esses desafios surgem a cada momento, pois a religião
caminha pelo terreno das emoções, e principalmente da fé que é algo
subjetivo. Em geral, a religião exprime-se de forma emocionalmente
empírica, e em alguns casos a mesma se apresenta entre as massas
populares, de forma irracional – ao contrário da análise científica
desta – a Ciência da Religião.
Assim
sendo o cientista da religião deve se preparar para percorrer esse
caminho e enfrentar esses desafios que surgem de todas as frentes, nessa
batalha: 1) Os desafios na sua própria área de atuação científica,
onde os seus colegas estarão sempre prontos para questionar os seus
argumentos. 2) Os desafios advindos das comunidades religiosas.
Entretanto os maiores desafios da Ciência da Religião
e do cientista da religião vêm da própria religião e das pessoas
religiosas que possuem uma tendência natural de rejeitar a ciência como
um todo.
1.1.3 Considerações Finais
O
que podemos esperar da Ciência da Religião? Acreditamos que a mesma
deve sempre enveredar pela investigação incansável da análise
cientifica, do fenômeno religioso, nos textos sagrados, na convivência
das comunidades religiosas, bem como no seio da sociedade, para
contribuir com a busca do ser humano pelas verdades expressas no bojo
das religiões, e no caso da disciplina, do Ensino Religioso, nas escolas
públicas, que essa busca, além dos elementos supracitados, também
possa fomentar a prática da aceitação do outro na sua mais profunda
expressão religiosa, e que essa verdade seja uma constante na vida de
todos os seres sociais, que professam algum tipo de fé – ou não – a
aceitação do outro em suas crenças, e o respeito mutuo pelas mesmas.
1.1.4 REFERÊNCIAS
GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é Ciência da Religião? São Paulo: Paulinas, 2005. 165 p.
[1] GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é Ciência da Religião? São Paulo: Paulinas; 2005. P. 19 e 20.
[2] GREASCHT, 2005, P. 20.
Austri Junior - Para a Disciplina
Metodologia da Pesquisa Científica, do Curso de Pós-Graduação em Ensino
Religioso da Faculdade Unida de Vitória - Fuv em 25/04/2011 - Mestra
Vanessa Cavalcante
***
Profetismo
Resenha
Por Austri Junior
O
texto de Juan B. Stam para a disciplina “Profetismo” do curso de
Bacharelado em Teologia da Faculdade Unida de Vitória, FUV, turma 01,
encontra-se em sua obra PROFECIA BLÍBLICA E MISSÃO DA IGREJA, Sinodal, 1ª edição.
A RESSURREIÇÃO DO CORPO
Na p. 41, o autor inicia o texto afirmando que “há algo de extraordinário em relação à ressurreição do corpo: Já aconteceu!” Segundo
Stam esta que é uma grande promessa para o fim dos tempos, foi
realizada no centro do tempo, ou seja: a promessa realizou-se com Cristo
e em Cristo.
ENSINAMENTO BÍBLICO
Stam
fala do fundamento firme e inabalável da fé dos cristãos que causa
muita confusão nestes tempos de pós-modernidade, que é a ressurreição
de Cristo.
O autor faz uma distinção entre a ressurreição e a imortalidade: “A imortalidade é da alma, sem carne nem ossos e tampouco pele. Nisto acreditavam muitos povos antigos. Os gregos, por exemplo, acreditavam que a alma preexistia antes de 'prender-se' no corpo e que viveria depois da morte. A alma, ao escapar desse maldito corpo, voará e viverá para sempre espiritualmente.”
Ele diz “que Jesus ressuscitou em novidade de vida” e chama de “revivificação” as ressurreições de Lázaro e da filha de Jairo, pois eles ressuscitaram por um tempo determinado de vida, e morreram outra vez. A ressurreição de Jesus se deu de maneira diferente: “[...] Cristo ressuscitou corporalmente”. Assim será também a nossa ressurreição.
O autor afirma: “No terceiro relato da ressurreição de Lucas (24. 36-49), Jesus esforça-se para convencer os discípulos de que seu corpo ressuscitado é realmente físico”. Quanto aos discípulos na estrada para Emaús e todos outros que viram o ressuscitado “nunca o confundiram com um anjo dramático que lançava raios de glória, com o rosto brilhando como o sol do meio dia [...] De angelical tinha pouco ou nada; de humano, muitíssimo”.
SIGNIFICADO TEOLÓGICO
É
fantástica a colocação do autor quanto à fascinante “teologia da
esperança” de Moltmann. Moltmann que fora aluno de Ernest Bloch que ao
desenvolver a filosofia da esperança, afirmava que a morte tinha a
última palavra para cada ser humano, perguntou então: “com que base
podemos ter esperança?”
“Então Moltmann começou a pensar na ressurreição de Cristo como logus de nossa esperança. Curiosamente, na mesma época era muito popular a sensacional “teologia da morte de Deus”.
Moltmann respondeu que, "efetivamente, Deus tinha morrido (Deus o Filho, na cruz), mas também havia ressuscitado e está sentado à direita do Pai. Agora a nossa fé nos dá uma verdadeira base para ter esperança. Diante da morte pessoal, assegura-nos de nossa ressurreição em Cristo. E diante da morte cósmica, anuncia-nos nova terra e novos céus”.
RESSURREIÇÃO E MISSÃO
Na
p. 56 Stam comenta muito oportuna e sabiamente que atualmente, muitos
esforços evangelísticos começam com a promoção e a exaltação do
pregador. Toda evangelização deve estar focada no evangelho e não na
eloquência do arauto “o poder da evangelização tem que ser o poder da
cruz e da ressurreição – e somente isto”.
Stam
encerra este capitulo contando uma história (muito triste) que se
repetem todos os dias no mundo inteiro, onde uma mãe aflita o procura
pedindo ajuda para sua filinha que foi matriculada “em um colégio
evangélico, e a atemorizaram com a grande tribulação e o inferno”.
Diante desses fatos ele afirma: “[...] há igrejas doentias, que adoecem
as pessoas, e a Igreja[1] não é para isto”.
Stam fecha este capítulo com chave de ouro – ou deveria dizer com frase de ouro:
- “Que Deus nos dê fé e alegria na ressurreição de nosso Senhor e muita esperança”.
- “Que Deus nos dê fé e alegria na ressurreição de nosso Senhor e muita esperança”.
A NOVA CRIAÇÃO
Neste
capítulo Stam Fala de nossa reação “anticientífica” diante das
possibilidades do fim do mundo ele segue dissertando sobre a segunda lei
da termodinâmica – e pede "desculpas pela formulação simplificada
desses argumentos técnicos” – “o que muitos chamam de big-bang”.
ENSINAMENTO BÍBLICO
“O fim do mundo”
“Sem dúvida a passagem bíblica mais citada sobre o fim do mundo é 2Pe 3.3-14 [...]”, já
“João de Patmos entende o fim do mundo essencialmente como fuga e
desaparecimento, muito diferente do holocausto de 2Pe 3.7-12”.
O
autor vê a mensagem escatológica do fim do mundo como muita
preocupação e durante todo o capítulo ele faz questão de afirmar que o
tema central da escatologia bíblica “não é o fim do mundo, mas ‘novos
céus e nova terra’ nos quais há espaço para a justiça (2Pe 3.13)”.
Isto é fantástico; não é mesmo?
Isto é fantástico; não é mesmo?
“NOVA CRIAÇÃO”
“Bíblicamente, o fim do mundo é o início de uma nova criação”.
Stam aponta para Is 65.16b-25 como “um hino, um poema [...] uma jóia da literatura profética. A promessa central esta no versículo 17: ‘POIS EIS QUE EU CRIO NOVOS CÉUS E NOVA TERRA’”.[2]
Stam aponta para Is 65.16b-25 como “um hino, um poema [...] uma jóia da literatura profética. A promessa central esta no versículo 17: ‘POIS EIS QUE EU CRIO NOVOS CÉUS E NOVA TERRA’”.[2]
O autor contraria os “transcendentais” quando coloca a visão terrena da nova criação.
SIGNIFICADO TEOLÓGICO
É
evidente que não dá para comentar tudo e como qualquer outro
teologando que editou neste Moodle o seu texto, eu busquei –
sucintamente – o que seria mais importante e segundo a minha visão
teológica. Por isto quero destacar as seguintes palavras do autor: “A
mentalidade hebréia tendia a ser mais concreta e realista[3]
do que a nossa, moderna, muito permeada pelos dualismos do pensamento
grego. Por isso pode nos surpreender que os hebreus conceberam o
Reino de Deus e o cumprimento final muito mais em termos históricos e
terrenos do que em termos celestiais e eternos [...] Uma minoria
coloca essas realizações finais no céu”.
Ainda segundo o autor, “segundo o Novo Testamento, a nova criação tem seu ‘já’ (presente) além do seu ‘ainda não’ (futuro)”. E quanto ás questões de nova criação e “nova criatura”, afirma Stam: “o texto mais conhecido sobre esse tema é 2 Cor 5.17 (ver Stam, 1995, p.54-68). Este texto poderia ser traduzido literalmente assim: ‘Onde alguém está em Cristo, ai está a nova criação’ [...] A tradução ‘nova criação’ é mais exata do que ‘nova criatura’".
SIGNIFICADO PARA A MISSÃO
A missão deve ser transformadora! Afirma o autor.
“A esperança vive na realização do próximo passo” (aqui Stam cita Karl Barth).
O autor coloca profunda e corretamente que o significado da missão é “apoiar tudo o que aponta na direção do Reino [...] levando as pessoas a conhecerem Cristo [...]”
Stam pergunta: “O que podemos fazer contra a mortalidade infantil? O que podemos fazer contra o desemprego e a mão de obra alienada? E admoesta: “O ensinamento da nova criação chama-nos para uma missão comprometida e comprometedora [...] Assim sermos sal, fermento, semente, luz e fragrância do Reino e da nova criação [...] Por isso nós cristãos devemos estar entre os primeiros defensores do meio ambiente”.
O cristão deve estar compromissado “com a justiça e a libertação” e deve esforçar-se “pela igualdade e por uma sociedade participativa”. Exorta-nos Stam! Estas são realmente palavras encorajadoras. Palavras de fé e ânimo.
Stam mais uma vez conclui o seu texto com a sabedoria de quem realmente compreendeu a mensagem dos evangelhos, e de quem compreendeu o anúncio do Reino dizendo: “Finalmente, essa visão inspira uma missão em esperança prazerosa, amorosa, e vigilante. Quantas vezes a pregação ‘profética’ (como de 2 Pe 3) tem sido ameaçadora, aterradora, para assustar as pessoas! Este tipo de ‘espantologia evangelística’[5] é realmente terrorismo escatológico[6] e não tem nada a ver com a grande esperança para a qual Deus nos chama. Não deve ser o medo do inferno, muito menos da grande tribulação, nem mesmo o simples desejo de alcançar o céu que convencem outros do Evangelho. Também não podemos nos desesperar com este mundo se cremos nas promessas de Deus. Tudo isso é essencialmente uma contradição da esperança evangélica”.[7]
Juan B. Stam encerra o seu ensaio com palavras de ESPERANÇA: “No fundo, não é a nova criação e nem o corpo do ressuscitado que ESPERAMOS[8]. Esperamos aquele que nos amou e morreu por nós, que ressuscitou e que voltará. Que nosso Senhor nos encontre vigilantes e preparados para a sua vinda!”
Considerações finais
O
autor fala da confusão que a ressurreição de Cristo causa na pós-
modernidade. Não é só nestes tempos de pós-modernidade que a
ressurreição de Cristo causa confusão. Segundo a bíblia, os principais
sacerdotes e os fariseus foram avisar a Pilatos de que aquele
“embusteiro” disse que ressuscitaria no terceiro dia, e que seria
necessário colocar guardas na porta do túmulo, para que os seus
discípulos não venham à noite, e roubem o corpo, e digam: “Ressuscitou
dos mortos; e será o ultimo embuste pior do que o primeiro” (Mt
27.63-64).
Ainda no primeiro século outras “confusões” aconteceram em torno da ressurreição de Cristo – nas cartas de João e nas cartas de Pedro podemos ver isso nitidamente – que suscitou atitudes radicais da igreja.
Entre o segundo e o quarto séculos as “confusões” e controvérsias em torno da ressurreição, levaram a igreja a conclamar concílios onde foram proclamados dogmas, confissões de fé e doutrinas que com o passar do tempo geraram mais confusão – embora tenha sido necessário – chegando à pós-modernidade como afirma o autor.
No que diz respeito à ressurreição corporal de Cristo, fica um alerta para os “transcendentais” que só pensam no espírito e rejeitam a matéria e vivem pregando o “arrebatamento” e a “glória”, e esquecem que o “arrebatamento” será físico.
Quanto a mensagem escatológica a preocupação do autor não é para menos. O que mais temos visto nos dias atuais são anúncios destorcidos da volta de Jesus e do “fim do mundo” que como vimos no texto, e vemos em nosso dia-dia, estão amedrontando e adoecendo as pessoas desde a mais tenra idade até as pessoas mais “maduras”. É lamentável que estas coisas ainda aconteçam em pleno século XXI, também é lamentável que as pessoas “maduras” são ou estão tão “verdes” em relação à religião.
O erro dos pregadores e das pregações é mais do que hermenêutico ou teológico. È educacional e cultural. Como fazer uma boa exegese e uma interpretação suficiente se não se sabe, ou, se não se conhece as línguas originais? Nos seminários os professores, e os autores de livros sobre exegese e hemenêutica ensinam que se não sabemos ou conhecemos as línguas originais, devemos nos acercar de várias traduções. De que adianta nos acercarmos de várias traduções se nenhuma delas é fiel?
Juan
Stam sacode a “visão missionária” e a visão dos missionários em o
significado da missão. Qual é mesmo o significado da missão? Missão é
fazer prosélitos? Missão é pregar o terror? É pregar um céu fantasioso e
ingênuo? Ou missão é amar o próximo e viver com ele e por ele neste
mundo?
A nossa – daqueles que crêem – esperança é a volta Daquele que nos amou e morreu por nós e ressuscitou para que também nós ressuscitemos um dia com Ele. Isso não é lindo, maravilhoso e profundo? Eu creio e espero; por isso ando na esteira de Moltmann – a Teologia da Esperança. Quem tem esperança ama, e, a minha teologia - a que absorvi para mim, e para o meu próximo, como relacionamento e alteridade, é a Teologia de Jesus, a Teologia do Amor, que Paulo captou com maestria: “O Amor é paciente, é benígno... não se ensoberbece não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses... não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1COR 13. 4 – 6)[9].
A certeza única que tenho, é que: podemos crer, esperar e amar.
***
Religião, magia e Diálogo Inter-Religioso na Sociedade Pós-Moderna
Introdução
Este ensaio tem como alvo uma abordagem sucinta a respeito do Dialogo Inter-Religioso. O
objeto do nosso estudo será a religião, a magia e o relacionamento
entre os cristãos e os não cristãos. Este estudo tem como objetivo a
abordagem dos aspectos mágicos inseridos neste contexto.
Não é nossa intenção ditar regras e muito menos apontar verdades absolutas. Mesmo porque, em nossa concepção, não existem verdades absolutas. E estas quando se manifestam constituem-se em dogmas. Convém esclarecer aqui e agora que somos contrários a todo tipo de ação e ou reação dogmáticas – sejam elas: arcaicas, primitivas, modernas ou pós-modernas. Religiosas, filosóficas ou sociais – desde que não sejam elas as leis e os mandamentos que pautam a coerência e a honradez que orientam o nosso caráter, e a ética e a moral que nos projeta na sociedade como indivíduos dignos, e que, respeitam as pessoas, as leis e as instituições, sem perder a identidade e o senso crítico.
O assunto em questão – Religião, magia, e Dialogo Inter-Religioso é vasto e inesgotável. Sendo assim, não temos a intenção de exauri-lo, mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos fazê-lo. A nossa intenção neste ensaio é despertar o leitor para as evidências que fazem parte de uma realidade imutável, Mesmo que uma grande maioria não queira nem ouvir falar desse assunto, quanto mais, sentar-se na mesa de “negociação”.
Sabemos que nem todos compartilham do mesmo ideal de “tentativa de unificação das igrejas cristãs” movimento este, conhecido como ecumenismo – é claro que muitas coisas sobre o movimento ecumênico precisariam ser esclarecidas aqui. Porém não o faremos, porque o objeto do nosso estudo não é este – quanto mais, ao que diz respeito ao Diálogo Inter-Religioso.
Para alguns cristãos este assunto é um tanto quanto “melindroso”; é como mexer em vespeiro. Porém, é uma realidade que precisamos olhar de frente e sem medo. Não é possível, que em pleno século XXI, as religiões continuem olhando umas para as outras, se odiando e competindo para saber qual delas é a verdadeira, e em qual delas está o Deus verdadeiro.
Religião
O fenômeno religioso pode se manifestar de muitas formas na vida do ser humano:
“[...] Assim, experiências de fenômenos sobrenaturais podem produzir comoção religiosa (indo desde a experiência de Lutero no temporal em Stotternheim até o murmúrio das ondas do mar prólogo ao Fausto de Goethe, desde experiências extáticas de fusão até a absorção na experiência individual de um pôr-do-sol, etc.) [...]”. 1
O fenômeno religioso está presente em todas as sociedades – arcaicas, primitivas, modernas ou pós-modernas – e, de certa forma com seus dogmas e doutrinas, dirige regulamenta e influencia os hábitos e modus vivendis dos seres humanos nelas inseridas.
Entre tantos provérbios inseridos nas comunidades religiosas que definem a religião, existem três deles, muito utilizados, e, que, são oriundos do senso comum, que queremos destacar. São eles:
- “A religião liga o homem a Deus”;
- “Religião, é religar. Unir”;
- “Religião é coisa do Homem”.
O primeiro provérbio perde o seu sentido em relação ao sagrado em pelo menos dois pontos:
a) Quando o homem não crê em Deus, ou, em nenhum deus (ou deixa de acreditar neles);
b) Quando determinada religião não tem um “deus” como ponto de partida.
Antes de prosseguir queremos levantar algumas questões:
- Será que o homem realmente precisa de uma religião para se ligar a Deus, ou a um deus?
- O homem só consegue se conectar com o divino ou o sagrado se pertencer a uma religião?
- Deus se preocupa com as religiões ou com o ser humano?
- E aquelas pessoas que não pertencem a nenhuma religião, mas possuem vida correta: ética e moral; não serão salvas por Deus?
O objetivo dessas perguntas é levantar questões religiosas que possam gerar reflexões.
Sabemos que pelo menos nessas questões, os cristãos têm as respostas prontas, e na “ponta da língua”; mas os mesmos se esquecem da soberania de Deus.
O segundo provérbio é conhecido pela maioria das pessoas, os crentes – não estamos falando de “evangélicos”. E sim, daqueles que crêem – e dos não-crentes. E serve de cobrança e de argumento crítico por parte de todas elas – principalmente por parte do segundo grupo, os não-crentes – quando o assunto é a desunião ou a divisão entre os membros da mesma comunidade religiosa, ou, não; mas que confessam a mesma fé e a crença no mesmo Deus ou nos mesmos deuses. Ou, quando ocorre a quebra de algum dos princípios religiosos de tais grupos; e, mais: quando esta “quebra” gera conflitos, ou causa escândalos.
A palavra religião tem origem no latin: religare. Porém, a hermenêutica popular não está correta. Re-ligar (ligar de novo), se refere à relação do homem com Deus. E, se há a necessidade de religar, é porque essa relação foi rompida, ou, interrompida em algum ponto.
O terceiro provérbio é muito usado como espeto (e. g. pelos pentecostais) para ferir, agredir, e até mesmo humilhar os “crentes” de outras denominações cristãs; ou, para atingir aqueles que confessam outros credos religiosos – isto quando não os rotulam de “servos do demônio” ou coisas semelhantes – este provérbio também é usado com o intuito arrogante de afirmar superioridade diante de outras religiões tidas com “inferiores”, por parte dos “agressores” que estão convencidos de que só a religião deles (ou delas), vem de Deus; ou, como dizem: “nasceu no coração de Deus”. Os cristãos de uma maneira quase generalizada, principalmente os “evangélicos” pentecostais, são presunçosos e orgulhosos espiritualmente. Embora dissimulem, não conseguem esconder muito bem. E essa arrogância os impede de conversar com outros grupos denominacionais. Principalmente, com os católicos romanos, e, quando se trata de outra religião, a situação fica ainda pior. Pois para os cristãos, principalmente os pentecostais e os neo-pentecostais, as religiões afro-brasileiras pertencem ao diabo. Tal conceito (ou poderíamos dizer: pré-conceito), motiva a crença de que, a aproximação dos mesmos com esses grupos religiosos, vão “contaminá-los” espiritualmente, abrindo “brechas” para que o demônio entre em suas vidas, destruindo tudo o que conquistaram: família, carreira, amigos, e, principalmente “tocando” nos seus bens materiais, e, pior ainda, este contato com os “servos do demônio”, dará a satanás a “legalidade” para que lhes roube a salvação eterna.
É muito comum, ouvir este provérbio advindo daqueles que não crêem em nenhuma religião. E, também por parte dos que se decepcionaram com as
denominações, e, confundem religião com denominação.
Vemos uma grande verdade neste terceiro provérbio. A verdade é:
A religião é “coisa” do homem, porque o ser humano é um ser religioso por natureza. E, sendo um ser religioso, o homem sente a necessidade de algo que o transcenda: um ser superior que satisfaça as suas necessidades. E isso ele só vai encontrar na religião. Em geral é esse o papel da religião – principalmente quando ela é uma religião mágica. O papel de Deus é outro completamente diferente – pois em muitos casos, a religiosidade no ser humano não se apresenta de forma saudável e madura. É claro que não estamos falando aqui de todos os seres humanos, porém em sua maioria o ser humano trás consigo as carências e conceitos que acumulou ao longo de sua jornada e só consegue se relacionar com o sagrado de uma forma vertical, anulando muitas vezes os relacionamentos horizontais – com o outro – e consigo próprio.
Todo ser humano precisa da religião. Karl Marx comentou sobre a religião ser o “ópio do povo”. O que ele queria dizer é que a religião aliena o indivíduo. Talvez o que na religião aliena o indivíduo, além de seus dogmas e doutrinas, seja a magia nela inserida.
Magia e racionalidade
Assim
como acontece com todas as palavras, também a magia recebe
significados diferentes segundo o tema abordado, e, segundo a
interpretação do autor.
Onde se manifesta o sagrado, a religião e principalmente a crença, também se manifesta a magia. Onde há religião, na maioria das vezes encontramos a magia, pois ambas são quase inseparáveis.
A magia pode ser a manifestação natural produzida na mente humana, oriunda de suas crenças, percepções e concepções religiosas. Em muitos casos a magia se torna uma psicopatologia que atinge a espiritualidade e a fé do indivíduo afetando e interferindo em outras áreas de sua vida, e principalmente nos relacionamentos do mesmo. A magia pode até mesmo, ser o fruto de uma mente subdesenvolvida ou uma religiosidade infantil, derivada de uma vida mal resolvida. E bem pode ser aprendida e ou herdada dos pais, ou no convívio com outras pessoas ou nas comunidades religiosas freqüentadas.
Existe alguma possibilidade de praticar a religião sem a magia? “[...] este é o culto racional de vocês [...] transformem-se pela renovação da sua mente [...]”. 2
O culto dos cristãos deve ser racional.
- É possível isto?
A
carta do Apóstolo Paulo aos romanos (se é que foi Paulo quem a
escreveu) deixa isto muito claro. Sendo assim, então porque grande parte
dos cristãos muitas vezes apresenta características adversas à
racionalidade?
Racionalidade
na maior parte das denominações cristãs é “zona proibida”. O cristão
racional nessas comunidades é classificado como frio, herege,
“endemôniado”, sem amor pelo sagrado, ou seja: “ímpio”; e outros predicativos pejorativos.
Nos
cultos dessas comunidades a ordem é “deixar o Espírito Santo agir” –
como se o Espírito de Deus fosse desordeiro – e quanto mais gritos,
choros, “profecias” e “sapateados”, melhor. Será isso magia,
irracionalidade ou emoção? Será isso realmente uma desordem?
Em
alguns casos parece impossível que o culto possa ser racional. Isso
se deve em parte aos elementos e a atmosfera mágica que envolve o
êxtase e a emoção nos cultos. “[...] A magia mexe tanto com o
sujeito (emoções e afetos), quanto como grupo (social), sendo, por
isso, um fenômeno multidimensional”. 3
Acreditamos que, pelo fato de a magia andar de braços dados com a religião e com a fé, pode-se conceituá-la como a capacidade de crer no sobrenatural e no transcendente.
“Enquanto que, por um lado, o pensamento mágico se apresenta como arcaico e, por isso, anacrônico, afirma-se, por outro lado, que justamente a vida moderna com sua perplexidade perturbadora e muitas vezes indecifrável revela fortes tendências à magia”. 4
Observamos que a magia está presente entre as religiões, e, com isso, dificultando os relacionamentos, e criando barreiras para o Diálogo Inter-Religioso. Em nosso entender, a magia ajuda a fomentar a intolerância religiosa.
A intolerância religiosa durante as negociações para uma abertura ao Diálogo Inter-Religioso é orientada em sua grande parte por doutrinas e conceitos pré-existente dos quais as religiões não abrem mão. Essas doutrinas e conceitos forjam a capacidade cognitiva das lideranças e cegam de tal forma que fica quase inviável a superação de quaisquer limites:
“A tendência básica (superar os limites do si-próprio) está associada a tradições gnósticas, místicas [...], formando um grande saco cheio de diferentes orientações doutrinárias e métodos, alguns razoáveis, outros confusos”. 5
Diante dessas dificuldades fica-se o terrível impasse que travam as relações. Não é somente da intolerância da religião cristã que estamos tratando do aqui. Intolerância é uma característica de quase todas as religiões, como também não é privilégio apenas do pentecostalismo.
A intolerância religiosa está presente em quase todas as denominações cristãs, e faz parte da expressão religiosa de quase todo cristão. Talvez a culpa não seja totalmente dos que assim se expressam, pois o cristianismo é por essência uma religião exclusivista.
Quando apresentamos o pentecostalismo e os pentecostais como arrogantes e orgulhosos espirituais, não é nossa intenção rotular, acusar ou excluir. A nossa posição é inclusivista e não abrimos mão disso. O mesmo vale para os cristãos. (Como defensores do Diálogo Inter-Religioso, temos o cuidado de não nos contradizermos cometendo as mesmas atitudes que combatemos. Mas combatemos tais atitudes porque acreditamos que as mesmas precisam ser erradicadas – embora sabedores de que não somos nem a palmatória, muito menos a salvação do mundo – e para isso, às vezes é necessário apontar direções. Com isso, repito: não perdemos o respeito pelas pessoas e pelas instituições. A nossa crítica é racional e científica. Falamos daquilo que conhecemos bem de perto).
- Quais dos dois elementos, magia ou racionalidade devem orientar o espírito religioso e a espiritualidade do religioso?
- Diante de uma sociedade pluralista, pode haver comunhão?
Essas questões são um verdadeiro dilema.
Vejamos um comentário de Berger:
“Por
outro lado, os argumentos racionais também podem ser usados
para rechaçar impulsos religiosos (se creio em Deus, preciso mudar a
minha vida – portanto, argumento contra a existência de
Deus), ou pode se recusar a reflexão. A partir do projeto próprio
podem surgir barreiras de aprendizagem, recusas de
confrontar-se com determinadas idéias. Elas precisam ser elaboradas a
partir da história de aprendizagem pregressa da pessoa; sem
uma elaboração integral, apelar à razão e apontar para o acerto
da doutrina adquiririam um caráter legalista e entrariam em
conflito com a unidade interior entre o acontecimento
justificador e a doutrina da justificação como enunciado sobre esse
acontecimento.
Somente
quando surgem interpretações pluralistas da vida e os respectivos
sistemas simbólicos, o indivíduo busca, ou esperam-se dele, o
conhecimento e a capacidade de discernimento correspondentes. Quando
se reflete redefine-se a própria identidade através e no âmbito
dos símbolos de fé mantidos presentes na comunhão de fé. Essa
religião, porém, pela qual, como decisão individual, a própria pessoa
se responsabiliza na sociedade pluralista, permanece vinculada a
grupos de referência, para os quais a igreja constituía moldura
institucional (organizativa e teológica). 6
Se o indivíduo não estiver bem consigo próprio e não apresentar uma religiosidade resolvida e madura, o desequilíbrio sobrepujará qualquer questão em sua vida, e impedirá avanços espirituais e sociais de extrema importâncias. A magia e a racionalidade não podem comandar as atitudes relacionais do homem com Deus, com a religião, e com a sociedade. Sob pena de que tudo venha se perder. Assim também as crenças, as doutrinas e as convicções humanas devem ser repensadas para um bem maior e comum.
O Diálogo Inter-Religioso
O Diálogo Inter-Religioso é realmente fascinante – para poucos – porém para muitos, constitui-se em uma verdadeira “heresia”. No capítulo anterior, vimos que algumas pessoas, religiões e instituições denominacionais ainda estão “fechadas” a essa possibilidade; e vimos também algumas “causas” que têm contribuído para o impasse da situação dentro do assunto proposto: a magia. Agora vamos olhar para este assunto (Diálogo Inter-Religioso) com outra lente:
Nosso parâmetro principal, doravante será Faustino Teixeira, referência nacional em Diálogo Inter-Religioso.
Teixeira aponta para um caminho que passa pela “Teologia das Religiões”.
Em sua obra, “Teologia das Religiões”, Faustino Teixeira começa o Capítulo Um com o seguinte título: “Teologia cristã das religiões: afirmação de uma identidade”.
“A teologia das religiões constitui um campo novo de estudo e seu estatuto epistemológico vai sendo definido progressivamente. Trata-se de um fenômeno típico da modernidade plural, que provoca a crise das ‘estruturas fechadas’ e convoca a ‘sistemas abertos de conhecimento’. Uma série de fatores contribuíram para a sua emergência: a relação de
proximidade inédita do cristianismo com outras religiões, favorecida pelo avanço das comunicações nos últimos tempos; o crescente dinamismo de certas tradições religiosas e seu poder de atração e inspiração no Ocidente; a nova consciência e sensibilidade em face dos valores espirituais e humanos das outras tradições religiosas e a abertura de
outros canais de conhecimento sobre elas; uma nova compreensão da atividade missionária etc.” 7
Esses
são os “fatores que confluíram na origem” dessa Teologia, que é
muito bem vinda. Quando Teixeira fala de “estruturas fechadas e
sistemas abertos de conhecimento”, ele está citando Peter Berger [in:
Um rumor de anjos; A sociedade moderna e a redescoberta do
sobrenatural. Petrópolis, Vozes, 1973, p. 35]. São essas estruturas
fechadas que necessitam de uma chave para abrir as portas lacradas.
Atrás de algumas dessas portas estão alguns “cofres” de segurança com
fechaduras de segredos que precisam ser “desvendadas”. Alguns desses
“cofres” guardam, por exemplo, a exclusividade (povo escolhido por
Deus), que não é privilégio somente dos cristãos: tudo começou com o
povo Hebreu. Outros “cofres” trazem a intolerância religiosa em
relação às religiões tidas como “idólatras” que também não é um
privilégio dos protestantes e dos evangélicos, mas tem origem no
judaísmo. Como podemos ver, há muito que se avançar. “O cristianismo é
uma religião entre muitas outras [...] As raízes do cristianismo
mundial estão na Antiguidade, por outro lado no povo de Israel [...]”8
“Um tratado específico sobre as religiões é fruto mais recente da reflexão teológica. O interesse teológico pelas religiões surgiu, sobre tudo, através da missiologia, e motivado particularmente por questões pastorais relacionadas à conversão dos ‘pagãos’. Já a literatura polêmica e apologética, contrária às religiões, tem uma larga tradição na teologia, recorrendo a um embasamento escriturístico que tende a identificar as religiões não-hebraicas com a idolatria”. 9
Quando o assunto é o Diálogo Inter-Religioso todo cuidado é pouco.
Não se pode julgar ou até mesmo condenar as práticas religiosas dos
outros. “Assim como o diálogo, também o anúncio encontra dificuldades e obstáculos para a sua realização. O documento [Diálogo do Anúncio]
* distingue, por um lado, dificuldades internas (da parte dos
cristãos), e as enumera: discrepância entre palavras e ações
(quando as palavras não são acompanhadas de um testemunho);
descuido do anúncio por negligência, medo ou vergonha;
atitude de superioridade e falta de apreço de apreço pela
alteridade. Quanto a este ultimo aspecto, o documento é incisivo:
‘Os cristãos que não têm apreço nem respeito pelos outros
crentes e pelas suas tradições estão mal preparados para anunciar o
evangelho’ (DA 73c)”. 10
O assunto Diálogo Inter-Religioso sempre será um “ponto de tensão”, para as comunidades de fé, e uma “pedra no sapato” de muitos crentes. Há os que emitem documentos sobre o assunto, com conteúdos maravilhosos, mas a práxis cotidiana contradiz literalmente os escritos. Este é o caso de algumas autoridades no catolicismo. A respeito disso Faustino Teixeira relata sobre a atitude – em sua avaliação “dolorosa” – da carta emitida aos bispos pela Congregação para a Doutrina da Fé, [Congregação para a Doutrina da Fé. Carta aos bispos sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão. Petrópolis, Vozes, 1992 (Documentos Pontifícios)]. Avaliando o conteúdo desse documento, Teixeira afirma que o mesmo é “como expressão de um claro ‘recuo’ pré-ecumênico [...]”, e cita:
“A reação suscitada no mundo
evangélico por esta carta foi de muito impacto e de certa
decepção. Um dos grandes nomes da teologia evangélica atual,
JÜRGEN MOLTMANN*, reagiu ao documento em revista católica,
afirmando que algumas das expressões presentes ns carta são
‘indignas de um diálogo ecumênico’. Como simpatizante do
catolicismo, sinaliza – retomando José Martí – que ‘a Igreja não combate
seus inimigos, mas seus melhores filhos e assim também,
seus melhores amigos’. Segundo Moltmann, a unidade
ecumênica das Igrejas implica um relacionamento de
condicionamento e interpretações recíprocas, sendo a presença de
Cristo ‘percebida nas Igrejas, como também entre elas, onde quer
que estejamos reunidos em deu nome. A catolicidade é um
sinal da presença de Cristo. Ultrapassa de longe a forma
romano-católica da Igreja’. O autor conclui afirmando que a
mencionada carta constitui uma ‘retração do ecumenismo e da
modernidade para dentro dos muros de Roma’”. 11
Considerações finais
Concluímos este ensaio com poucas palavras – que não nos pertencem – que são de uma profundidade imensurável. O “dono” dessa frase é nada mais nada menos que HANS KÜNG:**
“Esperar uma religião mundial única é ilusão, temê-la é contra-senso”. 12
______________________________ _______
1. Berger, Peter. O Dossel Sagrado, São Paulo, Paulus, 1985, p.104;
2. Rm 12 1-2. NVI, São Paulo, Sociedade Bíblica Internacional, 4ª edição, 1999;
2. Rm 12 1-2. NVI, São Paulo, Sociedade Bíblica Internacional, 4ª edição, 1999;
3. Júnior, Reinaldo. Um estudo sobre mito e antropologia, Juiz de Fora, 2004;
4. Berger. Pag.108;
5. Berger. Pag. 110;
6. Berger. Pag. 127;
7. Teixeira, Faustino. Teologia das Religiões, São Paulo, Paulinas, 1995, p. 11;
8. Lienemann-Perrin, Christine. Missão e Diálogo Inter-Religioso, São Leopoldo, Sinodal, 2005, p. 9.
9. Teixeira, Faustino. P. 14;
* Grifo meu;
10. Teixeira, Faustino. P. 176;
11. Teixeira, Faustino. P. 196;
*
Moltmann tornou-se conhecido e respeitado no mundo inteiro por sua
primeira e magnífica obra: “Teologia da Esperança”, (grifo meu);
** Hans Küng é um teólogo católico muito respeitado na teologia protestante;
12.
Küng, Hans. Projeto de ética mundial; uma moral ecumênica em vista
da sobrevivência humana. São Paulo, Paulinas, 1992, pp. 161, 165-176,
in: Teixeira, Faustino, Teologia das Religiões, São Paulo, Paulinas,
1995, p. 193.
Bibliografia
Bíblia NVI, 1999;
Júnior, Reinaldo. In: Apostila Pós-Graduação em Ciências da Religião – FUV, Religião e Magia, 2008;
Berguer, Peter. 1985;
Lienemann-Perrin, Christine. 2005;
Teixeira, Faustino. 1995.
____________________________Austri Junior - Para a Disciplina Religião e Magia do Curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião na FUV.
***
Bem vindos!
Marcelo Marcelino de Melo, seja muito bem vindo ao Blog Circulo Teológico. Blog do Evangelista marcelo:
Blog Cristo Vive http://conferencistamarcelomelo.blogspot.com/,
Salviano Adão.
Blog A ùnica Verdade dentro da sua Bíblia
e
Salviano Adão.
Blog A ùnica Verdade dentro da sua Bíblia
Bem vindos!
Bem vindos ao Blog Ciriculo Teológico,Tânia Regina e Rodriguez. Paz e bem!
Blog da Tânia Regina - http://www.blogdataniaregina.com.br/
Links do Rodrygues:
***
Bem vinda!
Escritora Vanessa Rodrigues, seja muito bem vinda ao Blog Circulo Teológico. Obrigado por ser a primeira seguidora do blog.
A sua presença aqui no Portal Austri Junior, também, muito nos honra!
A sua presença aqui no Portal Austri Junior, também, muito nos honra!
Perfil e Links da Vanessa:
***
Nota do Editor
O Blog Olhar Teológico, a partir de agora, assume as características de Portal, e por assim ser, o mesmo, é a porta de entrada para os blogues Circulo Teológico, Cultura e Sociedade, e para o meu perfil no site Me Adiciona.Com, onde os leitores e os membros poderão seguir as nossas postagens, e entrar em contato comigo, o editor dos respectivos blogues.
Essas novas mudanças estão ocorrendo por circunstâncias dos novos rumos e dos novos investimentos que eu, Austri Junior, estou fazendo na minha carreira acadêmica. Por isso, transfornei o Blog Olhar Teológico em Portal Austri Junior, e reativei o Blog Circulo Teológico para abrigar os conteúdos teológicos, outrora, aqui publicados.
Essas novas mudanças estão ocorrendo por circunstâncias dos novos rumos e dos novos investimentos que eu, Austri Junior, estou fazendo na minha carreira acadêmica. Por isso, transfornei o Blog Olhar Teológico em Portal Austri Junior, e reativei o Blog Circulo Teológico para abrigar os conteúdos teológicos, outrora, aqui publicados.
Todas as postagens teológicas que haviam no antigo Blog Olhar Teológico, estão no Blog Circulo Teológico - que você pode acessar diretamente em http://circuloteologico.blogspot.com/, ou através da Página Circulo Teológico.
O Portal Austri Junior possui três páginas funcionais: Circulo Teológico, Cultura e Sociedade e Contatos. Acessando-as, os leitores e membros encontratrão as postagens anunciadas na página principal do Portal.
Mais uma vez, agradeço a compreenção de todos!
Austri Junior
Mais uma vez, agradeço a compreenção de todos!
Austri Junior
Editor
====================================================================================
Perfil do Editor
Educador;
Bacharel em Teologia;
Licenciando em Filosofia.
Licenciando em Filosofia.

















































0 comentários:
Postar um comentário