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Austri Junior


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Re-Flexões de Austri Junior

Refletir é Brilhar
“Educar para Libertar” (Paulo Freire)

“Tudo o que escrevo faço à partir de um pragmatismo, fruto da minha práxis acadêmica e intelectual, cuja essência, culmina na vivência social e observância atenta, não somente das partes, mas do todo (e de tudo).” Austri Junior

Quero partilhar com os meus leitores alguns dos meus pensamentos. Esses não são apenas teorias ou utopias e delírios, mas como disse acima, são frutos da minha vivência:


 Mensagens, Frases e Citações de Austri Junior acerca da Educação

“A Educação é sempre o início de um projeto majestoso para as grandes realizações pessoais” (Austri Junior)

“A Educação é um caminho para a felicidade” (Austri Junior)

“Investir na educação é resgatar vidas. A começa pela minha!”
(Austri Junior)

“A mediocridade se combate com o conhecimento.” (Austri Junior)

“Uma grande nação se constrói com distribuição justa da renda, educação e políticas públicas de qualidade. Educação Social e Inclusiva são ótimos caminhos.” (Austri Junior)
“Educação: Invista também nos melhores e ensine-os sobre como promover a Justiça Social, e verás quão frutuoso será o resultado.”
(Austri Junior)

“É preciso ver a Educação com um novo olhar. Ressignificar os velhos conceitos, e construir novos paradigmas é mister e urgente, uma vez que na Educação o foco principal são as gentes.” 
(Austri Junior)

“Não são poucas as vezes que a escola erra, e erra muito. Escutar e ver não são suficientes. É preciso ouvir e enxergar”. (Austri Junior)

“Viver é construir relações. Educar é edificar seres humanos. O Educador deve ser um empreiteiro que constrói pontes e estradas para a vida” (Austri Junior)

“Educar é servir! Educando, contribuímos com o crescimento do outro e adquirimos conhecimento, servindo alcançamos a Graça. Portanto, ‘crescei na Graça e no conhecimento. ’” (Austri Junior)


A DIFERENÇA ENTRE O PROFESSOR E O EDUCADOR:

“O professor ensina conteúdos (e nada mais)! O Educador fala sobre a vida ensina valores, ajuda a construir o pensamento crítico, ajuda a ‘limpar as feridas’… O Educador não tem medo dos alunos, se envolve e envolve. O Educador conquista: Respeito e amizade sinceros, e devolve na mesma medida, enquanto o professor se preocupa com o livro de ponto, com o contra-cheque, com os bônus, com as greves… O Educador se preocupa com as gentes. Enquanto o professor só ver ‘marginal’ e ‘aprendizes’ de bandidos, o Educador ver o ser humano. Não estou delirando! Isso não é utopia e nem fantasia… Precisamos refletir e escolher quem queremos ser: Professor ou Educador. Todo Educador é um Professor em potencial, mas nem todo professor é um Educador.” (Austri Junior)






Pensamentos de Austri Junior

“O amor é maior força de um ser humano. Força é poder.” 
(Austri Junior)

“Não falo muito sobre a fé. A Fé é pessoal e subjetiva.” 
(Austri Junior)

“As pessoas que não possuem vida íntima com Deus desconhecem o seu poder, e têm medo e vergonha de falar do seu passado obscuro. As pessoas transformadas pelo poder do Senhor falam abertamente do seu passado e dão testemunho do poder de Deus. Dizer: Eu já fui um usuário de drogas, ou: Eu já fui uma prostituta’, simplesmente por dizer, é diferente de dizer: ‘Já fiz isso ou aquilo, mas o Senhor transformou o meu ser’. Pense nisso!”
(Austri Junior)

“As realizações pessoais também fazem parte de um longo caminho para o sucesso e para a felicidade” (Austri Junior)
“Algumas vezes nos distanciamos tanto, por tanto tempo das nossas famílias e dos nossos amigos, que quando nos reencontramos não os reconhecemos mais, e nem eles a nós. Dentre nós, alguns melhoram, outros pioram (ou simplesmente revelam aquilo que estava oculto), e nos surpreendemos com atitudes que não esperávamos. Isso não quer dizer que não os amamos mais, mas o que nos entristece mesmo é quando percebemos que aquelas pessoas que amamos são incapazes de compreender e enxergar questões óbvias. Estão cegas!” (Austri Junior)

“A pobreza, seja ela do tipo que for, deve ser combatida com toda a sua riqueza.” (Austri Junior)

“O rancor, esse devemos combater com a bondade, a misericórdia e a nobreza. O rancor é o fruto da pequenez humana! Bondade, misericórdia e nobreza, são atos de grandeza.” (Austri Junior)

“A pobreza é o fruto da injustiça social ou da preguiça pessoal. A mediocridade é a ‘salada mixta’ da pobreza, da preguiça e do desinteresse pessoal. A pobreza não serve como desculpa para o fracasso.” (Austri Junior)

“Não se preocupe com as atitudes ‘pequenas’ e muito menos com os seus autores. Com certeza eles passarão (ou ficarão), enquanto você cresce.” (Austri Junior)

“As mentes geniais e as mentes intelectuais sempre serão incompreendidas… Pelas mentes medianas e inferiores.” 
(Austri Junior)

“Uma ótima forma de conhecer a capacidade de socialização, humanização e aprendizagem de um indivíduo, é mensurando a sua capacidade de amar incondicionalmente e doar o perdão. Quanto maior for a sua generosidade, maior será a sua superioridade. O ser humano de dura cerviz, de coração duro e mente rancorosa, torna-se uma pessoa difícil de relacionar, extremamente anti-social, e impermeável ao conhecimento. Fecha-se em sua raiva, e torna-se incapaz de interpretar com clareza. O ódio, cega a visão, entenebrece o pensamento e encerra a mente do indivíduo, que não aceita mais nada além daquilo que conhece ou entendeu, fazendo-o rejeitar o produto do interlocutor contra o qual ele se rebelou e excluiu.” (Austri Junior)

“As mentes inferiores gostam de se enganar com textos ‘sagrados’. As mentes comuns se deixam enganar pelos textos ‘sagrados’. As mentes superiores questionam todo e qualquer texto”. 
(Austri Junior)

“Precisamos enxergar mesmo não tendo olhos, ouvir mesmo não tendo ouvidos. Em muitos e delicados momentos, precisamos nos calar mesmo possuindo uma LÍNGUA. Jamais devemos reproduzir o mau e o mal que vemos, ouvimos, sentimos e ou possuímos. A nossa missão deve ser sempre: TRAZER palavras amigas e LEVAR a Paz, a esperança, e o conforto a todas as pessoas. Se agirmos assim, ao fim de cada dia teremos plantado uma ótima semente em nossos corações, mas principalmente nos corações dos outros, evitando as mágoas, os aborrecimentos, os ressentimentos… O caminho se faz caminhando’. Durante o percurso fazemos muitas e variadas escolhas, isso faz parte do nosso aprendizado e do nosso crescimento, pois o homem não é um ser pronto, concluído e fechado em si mesmo. E mesmo que não perceba, a sua vida está sempre se trans-formando. O ser humano possui a beleza e a riqueza de se auto-construir e de Re-significar a sua própria existência! O Amor e a alteridade devem ser as nossas bússolas. O primeiro nos leva à aceitação do outro como ele é. O segundo nos faz entender o quanto doem as atitudes negativas de outrem. Portanto, antes de uma atitude negativa façamos uma Re-flexão, e nos coloquemos no lugar do outro. Com atitudes positivas certamente as nossas vidas serão bem melhores.” (Austri Junior)

“Quem tem sede cava o poço. Não espera pela chuva!” 
(Austri Junior)

“A verdade é que não fazemos a mínima idéia de quanto as nossas vidas impactam as vidas de outras pessoas.” (Austri Junior)

“Toda relação deve estar fundamentada no respeito. Cuidar uns dos outros ajuda a construir relações sadias e duradouras!” 
(Austri Junior)

“No ambiente de trabalho, devo enxergar sem olhos, escutar sem ouvidos, e não reproduzir o mau e o mal que vejo e ouço. A minha missão deve ser sempre, TRAZER palavras amigas, e LEVAR esperança a todos!” (Austri Junior)




Saudades…

 Por Ausrti junior

Sinto muitas saudades,
Saudades de não sei o que…
Sinto muito falta,
Falta de não sei o que…
Meu coração chora, minha alma implora,
Mas não sei o que…
As lágrimas no meu rosto rolam,
Não sei por quê…
Não estou triste,
Apenas saudoso,
Saudoso de tudo,
Saudoso de não sei bem o que…
Apenas choro…

*** 


A COMUNICAÇÃO E OS RUÍDOS, NAS RELAÇÕES HUMANAS DENTRO DA ESCOLA


Em princípio, poderíamos dizer que “nenhum ser humano é uma ilha”, e por esse motivo todos precisam se relacionar uns com os outros, e com certeza, nos relacionamos todos os dias e em todos os momentos, de uma forma ou de outra, com alguma pessoa. E esse relacionamento passa sempre e inevitavelmente, pela comunicação. A comunicação se dá de formas variadas, e é fundamental para os relacionamentos. Os seres humanos são seres sociáveis, que vivem em comunidades e precisam uns dos outros para viver e sobreviver. Precisamos do professor, do padeiro, do gari, do médico..., do aluno – até mesmo as pessoas anti-sociais se relacionam e se comunicam com outras pessoas. Todos necessitam comunicar-se em seu cotidiano, mesmo as pessoas que não falam, pois a comunicação, não se dá somente através da fala, mas também através dos gestos, dos olhares, das cores... Se não fosse a comunicação, as relações humanas, nesse mundo não seriam possíveis, e tudo estaria profundamente comprometido, a começar pela existência da humanidade. Viver é comunicar-se, e a comunicação é o que permeia as relações humanas e a essência da vida. Se há vida, inevitavelmente tem de haver comunicação. Se deixarmos de nos comunicar, comprometeremos profundamente os relacionamentos, e como o nosso foco prioritário nesse curso é a educação, podemos começar citando alguns exemplos: Se o educador não se comunicar de forma clara com os seus educandos, aniquilará o processo ensino-aprendizagem, se o vendedor deixar que os ruídos interfiram na comunicação com o seu cliente, perderá a venda. Entretanto, a maior importância que a comunicação pode exercer nos relacionamentos humanos, está no diálogo entre os líderes mundiais que governam as potências internacionais, que com as suas armas atômicas e letais, podem destruir o mundo e a humanidade.


A nossa experiência no dia a dia em salas de aulas e dentro das escolas tem nos mostrado que a comunicação entre professores e alunos não são das melhores, e alguns desafios têm se levantado dentro da escola nos dias atuais:


Temos observado que muitos professores ficaram “amarrados” no tradicionalismo e na antiguidade. Muitos deles estão vivendo a era em que se amarrava “cachorro com lingüiça”. As tecnologias estão à nossa volta e é uma realidade incontestável, e nos traz ferramentas valiosíssimas, que podemos e devemos utilizar no ensino-aprendizagem e na comunicação didática e pedagógica no relacionamento com os alunos no dia-dia. Muitos professores têm medo da tecnologia, e fogem absurdamente dela, ao invés de “partir para o ataque”: Reciclar-se em cursos que lhes tragam maior conhecimento. Os alunos da escola atual dominam a tecnologia melhor de que os seus professores.


Não é a nossa intenção reclamar, ou mesmo justificar falhas, mas sabemos que a boa aprendizagem começa com uma situação favorável. Ambientes quentes, falta de material didático e pedagógico, péssimos salários... Isso e muito mais são ruídos que atrapalham a comunicação entre professores e alunos, e que constroem desafios enormes, que precisam ser vencidos, e urgentemente, pois comprometem a comunicação e o desenvolvimento de ambos: Professor e aluno.


Por último (e não menos importante em nossa análise), queremos citar o caos generalizado em nossa sociedade. A nossa parca experiência vivencial dentro da escola observa que a escola não dá conta de muitas coisas:

·  A ausência e o desinteresse das famílias;
·  O desinteresse e a falta de limites dos alunos;
·  Alunos analfabetos no 4º e até mesmo no 5º ano, 
   e alunos semi-analfabetos no 6º ano;
·  As drogas e a criminalidade invadiram as escolas.


Seria a escola tradicional a solução? Seria o construtivismo um caminho inverso da sua própria  proposta (ou, da sua proposta original), e assim o poderíamos chamá-lo 'DES-TRUTIVISMO'? Com certeza, a sociedade não é mais tradicional como aquela que outrora conhecemos. Mudanças aconteceram para melhor e para pior. Para voltarmos ao modelo da escola tradicional (muito educadores em conversa na sala dos professores têm defendido essa idéia), teremos de retroceder em algumas questões das leis, algumas inclusive se tornaram políticas públicas, com algumas coisas boas e muitas coisas ruins. Entre elas, o Estatuto da Criança e do Adolescente, que precisa de reformas urgentes.



É certo que a família e a escola não têm se entendido muito bem, e que as relações entre essas duas instituições – diga-se passagem, falidas – com certeza estão estremecidas. A família reclama da escola e vice-versa. A família precisa conhecer o seu papel nesse contexto e fazer a sua parte: Educar os seus filhos e impor-lhes os limites, ensinando-lhes as regras para o convívio sadio em sociedade, não utilizar a escolas como “depósito” para os seus filhos e não transferir para a escola, o que é de sua responsabilidade. A grande maioria dos pais só vai à escola em último caso, e alguns chegam à instituição gritando e até mesmo quebrando coisas, e ameaçando os professores de morte. Normalmente é a comunicação de alguém equilibrado, com especialização (ou não), em mediar conflitos que acalmam os ânimos, o que nem sempre funciona, mas com certeza o diálogo é a água que extingue esse fogo constante, insistente e quase sempre, diário, que causam os ruídos na comunicação entre a família e a escola. Como já dissemos acima, onde há vida há comunicação, e é ela, a comunicação, em forma de diálogo, que apaga o fogo destruidor, em todo e qualquer relacionamento. Como diziam os nossos avos: “De uma boa conversa, ninguém escapa!” 

Ou seja: A comunicação é tudo nas relações humanas. Entretanto, o respeito é a base de todo e qualquer relacionamento.

Austri Junior - Para a discilplina Interfaces do Relacionamento Humano - O Papel da Comunicação dentro da Escola - No Cuso de Complementação Pedagógica em Licenciatura em Filosofia. Profª Adenete Miranda.

*(Submeti esse texto à uma revisão, e fiz pequenas mudanças para publicá-lo aqui no Blog).


 ***


 Cristianismo: Exclusivismo e sectarismo



Nesse fim de semana estive estudando o Campo Religioso Brasileiro, na Pós-Graduação em Ensino Religioso, após o intervalo do almoço o assunto da aula foi o 'trânsito' dentro do campo religioso pelas pessoas que pertencem a uma religião, ou  a uma denominação, e que transitam de denominação em denominação, e de religião em religião. Uma moça presbiteriana, após ter dormido quase toda a aula, despertou do sono profundo - antes tivesse ficado domindo - e perguntou: 
- E os maçons?
O professor lhe respondeu: 
- A maçonaria não é religião!
Ela então, 'encheu o peito' disse com muito orgulho:
- Na minha igreja, o pastor leu um documento que proíbe os maçons de se tornarem membros e de serem batizados. Os maçons que já são membros da igreja podem continuar, mas não podem fazer nada dentro da igreja, os que não são membros, só podem visitar. Não poderão ser batizados, e não serão aceitos como membros. E isso vale também para os homossexuais.

Eu me sento sempre na primeira fila (a sala, enorme e com pouquissimas pessoas, concentra os interessados na frente e no meio, depois desses, muitas cadeiras vazias, e no fundão, os desinteressados, os ignorantes, os fundamentalistas, os... que conversam o tempo todo entre si. Entre eles, ela, a presbiteriana cheia de orgulho da sua perversa instituição). Olhei para trás e perguntei:
- E a Evangelização, e o princípio da Salvação? Como ficam?
Ela resposdeu com muito mais orgulho:
- A igreja tem as suas normas, e não é obrigada a ceitar essas pessoas...
Então lhe disse:
- É esse  tipo de atitude que torna o cristianismo uma religião exclusivista e excludente.
Então, ela encheu mais ainda o peito, encheu a boca, e respondeu-me com muito mais orgulho (e emburrecimento):
- Essa é a POLÍTICA da igreja, e a igreja não vai mudar para aceitar esse tipo de pessoas!!!
Confesso que o meu sangue ferveu e enchi-me de raiva. Virei-me para frente e silênciei-me, enquanto ela ficou tecendo comentários com os seus partidários (do fundão).

O professor continuou dissertando sobre o assunto e em dado momento disse que certa igreja presbiteriana (ele também é dessa denominação), proibiu as mulheres de falarem na igreja. Nesse momento, a moça (orgulhosa e emburrecida) exclamou: - 'Nossa!!!' Ela achou essa proibição um absurdo e começou a falar contra a atitude (burra, perversa e excludente) da sua própria denominação. Então virei-me para trás, olhei bem no fundo dos olhos dela, e disse-lhe:
- É o mesmo princípio!!! E virei-me para frente. Ela silenciou na mesma hora, e não falou mais durante o restante da aula.

Espero sinceramente, que aquela moça tão jovem, possar refletir e ressignificar a sua fé, e desfazer-se dos seus (pré)conceitos. Também confesso que além de aborrecido, fiquei muito triste, ao saber que a 'política' da igreja presbiteriana é de selecionar e excluir pessoas

Sempre admirei a igreja presbiteriana, por ser um celeiro de intelectuais e acadêmicos da melhor estirpe. O mestre percebeu a minha indignação, e ao final da aula, veio conversar comigo, descemos as escadas juntos, ele me disse sobre o 'relacionamento histórico da igreja presbiteriana com a maçonaria', ao que lhe respondi, que sabia disso, e percebi que ele tentou me 'consolar' ao dizer-me:
- A igreja presbiteriana é sectária.

Pior para a igreja, se ela é sectária. Mas muito pior ainda para o Reino, e para as pessoas. Confesso que estava pensando em migrar para essa denominação por causa da sua liturgia e da sua prédica (que muito me agrada e me atrai) - estou fugindo do neopentecostalismo, das fantasias, dos exageros e dos lixos do G12, que estão invadindo o metodismo. Foi muito bom conhecer de perto o pensamento presbiteriano antes de cometer o segundo grande erro da minha vida: o primeiro erro foi procurar por um Cristianismo Verdadeiro no metodismo, o segundo erro seria procurar pelo Cristianismo Verdadeiro no presbiterianismo. Cheguei à triste conclusão que buscar pelo Cristianismo Verdadeiro em denominações, não passa de utopia e perda de tempo. Nenhuma forma de cristianismo que está circulando por aí, presta. É tudo uma grande porcaria. O Verdadeiro Cristianismo está dentro de mim e das pessoas Verdadeiramente Cristãs. Onde está o Espírito de Deus, está a liberdade. O Espírito do Senhor está nas pessoas livres das ditaduras doutrinárias das instituições. As pessoas governadas por instituições estão sendo emburrecidas e institucionalizadas. Elas estão cegas para enxegar o Cristo que Ama e que tem Misericórdia. Também estão surdas para ouvir a voz do Cristo da Graça que prega o Amor. Enquanto estiverem surdas para o Cristo, só ouvirão as doutrinas, e os seus doutrinadores. E esses dizem: - "Fora!!!"

Estou Re-significando o ser cristão em minha vida. Talvez eu desista dessa busca, para encontrar a Verdadeira Paz. Quem sabe ela, a Paz, além de estar dentro de mim mesmo, também não está em outra forma de religiosidade que não seja cristã?

Mais que uma reflexão teológica, mais que uma análise da situação absurda da Ekklesia, esse texto é um desabafo 'Teo-eclesiástico'. Estou cansado!

Austri Junior,
Servo do Deus altíssimo, cansado (dos que se dizem servos, e das suas doutrinas, das suas pantominas e das suas presepadas).

NOTA:
A humanidade é podre mesmo! Fui ao google buscar uma imagem adequada para esse texto, e encontrei um blog maçon condenando os homossexuais e defendendo a exclusão dos homosexuais na maçonaria, e uma 'seleção mais apurada, quando do ingresso do indivíduo na maçonaria'.

E assim caminha a humanidade: Enquanto uma certa casta de pessoas são excluídas de determinados ambientes, também excluem os outros dos seus ambientes. Isso gera um ciclo de exclusão-exclusão-exclusão.  

***

O Campo Religioso Brasileiro

(Resenha do texto de Pierre Sanchis)

Por Austri Junior


O CAMPO RELIGIOSO BRASILEIRO
Introdução
Em “AS RELIGIÕES DOS BRASILEIROS”, Pierre Sanchis (1997), faz uma abordagem objetiva à cerca do Campo Religioso Brasileiro, analisando as matrizes desse campo e as suas vertentes. O autor trabalha com muita propriedade as questões à cerca da diversidade dentro do catolicismo e descreve os números dos dados religiosos dos sensos de 1980 a 1994, e as mudanças significativas no quadro religioso católico brasileiro, que segundo o autor, esses “números se dispõem na direção de um – aparente - e irreversível [1] declínio”.  

As pesquisas apontam para um decréscimo do catolicismo em terras brasileiras, que outrora se declarava em sua maioria católica romana. O            cristianismo católico romano fora oficialmente a religião do país, pelo menos durante os períodos colonial e imperial e continuou sendo – veladamente – pelo menos até o século XX.
Retornando à questão do decréscimo de católicos romanos, citemos os números das pesquisas, mencionados por Sanchis, nas quais os brasileiros se declaravam católicos: “em 1980, 88% da população brasileira se declararam católicos; em 1991, 80%; em 1994, 74%”. Sanchis acrescenta em seu relato os dados dos censos em alguns estados brasileiros que “introduz um segundo fenômeno digno de nota: o fato da diversidade interna”.  

Diversidades no cristianismo
Por “diversidade interna” [2] o autor quer dizer, os movimentos e as tendências dentro do catolicismo (brasileiro), e cita as CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base), a RCC (Renovação Carismática Católica) e as Dioceses de Campos e de Goiás, cuja cristandade tem as suas particularidades e peculiaridades próprias, além de outros movimentos (diversificados) dentro do próprio catolicismo, que formam um etos específico.
Segundo o autor, as diversidades religiosas no Brasil possuem duas matrizes. São elas: “O cristianismo – mais especificamente o catolicismo - e o universo ‘afro’, de experiências e tradições que acompanharam ritmicamente as levas de escravos, como seu último bem, seu tesouro até hoje inalienável”.

Da mesma forma como o catolicismo brasileiro é diversificado, assim também o cristianismo no Brasil, também é plural, e diversificado pela presença do protestantismo. A hegemonia católica no Brasil começou ser derrubada pelo protestantismo histórico, e depois pelo protestantismo evangélico, cuja face se apresenta no pentecostalismo, que muito contribuiu e continua contribuindo para a nova face da eclesialidade cristã, não somente junto ao protestantismo histórico, mas também dentro do catolicismo. Nesse último, o movimento pentecostal aprece travestido de movimento carismático, a RCC. 
Muitos sociólogos, teólogos e cientistas da religião apostam no desaparecimento do protestantismo histórico – sob pena de acabar, ou se engolido pelo pentecostalismo – entretanto, Pierre Sanchis afirma que 

(...) essa representação está errada ou, pelo menos, ultrapassada. Recentes pesquisas no Rio de Janeiro mostram que, depois de terem ficado próximas da estagnação até uma dezena de anos atrás, as igrejas protestantes tradicionais (sem falar daquelas que entraram no movimento da renovação pentecostal) são Igrejas vivas e que recrutam até na juventude. A sua vitalidade é hoje comparável à dos Batistas e da Assembléia de Deus.

Quando se fala de diversidade no cristianismo brasileiro, com certeza não se pode ignorar o fenômeno religioso brasileiro, conhecido como Pentecostalismo Brasileiro, que possui características bem peculiares, e vem crescendo consideravelmente. A entrada do Movimento Pentecostal no Brasil se deu de maneira impactante no que tange a realidade religiosa brasileira. Vindo do exterior, chegou ao Brasil no “início do século” e mexeu com as estrutura católica e protestante histórica, arrebanhando um grande número de fiéis, cuja explosão desse fenômeno chega impressionar. O seu crescimento é de cerca de 10 a 15%. As participações nas reuniões religiosas semanais e nos cultos costumam atingir 85%, e a freqüência mensal chega atingir 94% - segundo as pesquisas do Censo Institucional Evangélico e Novo Nascimento do ISER, mencionada por Sanchis em seu ensaio - e isso se dá em todo o país. 

Sanchis considera o pentecostalismo um “ramo avivalista do protestantismo”, e afirma:

E foi o seu caráter de ruptura com as tradições religiosas brasileiras que logo marcou o seu caráter de visibilidade. Longamente retida, a explosão pentecostal deu-se durante as décadas de 50 e 60, sob a forma de missões intensivas, verdadeiras “Cruzadas de Evangelização” organizadas a partir mesmo do Brasil. As camadas sociais mais densamente atingidas foram desde o início as camadas populares. Hoje ainda, apesar de uma nítida presença em outras camadas e de certa ascensão social dos grupos pentecostais primitivos, o espectro pentecostal, se corresponde ao perfil brasileiro quanto à população de renda nédia baixa (entre 2 5 salários mínimos), inverte a sua pirâmide quando se trata dos dois extremos: renda baixa e renda alta. Os resultados seriam semelhantes quanto à escolaridade e à cor. Uma religião de pobres. 

Embora a nossa consideração sobre o ensaio de Pierre Sanchis venha manifestar-se durante as nossas considerações finais no fim desse texto, não podemos nos furtar a um breve comentário, sobre o pentecostalismo ser “Uma religião de pobres”.[3] O nosso conhecimento teológico é sábio o suficiente para rechaçar tal afirmação, e deixar muito claro aqui e agora, que o pentecostalismo não é, e nunca foi religião. O pentecostalismo é uma vertente dentro cristianismo. Esse sim é religião!
Semelhanças na diversidade
Da mesma maneira como não se pode ignorar o pentecostalismo quando dissertamos sobre a diversidade cristã, também não podemos ignorar o candomblé e a umbanda, bem como o espiritismo (cardecismo) quando o assunto é a pluralidade religiosa na sociedade brasileira.
Sanchis insiste em dizer – não sem razão – que as religiões afro que “souberam arrancar-se da sua matriz geográfica e sociopolítica... para elaborar no Brasil, primeiro o seu universo simbólico, mais tarde suas organizações comunitárias, enfim uma proposta religiosa universal, independente de nação, etnia, raça ou cor”, possuem – não meramente – algumas semelhanças com o cristianismo.

Por “universo simbólico” [4] o autor quer dizer que as religiões de origem africanas no Brasil (não podemos deixar de citar que a umbanda é genuinamente uma religião brasileira, embora com matriz africana), não são mais religiões africanas, e sim universais, já que estão em países como a Argentina e a Suécia, por exemplo, e que não são mais religiões de pobres e de negros, ou de analfabetos e ignorantes. Entretanto, quando o autor fala em universalidade e independência, refere-se ao fato de que apesar de uma única matriz, as religiões afro possuem características próprias que mudam de região para região, dentro do Brasil, e que 

o mundo religioso afro no Brasil não constitui somente permanência, cópia ou repetição. Também ele vive, recria-se constantemente, dinâmica e conflitualmente, segundo uma linha de representação indentitária que, algumas vezes, o faz reivindicar a autenticidade dos fundamentos de sua tradição, outras vezes o joga no caminho da assimilação de outras influências, latentes ou ativamente presentes no espaço religioso no Brasil.

A influência do cristianismo, basicamente do catolicismo é latente, principalmente na umbanda – “no mundo do candomblé as coisas são mais complexas, e a realidade dos valores de ‘consciência’ e do ‘pecado’ que marca a sua falta é mais ambígua” – onde vemos reproduzidos fielmente uma parte dos valores cristãos, bem como uma parte da doutrina cristã à cerca do pecado, podemos identificar a doutrina católica à cerca da caridade: “Lugar central de um valor cristão, que sem dúvida não fazia parte, na posição de relevo do elenco de valores tradicionalmente africanos. Influência do cristianismo? Sim”. Afirma Sanchis, num jogo de pergunta e resposta, referindo-se evidentemente à época em que as religiões afro se estabeleceram no Brasil, mas não somente isso, em se tratando da umbanda, é muito provável que ela tenha nascido já com esses conceitos cristão-católicos, por influência e assimilação da religiosidade que por aqui desde muito tempo imperava. 

“Entre essas influências, sem dúvida, a influência cristã e, especificamente, católica. Impossível – de fato e de direito autoproclamado - pensar o mundo afro no Brasil como puramente africano (‘Pureza e Perigo’... diz a antropóloga inglesa). Afro-brasileiro, sim”.

Mas é somente do catolicismo-cristão, a herança ética recebida pela umbanda? Sanchis diz que não. De fato, o sincretismo religioso no Brasil (o termo sincretismo usado aqui, não é de forma pejorativa, mas no sentido real da palavra), é muito comum em uma sociedade de religiosidade plural como o Brasil. Da mesma forma que podemos ver elementos do cristianismo mesclados à cultura e religiosidade afro, o contrário também é verdadeiro (falaremos sobre isso em nossa consideração final). Segundo o autor, a umbanda recebeu também a influências do espiritismo. 

Na cultura religiosa brasileira Sanchis identifica cinco filões. São eles:
1.    O cristianismo;
2.    As religiões afro;
3.    O espiritismo;
4.    As religiões orientais;
5.    A nova era e o esoterismo.
Esses filões de uma forma ou de outra, estão mesclados à umbanda. Sanchis afirma que o “quarto filão, e a quarta família, de introdução mais recente, mas já “brasileiramente” assimilada em certas correntes umbandistas”, é “a dos cultos de origem oriental”. São eles:

Budismo nas suas variadas obediências, hinduísmo de krishna, grupos japoneses do Seichô-no-Iê, da Perfect Liberty ou da Igreja messiânica etc. Sem falar de correntes menos institucionalizadas, de penetração capilar, que fazem parte mais propriamente do quinto universo simbólico (...) 

Para o autor, o quinto universo simbólico está representado pelo “universo da Nova Era e pelo esoterismo. Cristo está presente na Nova Era, mas apenas como o iluminador eventualmente supremo”. A espiritualidade contida na Nova Era, “levam muitos à conclusão de uma volta a um paganismo culpabilizador”. Sobre as características da existência espiritual e social da Nova Era, e da tradição esotérica no Brasil, eis o que diz o autor:

Exuberante proliferação de ramificações, encontros, fusões e superposições, tradições particulares e sedimentações universais, a Nova Era - bem como a tradição esotérica, presente no Brasil desde o século passado, que ela reencontra e com que se cruza – representa ao mesmo tempo a contundente afirmação de uma modernidade individualista, racional e dessacralizadora, a tentativa de recapitular, no que tem de global, espiritual, carnal e cósmico, o caminho do homem para uma completude nunca atingida. Porque nunca fechadamente concluída, espiritual e sobrenatural só à custa de se querer totalmente e plenamente natural (...)

Nesse ensaio, não poderíamos deixar de fazer menção ao Santo Daime. Sobre essa forma de espiritualidade, Sanchis escreveu: 

Enfim, na esteira dessa “novidade” feita da recoberta do antigo, é bom inserir o que quer ser a reemergência contemporânea da mais antiga raiz religiosa brasileira, a Doutrina do Santo Daime, talvez um pouco menos atraente hoje, mas que já assumiu a tarefa de conjugar, numa experiência espiritual forte e continuada, segmentos das camadas sociais mais representativas da modernidade: intelectuais e artistas, ao estrato mais radical do Brasil historicamente primevo (o indígena) e topologicamete profundo e vegetal...

Considerações finais
Sanchis afirma que “estamos longe de um monolitismo religioso”, dado, é claro, a gama de religiões e as suas vertentes, contidas no bojo do campo religioso brasileiro. As religiões importadas, e as religiões tipicamente brasileiras acompanhadas dos movimentos – sincréticos ou não – nelas inseridas, compõem o campo religioso brasileiro e a espiritualidade plural de um povo, que mesmo sem perceber, muitas vezes se tornam sincréticos e místicos, e de acordo com as suas crenças e vertentes sociais vão caminhando em meio a esse emaranhado de opções, buscando encontrar e até mesmo re-construir as suas identidades.

Se observarmos atentamente poderemos enxergar elementos da cultura afro inseridas no neo pentecostalismo e no pentecostalismo brasileiro: as danças, as palmas e os rodopios – que quando em transe – os evangélicos manifestam em sua liturgia, sob a afirmação de que esse fenômeno é o “derramar do Espírito Santo” – uma espécie de “unção” derramada por Deus.
Apesar das semelhanças e da porosidade no Campo Religioso Brasileiro, o que vemos e percebemos (ainda) é o exclusivismo e a exclusividade, principalmente dentro do – e por parte do – cristianismo. É um clima que Pierre Sanchis chama de “Guerra Santa” [5].
Sanchis – com exceção da afirmação de que o pentecostalismo é uma religião (já comentamos sobre isso acima) – captou com excelente maestria a situação da realidade no Campo Religioso Brasileiro na modernidade, embora, acreditamos que os números e dados por ele citado, já tenham mudado significativamente, tendo em vista que os seus estudos já se passaram quinze anos, o que nos proporciona uma ampla margem para novos estudos à cerca do assunto que é uma fonte inesgotável de pesquisa, análise e conhecimento.
Sabemos que tantos outros novos estudos à cerca desse mesmo assunto foram desenvolvidos no Brasil, o que enriquece a nossa busca por tentar compreender o campo religioso brasileiro, a religiosidade dos brasileiros e as suas religiões, que como bem disse o autor em sua introdução: “’As religiões dos brasileiros... Um título de conferência que teria sido implausível ha meio século’”.

Referências:
Sanchis, Pierre. As Religiões dos Brasileiros. Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 28 – 43, 2º sem. 1997


[1] Grifo do Autor
[2] Grifo Nosso
[3] Grifo Nosso
[4] Grifo Nosso
[5] Grifo Nosso
Austri Junior - Para a Disciplina 'CAMPO RELIGIOSO BRASILEIRO', do Curso de Pós-Graduação em Ensino Religioso, da Faculdade Unida de Vitória - FUV, em 17/03/2012.

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Uma história de ‘cortar o coração’!





















Na segunda feira (passada), por volta das oito da manhã, eu estava em minha sala (na escola), trabalhando no computador, enquanto esperava a hora de sair com as crianças para a academia, onde praticamos a HAMONIZAÇÃO PSICOMOTORA (atividade que reúne alongamento, meditação, relaxamento e arte marcial – que desenvolvi para trabalhar com os educandos do Programa Educação em Tempo Integral, onde exerço a função de Educador Social), quando adentrou uma menina, que vou chamar pelo nome de Margarida (por uma questão ética), e que tem nove anos de idade.
Digitando, perguntei-lhe, sem retirar os olhos do teclado:
- Está tudo bem?
Ao que ela respondeu:
- Tudo…
- Tem certeza? Insisti.
- Tenho…
- Porque você não está brincando com as outras crianças?
- Eu quero ficar aqui com você! Respondeu.
- Mesmo?! Interroguei exclamando com muita surpresa.
- Mesmo! Ela exclamou.
Talvez alguém esteja se perguntando: - Por qual motivo ele ficou tão surpreso assim?” Na realidade, além de surpreso, fiquei muito feliz e satisfeito com a atitude dela, pelo fato de que a Margarida não gostava muito de mim. Eu lhe cobro com muita insistência, atitude de respeito e socialização com os coleguinhas. Ela  tem dificuldade em se relacionar com as outras crianças, e com os adultos também. Vive metida em confusão, e em geral  ela é a causadora dos conflitos. A Margarida “gosta” muito de uma fofoca e não respeita os limites que lhe são transmitidos, entre outras coisas. Nesse dia descobri o porque. (As famílias nem sempre nos colocam à par dos fatos reais, e nessa caminhada vamos avançando pouco a pouco, e construindo a nossa compreensão dos fatos as vezes com certa lentidão, porém com lucidez e muita clareza…)
Margarida então, disse em seguida:
- Eu quero conversar com você.
Imediatamente parei o meu trabalho e olhei para ela, dando-lhe toda a atenção:
- Pode falar meu amor…
- Eu quero falar sobre a Jane.
Jane (nome fictício) é a irmã dela que é mais velha – Jane tem onze anos – e que participa do Programa também. A Jane sempre apresentou um comportamento totalmente oposto ao comportamento da Margarida, e quando ela disse que a conversa era sobre a irmã, pensei: “Senta que lá vem a fofoca.”
Então lhe perguntei:
- O que tem a Jane?
- "Ô tiu", a Jane não é nada disso que você pensa.
- Como assim? Perguntei.
- Ela se junta com as colegas grandes e fica ‘apertando’ a campanhia da casa dos outros e corre, ela e as colegas dela riem dos adultos na rua, chama as pessoas de feias, e outro dia, elas riram de uma mulher que estava no ponto de ônibus só porque a mulher é gorda. Ela responde a minha mãe, e não respeita os adultos. Em casa ela me bate, e não me deixa brincar com os brinquedos dela e fica me zuando porque eu não conheço o meu pai, e ela conhece o pai dela. Quando não tem ninguém em casa, ela liga o computador e fica na internet. Ela sabe que não pode. Outro dia o meu padrasto brigou com a minha mãe porque a Jane mexeu no computador e encheu o computador de vírus… Aqui ela fica fingindo ‘prá’ você que é boazinha, só ‘prá’ você deixar ela ser a líder.
Foram revelações interessantes, essas que a Margarida me fizera sobre a irmã ‘boazinha’. Entretanto, as revelações bombásticas sobre a situação familiar ainda estavam por vir. Então ela continuou:
- O meu padrasto comprou uma moto. Ninguém pode chegar perto da moto, e nem passar a mão nela que ele briga e faz a maior confusão. No sábado a Jane subiu na moto e ‘fingiu’ que estava dirigindo. O meu padrasto chegou bêbado em casa, e viu a Jane em cima da moto. Ele foi prá cima dela prá  bater nela, a minha mãe não deixou, então ele começou a bater na minha mãe, ela pegou uma faca e foi prá cima dele, então ele fugiu, e a minha mãe chamou a polícia. O meu padrasto só chegou hoje de manhã, na hora que nós saímos para o ‘Tempo Integral’.
- Como é a vida de vocês em casa? Indaguei.
- Nossa vida é um inferno!
- Por quê?
- Porque nós não podemos fazer nada. O nosso padrasto briga com a gente o tempo todo, por qualquer coisa… nós não podemos nem brincar direito.
- Ele bate em vocês?
- Não. Quando ele vai bater ‘na gente’ a nossa mãe não deixa, ela diz que ele não é nosso pai, e por isso ele não tem o direito de bater em nós. 
- Ele bate na sua mãe sempre?
- Quando está bêbado… Respondeu.
- Como foi que a sua mãe conheceu essa pessoa?
- Quando a ‘gente tava’ se mudando, a minha mãe ‘tava’ carregando as coisas grandes sozinha, ele viu e ofereceu ajuda. Então ele chamou a minha mãe para sair de noite, ela aceitou, eles saíram outras vezes, então começaram a morar e ele foi morar lá em casa.
A mãe dessa criança tem quatro filhos: um garoto de 13 (anos que mora com a tia e ‘está dando um trabalho enorme’, segundo o relato da Margarida, nessa mesma conversa. Segundo ela, o irmão – que no início do ano também fez parte do Programa Educação em Tempo Integral – ‘está dando um trabalhão e está começando a andar com a turma da pesada’). Tem a Jane, com 11 anos, a Margarida, com 9 anos e uma filhinha de 2 anos que é filha desse indivíduo que chamarei pelo nome fictício de ‘Mineiro’. Cada uma dessas crianças tem um pai diferente, e a Margarida até nessa segunda feira não conhecia  o pai, e nunca havia falado com ele.
A menina seguiu o seu relato dizendo que ela e a irmã não podem fazer o dever de casa porque o Mineiro não deixa. Ele também não deixa que elas estudem para as provas, e também não podem fazer nenhum trabalho relacionado à escola. Elas não podem nem tocar nos brinquedos da irmãzinha que é a filha dele. Não podem beber o leite, porque o leite é só da menininha. Ele trás para a filha biscoitos recheados e outras guloseimas, mas a margarida e a Jane não podem comer. Ele dá presentes à filha e não dá para as meninas que não são filhas dele – apesar das atitudes abomináveis do Mineiro, penso que pode haver nesses atos miseráveis desse indivíduo um gesto de vingança e um recado direto para a mãe das meninas que diz: ‘você não tem o direito de bater nelas porque você não é o pai delas‘.
Margarida seguia com o seu relato, enquanto eu escutava atentamente, e diga-se de passagem, emocionado, vendo a angústia e o sofrimento daquela criança de apenas nove anos e com tantos problemas na vida, embora eu sei que existem crianças com menos idade e muito mais problemas que ela. A pior parte da narrativa foi quando ele me disse que as vezes lhes falta o alimento, e que ele só compra para a ‘filha dele‘. Em todos os momentos em que ela se referiu à irmãzinha, ela só falava ‘a filha dele’. Em dado momento ela me disse:
- No dia das crianças nós não ganhamos nenhum presente, ele só comprou para a filha dele e talvez no natal nós não vamos ganhar nenhum presente também. A minha mãe ganha pouco e não tem condições de camprar presente pra nós… Acho que nós não vamos nem ganhar caderno e lápis de cor novo no ano que vem, porque  a minha mãe não pode comprar.
Nesse momento os meus olhos se encheram d’água. Tentei segurar o choro, um nó enorme travou a minha garganta, engoli-o com dificuldade e as lágrimas desceram-me pela face, ali em minha sala de trabalho, diante daquela garotinha, cujos olhos fixos em mim, expressa um grito de socorro. É duro ouvir isso. É duro lembrar dessa narrativa, sem experimentar o mesmo sentimento, enquanto digito aqui no blog. Impossível (para mim) não chorar de novo!
Sequei as lágrimas com as mãos, tentando me recompor, enquanto sentia uma dor apertar o meu peito, e o incomodo nó que insistia engasgar-me, fechando a minha garganta.
A narrativa da Margarida foi muito mais além:
- A minha mãe está pensando em juntar dinheiro para alugar uma casa, mas ela ganha pouco e tem muitas divididas. ela tem medo de que o meu padrasto mate ela. Eles brigam muito, e quando eles brigam, a Jane entra no meio tentando separar a briga. Eu tenho medo dele matar a minha mãe. Minha mãe evita brigar com ele. Quando ele chega bêbado, a gente sai de casa, porque a minha irmãzinha tem mancha na pele, e toda vez que eles brigam a mancha da minha irmãzinha aumenta.
Esse foi um dos raros momentos em que a Margarida não se referiu à irmãzinha como ‘a filha dele’. A ‘mancha na pele’ da irmãzinha dela é o vitiligo, e é de ordem emocional – a mãe já havia me dito, em certa ocasião.
A narrativa dela prossegue com a seguinte fala:
- Eu nem podia falar, mais eu vou falar: o meu padrasto fuma droga, ele gasta o dinheiro dele com essa porcaria. Todo dinheiro que ele ganha ele gasta quase tudo nisso…
Percebi naquela menina de apenas nove anos, além de uma angústia enorme, uma forte necessidade de desabafar. Contar para alguém sobre o seu sofrimento, as suas angústias e opressões… Não era nem preciso perguntar muita coisa, na sua inocência de criança ela ia dizendo essas coisas que fazem parte do cotidiano dela, da mãe e das irmãs, testemunhas de uma realidade cruel, que faz parte de uma sociedade ainda mais cruel. Esse problema não é somente da Margarida, é também o problema de milhares de Margaridas espalhadas por esse rincão brasileiro, e que se repete todos os dias. Esse sofrimento também não é prioridade das crianças brasileiras, mas de milhares de crianças e mulheres: Margaridas, Rosas, Violetas, Acácias… que habitam esse enorme planeta, dividido em cinco continentes.
Perguntei para a Margarida, preocupado:
- Ele usa a droga perto de você e da Jane?
- Não. A minha mãe proibiu ele de fazer isso perto da gente. Ele se esconde. Tem um bequinho no quintal onde ele fuma. Sempre que ele está fumando, a minha mãe vai escondidinha e filma tudo prá ver quem vai ficar com a minha irmãzinha quando ela se separar do Mineiro.
- Margarida, que tipo de droga ele usa?
- Crack e maconha. Disse com uma grande e nítida tristeza no olhar.
Olhei bem dentro dos olhos dela e disse-lhe palavras de Amor e conforto. Conversei com ela por um bom tempo, orientando-a , como um bom Educador Social (que sem modéstia, eu sei que sou). E como não poderia deixar de ser, como ex-Pastor e ex-Capelão, como ex-Catequista de crianças e adolescentes (que fui nos meus bons e velhos tempos de Católico Romano e Pregador da Renovação Carismática Católica), falei-lhe do Amor de Deus e dos cuidados D’Ele para com ela, e para com a família dela. Ela fitava-me com os olhinhos bem arregalados e com muito interesse. Os seus olhos brilhavam, e no final ela disse:
- Agora estou muito mais aliviada. Foi muito bom conversar com você, porque essa conversa tirou um peso muito grande ‘da minha costa’. 
Fiquei surpreso com essa frase que não é comum em se tratando de uma criança de nove anos, mas principalmente porque nunca pensei que a Margarida fosse uma criança tão madura, quanto se apresentou nessa manhã de segunda feira.
Pedi-lhe então que chamasse a Jane sua irmã mais vela para vir à minha sala. Busquei a confirmação dos fatos, o que ela confirmou, inclusive as suas próprias peripécias e o fato de que ela foi o pivô que desencadeou a última briga entre a mãe e o padrasto, e a orientei quantos aos devidos fatos, e fiz questão de lhe pedir que não tentasse separar a briga dos pais, por mais que ela ame a mãe, para evitar que ocorra uma tragédia maior. Orientei-a para que nesses momentos, ela buscasse a ajuda de algum vizinho, de alguma pessoa adulta.
Ontem, sexta-feira, não tivemos atendimento às crianças do Programa Educação em Tempo Integral pela manhã na escola, pois é dia do nosso PL. No turno vespertino (horário de estudo da Margarida), precisei substituir uma professora, e na hora do intervalo (recreio) estava atravessando o pátio da escola, quando a Margarida veio correndo em minha direção, me abraçou e me disse:
- ‘Tiu’, eu tenho uma notícia muito boa, quer ouvir?
- Claro! É sempre bom ouvir uma noticia boa. Principalmente vinda de você!!! Respondi com carinho.
- Hoje eu falei por telefone com o meu pai… Meu pai biológico. Ele vem me conhecer e eu pedi um presente. Ele vai me dar um presente de natal, e em Janeiro ele vem me buscar para passar as férias com ele. 
Mal deu tempo de eu lhe dizer:
- Essa é realmente uma ótima noticia! Isso é realmente maravilhoso…
E ela saiu correndo e saltitando… Só queria mesmo partilhar aquela notícia alviçareira comigo. Nunca vi um par de olhinhos brilharem tanto!

Austri Junior

  Posted by in Comportamento
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Impor limites às crianças, aos adolescentes e aos jovens, ajuda a construir uma sociedade melhor

Como Educador Social em uma escola do Município de Vitória-ES, tenho tido a oportunidade de substituir alguns professores em sala de aula, ministrando para as séries iniciais do ensino fundamental, cuja faixa etária varia entre 6 e 14 anos. O meu trabalho de professor substituto não acontece somente em sala de aula, mas, inclusive nas aulas de educação física.

Observando os educandos em situações diversas e variadas, percebi que o comportamento dos mesmos oscilam muito entre um ambiente e outro. Os educandos com os quais eu trabalho no turno matutino no “Programa Educação em Tempo Integral”, são os mesmos com os quais eu trabalho no contra turno, durante as substituições. Não raramente, em sala de aula, um ou outro se comporta muito diferente do comportamento habitual, quando está comigo no turno matutino durante o Programa “Tempo Integral”. Geralmente, eles parecem esquecer tudo o que lhes tenho ensinado. O que me leva a crer, que um ser humano, principalmente as crianças e os pré-adolescentes (que são o objeto da nossa análise nesse momento), podem variar de comportamento muito facilmente, contrariando os contrários à teoria de que “o homem é o produto do seu meio ambiente”.

Também é impossível deixar de observar que nas aulas de educação física, crianças se comportam de maneira muito diferente do seu comportamento em sala de aula. Geralmente nas aulas de educação física o comportamento daqueles mais “agitados” piora. São nas aulas de educação física que tenho a oportunidade de ampliar as minhas observações, e perceber que em geral o comportamento que os educandos apresentam na comunidade escolar, é nada menos que uma reprodução do seu ambiente social, que é claro, inclui também a escola. O que quero dizer é que em geral, toda a violência e comportamento inadequado à um ser humano, que os educandos apresentam na escola, é uma reprodução daquilo que eles vivenciam em seus lares e em suas comunidades de origem.

Os meninos apresentam um quadro de extrema violência física. Eles se agridem fisicamente quase que o tempo todo – alem do ‘bullying’, é claro. Quando o assunto é violência física, a questão maior gira em torno de menino x menino, embora as meninas não escapem da violência masculina. Mas quando a agressão gira em torno do ‘bullying’, as meninas são as vítimas preferidas dos meninos.
É visível e notório, principalmente nas meninas, a intriga (a famosa fofoca), de uma “armando” contra a outra (muito parecido com as tramas apresentadas nas novelas). Esse problema é tão arraigado ao comportamento das meninas em tão tenra idade, que chega a impressionar. Quando a questão gira em torno da violência física, a vítima preferida das meninas são os meninos.

Uma coisa tem me chamado a atenção de uma forma muito acentuada, nesses últimos meses: As meninas são extremamente mimadas, autoritárias e intransigentes. Se não for como elas querem, elas se recusam a fazer, e agora não estou falando do relacionamento com as aminguinhas e com os amiguinhos. Estou me referindo à aula – no caso aqui, a aula é a de educação física. Nessa hora deixo de lado toda a pedagogia e psicologia e as faço entenderem que existe uma coisa chamada limite – isso faz parte da (minha) didática. Não somente com as meninas mas também com alguns meninos, pois em muitos lares e residências, são as crianças e os adolescentes que decidem como “como a banda vai tocar”, e as famílias obedecem. É impressionante, quando converso com alguns pais – os poucos que aparecem na escola – sobre o comportamento dos filhos deles, e eles me dizem: -”Ah professor, em casa também é assim. Ela/ele quer mandar o tempo todo, e não faz nada do que eu digo. Eu não sei mais o que fazer com essa criança…”

Penso que educar é acima de tudo impor limites!

Austri Junior
Fonte dessa imagem:


Alma Remexida

Por Austri Junior

Alma na música, música na alma. 

Alma na música, música me acalma.
Alma na música, música na alma. 
Música me faz lembrar… 
Música me faz chorar.
Alma na música, música na alma. 
Que vontade de viajar… 
No tempo voltar, e por lá ficar… 
Alma na música, música na alma…


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Nunca deixemos o adulto que cresceu em nós
sufoque e mate a criança que habita a nossa alma.
Não devemos permitir que as coisas más
atormentem o nosso espírito, 
gerando mágoas, ressentimentos e rancor.
Antes, vivamos no amor, e busquemos a vida;
sorrir cura a as tristezas e as feridas.
Precisamos ser como uma verdadeira criança:
Brincar, sorrir, correr, pular, viver, sonhar, amar sempre…
Com alma de criança!
Austri Junior 
em  12/10/2011
As 14:13
01 terça-feira nov 2011
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Manisfestações podem mudar os rumos de uma nação


Transformações: 

O mundo está sofrendo uma grande metamorfose: EUA, China, Wall Street, Grécia, Oriente Médio (Egito, Líbia, Al Qaeda…), Brasil…

Ainda me lembro do movimento estudantil dos “Caras Pintadas”, que ganhou as ruas de todo o país, e deu vida ao Empechmment do então presidente da República, Fernando Collor de Mello. Muito antes disso tivemos o movimento “Diretas Já”, que desencadeou o inicio do retorno da Democracia no Brasil.
A grande questão hoje é que essa democracia tão desejada, ainda não chegou definitivamente. Ainda somos obrigados a ir às urnas e votar.
Bem, será nas urnas que vamos dar o troco aos políticos corruptos e ladrões que estão não somente no Congresso Nacional em Brasília, mas também nas Assembleias Legislativas Estaduais, e nas Câmaras Municipais nas capitais e no interior do país.
Ninguém aguenta mais tanto dinheiro indo pelo ralo, tanta falcatrua, tanta corrupção… Tanto aumento do número de parlamentares, principalmente nas Câmaras Municipais, bem como o aumento de salário para os políticos, enquanto o restante das classes trabalhadores amargam um mísero salário que não condiz com a profissão.
Depois de amanhã (sábado dia 15/10/2011), o país estará comemorando o dia dos professores. Então pergunto? O que há mesmo para comemorar? (Amanhã conversaremos sobre isso).
Ontem vimos crescer o número de manifestações e de manifestantes no Brasil, em prol do “Projeto Ficha Limpa”, para que se varra a corrupção política no país.
Essas manifestações começaram a tomar corpo no dia 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil, e já há outra manifestação marcada para o dia 15 de Novembro, dia da proclamação da República.
A ideia é aumentar cada vez mais o número de manifestações e de manifestantes para que a consciencialização política atinja toda a população, e haja entre as brasileiras e os brasileiros uma Educação Política, para que se aprenda a votar nesse país.
Tudo isso é extremamente louvável, e devemos todos contribuir para que isso aconteça, pois o caminho é longo e árduo. Muita água passará por baixo dessa ponte… Vamos mergulhar?
Austri Junior
 01 terça-feira nov 2011


















Feliz Ano Novo!


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Feliz Ano Novo! Próspero Ano Novo! Assim estamos nos comunicando, nos felicitando, nos congratulando, nesses últimos dias que faltam para o fim do ano de 2011, e para a chegada do ano de 2012. Entretanto, o que é mesmo a felicidade? Cada um de nós tem a sua própria idéia do que seja a felicidade. Evidentemente, e com certeza, na maioria das vezes as nossas interpretações sobre a felicidade, vão convergir umas com as dos outros, como também, em alguns pontos elas divergirão entre si de acordo com a cosmo visão de cada indivíduo. A interpretação do que é a felicidade com certeza, também passa pela vivência religiosa, pois queiramos ou não, a experiência com o Sagrado e com o Divino, afeta o modo como cada um de nós fazemos as nossas leituras da vida, e isso influencia as leituras que fazemos dos fatos e dos mundos.
Fugindo à pieguice – essa sentimentalidade excessiva e afetada – que em geral costuma nortear algumas análises sobre a subjetividade do tema em questão, fui ao dicionário da língua portuguesa da FAE (Fundação de Assistência ao Estudante), para ver quais as definições propostas pelo dicionário em questão para o termo ‘FELIZ’.
Eis as definições apresentadas:
Feliz = Afortunado; próspero; satisfeito; ditoso; abençoado.
Achei muito interessante as definições para o termo feliz, então busquei também as definições para o termo ‘FELICIDADE’, pois algo ou alguém que é ou está feliz, está em um estado de felicidade.
Eis as definições do dicionário para o temo:
Felicidade = Ventura; contentamento; bem-estar; boa sorte.
Interessante, para definir um ser humano feliz, podemos dizer:
“Um ‘Abençoado’ em estado de ‘Contentamento’.”
Então, quando dizemos: ‘Feliz Ano Novo!’ Estamos desejando que aquela pessoa tenha um ano afortunado, próspero, satisfeito, ditoso, abençoado, e estamos dizendo: ‘Boa Sorte, Estejas Bem, Seja Contente, Bem Aventurado!’ 
Bem Aventurado! – Isso tudo me lembrou às Bem-Aventuranças em Mt 5. 1-10 (que vai até o Vs. 12).
1 – Vendo Jesus a multidão, subiu ao monte; e depois de se ter sentado, aproximaram-se seus discípulos;
2 – e ele começou a ensiná-los, dizendo:
3 – ‘Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4 – Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
5 – Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.
6 – Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.
7 – Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
8 – Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
9 – Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.
10 – Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus’ (Bíblia Almeida – Revista e Atualizada no Brasil).
Concluindo, quero esclarecer que a minha hermenêutica vê essa pregação do Senhor Jesus, como uma grande orientação para que os indivíduos exercitem em si a práxis ética e moral, para que possa fluir ‘mui bem’ o relacionamento inter pessoal para a construção de uma sociedade melhor e mais justa, pois em uma sociedade mais justa as pessoas são mais felizes, ou seja, ‘Bem Aventuradas!’ para uma vida feliz não basta apenas ter dinheiro, ter emprego, ter bens e investimentos… Essa em geral é a idéia que as pessoas têm da prosperidade, e hoje o que se vê são as pessoas ‘correndo atrás’ dessa prosperidade. Existem pessoas que estão pagando – literalmente – por essa prosperidade, e o que é pior: Estão pagando por essa prosperidade às igrejas, cujo dinheiro vai para o bolso dos ‘predadores do evangelho’.
Amados, o conceito do que realmente é a prosperidade – felicidade, bem-aventurança – vai muito além do dinheiro, e se tiver que pagar pela minha ‘prosperidade’, prefiro ir às casas lotéricas. Não estou dizendo que dinheiro não vale nada, muito menos estou aqui pregando a velha máxima que diz: ‘O dinheiro não trás a felicidade’. O dinheiro vale muito, e ajuda muito na felicidade, porém não é cerne dela. Para os fundamentalistas cito: ‘Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males… ’ (1Tm 6.10 – Almeida Revista e Atualizada no Brasil).
É o amor ao dinheiro que é a raiz de todos os males, e não o dinheiro. O ‘amor’ descrito aqui nesse versículo é a ganância. Ter dinheiro é muito importante, é o dinheiro que paga as nossas contas, assim como garante a sobrevivência das instituições, inclusive a sobrevivência financeira das Igrejas. Ter trabalho também é muito importante, ele nos trás o dinheiro que garante a nossa sobrevivência financeira, e faz sentirmo-nos úteis, trazendo satisfação e bem-estar pessoal – quando gostamos do que fazemos, pois o salário sem o bem-estar (Bem Aventurança), só trás amargura e infelicidade. O Resultado disso são as murmurações, o mau humor, o stress, os conflitos pessoais e interpessoais principalmente no trabalho… Percebe como uma coisa está ligada à outra? Eu poderia ficar o dia inteiro aqui, diante do meu monitor com os dedos no teclado, e jamais esgotaria esse assunto hoje (e talvez nunca o esgotasse), também correria o risco de ser redundante, se já não estou sendo. Entretanto, penso que já deu para todos nós percebermos que ‘sem amor eu nada seria’.
Portanto, ao desejarmos ‘Feliz Ano Novo’, que a Bem Aventurança comece em mim e em você, pois o Reino dos Céus começa aqui na terra – o Reino dos Céus está em mim e em você. O Reino dos Céus está em nós! Como posso desejar às pessoas um ano bem aventurado, se não for sincero e do fundo do meu coração, sabendo realmente o que estou falando e desejando, e não apenas por cortesia, para ser simpático ou por interesses comerciais. Como posso desejar um ano bem-aventurado se não sou ou se não me sinto verdadeiramente bem-aventurado.
Para ser ‘Bem Aventurado’, eu preciso:
1 – Ter um espírito humilde;
2 – Chorar sinceramente pelos que não são afortunados, prósperos, satisfeitos, ditosos e abençoados;
3 – Ser manso;
4 – Ter fome e sede de justiça (ter fome e sede de justiça não é ser justiceiro nem vingativo)
5 – Ser misericordioso com todas as pessoas. Principalmente com os que não são afortunados, prósperos, satisfeitos, ditosos e abençoados;
6 – Ser limpo de coração;
7 – Ser um pacificador
E se você e eu somos perseguidos por causa da justiça, então somos ‘bem-aventurados’, por estarmos fazendo o que é certo, ou seja, estamos cumprindo com o maior dos mandamentos: Estamos amando o nosso próximo.
‘Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor’ (Almeida Revista e Atualizada no Brasil).
Ao desejarmos, hoje, amanhã, e depois, Feliz Ano Novo, ou um Próspero Ano Novo para alguém, façamos com com espírito humilde e de coração puro, ou seja, com Amor. E é nesse espírito e com esse coração que desejo à todos os meu amigos, à todos os seguidores do Blog Olhar Teológico, à todos os meus seguidores no twitter, e à todos os amigos do facebook um Próspero e
Feliz Ano Novo!

Austri Junior


Postado originalmente no Blog Cultura e Sociedade (21 sábado jan 2012)

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  Pais e Filhos - Um relacionamento de vida e de morte

Tenho refletido imensamente  nos últimos três ou quatro anos a respeito dos relacinamentos entre os pais e os filhos, e vice-versa. A pergunta que comecei a fazer, e que a grande maioria da sociedade tem feito à cerca das tragédias que se sucedem na sociedade brasileira, onde os pais estão assassinando os seus filhos, e os filhos estão assassinando os seus pais, é: 'O que está acontecendo com a humanidade?

É certo que a humanidade é por natureza Des-Humana. Como Teólogo Cristão, vou citar como exemplo de desumanidade (tragédia) dentro da família, o assassinato de Caim sobre o seu irmão Abel - é muito provável que tenham existido outros assassinatos em família antes disso, visto que a grande maioria dos seres humananos sempre tiveram um comportamento violento e selvagem. 

Hoje, os cristãos produzem e re-produzem falas - no mínimo 'inocentes' - contra o iluminismo e outros movimentos culturais europeus, e contra a filosofia e alguns filósofos, acusando-os de serem os mesmos, os responsáveis pela má conduta da humanidade hoje, mas a verdade, é que esses movimentos ajudaram na 'civilização' da humanidade, que traz em seu seio uma violência velada - que poderíamos chamar de 'gosto de sangue na boca'.

Também é certíssimo que as religiões ajudaram e ajudam a construir seres humanos melhores, principalmente as religiões que pregam o amor, o perdão, o respeito, a alteridade, a misericórdia, e no caso do Cristianismo podemos e devemos acrescentar a Graça e a diaconia. Entretanto, nem o iluminismo e muito menos religião alguma são garantias para a construção de seres humamos melhores, e nem podem ser responsabilizados por seres humanos piores. 

Como eu disse, a violência é inerente ao caráter e ao temperamento da humanidade. Muitos conseguem controlar-se. 
Pense nisso: '... o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpri dominá-lo' (Gn 4. 7c).  Foi isso que o Senhor Deus disse para Caim, quando ele assassinou o próprio irmão. Também é certo que nem todos sentem o desejo de exterminar outrem, nem mesmo na hora da ira.

De volta à pergunta: 
Então 'o que está acontecendo com a humanidade' hoje, onde o numero de mortes e assassinatos entre pais e filhos têm ceifado a vida e destruído tantas famílias? 
Penso que esses fatos não são recentes, o fato é que antes, não tínhamos uma mídia tão eficiente para anunciá-los, por isso não se tinha tantas notícias assim. Entretanto, últimammente os casos aumentaram, e à isso, atribuo os seguintes fatores, como teoria, de quem vê essa situação com um 'Olhar Teológico':  
  • Embora as religiões não sejam garantias para a construção de seres humanos melhores, com certeza ajudam, e muito, à um ser humano com fortes tendências à violência. Sem Deus, sem fé ou crença em uma Divindade, ou em uma Força Superior - chamemos como quisermos - as pessoas voltarão ao seu estado primitivo muito rapidamente, ou seja, regressarão à selvageria, isso é só uma questão de tempo;
  • A inversão dos valores éticos e morais - ou valores universais - têm contribuído em muito para que a situação se agrave;
  • As drogas - lícitas e ilícitas - talvez sejam a maior causadora dos casos de vilência entre os pais e os filhos hoje em dia.


Penso que à esses três pontos acima podemos acrescentar muitas outras causas, e mesmo assim não conseguiremos esgotar esse assunto (o que não é nem de longe a nossa intenção). Entretanto, esses três pontos que são causadores do aumento do caos na sociedade e na família, têm causa e origem na própria  (decadência da) família e das igrejas:
  1. As famílias afastaram-se de Deus. As igrejas também;
  2. As famílias se perderam dos valores éticos e morais. As igrejas também;
  3. As famílias (e as igrejas) estão perdendo a guerra contra as drogas.


Por diversos motivos sociais, espirituais e psicológicos as famílias não vão mais à igreja juntos, e nem oram mais (juntos) em seus lares. Os lares agora são 'dormitórios', e quando sobra um tempinho, ao invés da conversa, do diálogo, da partilha e da comunhão, bem como dos passeios no parques nas praças, no campo, na praia, na casa dos parentes... As famílias assistem televisão - e sempre assistem aos os piores lixos: BBB, Faustão, Eliana, Novelas, Gugu Liberato, Ana Rickmann, Ratinho, Casos de (baixaria em) Família, Sônia Abrão, (Não) Vale a Pena Ver de Novo... 

O esgoto 'televisivo' é despejado nas residencias sem tratamento, e fede como uma porsilga. Mas a culpa disso é da própria sociedade - famílias e pessoas - que têm a decisão daquilo que quer fazer e da programação que quer assistir. No caso da programação na 'TEVÊ-LIXÃO', basta um click no controle, e as mesmas podem ver: Roda Viva, Ver TV - Um Programapara Quem Gosta de Televisão (Que debate e critica o Lixo na TV), Tês contra Um, Tribuna Independente, Programa do Jô, Awê, Vejam Só!...

Os programas de televisão têm sido a bússula ética, moral, psicológica, social... das familias brasileira. O lixo na televisão tem ajudado aconstruir o caráter de crianças, jovens e adultos na sociedade decadente brasileira, e isso é Trans-Ferido e Trans-Portado, para dentro das igrejas, que têm Ab-Sorvido tudo com isso com muito gosto, ao invés de fazer a sua parte, que é a Educação dos seus membros.

Porque as igrejas, ao invés de educar preferem absorver? 'Pois assim se ganha mais dinheiro. A sua piscina está cheia de ratos, as suas idéias não correspondem aos fatos...' As instituições eclesiásticas têm se afastado de Deus de várias formas: 
- Algumas buscam o dinheiro; 
- Outras buscam somente o 'poder do céu' (fica somente orando, e gritando 'Gloria a Deus e Aleluia', e negligenciam a sua parte, que é a orientação das pessoas, dentro da Doutrina do Cristo, mas o que vemos prevalecer é a ignorância e a doutrina da igreja). 
Na matemática Cristã, a inversão de valores, é igual a afastar-se de Deus.

Os pais estão afastando-se dos seus filhos cada vez mais. Quem está educando esses filhos, além do lixo na TV? 

Os pais Têm Trans-Ferido as suas responsabilidades para as 'babás' (que muitas vezes não têm nenhum preparo psicológico, social, moral, ético, e muitas vezes, além de não terem formação profissional para exercer tão difícil função, não têm nem estudo ou educação adequada para si próprias). 

Os pais estão transferindo as suas funções para os avós - geralmente as avós - que não são pais (dessas crianças), e os seus graus de parentesco com a criança já dizem tudo: Avós, e não mães ou pais. Avós geralmente são permissivas, e muitas das vezes são 'abobalhadas', e acham tudo o que os netinhos fazem, uma 'gracinha'. Não vêem nada demais nas coisas que as crianças dizem, pensam ou fazem. 

Muitas avós carregam enormes sentimentos de culpa por terem sido severas com os filhos, e querem compensar isso com os netos sendo 'boazinhas'. Avós 'boazinhas' estragam os netinhos, que depois se tornam seres humanos da pior qualidade: sem limites, sem responsabilidades, sem respeito pelas pessoas e pelas leis, e o mesmo se dá com os pais 'bonzinhos', que não educam e não impõem limites aos seus filhos. Os pais também estão transferindo as suas responabilidades para a escola, que não dá conta daquilo que é dever dos pais.

Os pais estão cada vez mais envolvidos em seus trabalhos e preocupados em ascender financeiramente, e tentam compensar os seus filhos com presentes e com falta de limites. Isso tudo ofusca a visão dos pais que não transmitem aos seus filhos as imposições necessárias, e uma educação adequada. Muitos nem tiveram isso, por conta da incapacidade dos seus pais em educá-los, ou por conta de uma psicologia que prega a liberade total, o que vem gerando ao longo dos anos, dentro da família e da sociedade, a permissividade, que traz em seu bojo, o caos generalizado. Os filhos dessa geração estão repetindo os mesmo erros dos seus pais.

O resultado desse caos são pessoas sem limites, sem respeito, pessoas com o caráter defeituoso, pessoas sem amor... Pessoas cheias de ódio, cheias de rancores e mágoas (pelos próprios pais), e que não conseguiram curar-se para livra-se desse mau, e um dia, tudo isso explode e vem à tona como uma grande e perversa bomba atômica. 

Mas o que dizer das pessoas cujos pais lhes educaram da melhor forma possivel, que lhes impuseram os limites, e até mesmo lhes introduziram em uma vida 'religiosa', em uma instituição eclesiástica com uma doutrina saudável, e os mesmos fazem coisas terríveveis? Penso que existem pessoas de todos os tipos: Entre essas as que aprendem e as que não querem aprender, as que mudam e as que não querem mudar... Junte-se a isso e muito mais, o pensamento de que há nesse mundo pessoas más, perversas, e 'selvagens'. Pessoas que são piores que o animais selvagens e irracionais. É uma questão de caráter, temperamento, e natureza ruím.

Não sou psicólogo e nem me atrevo a falar como tal, estou falando como Teólogo, e penso que precisamos conhecer os limites do outro, pois se pressionarmos demasiadamente o botão, ou se pressionarmos o botão errado, nossos filhos poderão surtar. Acrescente isso ao uso das drogas e teremos dado início ao desejo de vingança em um coração dominado pelo ódio, interligado a uma mente doentia, dentro de um corpo que se entupiu de alcool, cocaína, crack..., ou seja lá que porcaria for. Tudo o que é demais, com certeza vai sobrar, seja ela a permissividade ou a pressão. Os filhos estão matando os seus pais, porque os pais estão 'matando' os seus filhos.

Concluindo, podemos acrescentar principalmente nos casos em que os pais estão assassinando os seus filhos (literalmente), e vice-versa, as escolhas erradas que as pessoas fazem em suas vidas, entre essas ecolhas erradas, estão a escolha dos cônjujes (principalmente os cônjujes do segundo relacionamento). Isso vale para os casos de estupro e de pedofilia dentro de casa). Muitas vezes, os pais, e principalmente as mães, começam a matar as suas filhas no momento em que fazem essas escolhas totalmente equivocadas. As escolhas que fazemos das pessaos com quem vamos nos relacionar, seja no matrimônio ou em nossas amizades - e isso vale tanto para os pais quanto para os filhos - muitas das vezes influenciam, e até determinam as nossas vidas e os nossos atos. Principalmente nos casos em que as pessoas não têm uma personalidade própria, e não sabem ou não conseguem dirigir as suas próprias vidas.

Sobre tudo, precisamos entender que é preciso educar com amor e firmeza, pois educar é ensinar, cuidar, acompanhar..., é ensinar que existem limites. Impor esses limites de forma sadia, clara, transparente, e dar o exemplo. A minha boca não pode dizer uma coisa, e o meu comportamento dizer outra coisa totalmente diferente. Não tenhamos dúvidas: O comportamento e as ações falam muito mais alto do que qualquer palavra, seja essa palavra, sussurrada ou gritada em um microfone - e isso vale também para as igrejas!
Editor 

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"Enquanto houver cavalo, São Jorge não vai andar a pé!"

Por Austri Junior

 
Estava assistindo a televisão, e ao trocar de canal deparei-me com um desses programas "gospel's". A imagem chamou-me a atenção: o pregador em cima de um caminhão, abarrotado de gente, pastores e políticos com ele. Esse homem gritava, louca e desesperadamente para uma enorme multidão em frente a explanada dos ministérios em Brasília. Era uma manifestação contra a PL 122 - Lei que confere aos homossexuais o direito de exercerem a sua cidadania sem serem  ostracizados pela sociedade. Nessa manifestação, o pregador incitava o povo contra os direitos de cidadãos dos homossexuais, alegando o direito dos cidadãos (no caso, eles) de se manifestarem contra a referida lei, e usava o termo "CIDADANIA TERRENA". 
Fiquei pensando: quantos tipos de cidadania existem? A cidadania não seria uma só? Cidadania não é a garantia de ir e vir e que todos os cidadãos (supostamente) são iguais perante a lei, e que todos os cidadãos têm direitos e deveres ? A cidadania não consiste em você e eu garantir os nossos direitos garantindo e respeitado os direitos dos outros cidadãos?
O problema é que está sendo necessário fazer leis para que os outros tenha os seus direitos garantidos, mas os que pensam diferente fazem manifestações para garantir que os diferentes não tenham seus direitos garantidos. Esses só podem ter deveres: pagar impostos, obedecer as leis... Nada mais!
Voltando à questão da "CIDADANIA TERRENA", algo que me intrigou muito, pergunto: Existe cidadania marítima, cidadania celeste, ou até mesmo cidadania desértica ou cidadania arenosa?
Ao que parece, para aquele pregador, existe uma "CIDADANIA ESPIRITUAL". O que me impressiona é a quantidade de pessoas que se aglomeram para ouvir tantas asneiras, o que me parece muito perigoso. Mas esse é o retrato da igreja brasileira, que passa longe do verdadeiro cristianismo. No fim da manifestação, ele, o pregador enfurecidamente louco e desesperado, incitou o povo a orar ao Senhor Deus pelo direito de se manifestarem contra os direitos dos outros e não perdeu tempo: já orou também por "prosperidade".
Quando a imagem foi cortada para o estúdio - a manifestação era uma apresentação em vídeo tape - o pregador reforçou a ideia de que os "evangélicos" deveriam exercer a "CIDADANIA TERRENA", pois não são anjos, e sim seres humanos, e disse: "Se você é anjo, me dá o seu salário para mim, porque você não precisa dele, eu preciso." Ele citou alguns versículos bíblicos para justificar a sua, asquerosa, esdrúxula e tôsca hermenêutica da "CIDADANIA TERRENA" e novamente não perdeu tempo: pediu doações para os muitos compromissos financeiros que ele tem, alegando estar passando por um "DESERTO ESTREITO."
Novamente me ponho a pensar: como é fácil manipular os incautos, os desavisados, os infantilmente espirituais, os ignorantes teológicos, os cegamente religiosos... E quantos desses não ficam com a geladeira vazia, para doar, contribuir e sustentar esses "manipuladores gospels", enquanto que, "a geladeira dele deve estar cheia", como bem comentou a minha esposa, que repulsivamente rejeitou tal apelo inescrupuloso.

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Fora Jesus!!!




Por Austri Junior 

Porque Jesus seria deixado para trás pelas igrejas? 

No sábado pela manhã, deparei-me com essa charge no  facebook, a mesma foi postada pelo meu amigo, o Teólogo Fernando Marin, em seu perfil. Dei boas gargalhadas, pois esta  é realmente uma ótima piada, e que realmente reflete a realidade de muitas instituições eclesiásticas.

Então me coloquei a pensar: "Se Jesus estivesse entre nós hoje, Ele ficaria de fora de muitas 'igrejas'. Ostracizado, banido, exilado... Por vários e muitos motivos, inclusive pelo dinheiro."
Comecei a enumerar alguns fatos - além do dinheiro - pelos quais os 'pastores' de hoje, deixariam o Cristo de Deus fora das 'suas igrejas': 
  1. O Cristo bebe vinho;
  2. O Cristo de Deus não ostenta riquezas, carrões, e roupas 'chiques';
  3. O Cristo é solteiro - Não poderia ser pastor em algumas denominações;
  4. O Cristo andou com prostitutas, bêbados, ladrões... E hoje, ele andaria com esses e com os gays, e os drogaditos (não para fazer o que eles fazem mas para amá-los, e mostrar-lhes o Amor do Pai;
  5. O Cristo não prega a malfadada, a esdrúxula, a obscura, a doentia, a tôsca, a perversa, e cancerígena 'teologia da prosperidade' (que eu prefiro chamar de 'teoria da prosperidade');
  6. O Cristo de Deus não destorce a mensagem, para extorquir o fiéis, e encher os bolsos com dinheiro, iates, jatinhos, viagens internacionais, e para pagar as faculdades caríssimas dos filhos em Boston, em New York, em London...; 
  7. O Cristo fala manso. Ele não grita, não pula, não sapateia - Seria taxado de 'morto espiritualmente', 'sorveteriano'... Sem 'fogo', sem 'unção', 'frio'... Dir-se-ia dele, que Deus o vomitaria no dia do juízo, e que Ele não é 'sapatinho de fogo', ou 'canela de fogo'... Entre outras coisas;
  8. O Cristo de Deus, com certeza faria a opção pelos pobres. Abraçaria a Teologia da Libertação, o Evangelho Social, o Evangelho Político... E seria duramente criticado, excomungado como o Leonardo Boff, banido e demonizado. Seria chamado de 'liberal' e 'libertino'... como fazem com o Reverendo Carlos Calvani e com outros tantos sacerdotes e Teólogos;
  9. O Cristo seria chamado de gay, por beijar os seus discípulos, e seria expulso da maioria das denominações - homem não pode beijar homem. Seria chamado de safado por beijar as irmãs, e de pedófilo por beijar e dar carinho às crianças, pondo-as no colo, como fez para demonstrar para Thiago e para Filipe, que para entrar no Reino dos Céus é necessário ser como uma criança;
  10. O Cristo de Deus, não poderia entrar em muitas igrejas, e seria expulso, ou severamente punido e esquecido em outras tantas, por usar cabelos e barba grandes. Seus algozes lhe chamariam hostilmente de 'hippie' e 'vagabundo', entre outras coisas... 
Eu poderia ficar aqui o dia todo, enumerando os motivos pelos quais Jesus não poderia adentrar, ou fazer parte de muitas instituições eclesiásticas. Entretanto, deixo para o leitor  e para a leitora a tarefa de completar essa lista de dez simples motivos, pelos quais os farizeus de hoje excluiriam o Senhor.




Apenas para ilustrar
Em algumas 'igrejas', Jesus seria: 
  1. 'Colocado no banco' - Em disciplina;
  2. Fariam uma carta-denúncia contra Ele. Entregariam uma para o Bispo e uma cópia nas mãos dele;
  3. Fariam reuniões para expulsá-lo;
  4. Convocariam um concílio para fazer-se retratar;
  5. Se reuniriam na surdina para tramar contra Ele;
  6. Fariam convenções para neutralizá-lo;
  7. Mandariam Ele para pastorear em um interiorzinho, ou na favela;
  8. 'Queimariam' Ele na primeira oportunidade;
  9. Dificultariam ao máximo o Ministério d'Ele, isso se Ele conseguisse chegar ao presbiterato, ou seja, ordenado, ou nomeado, ou 'ungido';
  10. Puxariam o tapete d'Ele na primeira oportunidade, e colocariam a igreja contra Ele...
Você pode ajudar a construir essa lista também!




Pensando um pouco mais
Entretanto depois desse terrível escândalo financeiro envolvendo a fraude e o desvio dos dízimos na instituição eclesiástica denominada 'Igreja Maranata' (postagens abaixo), também comecei a pensar em alguns motivos pelos quais, Jesus rejeitaria as igrejas de hoje, e se tornaria um 'Cristão Desigrejado', ou um 'Cristão Independente':
  1. Pastores ladrões;
  2. Desvios, fraudes, enganações, sumiço... Nas finanças das igrejas;
  3. Uso abusivo do texto em Malaquias 3.8;
  4. 'Teologia da Prosperidade';
  5. G12;
  6. Gritaria; 
  7. 'Profetadas';
  8. 'Reveladas' e 'revelamentos';
  9. Profeteiros' e 'profeteiras'; 
  10. 'Sapatos e canelas de fogo';
  11. Exageros na homilia, na música, na liturgia...;
  12. Arrogância;
  13. Desamor;
  14. Fofocas;
  15. Falta de perdão;
  16. Destorção do Evangelho;
  17. Falta de ética;
  18. Julgamento;
  19. Ostracismo e exclusão;
  20. Intolerância religiosa;
  21. Disseminação do ódio no sermão;
  22. Promiscuidade, dissimulação e hipocrisia;
  23. Demonização do outro;
  24. Falta de misericódia;
  25. Falsidade e traição...
Que tal você ajudar a contruir essa lista também? Sei que todos têm alguma coisa para acrescentar à cada uma dessas três listas acima. 
Observem que nessa minha lista de motivos pelos quais Jesus, o Cristo de Deus rejeitaria as igrejas e templos que aí estão, os quatros primeiros ítens giram em torno do dinheiro. Os sete ítens seguintes são sobre dogmas e doutrinas, e os catorze últimos ítens, estão relacionados ao caráter e ao comportamento dos seres humanos.

Pretendo publicar (ainda nesse ano) um texto mais elaborado, que vai analizar as pequisas que abordam o crescimento de 'evangélicos não praticantes', mais conhecidos como 'crentes desigrejados', cujo objetivo é refletir o 'Novo retrato da fé no Brasil'. Não é a toa que cresce no Brasil, o número de cristãos que não querem mais ir à igreja. Esse fenômemo sócio-religioso está construindo a 'Nova face da igreja brasileira'. 

***

Quem é mais importante - Deus ou o Diabo
 

 
Neste domingo último, estive assistindo pela internet à um culto de uma Igreja Metodista. A IM, que outrora fora uma Igreja Cristã Protestante Histórica, hoje, para infelicidade de muitos, está navegando pelas águas do G12 - ao invés de navegar nas águas do Espírito - e se transformando para a minha infelicidade, em uma igreja cristã evangélica.
Fiquei abismado: O pastor, um jovem mancebo de mui tenra idade, e excelente pregador. Pregava tranquilo, suave, sem gritarias, com uma ótima dicção, com ótima concordância verbal, usando o plural na forma correta, quando errava uma palavra, repetia-a corretamente corrigindo-a... Mas o sermão, que tristeza!
O sermão do jovem pregador estava totalmente fora do foco bíblico. Como sempre ocorre com as pregações no G12 e nas igrejas em células, que sempre culminam em erros bíblicos e teológicos gravíssimos.
Ele Pregou Gênesis 39 (e leu o capítulo inteirinho), o que na minha visão - pois aprendi na academia, nas disciplinas: Homilética, Pregação e Técnicas de Comunicação - é um grande erro, ler o capítulo inteiro. O pregador ao preparar o seu sermão, deve se preparar para ele. Estudá-lo exaustivamente, e na hora da pregação, deve ler os versículos chaves, e narrar a passagem e os fatos com clareza e de forma lúcida, coerente, enfática...  

O pregador - repito: um excelente pregador - Ao invés de exaltar à Deus e dizer a verdade sobre essa passagem, começou o seu sermão exaltando o diabo, desmerecendo totalmente a Glória de Deus na vida de José, afirmando que 'o diabo não pode criar, mas pode deturpar a obra de Deus' - pelo que pude observar, esse diabo é muito poderoso! 

O rapaz avançou dizendo que José estava muito seguro de sí, e quando estamos seguros, o diabo entra e nos faz fazermos a vontade dele. 
Bem, minhas amadas e meus amados, o que eu, Austri Junior, tenho para dizer para vocês, à respeito dessa passagem, é justamente o contrário: José estava seguro, porque estava com Deus, e Deus estava nele e com ele, e José não pecou, ele resistiu brava e honradamente às tentativas de sedução, por parte da esposa do faraó que por causa disso, armou-lhe uma cilada. O nosso pregador em questão poderia ter aproveitado essa verdade bíblica, para exaltar o poder de Deus em nossas vidas, e exaltar as Bênçãos Espirituais, derramadas pelo Criador em nossa existência, por sermos fiéis aos seus Mandamentos, e tantas outras Maravilhas..., mas ele prefiriu ficar acentuando as artimanhas do diabo e culminou na famigerada, obsoleta, esdrúxula, cancerígena, perversa, vazia, injusta, bíblica e teológicamente incorreta, teoria da prosperidade

Enfim: Deus não foi Exaltado, Louvado, Glorificado... E muito menos, José, foi sequer honrado, por sua fidelidade, na pregação bíblica e teológicamente incorreta e horrorosa, manipulada e destorcida, totalmente fora de foco de um excelente pregador, que poderia estar pregando a Verdade que Liberta, ao invés de destorcer a bíblia e enaltecer as 'qualidades' do diabo, e desmerecendo as Obras Maravilhosas de Deus, como o mundo, por exemplo. Os crentes têm verdadeiro pavor e aversão ao mundo. Mas por incrivel que pareça, assistem ao 'Big Brother', assistem as novelas, que eles mesmos tanto atacam, e quando estão doentes correm para o médico, ou saem iguais a verdadeiros malucos destrambelhados á procura de campanhas em denominações que prometem curas fantásticas e grandes manifestações de milagres. 
Se o mundo é tão ruim e nocivo assim, porque eles não morrem logo, para ficarem pertinho de Deus e juntinho de Jesus? Será que por esses motivos acima citados, e além disso, por causa do pecado da lingua (cuja carta do Thiago bem nos alerta), por causa dos desvios dos dízimos, das mentiras, e tantas outras mazelas evangélicas... Eles não querem morrer com medo do inferno e do diabo que eles tanto exaltam em suas pregações e em suas músicas?

O culto estava sendo transmitido on line, começou às 19:30h, e o pastor só começou a pregar às 20:30h, depois de uma série de cansativas pantominas.
Até quando Senhor?

Austri Junior - Teólogo, Cristão Protestante e Metodista (cansado de tanta besteira), e Editor do Blog Olhar Teológico.

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"Enquanto houver cavalo, São Jorge não vai andar a pé"!

 

Estava assistindo a televisão, e ao trocar de canal deparei-me com um desses programas "gospel's". A imagem chamou-me a atenção: o pregador em cima de um caminhão, abarrotado de gente, pastores e políticos com ele. Esse homem gritava, louca e desesperadamente para uma enorme multidão em frente a explanada dos ministérios em Brasília. Era uma manifestação contra a PL 122 - Lei que confere aos homossexuais o direito de exercerem a sua cidadania sem serem  ostracizados pela sociedade. Nessa manifestação, o pregador incitava o povo contra os direitos de cidadãos dos homossexuais, alegando o direito dos cidadãos (no caso, eles) a se manifestarem contra a referida lei, e usava o termo "CIDADANIA TERRENA". Fiquei pensando: quantos tipos de cidadania existem? A cidadania não seria uma só? Cidadania não é a garantia de ir e vir e que todos os cidadãos (supostamente) são iguais perante a lei, e que todos os cidadãos têm direitos e deveres ? A cidadania não consiste em você e eu garantir os nossos direitos garantindo e respeitado os direitos dos outros cidadãos?
O problema é que está sendo necessário fazer leis para que os outros tenha os seus direitos garantidos, mas os que pensam diferente fazem manifestações para garantir que os diferentes não tenham seus direitos garantidos. Esses só podem ter deveres: pagar impostos, obedecer as leis... Nada mais!
Voltando à questão da "CIDADANIA TERRENA", algo que me intrigou muito, pergunto: Existe cidadania marítima, cidadania celeste, ou até mesmo cidadania desértica ou cidadania arenosa?
Ao que parece, para aquele pregador, existe uma "CIDADANIA ESPIRITUAL". O que me impressiona é a quantidade de pessoas que se aglomeram para ouvir tantas asneiras, o que me parece muito perigoso. Mas esse é o retrato da igreja brasileira, que passa longe do verdadeiro cristianismo. No fim da manifestação, ele, o pregador enfurecidamente louco e desesperado, incitou o povo a orar ao Senhor Deus pelo direito de se manifestarem contra os direitos dos outros e não perdeu tempo: já orou também por "prosperidade".
Quando a imagem foi cortada para o estúdio - a manifestação era uma apresentação em vídeo tape - o pregador reforçou a ideia de que os "evangélicos" deveriam exercer a "CIDADANIA TERRENA", pois não são anjos, e sim seres humanos, e disse: "Se você é anjo, me dá o seu salário para mim, porque você não precisa dele, eu preciso." Ele citou alguns versículos bíblicos para justificar a sua, asquerosa, esdrúxula e tôsca hermenêutica da "CIDADANIA TERRENA" e novamente não perdeu tempo: pediu doações para os muitos compromissos financeiros que ele tem, alegando estar passando por um "DESERTO ESTREITO."
Novamente me ponho a pensar: como é fácil manipular os incautos, os desavisados, os infantilmente espirituais, os ignorantes teológicos, os cegamente religiosos... E quantos desses não ficam com a geladeira vazia, para doar, contribuir e sustentar esses "manipuladores gospe'ls", enquanto que, "a geladeira dele deve estar cheia", como bem comentou a minha esposa, que repulsivamente rejeitou tal apelo inescrupuloso.

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Cristianismo hoje!

Um dos grandes exemplos do Cristianismo hoje,
são as bizarrices que acontecem nas igrejas
evangélicas brasileiras.
Quando será que isso vai acabar?
Se é que não vai piorar!
  
O que é o Ciristianismo?
Entende-se por Cristianismo, a religião que tem como alvo, seguir os ensinamentos do Cristo. 
Quem é Cristo? 
Xristos é a palavra grega que significa 'Ungido'. Logo, temos aqui, um homem que foi ungido, e o seu nome, Yeshua (hebraico), que traduzido para o grego é Iesous, e que em português, o conhecemos pelo Nome de Jesus, ou seja: Jesus, o Cristo.
Quem ungiu a Jesus?
Yeshua é o Cristo de Yahweh - a palavra hebraica para definir Deus, que aportuguesada, pronuncia-se Iavé. Portanto, Iavé ungiu Jesus com o seu Santo Espírito, e o enviou à terra, e por ser um Deus Trino - Pai, Filho e Espírito Santo - veio com Jesus, em Espírito e em Verdade, anunciar aos homens o Euangelion (grego), que nós conhecemos como Evangelho, que significa 'As Boas Novas'. E quais são essa 'Boas Novas'? As boas novas, é que 'está próximo, o Reino de Deus'...
Sguir o Cristianismo é ser Cristão. Ser Cristão significa ser semelhante a Cristo, seguir o seu ensinamentos, buscar ao máximo, amar como Ele, pensar como Ele, viver como Ele, sentir como Ele, agir como Ele... 
O Padre Zezinho definiu isso muito bem, em sua canção que diz: 'Um dia uma criança me parou, olhou-me nos meus ólhos a sorrir, caneta e papel em sua mão, tarefa escola para cumpir, e perguntou no meu de um sorriso o que preciso para ser feliz?' 
Então, o que é preciso para ser feliz? 
Parafraseando José Fernandes - o Padre Zezinho: 
Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou... Viver como Jesus viveu... sentir como Jesus sentia e sorrir como Jesus sorria... Os cristão hoje estão amando como Jesus amou, vivendo como Jesus viveu...? Penso que não! A mensagem de Jesus foi totalmente destorcida, e está totalmente fora do foco original e principal. À começar pelo Amor e pelo Perdão. A mensagem de Jesus anuncia Amor, Perdão, Graça, Paz, Misericórdia, Diaconia - um grande exemplo de diaconia foi a mensagem onde um samaritano acudiu um homem caído à estrada, depois de ter sido ignorado por um sacerdote - servir ao próximo. 
A mensagem original do Senhor que diz: 'o Reino de Deus está próximo', hoje foi transformada em escatologia, ou seja o fim do mundo, quando na raelidade, a mensagem original é: Cuide do seu próximo! 'Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos tenho amado...' 
O Cristianismo hoje!
O cristianismo hoje está tal qual o cristianismo da idade média: 
  1. Venda de indulgências - teoria (teologia) da prosperidade;
  2. Busca por amuletos e curas milagrosas - campanhas que são verdadeiros engôdos;
  3. Exageiros, fantasias e frenesi - um grande exemplo disso, é a 'Lipo Aspiração Divina'.  
Os absurdos e os exageiros são muitos. Essa lista acima serve apenas de bússola para nortear o início de uma conversa, e até mesmo de um estudo acadênco e ou científico do que se tornou o Cristianismo hoje. O Cristianismo hoje, é uma religião de quinta categoria, e é também a religião dos ignorantes. Isso é verdadeiramente lastimável!
Austri Junior
Bacharel em Teologia
Http://austrijunior.blogspot.com 

Austri Junior

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Discurso sobre a ética sem a práxis: Um paradoxo!

 

Introdução
Não é preciso olhar muito para perceber que o mundo está caminhando com passos largos. A tecnologia está correndo a galope. Como se diz popularmente: a mil por hora. As informações chegam até nós quase que instantaneamente ao fato ocorrido. Nossos carros estão lindos, velozes, com design avançados, computadores de bordo... Os aviões estão tão magníficos que dispensam maiores comentários. A tecnologia eletrônica propiciou um avanço maior para os computadores, para os televisores, paras os relógios... Como tudo o que é bom ficou à mercê do impacto da evolução tecnológica, é evidente as coisas que não são boas também sofreram este impacto. É um paradoxo, mas as tecnologias desenvolvidas para as armas de guerras deram lugar às coisas boas e práticas que experimentamos em nosso cotidiano. Entretanto, essa mesma tecnologia tem ceifado muitas vidas nos campos de guerra. O ideal é a paz, mas infelizmente - ou felizmente - existem as armas que auxiliam na defesa da soberania de um país, e isto também é um paradoxo.  Parece-me que quanto mais o mundo precisa de novas tecnologias, mais evolui.  E, quanto mais evolui, mais regride - continua o paradoxo. - Temos como medir essas coisas?
 
A QUEM DEVEMOS OUVIR?
Antes de responder a pergunta acima, precisamos avançar um pouco mais e  recordar-nos de fatos tristes de uma realidade muito próxima de nós brasileiros, que é a banalização da violência. Banalização essa, que deu lugar à guerra urbana: bandidos x sociedade e poder judicial (a impressão que eu tenho é que os bandidos estão vencendo essa guerra). As armas fabricadas para defender a nossa soberania, hoje, estão nas mãos dos bandidos, que estão usando essas  mesmas armas contra a população e, principalmente contra a polícia, inclusive atingindo e até derrubando os seus helicópteros, e matando policiais. Bandidos existem em todos os níveis e estão inseridos em todas as instâncias e instituições da sociedade: no congresso nacional, nas câmaras municipais e estaduais, no poder judiciário, entre os governantes, nas instituições eclesiásticas e principalmente entre policiais e cidadãos de todas as classes sociais. Falando assim, parece que não sobra ninguém. Mas sobra sim! O fato é que o nível de bandidagem e de corrupção é tão forte e está tão arraigado, que fica difícil identificar quem é quem, com exceção dos que empunham as suas armas contra o povo - quem, ou o que, produziu esse tipo gente?
É difícil responder todas essas perguntas com uma verdade única e absoluta (pois verdades absolutas não existem), mas o fato é que a humanidade está andando na contra mão da ética, e, com isso, perderam de vista os valores  e os princípios morais e universais. Não é que não saibam discernir o que é certo ou o que é errado, ou o que bom e  o que é mau, ou mesmo o que é o bem e o que é o mal. Sabem sim! O que vale para esse tipo de pessoas são os seus valores e os seus princípios próprios. Vale tudo para manter os seus empregos:  aliar-se aos perversos e às perversas, fazer tramóias, inventar calúnias, aliar-se ao mal (e ao mau),  mentir, falsificar, burlar, dar sumiço em documentos, roubar e até matar...
Quanto mais se aproxima da evolução, mais a humanidade se afasta da ética. Tudo começa no lar, desde a tenra idade. Não ensinamos mais os nossos filhos pedirem: com licença, por favor, muito obrigado, me desculpe, perdoe-me, posso entrar?

Não ensinamos mais aos nossos filhos que eles precisam respeitar todas as pessoas, independente da idade, do sexo, da raça e cor, do nível sócio-financeiro e cultural, respeitar as diferenças...

Não ensinamos mais aos nossos filhos que eles precisam respeitar as filas em qualquer ambiente. 
Pelo contrário: o que tenho visto nos lugares por onde passo todos os dias são adultos e crianças furando fila, as crianças são "treinadas" pelos próprios pais para correrem à frente de todos e sentar-se no ônibus, guardando lugares para os mesmos. As pessoas estão furando as filas nas padarias,  nos supermercados, nos postos de gasolina, nos postos de saúde... 
Parece pouco, mas é assim que começa a corrupção. Isto é faltar com a ética. Tudo isso vai gerando e produzindo corruptos, ladrões e bandidos, seres desumanos e de última categoria. E são estes que estão inseridos nos seio da sociedade e das comunidades.
Mediante esses fatos, você mesmo(a) pode responder a pergunta acima. 

O QUE PODEMOS FAZER?
Outro fator primordial que fabrica bandidos - seres que deveriam ser humanos, mas  que agem inclusive como bichos selvagens - é a falta de políticas públicas de qualidade. Está faltando coisas básicas e primordiais como distribuição justa da renda, educação escolar e social, empregos, saúde valorização do ser humano na sua essência. Isso tudo, e muito mais, está acontecendo por causa da corrupção no país que já alastrou e enraizou-se no seio da maioria das pessoas. Existe corrupção em todos os níveis, e corrupção gera mais corrupção, que gera a falta da ética, que gera bandidos em todos os níveis - as coisas são interligadas e é necessário que possamos refletir e repensar as nossas atitudes e perguntar: será que não estou contribuindo com a corrupção e a falta de ética com o meu comportamento e as minhas atitudes  na minha casa, no meu local de trabalho, na minha igreja, nos locais por onde passo, com as pessoas com as quais convivo?

Se você é um educador ou uma educadora, pense: será que estou educando mesmo? - educadores verdadeiros são os que se envolvem em todos os níveis, inclusive em nível pessoal. 

É necessário re-significar o nosso modus vivendis para transformar realmente a comunidade a nossa volta, para que as sementes por nós plantadas possam contribuir para desconstruir os paradigmas que conhecemos e praticamos, para que possamos reconstruir uma sociedade ética, moral, idônea...

Considerações finais

O discurso sem a ação é mera verbosidade, uma grande falácia, e apenas verborragia! Falar em ética sem a práxis é paradoxo! Qualquer coisa fora disso, é meramente um discurso teórico e retórico.  No fim, tudo acaba na mesma. Ou seja, se não agirmos, não vai dar em nada!

Posto isso, creio que tudo o que podemos fazer, é no mínimo ser éticos! 

Austri Junior


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A Reforma Protestante!

"ECCLESIA REFORMATA, SEMPER REFORMANDA"

No dia 31 de Outubro de 1517, o Monge Católico, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg  as 95 teses que gostaria de discutir com a igreja, nessas 95 teses estavam assuntos da mais alta relevância para a fé, como por exemplo: a penitência, as indulgências e a salvação pela fé. O acontecido marcou o início da Reforma Protestante, e representou o ponto de partida para uma nova eclesialidade que hoje está se perdendo muito rapidamente. 

A "igreja reformada sempre reformando" que se tinha no início de todo o movimento protestante, deu lugar nos dias de hoje à ignorância generalizada, à intolerância, à ganância e ao comércio, como nos tempos de Lutero, e esvaziou o espírito e o sacrifício de um povo que deu a sua vida e a sua liberdade por uma nobre causa. "Não há nada de novo debaixo do céu". 

A Reforma se perdeu, e perdeu o sentido de ser. Naquele tempo, havia sim motivo para protestar contra os desmandos de Roma, hoje, nós precisamos lutar contra os desmandos dos "crentes", que de "protestantes", passaram a ser chamados de "evangélicos" e que do Evangelho de Cristo, pouco ou nada possuem.

Os Cristãos de hoje - que perderam o trem da história - poderiam ter mantido o espírito da reforma, protestando contra as injustiças sociais, a falta de ética na política e na sociedade, lutando por uma uma vida melhor para o seu semelhante e pregando o Evangelho, sem apontar os dedos para ninguém, apenas evangelizando com alteridade e expandindo o Amor de Deus.

Hoje, quem precisa de uma reforma imediata são as chamadas igrejas evangélicas. Uma Reforma "Ampla Geral, e Irrestrita". Mas não são somente as igrejas instituições e denominações que estão precisando rever as suas condutas. A Igreja Corpo de Cristo - pessoas - estão necessitando com urgência mudar o vértice de suas caminhadas e pregações.

É necessário que todos os Cristãos sejam "Protestantes" sim!

Que protestem contra todo o caos instalado na sociedade, contra a má qualidade na educação, contra os desvios de verbas públicas, contra a corrupção generalizada no seio da sociedade...

É preciso que os Cristãos Católicos Romanos e que os Cristãos Protestantes, protestem contra tudo o que estiver errado em suas igrejas: enganos, comércios, fraudes, desvios da doutrina bíblica, teoria da prosperidade, venda de indulgências - que nos dias atuais vêm disfarçadas de ofertas e outros engodos...

"ECCLESIA REFORMATA, SEMPER REFORMANDA!"

Austri Junior


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O que é Cristianismo?

 A postagem anterior "O que é cristianismo?" estava com problemas técnicos, e ao tentar concertar, acabei deletando. Acredito realmente que "tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus." Tenho agora a oportunidade de editar uma nova reflexão (embora não tão nova assim) à cerca da pergunta:

O que é cristianismo? 
Observem que escrevi a pergunta acima: "O que é cristianismo?" com "c" minúsculo. Em minha interpretação existe cristianismo e Cristianismo. O cristianismo "pertence" somente aos crentes  e aos evangélicos, enquanto que o Cristianismo "emana" dos Cristãos.  
- Não é a mesma coisa?  
- Claro que não! 
Em se tratando do cristianismo, todo crente é evangélico e todo evangélico é crente, mas esses nem  sempre são Cristãos. Entretanto, todo Cristão - sejam eles Ortodoxos, Católicos Romanos, Católicos Anglicanos, Protestantes: Históricos e Evangélicos - são Crentes e Evangélicos. 
- Qual é a diferença? 
O Cristianismo é "Puro e Simples" (C.S Lewis) como Jesus; não exclui, não julga e não condena. Antes Ama, Acolhe, Perdoa, Cuida, tem Misericórdia e é cheio da Graça. 
Cristianismo é Diaconia, Coinonia, Alegria, Fraternidade, Solidariedade, Justiça Social, Piedade, Oração e Racionalidade...
O contrário é: egoísmo, complicação, intolerância,  arrogância, confusão manipulação - "teologia da prosperidade*" - calote, "fofoca santa" (como se fosse possível a fofoca ser santa, pois toda fofoca provém do "encardido", como já dizia o saudoso Padre Léo da Canção Nova), picuinha, disse-que-disse-que-disseram, "ermeneutica" (no lugar da hermenêutica), "omelética" (no lugar da homilética), pedofilia, adultério - inclusive a adulteração da bíblia - falta do Amor, do Perdão, da Misericórdia... da Graça. 


À pratica de tudo o que é contrário aos ensinamentos de Jesus Cristo, e mais: do ufanismo, do triunfalismo e do oba-oba nas denominações, eu chamo cristianismo. Aos que praticam esse tipo de cristianismo, eu chamo de crente e ou de evangélico (sejam esses de qual for a denominação, ideologia, doutrina ou movimento: católicos, evangélicos, anglicanos...)


Cristianismo Real e Verdadeiro é Atitude - Modus Vivendis!
Ao Cristão Real e Verdadeiro eu chamo Cristão Cristificado!
Ser Cristão Cristificado é ser Teologal, ou seja, ter a vida no Altar de Deus, e não ter a vida no altar do templo. 
Ser Teologal é ter Vida com Deus!


Ter Vida com Deus não quer dizer ser perfeito. Ter Vida com Deus é busca e renúncia, fé e piedade, errar pedir perdão (perdoar) e se concertar. É esforçar-se e esmerar-se na jornada pela pureza e pela simplicidade do Evangelho.
Precisamos ter a vida no altar (de Deus), precisamos ser Teologais!
Cristianismo e Cristão eu escrevo com "C" 
Assim também me refiro ao Verdadeiro Teólogo, e à Verdadeira Teologia (independente do Cristianismo). Escrevo-os sempre com o "T" maiúsculo - observem!


* À "teologia da prosperidade", o meu querido Mestre e amigo Luiz Caetano Grecco Teixeira chama "ideologia da prosperidade". Inspirado em seus ensinamentos (e correção) eu passei chamá-la de "teoria da prosperidade."

Austri Junior 

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  Entendes o que falas?

(Uma reflexão à cerca da Hemenêutica Bíblica)





Compreendes o que vens lendo?
Segundo a narrativa bíblica em Atos dos Apóstolos, um anjo do Senhor enviou Filipe à um caminho que descia de Jerusalém à Gaza. Nesse caminho estava passando um etíope, alto oficial da rainha Candace. Logo em seguida, nesse mesmo relato, diz a bíblia: que o espírito ordenou a Filipe que se aproximasse do carro do etíope e o acompanhasse. "Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: COMPREENDES O QUE VENS LENDO?" (At. 8.30 - Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil - Segunda Edição).
Muito interessante foi a resposta que o etíope deu ao Filipe:
"Como poderei entender se alguém não me explicar?" (At.8.31a - Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil - Segunda Edição).

Essa resposta do etíope encerra, ou, deveria encerrar uma discussão muito antiga e nociva, à cerca da importância do estudo  da Teologia e evidentemente, do conhecimento teológico. 
O conhecimento teológico, traz em seu bojo, o conhecimento exegético e sobre tudo, o conhecimento hermenêutico.  

É muito comum ouvirmos dizer que "a letra mata", referindo-se à Teologia, e ao conhecimento teológico. Mas observemos bem: os que falam coisas assim, são os ignorantes, ou se preferirmos, os desprovidos de conhecimentos. Geralmente dizem isso numa tentativade esconder a sua ignorância e manter os que estão em seu entorno e debaixo dos seus tacões na ignorância junto deles, pois quanto menos os outros souberem, para eles será muito melhor - e  quase sempre, esses ditadores da ignorância conseguem os seu objetivos: manter os seus "discípulos" atrelados aos arreios da  ignorância, ou seja, emburrecidos. Poucos escapam!

Quando Paulo, falando à cerca de Jesus, o Cristo, disse: "o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica" (2Cor. 3.6 - Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil - Segunda Edição), ele foi muito claro: quando disse: "a letra mata", ele estava se referindo à lei de Moisés - que também pode ser de Hamurabi - ou seja, a lei de talião: olho por olho e dente por dente. A nova aliança é Jesus Cristo, que anunciou as Boas Novas (o Evangelho), que veio trazer Graça, Amor, Perdão, Misericórdia, Alteridade...

Com essa fabulosa resposta, o etíope está nos dizendo que precisamos estudar. Mas que tipo de estudo? Todos os fins de semana, a igreja de Cristo se reúne nos templos em suas Escolas Dominicais, Catequeses, e ou Escolas Sabatinas para estudar  sobre a bíblia, e quanto mais estudam piores ficam. Qual é a qualidade desses ensinamentos, e qual é a capacitação que possuem esses pseudos professores? 
E os pseudos pregadores, todos os dias gritando nos ouvidos dos passivos receptores de asneiras bíblicas? O que fazer para mudar esse quadro terrível?
Sem estudo, somos como crianças, diante de um texto complexo! 

Entre tantas interrogações existentes na bíblia, a pergunta que o Filipe fez ao etíope é a mais importante dentre todas elas: "Entendes tu o que lês?" (At. 8.30 - Bíblia Almeida- Edição Revista e Corrigida, Editada em 1995).
 
Entendes tu o que lês?
Quero citar mais dois textos bíblicos e conversar sobre eles:
1º) Lucas em sua narrativa sobre os Atos dos Apóstolos, mais precisamente, quando os mesmos reunidos em uma casa, durante a festa dos 50, mais conhecida como pentecostes, fala da descida do Espírito Santo e do Dom de línguas:

1.Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.

2.De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.

3.Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.

4.Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

5.Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.

6.Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.

7.Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam?

8.Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?

9.Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia,

10.a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,

11.judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!

12.Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas? (At. 2. 1-12 Bíblia Ave Maria).

O que tem de incompreensível nesse texto que faz com que ele seja distorcido, ao ponto de que seja inventado uma nova teoria chamada de "língua dos anjos", ou "oração em linguas", ou então "falar em línguas"?
Quais foram as linguas (idiomas) citadas nesse texto? 
Os idiomas citados nesse textos foram as línguas dos medos, persas, elamitas, romanos...
O texto é muito claro. Os Apóstolos não falaram em (outras) línguas. Os que os ouviram, é que os escutavam falar em suas próprias línguas, ou seja, eles escutaram os Apóstolos falarem em seus próprios idiomas: judeus, persas, egípcios, líbios, cirenenses, capadócios, romanos...
E os ouvintes ficaram tão maravilhados em ouvirem as maravilhas de Deus em suas próprias línguas, que perguntam: "Que significam estas coisas?"
Creio que posso responder: Essas coisas são o poder de Deus se manifestando para Salvar, Curar, Libertar, Transformar. O poder de Deus se manifestou para que o Evangelho pudesse ter sido pregado e entendido por todos que estavam ali. Aquilo foi puro "milagre": Todos entenderam o que estava sendo dito em suas próprias línguas, o texto repete isso por três vezes.  Portanto, o texto está muito claro. Ninguém falou em línguas diferentes ou em "linguas estranhas" (estranhas aqui é estrangeiras). 
Por isso pergunto:
O que quer dizer então: Shuryah labashuryah, Shurikanta labianta, Sakalabahs...?
Será que é assim mesmo que se escreve isso? Que língua é essa? Grego e Hebraico eu sei que não é! É essa a "famosa língua dos anjos"? 

Paulo disse ao coríntios: "Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos..." (1Cor. 13.1a - Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil).
Ele não disse nada sobre essa língua ser estranha, e também nada disse sobre os anjos "falar em mistério", nem que deveríamos nós, falarmos na lingua do anjos. Como podemos falar  sobre o Evangelho e sobre as maravihas de Deus em mistérios, se a bíblia é revelação?

Entendes o que falas?
O que significa KALABASHURYAH?
Porque essas frases são repetidas inúmeras vezes nos templos, emitindo sons incompreensíveis com o rótulo de profecia, revelação ou até mesmo como recados Deus? "DEUS MANDA DIZER..."
Se Deus quisesse dizer não diria Ele, diretamente para você ou para mim em nossa própria língua, como ele fez em Atos dos Apóstolos?
Você que não é adepto dessas distorções bíblicas, entendes o que falam esses "profetas do mistério"?

2º) Falando aos coríntios no capítulo 14, Paulo diz que "quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, Salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação" (1Cor. 14.5c - Bíblia Ameida Revista e Atualizada no Brasil).
Quando Paulo fala em profecias, não está falando de adivinhações, muito menos de "revelações". Tudo o que Deus revelou para nós está na bíblia. Quando Paulo fala em profetas está falando daquele que não se conforma com as distorções e prega sem massagear o ego do transgressor e sem condená-lo, mas apontando-lhe os erros, como os profetas do Antigo Testamento. E quando ele  cita outras línguas, está se reportando ao fato de que ninguém deve  em uma comunidade, falar (outras) línguas que as pessoas ali reunidas não possam entender. "Salvo se as interpretar". Posso trazer para uma comunidade um palestrante japonês para falar ao povo, se com ele eu não contratar um interprete?
Portanto volto a perguntar: 
O que quer dizer kalabashuryah, shuryah labashuryah, shurikanta labianta, sakalabahs...?
Entendes o que falas?
Se não entendes o que lês, como poderás entender o que falas?
 
Por Austri Junior

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Jesus nos chama para a Salvação (Mt 9.9)

Sermão de  Austri Junior

Introdução
Irmãos, Jesus na sua infinita misericórdia, olha para nós e não se preocupa com o que somos, e nem como estamos; porque quando ele nos escolhe, nos elege para sempre.
Irmãos, o texto Bíblico em Mt 9.9 diz: “Partindo Jesus dali...”
- Dali onde? De onde Jesus partiu? Onde Ele estava?
Para entender o texto, vamos examinar o contexto anterior:
No capítulo 5 Jesus estava em Cafarnaum, subiu ao monte, e, acercado pela multidão e rodeado por seus discípulos ele ensinava toda a base de sua doutrina, que é a doutrina Bíblica e que Jesus recebeu do Pai, ensinou a todos de sua época e deixou para nós hoje. Essa doutrina começa com o sermão do monte onde Jesus falou das Bem-aventuranças; sobre ser sal da terra e luz do mundo, fala também do adultério, da vingança, do amor ao próximo, entre tantas outras coisas... Toda essa pregação doutrinária de Jesus encerra-se no capítulo 7; e, no capitulo 8, após ter descido do monte, Jesus dá sequência a tudo o que pregou executando curas e libertações, demonstrando o seu amor pelo homem e chamando-o para a salvação.

(Irmãos, o tema da nossa mensagem de hoje é):

QUANDO JESUS NOS CHAMA.

 
I – JESUS VIU UM HOMEM... (v.9b);

A – JESUS VÊ O HOMEM .
Ao partir de Cafarnaum para percorrer os povoados e cidades próximas (e também as cidades distantes é claro), Jesus viu Mateus. Quando o texto diz que “Jesus viu um homem chamado Mateus” (v.9b), podemos trazer esse versículo para os dias de hoje e dizer: JESUS VIU UM HOMEM CHAMADO AUSTRI...
Tudo isso nos leva a crer que:
JESUS ESTÁ ATENTO A TUDO E A TODOS;
Jesus vê tudo à sua volta, nada passa despercebido aos olhos de Jesus, pois ele está ligado em tudo. Jesus é “antenado” e está preocupado conosco, com a nossa pessoa. 
JESUS OLHA PARA NÓS.
E, quando Jesus olha para nós ele não nos olha com olhares de recriminação. Jesus não é cego, ele vê os nossos defeitos as nossas falhas e nossas fraquezas, bem como os nossos pecados, os
nossos erros, pois como Jesus não é cego, Jesus também não é desmemoriado, nem “gagá” ou retardado. O gostoso e maravilhoso em tudo isso é que Jesus é Misericordioso, Jesus é Benigno, Bondoso, e acima de tudo, Jesus é extremamente Amoroso. E por ser Amoroso, Jesus tem um olhar diferente.

B – UM OLHAR DIFERENTE.
Quando o homem olha para outro homem, o seu olhar também é diferente. Diferente do olhar de Jesus. E é claro – e até certo ponto é normal que seja assim – pois apesar de que o Apóstolo Paulo disse que nós “temos a mente de Cristo”, é muito difícil achar um ser humano (seja homem ou mulher) que já tenha atingido essa plenitude.
Quando coloquei o contexto anterior (e até mesmo o contexto mediato), foi para alertar de que devemos buscar os ensinos do Cristo e buscarmos agir como Ele nos ensinou, e agir como Ele agiu. Quando virmos um Homem “caído” em seus erros e falhas, esteja ele deitado ou sentado..., devemos chamá-lo; estender-lhe as mãos, e levá-lo até Jesus Cristo, que é a Salvação.
Jesus nos chama para a Salvação porque o Seu olhar é um olhar diferente. Quando Jesus nos chama, não importa qual seja a nossa posição: de pé, deitado ou sentado. Jesus nos chama para a salvação.

II – MATEUS ESTAVA SENTADO (v.9b);
(Quando Jesus nos chama, não importa a nossa posição)
A – NÃO IMPORTA QUEM VOCÊ É.
Quando Jesus viu Mateus ele estava sentado na coletoria. Todos nós sabemos que Mateus, também conhecido como Levi, era coletor de impostos, e, como tal, ele era mal visto no meio do seu povo. Assim como Zaqueu (que também era cobrador de impostos e roubava do povo), Mateus era considerado pelos Judeus como pecador, pois era republicano. Ele era considerado como “traidor da pátria”, pois jogava do lado oposto, jogava no “time dos Romanos.” Jesus olhou para Mateus, viu os seus defeitos (pois não é cego), más como Jesus não se importa com quem você é, mas sim, com quem você será Jesus também o chamou.
- Irmãos, Jesus não olhou para Mateus apenas como um ladrão, e a prova disso estão bem aqui à nossa frente.
Se Jesus tivesse olhado para Mateus apenas como um ladrão, com certeza hoje nós não teríamos essa maravilhosa pérola nas mãos. Jesus não olha para o que nós somos. Jesus olha para quem nós seremos Ele sabe que lá na frente nós seremos uma bênção porque Jesus é um grande Descobridor de Talentos.
B – JESUS VÊ OS NOSSOS TALENTOS.
Irmãos, um dia, Jesus, esse Grande e Brilhante Descobridor de Talentos olhou para Mateus e viu os seus talentos. Um dia Jesus olhou para você e eu, e viu em nós algo mais. Coisas que o Homem não consegue ver porque não possui o olhar de Jesus. Jesus nos vê com as lentes do Amor, da Compreensão e da Misericórdia.
Um dia Jesus olhou para você e eu e viu em nós um pecador, uma pecadora. Mas da mesma forma como Ele agiu quando se encontrou com a mulher Samaritana no poço de Jacó, Ele fez conosco. Viu os nossos pecados, os nossos erros e as nossas falhas, pois repito: Jesus não é cego. Ele se lembra de tudo aquilo que fizemos e de tudo o fazemos, pois além de não ser cego Jesus também não é desmemoriado, nem “gagá” e muito menos retardado.
Quando a Bíblia diz que os nossos pecados, erros ou delitos
será jogados no mar do esquecimento, a interpretação é: Deus que é Amor, jamais vai lançar em nosso rosto nada do que fizemos. Pecado perdoado, para sempre “deletado.”
Embora você e eu nos esquecemos disso, Jesus não se esquece. Ele não é desmemoriado e quando nos vê sentado em nossos erros, defeitos e problemas Ele nos chama:“SEGUE-ME!”

III – “ELE SE LEVANTOU E O SEGUIU” (v. 9c).
(Quando Jesus nos chama, devemos nos levantar e segui-lo).
A – CHAMADOS PARA FORA.
Jesus chamou Mateus tirando-o de seu lugar de acomodação: dos erros, das falhas, da mentira, da usurpação, e, do pecado generalizado. Nós também, outrora, fomos chamados por Jesus,
chamados para fora do pecado.
Conforme os relatos de Marcos capítulo 2.15 e Lucas capítulo 5.29, Levi ofereceu um banquete para Jesus. Jesus foi ao banquete e levou os seus discípulos, e foi extremamente criticado e julgado pelos farizeus (como sempre).
- Porque Jesus foi criticado pelos farizeus?
- Essa história não nos parece comum?
- Já não vimos e assistimos todos os dias esse mesmo filme?
- Já não estrelamos nós mesmos esse filme? – Ora no papel de Jesus, ora no papel de farizeus? Porém há muitos de nós que, infelizmente, já estrelamos muito mais vezes esse filme no papel de farizeus.
É interessante dizer que quando estamos desempenhando o papel de Jesus, andando com publicanos e pecadores, sejam eles, ladrões, prostitutas ou homossexuais, ficamos felizes porque estamos “fazendo a obra de Deus, levando os ‘perdidos’ até Jesus”; cumprindo com os ensinamentos do mestre, contidos nos capítulos cinco, seis e sete das Bem-aventuranças, e com todos os ensinamentos espalhados por toda a Bíblia. A Bíblia está recheada de indicações para que possamos seguir e servir melhor. Más quando vemos alguém, andando, ajudando, e, defendendo essas mesmas pessoas, nós nos iramos, e, de Jesus, nós passamos a fariseus, e os condenamos, os criticamos e os julgamos. Esquecendo-nos de que outrora, éramos como “perdidos pecadores”, e que, Jesus teve misericórdia de nós, e enviou irmãos misericordiosos que cuidaram de nós, e que a mesma misericórdia que nós queremos para nós e para aqueles a quem amamos, nós negamos para os outros.
Irmãos, Jesus não condena a ninguém; a não ser aos próprios fariseus. Antes, Jesus nos chama para a Salvação.
B – SEGUIR E SERVIR.
Ao se levantar, Mateus estava dizendo: “Eis me aqui Senhor.”
Ao seguir a Jesus, ele estava dizendo: “Usa-me Senhor.”
Mas muito mais que isso, ele deu um banquete em sua casa para Jesus e convidou os seus amigos pecadores. Quando um Judeu dava uma festa ou oferecia um banquete, ele abria as portas da sua casa para toda a comunidade.
Entre os pecadores convidados na casa de Mateus, estavam outro tipo de pecadores: os farizeus que amavam apontar o dedo para criticar, condenar e julgar.
Bem irmãos, a Bíblia não nos diz se Jesus pregou naquele lugar. A Bíblia também não nos diz se houveram mais conversões além da conversão de Mateus. Más com certeza, podemos afirmar que naquele banquete, a maior pregação de Jesus naquele dia ou naquela noite, foi o seu testemunho de vida:
COMEU E BEBEU COM PUBLICANOS E PECADORES, depois que chamou Mateus: SEGUE – ME!

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
“Jesus viu um homem... ele estava sentado... Jesus o chamou: Segue – me! Ele se levantou e o seguiu” (Mt 9.9).
Ao olhar para nós e nos chamar, Jesus não nos chama somente para a Salvação, más também para o serviço. Uma coisa está ligada a outra, e é impossível separá-las. Quando Mateus ofereceu um banquete para Jesus, ali começou o seu Ministério de servir ao Senhor Jesus. Mas o banquete maior, é aquele que Jesus reservou para Mateus e para todos nós:
A ALEGRIA DA SALVAÇÃO!
Quando Jesus nos olha, Ele nos vê. E quando nos vê, Ele percebe os nossos talentos e nos chama.
Quando Jesus nos chama, devemos nos levantar e segui-Lo!
E nessa caminhada com Jesus devemos olhar para aqueles que estão sentados, e chamá-los, e estender-lhes as mãos e levá-los até Jesus que é o Caminho, e a Verdade, e a Vida, e desfrutemos todos do banquete da Salvação ao qual nos chamou o Senhor.
A DEUS SEJA A GLÓRIA. 
Austri Junior
Pregador do Evangelho de Cristo



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Teologizar para Libertar!

Teólogo é aquele que assume as suas posições com transparência. Não fica em cima do  muro, não é dissimulado e defende as suas convicções. O verdadeiro Teólogo dá a face para bater e luta por suas ideias e ideais, em toda e qualquer área. 

 O Teólogo não compactua a com cortina de fumaça e com a manipulação. Antes, combate-a com vigor e fulgor. O verdadeiro Teólogo não teme o desconhecido. Não foge da ciência, não a teme e não briga com ela. O Teólogo é um apaixonado por aquilo que estudou, e busca incansavelmente pelo conhecimento, investigando a verdade, sem absolutizá-la. O Teólogo é poroso na construção e absorção do conhecimento. Trabalha com alteridade, construindo pontes e não muralhas e trincheiras, e sempre que puder, com certeza irá Teologizar até o fim. Teologizar para libertar!

Austri Junior

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Manifestação no Rio de Janeiro contra intolerância religiosa

 

Aconteceu ontem 18/09/2011 no Rio de Janeiro uma Manifestação contra a intolerância religiosa, que reuniu católicos, espíritas, bahá'is e protestantes.

Penso que esse movimento é de suma importância  e muitíssimo oportuno, pois é chegada a hora de dar um basta na intolerância religiosa no seio da sociedade brasileira.

O foco do movimento pela intolerância nesse ano (2011), foram as crianças – uma decisão sábia – pois as crianças reproduzem nas escolas, e nas comunidades onde vivem, toda a intolerância religiosa que aprendem nos templos que frequentam, e absorvem o aprendizado hostil que os seus pais apresentam em relação às outras religiões, e geralmente essas intolerâncias todas acabam em demonização do outro e das suas religiões.  
 
Austri Junior  

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Ética se aprende em casa – refletindo à cerca da corrupção na sociedade sob uma lente teológica.

 

Desde a tenra idade os pais devem ensinar aos seus filhos os valores éticos que deveriam permear a sociedade – ética se aprende em casa – pois existem valores universais que mensuram a conduta dos seres humanos e que diferenciam uns dos outros.

Abro um parêntese aqui para um breve comentário sob a lente da Teologia: A ética não pertence à religião; à nenhuma delas, muito menos ao Cristianismo. A ética pertence à filosofia, e é claro, foi absorvida pelas religiões e inclusive pelo cristianismo. Portanto, temos hoje uma infinidade de livros com o título de “Ética Cristã”, inclusive em seminários e em faculdades teológicas, encontramos a disciplina “Ética Cristã”. Imagine se cada religião construísse a sua ética: “Ética Bahá'i”, “Ética Kardecista”, “Ética Budista”, “Ética Umbandista”... Penso que o correto a se dizer é: “Ética na Religião”, ou, “Ética no Cristianismo”, assim como é em outras áreas: “Ética no Direito”, “Ética na Política”, “Ética no Jornalismo”...

Ética é uma só em qualquer parte do mundo, e em qualquer religião. A ética é filosófica e não religiosa, embora muitas pessoas fazem uma enorme confusão, e isso é quase que natural, pois se todas instituições devem prezar e preservar pela ética, muito mais ainda na igreja. A ética é tão importante e útil para a humanidade, que o Cristianismo “tomou posse” dela, embora ultimamente não estejamos vendo muita ética imperar dentro de algumas igrejas (instituições), porque não está fazendo parte da vida de muitas Igrejas (pessoas/corpo de Cristo). Se a ética está escassa dentro das igrejas e na vida das Igrejas, muito mais ainda faltará na sociedade e demais instituições. Temos visto a “bancada evangélica” no Congresso Nacional Brasileiro, corrompendo-se “descaradamente” em “nome de jesus” (Jesus com “j” minúsculo mesmo). 

Juízes, promotores, políticos, policiais, delegados, advogados, médicos, professores, presidentes de associações, presidentes de sindicatos, sindicos de prédios, diretores de escolas, reitores, empresários... Temos visto todos os dias nos noticiários, um a um envolvidos em corrupção e a corrupção está presente em todos os níveis sociais, pois não são somente os ricos, ou os que detêm qualquer tipo de poder que praticam a corrupção. As camadas mais pobres da sociedade também corrompem e são corrompidas, por falta da ética em suas condutas.

Ética se aprende em casa - mas nada impede que as igrejas, as escolas e as demais instituições, principalmente as instituições que detêm os poderes executivos, legislativos, e judiciários, a pratiquem e  lutem para instituí-las e para mantê-las em todas as instâncias da sociedade. Na realidade, essa é uma das funções e obrigações dessas instituições.

A falta da ética no indivíduo origina a corrupção na sociedade. Sobre a corrupção na sociedade falaremos amanhã, quarta feira.
Austri Junior

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Fast food da fé - Vergonha 'gospel'!
 

Nesse fim de semana, recebi por e-mail, uma postagem do Blog Brasil Metodista, enviado pelo meu amigo, o Teólogo Fernando Marin que falava de um "Milagre Card". 


Se Jesus estivesse entre nós hoje, ele faria novamente a clássica pergunta: "Eli, Eli, lama sabactani?" Mt 27:46. 

Fico pensando à cerca desses acontecimentos que nunca deveriam ter começado, e uma vez que algum aproveitador iniciou isso, já deveria ter acabado há muito tempo - uma vez que a comercialização da fé existe muito antes de Jesus, e bem sabemos, foi isso que revoltou a Lutero (incluindo a venda das indulgências), e que desencadeou a Reforma Protestante. 

Já passou da hora de o Ministério Público Federal investigar e mandar prender os caloteiros da fé, que não se cansam (e nunca se cansarão) de enganar o povo,  que por sua vez, se deixam enganar.

Se por um lado, há por parte dos enganadores a falta de ética, por outro lado, há por parte dos enganados a ganância em enriquecer rapidamente - fruto da teoria da prosperidade - bem como a falta de experiência com o Altíssimo. Todo encontro verdadeiro com Deus, provoca mudanças e transformações reais. Se não for assim, não passa de efêmera emoção. 

Por esse motivo, os fieis enganados não buscam o Senhor da Bênção, contentando-se apenas com a "benção" instantânea, ou seja, o "fast food" da fé, que últimamente tem combinado muito bem com as "mega churchill", que cada vez mais, crescem com o "mercado gospel".  

Esse tipo de inovação eu repudio, abomino e dispenso. Está na hora de derrubar e chicotear as mesas dos mercadores e cambistas nos templos, cuja ganância e cobiça estão diminuindo a importância da fé cristã, e dando contra-testemunho. Os falsos profetas estão fazendo da fé cristã da um grande centro de comércio, e um rentável meio de vida.

"O zelo da tua casa* me consumirá" (Jo 2:17). Denunciar é o papel do Teólogo e do Cristão comprometido com o Reino!

*Casa = Reino

Austri Junior  

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Profissão Teólogo

Hoje, dia 30 de Novembro, o Brasil comemora o Dia do Teólogo. Nesse contexto reflexivo cabem algumas perguntas interessantes – eu gosto muito das interrogações, porque mais importante que saber as respostas, é saber quais perguntas devemos (ou podemos) fazer.  Entre essas perguntas, existem duas que considero não somente interessantes, mas extremamente importantes, para que a nossa reflexão possa avançar. São elas:
1.   Teólogo por quê?
2.   Teólogo para quê?
Conversando sobre a primeira pergunta
A resposta para a primeira pergunta: 'Teólogo por quê?' é subjetiva, e, evidentemente, eu só poderia responder essa pergunta baseada nos meus ideais. É claro que muitos candidatos a Teólogos chegam à academia, cheios de ideais (espirituais), confundindo facilmente a Teologia com a religião, e entre os objetivos principais da escolha de um candidato pela Teologia, está a doce ilusão pelo 'conhecimento profundo da Palavra de Deus'. Nessa busca profunda pelo ‘conhecimento profundo da Palavra de Deus’, estão embutidos vários interesses e conceitos. Esses interesses podem ser, entre outros, inocentes, infantis, ou arrogantes. Em algumas pessoas, aparecem os três casos ou mais.

Os inocentes
Os inocentes se decepcionam e não duram muito, logo vão embora, com medo de ‘perder a fé’. Dado a esse fato, sempre questiono: Se o conhecimento faz alguém perder a fé, é porque, fé esse alguém não tinha. E se não tem, não pode perder. Ninguém perde o que não possui. 



Os Arrogantes
Os arrogantes pensam que sabem mais que todos. Inclusive, eles/elas pensam que os professores sabem menos que eles. Os arrogantes pensam que vão aprender muito, e que vão ficar melhores e mais sábios que todos à sua volta. Mas o pior arrogante entre os arrogantes são aqueles que por pensarem saber mais que os professores, passam meses, e até anos, envolvidos em embates e polêmicas inúteis, atrapalhando o curso da aula, e atrapalhando os que querem ouvir e conversar – teologar – para aprender. Os arrogantes são os verdadeiros servos inúteis, dos quais a bíblia nos fala. Esses classificam tudo como sendo ‘obra do diabo’, inclusive a Teologia e os Teólogos, e se dizem guerreiros, soldados de Cristo, empunhando uma ‘espada apologética’ enferrujada, tentando matar a todos e a tudo que não convergem com aquilo em que ele ou ela acreditam, e seguem numa batalha desesperada, tentando ‘blindar’ a bíblia por todos os lados, com um furioso e até mesmo, com um rancoroso discurso de ser ‘o guardião, ou, a guardiã da sã doutrina’.   
Os infantis
Os infantis pensam que vão aprender tudo e sanar todas as suas dúvidas. Ledo engano! Mas, se sobreviverem ao conhecimento que desvenda mitos e lendas, que revela a verdade e lança luz sobre alguns mistérios, através da hermenêutica, e de outras disciplinas, esses amadurecem, perdem a fé cega e infantil que ‘emburrece’, crescem e dão frutos, porque, com a fé fortalecida e com a crença, agora adulta, podem caminhar livrementes. Livres do fundamentalismo, dos preconceitos, das doutrinas, das manipulações... E se tornam capazes de construir os seus próprios pensamentos, porque conseguem Teologizar – Construir as suas próprias Teologias, além de ler e interpretar as Teologias já existentes, e, até mesmo, desconstruir não somente muitos equívocos teológicos, mas, repensar e re-significar algumas teologias. Muitas delas, hoje, ultrapassadas.
Aqueles que estão humildemente 'antenados', logo aprendem que sairão da academia com muito mais dúvidas do que quando entraram. Isso muitas vezes choca a nossa infantilidade. Há outra coisa que fica muito clara também no inicio: A Teologia é uma busca profunda e constante – pesquisa séria – e o nome do curso deixa isso muito claro: ‘Bacharelado em Teologia’. Portanto, um ‘Bacharel em Teologia’, é um pesquisador. Não se faz Teologia sem pesquisas. O Teólogo que não lê e não pesquisa, pode desistir da profissão ou do título de Teólogo. Outra situação que o teologando (estudante de Teologia), percebe logo nos primeiros meses de trabalho na academia, é que a Teologia se aprende estudando e teologizando, ou seja, fazendo e produzindo Teologia. O que nos leva ao entendimento de que o Teólogo será sempre um teologando. Ninguém está pronto.  O que é muito positivo, pois em um copo cheio, não cabe mais nada, e muitas vezes, é necessário esvaziar o copo. Mas nem todos têm essa percepção.
 
Conversando sobre a segunda pergunta: ‘Teólogo para que?’
Esse deveria ser o primeiro questionamento que um candidato ao Bacharelado em Teologia deveria se fazer, junto às suas variantes:
1-  Para quê eu quero ser um Teólogo? (percebam que eu formulei a pergunta com ‘para quê? ’ e não ‘por quê? ’ – Há uma enorme diferença!);
2-  Para que serve o Teólogo?
3-  Para quê mais um Teólogo?
Cabem nesse contexto muitas perguntas, e, talvez você esteja questionando agora: porque ele não perguntou: ‘Para que, isso?’ ou, ‘Para que, aquilo...?’ Bem, talvez a resposta seja: Eu não pensei em o que você está pensando, ou, eu não considero tal ou tais perguntas relevantes. Mas com certeza, a minha resposta para você é: por uma questão de bom senso acadêmico, eu não pretendo esgotar o assunto. Contudo, mais importante que não esgotar o assunto, é: Dar-lhes elementos para pensar e para questionar. É isso que a Teologia faz, e é para isso que serve um Teólogo, entre outras coisas. Seria muita ingenuidade da nossa parte, em qualquer que seja a área do conhecimento, buscar esgotar um assunto de uma só vez. 
Antes de prosseguir quero chamar a sua atenção para que observe que o verbo ‘construir’, aparece no texto, repetidas vezes e com certa insistência. Isso por que, considero que um Teólogo é um ‘engenheiro’, cuja função é construir principalmente pontes e estradas nos relacionamentos humanos, e desconstruir (implodir), ruínas e estruturas que comprometem a segurança dos seres humanos. Apesar de que a palavra Teologia, literalmente traduzida significa estudo à cerca de Deus, ou, das coisas de Deus – Teo = Deus, Logia = Estudo, conhecimento - a Teologia é uma Ciência Antropológica.
É impossível tentar conhecer a Deus e as suas coisas, ignorando o homem. Uma ótima definição do que é a Teologia, que ouvi na academia, e que tomei para minha vida acadêmica e intelectual, é: “A Teologia são tentativas humanas de entender a Deus”. Por isso, um Teólogo dispõe de duas ferramentas importantíssimas para o seu trabalho. 
A primeira ferramenta é a Razão – o raciocínio e o discernimento – (Rm 12.1), e esses devem vir acompanhados do bom senso, da temperança, da paciência, da boa vontade, da perseverança, do Amor... Isso lhe parece familiar? É claro que isso lhe é familiar. Os Apóstolos Paulo (na Epístola destinada aos Gálatas) e Pedro (em sua Segunda Epístola) nos escreveram falando sobre essas atitudes. E por que nos escreveram eles, sobre isso? Porque aprenderam de Jesus, que aprendeu de Deus, que sabe o que é melhor para nós.
A segunda ferramenta é a Bíblia – Não se faz Teologia Cristã sem a bíblia. É sobre a bíblia que são feitos os questionamentos hermenêuticos, exegéticos, históricos, homiléticos, apologéticos...
Entretanto, esses questionamentos não podem ser cegos, passionais, irracionais, irreflexivos, intransigentes, intolerantes, pessoais, fundamentalistas, extremistas, radicais...

A bíblia não precisa da nossa blindagem, assim como Deus não precisa que tomemos as suas ‘dores’ – Ele tomou as nossas. Lembra-se? – ‘Deus pode aguentar muito bem essa parada’. Nós é que não aguentamos, e por isso saímos por aí brigando com todo mundo e com todo o mundo, colecionando inimigos e antipatias gratuitamente, e com isso, desperdiçamos a oportunidade de Evangelizar, de transmitir a Paz de Cristo e o Amor de Deus. Com nossas atitudes negativas, perdemos a oportunidade de ajudar as pessoas e acabamos transformando o Cristianismo em religião indesejável, abominável e de quinta categoria.

Ser Teólogo
Ser Teólogo é descortinar o impossível! Não falo aqui, de Deus, mas, das grandes tempestades trazidas pelas religiões que não foram criadas por Deus (nenhuma delas), mas sim, por seres humanos. Somente um Teólogo descomprometido com a religião e com a religiosidade cega e parcial, que geralmente é irracional, pois vêm carregadas com emoções e sentimentos humanos, pode combater e tentar desconstruir os conceitos negativos gerados pelos 'predadores do Evangelho', que, com as suas pregações desvairadas, suas hemenêuticas toscas, e com as suas doenças emocionais, bem como, com a sua falta de conhecimento teológico (mesmo que possuam um diploma, ou certificado de teologia), e também com as suas ambições desonestas que manipulam os versículos bíblicos e se aproveitam da fé cega e infantil dos desavisados para pregar prosperidade e ganhar dinheiro.
Ser Teólogo é sofrer a ingratidão da igreja, corpo e instituição, e o não reconhecimento da sociedade, de forma que em sua vida, o Teólogo é quase um ‘patinho feio’: Não encontra um lugar para viver e conviver com os outros, até que descubra a beleza de ser Teólogo, e se assuma com tal, em meio às intempéries e desconfianças.
Ser Teólogo é assumir as suas posições, e não se colocar em cima de um muro, ou se camuflar como um camaleão, de acordo com o ambiente. Mas para isso, terá que pagar um preço alto, e amargar rótulos tais como: Herege, Libertino, Desobediente, Servo do demônio, Anti-Cristo... E ser ostracizado, muitas vezes, literalmente banido e exilado.   
Ser Teólogo é não poder exercer a profissão, porque, apesar de que agora a Teologia já é reconhecida como profissão, a ‘Profissão Teólogo’ não é reconhecida nem pela Igreja, muito menos pela sociedade. Lembro-me do dia em que Júlio Zabatieiro, disse na aula de ‘Religião, Modernidade e Desencanto’ no curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião: “- O Teólogo é mais importante que o Sacerdote”. Por um instante, os meus olhos brilharam como os de uma criança em frente a uma vitrina cheia de doces. Mas logo em seguida ele disse: “- Entretanto, o sacerdote vem em primeiro lugar na preferência popular, pois o povo rejeita o Teólogo, em detrimento do Sacerdote”. Isso se reflete na sociedade de uma maneira geral, e, embora a importância do Teólogo seja de vital valor em vários âmbitos, e o mesmo deveria ser consultado em diversos momentos que envolvem o ser humano, e a sociedade inclusive com análise antropológica, é muito comum ver muito mais Teólogos procurando emprego, do que qualquer outro profissional da área de Ciências Humanas e Sociais. O Teólogo é aquele que não ganha dinheiro com a profissão, e é o profissional que mais trabalha fora da sua área. Ele faz tudo, menos Teologia.
O Teólogo é um Cientista Social, porque a Teologia não é religião. Teologia é Ciência. Ciências Sociais - Ciência Humana.
Pense: Teólogo para quê?
Penso que o Teólogo é para ser diferente e fazer a diferença. Buscar a unidade da igreja com a Igreja. Teólogo para promover o Ecumenismo entre Cristãos, ‘afim de que todos sejam um’, como O Pai é no Filho, também sejamos nós n’Eles, e uns para com os outros. Teólogo para construir pontes entre a igreja (instituição) e a sociedade. Teólogo para ajudar na construção de uma Igreja (corpo de Cristo) sadia e saudável, com menos doenças causadas pela religiosidade e pela ignorância bíblica. Teólogo para desconstruir as trincheiras, os muros e as muralhas construídas pela igreja e pela Igreja diante da sociedade, do conhecimento, da ciência... Diante do mundo, diante de tudo porque cometeram muitos erros de hermenêutica, não fizeram as exegeses corretas e se separaram do ‘mundo’. Teólogos e Teólogas para construir, para amar, para orientar, para instruir, para ensinar e para aprender. Teólogos e Teólogas para protestarem contra as injustiças e mazelas sociais, contra as injustiças e mazelas das Igrjas e nas igrejas (instituições). Teólogos e Teólogas para protestarem contra as igrejas evangélicas e suas doutrinas miseráveis, pobres e opressoras que estão distorcendo o Evangelho de Cristo, manchando o Cristianismo e adoecendo as pessoas... Teólogos e Teólogas para fazerem a diferença em um mundo conturbado, cheio de violência e desgraças (literalmente fora da Graça Divina). Teólogos e Teólogas para resgatarem o Cristianismo e o Protestantismo, e não para serem mais um a distorcerem a ‘Palavra de Deus’, a manipularem as pessoas, os fatos e os sermões... 

Teólogos para tantas coisas... Coisas que nos faltam. Coisas que ainda estão por fazer, desfazer, ver e rever... Teólogos para re-significar a Teologia e a igreja. Teólogos para construir Teologias sadias e significativas. Teólogos para construir uma Teologia prática, social e libertária. 
Uma Teologia que nos liberte terminantemente das amarras cativas, do fundamentalismo, da sóciopatia, da in-tolerância burra, cega e odiosa que odeia tudo e todos sob o rótulo cínico e hipócrita de ser o ‘ungido de Deus’ que vai ‘pregar a verdade’, doa a quem doer “proclamando que não devemos nos contentar com as 'coisas desse mundo', e que devemos ficar atentos para não nos acovardarmos diante das ‘coisas erradas’ da sociedade, sendo conivente e compactuando com o mal, sob o rótulo da tolerância”. 
Portanto, amadas irmãs e amados irmãos, Teólogos para quê?
Penso eu: Teólogos para antes de tudo, se perguntarem:
‘- Teólogo Por quê?’ 





Aprendendo sobre a vida
 
Vida e Morte
Nesses últimos meses do ano de 2011, e nesses últimos dias dessa semana, assim como nesses últimos minutos da minha vida, Deus tem me falado muito sobre a vida, o que tem me feito pensar e refletir muito sobre esse maravilhoso Dom que está sujeito aos combates e revés, às intempéries e tempestades, e às mazelas sociais, e às indiferenças humanas entre outras coisas.
Durante esse ano de 2011 recebemos alguns golpes da morte: perdemos dois amigos, um com câncer na garganta, outro com cirrose. Perdemos a minha sogra, que passou mal numa quinta de tarde, foi para o hospital andando, lá ela estava sorrindo e conversando normalmente, e no sábado às 18 horas, sorrindo e conversando, recebeu a morte em sua vida. Nesse sábado que passou, enterramos a tia da minha esposa, que também recebeu a morte, ainda cheia de vida... Sem falar em outros que se foram, ainda nesse ano, pessoas ligadas à nossa pessoa e às pessoas nossas. São muitas mortes ceifando vidas – nesse ano, eu não aguento mais ir ao 'Jardim da paz'.  
Morremos um pouco a cada dia, pois se ficam o amor e as lembranças, ainda assim, um pedaço de nós é enterrado junto com os que se vão. Mas não é a ordem natural do ciclo da vida: nascer-crescer, viver-morrer?
A verdade é que nunca tivemos e nunca teremos o controle sobre ambas - vida e morte. Elas vêm e se vão à nossa revelia, e por mais que saibamos das suas existências, elas, a vida e a morte, sempre estarão entre nós... 
Refletindo sobre a vida
O que é, pois a vida, se não uma rápida e curta passagem? A bíblia nos convida a escolher a vida. O Reverendo Calvani em seu artigo supracitado, diz que escolher a vida é ‘assumir os seus ricos’, e ele tem toda razão. Assumir a vida é também cuidar dela, e cuidar da vida envolvem uma série de questões que passam pelo corpo (físico, material), pela alma (emoções e sentimentos), bem como pelo espírito (o transcendental, o Sagrado e o Divino). Para alguns, os seres humanos são dicotomos, e para outros, tricotomos. Dicotomos ou tricotomos, não importa. O fato é que nós seres humanos somos um todo, e não se pode separar. A verdade é que precisamos cuidar bem da vida. Não somente da nossa, mas também da vida do outro. Cuidar da vida do outro não significa ‘cuidar da vida alheia’, ou seja: meter o ‘bedelho’ onde não nos convém!
O Corpo
Alguns cristãos costumam não valorizar o corpo. Pelo contrário, antes, o demonizam, o reprimem, desvalorizam-no ao máximo... Alguns cristãos pensam que o corpo serve de passaporte para a Salvação: quanto mais o corpo sofre, ou quanto mais sacrificado ou flagelado, mais próximo de Deus estará. Verdade ou não, e eu acredito que não, o fato é que essas pessoas estão na contra mão de Deus da mesma forma que aquelas que super valorizam o corpo, com seus asteróides e anabolizantes, com seus exercícios físicos em excessos, com os seus ‘super-bronzeamentos’ artificiais ou não, e com as suas roupinhas apertadas ou curtas de mais – às vezes sem roupa nenhuma. Cuidar da vida é cuidar do corpo também, principalmente para o Cristão equilibrado. Os equilibrados, Cristãos ou não, sabem que precisamos do corpo. Enquanto estivermos aqui, a vida passa por ele, e ele é um excelente condutor de energia. A vida é energia pura. Vida é ‘Dinamis’= PODER. Quer mais poder que a vida?
A Alma
A alma é facilmente confundida com o espírito, e isso gera uma grande confusão na cabeça das pessoas, o que ajuda a trazer conflitos de todas as espécies, além de enormes controvérsias, entre elas, grandes controvérsias teológicas. Costuma-se dizer que a alma é imortal. Eu entendo a alma como sentimentos e emoções, e isso é muito simples de ser compreendido: os sentimentos e emoções ao qual me refiro são o ódio, a inveja, a alegria, a tristeza, a paixão, os desejos - que por sua vez se refletem muito nitidamente no corpo. E é por isso que temos por aí, uma série de doenças psico-somáticas. Se realmente eu estiver certo em minha Teologia, e a alma for realmente sentimento, então a alma não é imortal. Ela morre com o corpo. Todos sabem e concordam que o corpo é mortal, e segundo a biologia, a vida cessa quando o corpo morre e analisando a vida pela ótica bíblica, na eternidade só haverá paz e júbilo. A paz e o júbilo, além de ser inerente à alma, também pertence ao espírito que pertence ao Espírito. O rancor, o ódio, a inveja, a tristeza, a dor, as doenças... Não pertencem ao Espírito, e sim à alma e ao corpo. Logo, se o corpo morre, com ele, a alma. Mas segundo a Teologia Paulina, nós ressuscitaremos com um ‘corpo glorificado’. Eu não me importo e nem me preocupo com essas questões, mas penso que um corpo glorificado seria um corpo perfeito: sem doenças e sem sentimentos ruins. Logo, ou seria esse corpo sem alma (se a minha teologia estiver correta), ou um corpo glorificado seria um corpo com uma alma perfeita, ou seja, somente os sentimentos bons, que poderíamos sim, dizer que para um corpo em glória, uma alma glorificada. Não penso que isso seja impossível. Infelizmente, os que pensam assim também, desvalorizam o corpo físico e super valorizam a Alma. Por esse motivo quero reforçar que, sem corpo físico, sem alma. Deus é ‘MYSTERIUM TREMENDUM’. Partindo desse princípio, precisamos mais do corpo do que da alma. Quem precisa de sentimentos ruins e negativos, como o ódio, a inveja... Apesar dos sentimentos bons? Mas o corpo é o grande condutor, o ‘HOSPEDEIRO DA VIDA’. Li no Orkut de uma Reverenda Anglicana (que nunca aceitou os meus vários e insistentes pedidos de amizade): ‘AMAR É TRANSFERIR A ALMA DE CASA’. Acho isso lindo e muito profundo. A Casa aqui é o corpo. Precisamos cuidar muito bem da nossa alma e do nosso corpo. 
O Espírito
‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...; ’ (Gn 1.26 – Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil). Segundo a minha hermenêutica, é no espírito que somos feito à imagem e à semelhança do Altíssimo, e não – é claro – na aparência física. O sopro do ‘fôlego de vida’ (Gn 2.7), em nós, gerou um espírito - embora esse versículo diz que ‘... o homem passou a ser ALMA vivente.’ (Gn 2.7b). Ao dizer ‘alma vivente’, talvez o autor considerasse a alma como espírito, ou naquela época só se tinha conhecimento, ou só se acreditava na dicotomia, ou quem sabe, ele não tinha nenhum conhecimento sobre isso. Perdoe-me os biblicistas e os fundamentalistas. Não estou querendo diminuir a bíblia enquanto a suposta ou possível ‘Palavra de Deus’, só estou teologizando. Fique com as suas crenças e eu com as minhas. Não precisamos ser inimigos por causa disso. O papel da Teologia e do Teólogo é questionar, e não aceitar tudo o que está pronto, como se fosse a única e a última verdade absoluta, principalmente porque nada além de Deus é absoluto, e como já disse: ‘Deus é Myterium Tremendum’. Enquanto estivermos aqui nesse corpo e com essa alma, você e eu, em nosso espírito, jamais saberemos a verdade sobre Deus! Tudo o que precisamos saber sobre Deus é que necessitamos d’Ele, do Seu Amor, do Seu Perdão, da Sua Misericórdia, da Sua Graça. Precisamos Amá-lo e Adorá-lo em Espírito e em Verdade, o que para nós os Cristãos, significa: em Cristo Jesus - ou seja – ‘em o Nome de Jesus’. Isso não quer dizer por obrigação, ou por medo de Deus ou do suposto inferno, muito menos por interesse na Salvação, ou na pseudo prosperidade, mas por amor e devoção, por amizade com Deus e simplicidade de coração, independente do que diz a bíblia, os pregadores, os teólogos ou os Teólogos, as denominações, os livrecos de auto-ajuda ou de evangelização, as pseudos revelações – ou seja: as ‘reveladas’ e os ‘revelamentos’.  A bíblia, palavra de Deus ou não, é toda a REVELAÇÃO de Deus para as nossas vidas, e Jesus é a Verdadeira Palavra de Deus para nós. 'No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens' (Jo 1.1-4 – Bília Almeida Revista e Atualizada no Brasil). Penso que é o espírito do homem que vai para a Glória e que será glorificado pelo Amor do Pai, na Graça do Filho, através das consolações do Espírito Santo. É esse espírito, que tem sede e necessidade de Deus, ou seja, do Sagrado e do Divino, que vai subir com ótimos sentimentos de amor, de paz, de alegria... Para amar, glorificar e adorar em Espírito e em Verdade. Creio que é assim que vamos voltar para o Pai. 
Concluindo
A vida é uma grande oportunidade que Deus nos dá para aprendermos, para evoluirmos, e cuidar de tudo o que Ele nos concedeu: o corpo, a alma, o espírito, os relacionamentos, os bens materiais, o trabalho... De que adianta a nossa vida se não damos significado, não respeitamos e não valorizamos a existência do outro, se não fazemos nada pelo próximo, mesmo que seja um minuto de silêncio para sensibilizarmos o mundo quanto às mazelas sociais que assolam a vida dos menos favorecidos, entre elas a fome, como sugeriu em sua rede social o facebook, o meu irmão e amigo, o Teólogo Fernando Marim, que foi mal interpretado e duramente criticado? Mas como ele mesmo disse: ‘O que será que essas pessoas estão fazendo para erradicar a fome no mundo?’ Todo gênio e todo visionário sempre será duramente criticado e terrívelmente incompreendido, mas isso não é o cerne da questão. O problema é que os gênios e os visionários sempre serão criticados, incompreendidos e ostracizados pelos ignorantes que se acham muito espertos. A maior esperteza no ser humano consiste em captar a essência da vida, contida no Amor de Deus.

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Missões

Amor, Respeito, Serviço e Alteridade 

  "Ide por todo o mundo" 

Mt 28.19

 

Hoje recebi por e-mail, um vídeo muito interessante, e também muito impactante  - embora não nego o grande apelo sentimental ali contido - que me fez pensar muito. 
O vídeo nos chamava a atenção para os "pontos vermelhos" no globo terrestre, informando que aquele é o número de pessoas não alcançadas - pessoas não cristãs - e que precisavam ser alcançadas.   
Se assistirmos ao vídeo somente com a nossa fé, e pior ainda: somente com a nossa emoção, com certeza sairemos correndo e nos candidataremos à ir "por todo o mundo". A mensagem peca quando começa a criticar os que não "obedecem": "Aqueles que não vão, os que não doam dinheiro, os que não oram e os que não deixam o seus irem", são os "desobedientes", diz a mensagem.  
Ora, isso é manipulação das piores. Eu já estava todo envolvido e ansioso para acessar o site e me candidatar, quando comecei a perceber a manipulação e o interesse em fazer os outros se sentirem culpados. E foi nessa hora que o Teólogo tomou o controle da situação dizendo para o religioso: "essa missão já começou errada".  
"Ir por todo o mundo" é uma Missão de valor inestimável para o Reino, e foi ordem de Jesus. Entretanto, não ir, não significa desobediência. O mundo começa em mim e em você, na minha e na sua casa, na minha e sua igreja (templo e instituição), na minha e na sua família, na minha e na sua comunidade, no meu e no seu trabalho... Onde estamos somos missionários e podemos fazer missões. Isso também não quer dizer que não devemos ir para longe. Entretanto não precisamos necessariamente, ir ao continente africano, à Índia, e ou, ao oriente, ou mesmo ao oriente médio, para evangelizar.   
Também não creio que temos o dever e a obrigação de "evangelizar" os budistas, os xintoístas, os muçulmanos...  Temos sim o dever e a obrigação de respeitá-los e compreender que cada um deve continuar em suas respectivas religiões, entre elas a umbanda, o candomblé, o kardecismo..., até que elas próprias impelidas pelo Espírito do Senhor, e não pelo meu espírito, embora eu possa e deva ser o canal dessa Graça, se decidam por essa ou aquela religião e venham compreender e sentir o Amor de Deus, onde Deus queira que elas estejam. Ali essas pessoas poderão ser usadas por Deus, e da maneira que Ele quiser.
Evangelizar não é fazer prosélitos nem apontar os dedos sujos e cheios de pecados para os outros, fazendo-se de santo ou de santa, quando na realidade se está com a mente lotada de coisas obscuras, tais como julgamentos religiosos, ódio, malícia, falta de perdão, falta de respeito...  
Toda missão deve ser feita com alteridade, com muito Amor e com muito respeito ao ser humano, à sua cultura, à sociedade e à comunidade onde ele está inserido. Missão não é pregar usos e costumes, e muito menos moralidades, aniquilando a cultura local como foi feito aqui na América Latina e principalmente no Brasil, primeiramente pelos missionários católicos romanos (entre eles os jesuítas), e depois pelos pastores e missionários norte americanos e europeus, que aqui estiveram quando em terras tupiniquin foi implantado o "Protestantismo de Missões". 
Na ocasião da ocupação e exploração do Brasil por parte dos portugueses - não falo de descobrimento porque o Brasil já tinha os seus habitantes quando os europeus chegaram por aqui. Esses habitantes são os nativos brasileiros, erroneamente chamados de índios. Esses sim, descobriram o Brasil -  os jesuítas obrigaram os nativos brasileiros - e de toda a amazônia - à vestirem roupas: moralismo! E no decorrer das missões católica, dizimaram uma imensidão desses nativos, oprimiram-nos, escravizara-nos, e os demonizaram.  
Depois foram os pastores e missionários americanos e os pastores e missionário europeus, com seus ternos e gravatas, que nos impuseram a sua cultura, e o seu modo de se vestir, pregando o uso e costumes, e nos disseram que não podemos usar cabelo grande e nem barba. Eles que desrespeitaram a nossa cultura, e o nosso modus vivendi, também demonizaram o nosso país e as religiões afro-ameríndias, e disseminaram na mente do povo brasileiro que o tambor era um instrumento do diabo. Essa mentalidade perdura entre nós até os dias de hoje. Você vê tambores nos grupos musicais nas igrejas brasileiras?  
"Penso, logo existo!" Além do "Ide por todo o mundo", o famoso "Cogito ergo sun", deveria nortear as missões cristãs, que, de cristãs, muitas não têm nada. Antes de pensar em fazer missões, eu deveria pensar em que tipo de missionário devo ser, e em que tipo de missão eu devo executar. Por isso tenho alguma perguntas:
  1. Será que todos precisam mesmo ser cristãos?
  2. Será que os cristãos estão sendo referência positiva no mundo (sal da terra)?   
  3. A quem devo pregar? As Boas Novas (Evangelho), ou a religião, a denominação ou a mim mesmo?
  4. Devo pregar o Amor de Deus ou pregar aquilo que eu acredito, mas não sou? 

Ide, portanto, e pregai o Amor, a Graça e a Paz, o perdão, a misericórdia, o respeito, a alteridade. Evangelizar não é fazer prosélitos. A ordem foi "fazei discípulos" (Mt 28.19), não para mim ou para você, muito menos para a denominação em nem para a religião. Quando Jesus disse: "Ide", ainda não havia nem sequer o cristianismo, ele disse: "... em nome do Pai e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19). 
 
Estás interessado em ir? Então vá! "Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo"; tão somente, amém!  
O Amor do Pai, a Graça do Filho e as consolações do Espírito Santo do Deus Altíssimo e Todo Poderoso nos acompanhem em nossas missões à cada lugar por onde passarmos e com todos com os quais nos comunicarmos. Inclusive nos blogs e nas redes sociais, amém.   
"O mundo é minha paróquia". A internet é meu púlpito!
Austri Junior 
  

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O que está acontecendo com a Igreja?


Ontem (sábado, 17/04/2011), Saí da Pós-Graduação e fui ao antigo bairro onde residi por longos 20 anos com dois objetivos: 
1) Visitar e orar por um ex-vizinho, porém amigo que está com suspeita de câncer no pulmão;
2) Ver a quantas iam o trabalho do pedreiro que estaria em casa de minha mãe, fazendo alguns reparos. 

Embora, o objetivo principal de minha missão fosse visitar um enfermo, não é sobre ele que quero falar-lhes, mas sim sobre o pedreiro, e quero iniciar essa reflexão com uma pergunta: O que está acontecendo com a Igreja de Cristo? 

Para que possamos avançar nesse texto, devo esclarecer alguns pontos:
Ao chegar em casa de minha mãe não vi sinal de nenhuma obra em andamento. O material estava armazenado na varanda, tal como havia sido deixado pelos entregadores da loja, e, minha mãe, assentada na sala, assistia televisão, enquanto me esperava. Adentrei à casa e perguntei-lhe então: " - Ué! cadê" o pedreiro que vinha reformar o telhado? 
Essa pergunta ligou o "botão da revolta" na mente de minha mãe, que se levantou e começou a dizer algumas palavras não muito agradáveis sobre o contratado, que não havia cumprido a sua palavra no trato. E, depois de esbravejar um "bocado", disse; " - O indivíduo faltou, porque estava com a cara cheia de cachaça!"  "Indivíduo" não foi bem a palavra que ela usou.

O pedreiro, que vamos chamar de João (por uma questão ética, omitirei o seu nome verdadeiro), há mais de 20 anos, era membro de uma igreja pentecostal. João trajava sempre a clássica indumentária do "crente" varão: Camisa social (manga comprida), calça social, e chinelo de dedo mais conhecido como chinelo bambolê, ou se preferirmos, sandálias havaianas, inclusive no trabalho. Era sério e sisudo, quase não sorria, vivia com a bíblia debaixo do braço, passava em frente à nossa casa todas as noites e aos domingos pela manhã na ida e na volta da igreja quase não conversava com os "ímpios", para não se contaminar, e quando abria a boca para falar, comunicava-se em dois idiomas: o "evangeliquês" e o "crentês". Era um indivíduo responsável, embora nunca fosse um bom pedreiro - não tinha capricho com o seu trabalho, mas era respeitado na comunidade. Agora, João, se tornou um bêbado, que - segundo a esposa desabafou com a minha mãe - chega bêbado em casa, quebra toda a louça, e, ontem, eles não tinham nada em casa para comer porque " - o João abandonou a igreja, Dª Célia, e só vive bêbado. Gasta todo o dinheiro que ganha, com cachaça. Ontem chegou em casa embriagado, xingando muitos palavrões, quebrou um monte de copos, e hoje cedinho foi para o bar encher a cara de cachaça." Disse ela para a minha mãe.

Eu fico triste com esses relatos, independente de igreja ou de religião, e no caso do João, venho observando a sua trajetória há muito tempo. Os seus filhos, que vi todos pequeninos e os acompanhei crescendo, viviam na igreja com o pai e com a mãe. O casal sempre passava um ao lado do outro acompanhados de uma "penca de crianças". Mas enquanto o tempo passava, os filhos e as filhas do João iam se afastando da igreja. As meninas foram engravidando e se envolvendo com rapazes de má índole, enquanto que os filhos do João, um a um, foram se tornando eles também, rapazes de má índole, envolvendo-se com drogas, roubos, sendo presos... Comportamento tão criticado pelo João, quando esse era um "crentão". João costumava "descer a lenha" na vida dos católicos, dos "pagãos" e dos "ímpios" - palavras muito usadas pelos evangélicos para definir as pessoas que não comungam de suas crenças e ou possuem um estilo de vida diferente dos deles - com seu clássico "crentês", usando versículos bíblicos tão bem memorizados e decorados na ponta língua. Mas como está escrito na carta de Tiago: "Ora, a língua é fogo..." (Tg 3.6) - Leia os capítulos 3 e 4 da carta de Tiago.

Sei que temos muito a discorrer nessa reflexão, e o meu tempo é pouco - o bom disso é que posso voltar ao assunto mais tarde - mas quero dizer que muitos fatos ocorreram, enquanto os filhos do João cresciam. Não estou responsabilizando a igreja (denominação) pelo que ocorreu com os filhos do João. Certamente - tomo todo o cuidado para não julgar o João - este faltou com uma educação mais apropriada aos seus filhos, como por exemplo, os limites e as orientações, embora, creio eu, que uma igreja que possui uma eclesialidade sadia pode ajudar muito, aos pais a educarem o seus filhos. Sei que o ambiente comunitário, assim como o ambiente familiar, além do ambiente eclesial e escolar, também contribuem para a formação do indivíduo. Entretanto, volto a perguntar: o que está acontecendo com a Igreja de Cristo? Ao fazer essa pergunta, estou me referindo à Igreja corpo de Cristo - pessoas.

Muita gente tem feito o caminho inverso: da igreja (denominação), para o alcool, para as drogas, para a prostituição... enfim. Sei que somos capazes de fazer as nossas escolhas - e em minha opinião a predestinação é somente com relação à Salvação e provém da Soberania de Deus - mas com certeza, alguma coisa aconteceu ao João, no decorrer da sua caminhada evangélica. Uma pessoa que não bebe (principalmente um cristão), dificilmente, em uma manhã, levantar-se-a da sua cama, e num repente, dirá: "Eu hoje, vou encher a cara!"
As coisas vêm acontecendo aos poucos, de uma forma gradativa, até que um dia...
Já conversamos aqui no Círculo Teológico sobre isso (algumas postagens abaixo) sob o título de O QUE É A IGREJA?
Aproveito a oportunidade que encontrei nesse fato ocorrido na vida do João, para dizer duas coisas:
1) Nunca julgue ninguém;
2) Cuide do seu irmão.

O Apóstolo Paulo disse certa vez,  que "aquele que está de pé, cuide para que não caia". A queda sempre se inicia na arrogância e na prepotência, ou seja, na soberba. A queda passa pela língua inflamada, e, a queda quase sempre é fruto do descaso e do abandono. Por isso, sempre digo: cuide do seu próximo, cuide do seu irmão. Você que está de pé, ajude aquele que está por algum motivo, enfraquecido. A vida é dura, e em algum momento da caminhada podemos tropeçar, e até mesmo cair. Eu costumo dizer que para morrer basta estar vivo. Para cair, basta estar de pé! Seu irmão está sumido, ou sinalizando que está com dificuldades? Fique atento, estenda-lhe as mãos. Hoje é ele, amanhã pode ser um de nós.    

Austri Junior

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O que está acontecendo com a igreja? (Parte2)


A igreja - instituição - é composta por pessoas. Sem pessoas não há instituição, assim como em clubes, sociedade, partidos políticos..., a igreja precisa de determinado número de pessoas para funcionar. Seria uma heresia comparar a igreja com clubes, e ou com partidos políticos? Para os ignorantes, os religiosos, e para as pessoas de mentes cauterizadas, sim! Poucas pessoas sabem que ao registrar uma igreja no cartório de ofícios, seja ela qual for, a mesma é registrada como associação, ou como sociedade. Um clube não é nada menos que uma associação ou uma sociedade. Portanto, toda igreja não passa de uma sociedade ou de um clube. 

É muito comum ouvirmos pregadores, e até mesmo teólogos afirmarem: "- A igreja não é um clube social!" Para você que pensa assim, eu lhe confesso que já pensei assim também, e cansei de repetir em minhas pregações essa informação que hoje considero errada. - você não precisa concordar comigo - mas a igreja é sim um clube, e é social porque é composta por seres humanos, e todo ser humano é, ou deveria ser, um ser social. 




















Sei que a frase: "A igreja não é um clube social" é pronunciada com outro sentido. Entretanto, o que vemos hoje, são grandes clubes - MEGA CHURCHIL - agrupando cada vez mais um número enorme de pessoas, fazendo uma grande lavagem cerebral, onde o Evangelho do Cristo pobre, humilde, simples e sofrido, deu lugar aos carros zero e importados, à soberba e ao orgulho. Todos querem ser empresários bem sucedidos, em busca incansável e exacerbada pela riqueza. Esse evangelho fajuto e de segunda categoria que assola as igrejas, desencadeou também indústria dos livrecos de auto ajuda, com exercícios diários de repetição: "EU VOU SER RICO, EU VOU SER MILIONÁRIO, EU SOU PRÓSPERO...", isso também desencadeou a indústria da "música gospel", que agressivamente propaga em suas letras - vazias, chatas, enjoadas, repetitivas, nojentas, antipáticas, nocivas ao Verdadeiro Evangelho e à mente humana -  a famigerada teoria da prosperidade, mais conhecida como "teologia da prosperidade". Essas tais musicas gospels, que eu faço questão de não ouvir - salvo em raríssimos casos, como por exemplo: Carlinhos Félix - e também não compro tais discos - prefiro The Beatles - também trazem no seu bojo, entre outras coisas, a vingança evangélica: "- quem me viu passar pela prova e não me ajudou... a minha vitória tem sabor de mel, tem sabor de mel, tem sabor de mel..." - Tudo isso está transformando o cristianismo em religião de quinta categoria.

A igreja hoje é um depósito de gente que está preocupada em ficar rica, em atacar os homossexuais, atacar as outras igrejas, e as outras religiões, e no caso das igrejas protestantes e evangélicas, o alvo preferido é a igreja católica romana, a igreja anglicana, e as religiões afro-brasileira, entre outras, tais como as religiões orientais, principalmente aquelas que pregam a reencarnação. Entre tantas religiões, coisas e pessoas que a igreja está preocupada em destruir, satanizar e demonizar, está o ecumenismo. A igreja vive para demonizar e satanizar as instituições e as pessoas que pensam e são diferente daquilo que ela prega, mas não vive. 

A igreja hoje não passa de uma instituição fria, feita de corações de pedras que busca o enriquecimento e o crescimento a qualquer custo, e adoece os seus membros, impondo-lhes inclusive, um fardo enorme que eles não conseguem carregar, como no caso do João - o personagem do nosso post anterior.  

Diga-me: 
- Para quê, ou para quem serve uma réplica do templo de Salomão, e em que isso irá edificar a igreja, a sua vida, ou a minha vida, e a vida de qualquer outro cristão? 
- O que significa a palavra "pecado"? A palavra pecado significa errar o alvo, não é mesmo?
- Então, qual é o alvo do cristão?
- Não seria o Cristo Ressurrecto, o alvo dos cristãos?
- O Alvo do cristianismo não é a promoção do Reino, através da pregação do Evangelho puro e simples?
- Porque então a igreja se comporta como um elemento estranho à essência da Missão de Jesus? - Missão que foi dada a igreja!
- O que está acontecendo com a igreja?

Gostaria de escrever mais. Esse assunto como qualquer outro é inesgotável, mas quero deixar você ruminando essas coisas aqui apresentadas, mesmo que você não concorde comigo. Como eu já disse, é seu direito não concordar, e eu serei o primeiro a defender o seu direito de discordar de mim.

Antes de finalizar, gostaria de dizer que a igreja é sim uma instituição política. Se assim não fosse, não teria sobrevivido por mais de dois milênios, algumas instituições eclesiais estão sobrevivendo por centenas de anos, e outras por algumas décadas.

Sei que não existe igreja perfeita e nunca existirá. Não estou aqui criticando a igreja simplesmente por criticar ou apenas para polemizar. Estou aqui a dizer que a igreja pode e deve melhorar. A igreja deve voltar atrás e refletir a sua missão, rever os seus conceitos, buscar o Cristo do Evangelho e o seu Evangelho. 
Estou a dizer que a igreja (instituição) é diferente da Igreja (corpo), embora seja dirigida, administrada, e idealizada por pessoas. Infelizmente, em sua maioria, por pessoas doentes. A igreja está adoecendo a Igreja, porque está doente há muito tempo. 

A igreja não está adoecendo somente a Igreja. Está também, acabando com o testemunho de Jesus, está destruindo as Boas Novas, está apodrecida e apodrecendo a religião, apodrecendo a comunhão entre irmãos, está afastando a sociedade para longe de si. A igreja absorve no seu bojo, a religião, e religião quer dizer ligar entre si, religar

Portanto, a religião que deveria servir de instrumento para o Evangelho de Cristo, na libertação das pessoas, infelizmente está oprimindo a Igreja Corpo de Cristo, e está dando mau testemunho para a sociedade que ela tanta critica. Como se tudo isso não bastasse, a igreja está dando à luz e criando verdadeiros monstros e monstras, enquanto ela mesma se torna a mãe desses monstros e dessas monstras: ladrões, mentirosos, adúlteros, pedófilos, caloteiros, manipuladores, enganadores, estupradores, homossexuais, fofoqueiros, tramadores, falsários e farsantes, vigaristas... 

Alguém pode dizer: "mas essas pessoas já chegaram na igreja assim!" 

- Sim, é verdade! Mas a pregação do Evangelho não deveria tê-las transformado?

Isso tudo que escrevi é para toda as igrejas cristãs e para todas as denominações (instituições). Como disse, não existem igrejas perfeitas. Também sei que no bojo da igreja existem administradores, lideres, servos, leigos e leigas que são homens e mulheres de Deus. Jamais poderia generalizar. Ainda existem pessoas decentes, boas e honestas na igreja. Com defeitos é claro, pois ninguém é perfeito. Mas são pessoas confiáveis, e pessoas que se esforçam para serem verdadeiramente cristãs. 
 
Austri Junior 

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Anúncio sem exegese

palavra sem luz , manipulação, extorção e distorção - Um grande perigo!


Estava assistindo a televisão, e ao trocar de canal deparei-me com um desses programas “gospel’s”. A imagem chamou-me a atenção: o pregador em cima de um caminhão, abarrotado de gente, pastores e políticos com ele. Esse homem gritava, louca e desesperadamente para uma enorme multidão em frente a explanada dos ministérios em Brasília. Era uma manifestação contra a PL 122 – Lei que confere aos homossexuais o direito de exercerem a sua cidadania sem serem  ostracizados pela sociedade. Nessa manifestação, o pregador incitava o povo contra os direitos de cidadãos dos homossexuais, alegando o direito dos cidadãos (no caso, eles) a se manifestarem contra a referida lei, e usava o termo “CIDADANIA TERRENA“. Fiquei pensando: quantos tipos de cidadania existem? A cidadania não seria uma só? Cidadania não é a garantia de ir e vir e que todos os cidadãos (supostamente) são iguais perante a lei, e que todos os cidadãos têm direitos e deveres ? A cidadania não consiste em você e eu garantir os nossos direitos garantindo e respeitado os direitos dos outros cidadãos?


O problema é que está sendo necessário fazer leis para que os outros tenha os seus direitos garantidos, mas os que pensam diferente fazem manifestações para garantir que os diferentes não tenham seus direitos garantidos. Esses só podem ter deveres: pagar impostos, obedecer as leis… Nada mais!


Voltando à questão da “CIDADANIA TERRENA“, algo que me intrigou muito, pergunto: Existe cidadania marítima, cidadania celeste, ou até mesmo cidadania desértica ou cidadania arenosa?

Ao que parece, para aquele pregador, existe uma “CIDADANIA ESPIRITUAL“. O que me impressiona é a quantidade de pessoas que se aglomeram para ouvir tantas asneiras, o que me parece muito perigoso. Mas esse é o retrato da igreja brasileira, que passa longe do verdadeiro cristianismo. No fim da manifestação, ele, o pregador enfurecidamente louco e desesperado, incitou o povo a orar ao Senhor Deus pelo direito de se manifestarem contra os direitos dos outros e não perdeu tempo: já orou também por “prosperidade”.

Quando a imagem foi cortada para o estúdio – a manifestação era uma apresentação em vídeo-tape – o pregador reforçou a ideia de que os “evangélicos” deveriam exercer a “CIDADANIA TERRENA“, pois não são anjos, e sim seres humanos, e disse: Se você é anjo, me dá o seu salário para mim, porque você não precisa dele, eu preciso.” Ele citou alguns versículos bíblicos para justificar a sua, asquerosa, esdrúxula e tosca hermenêutica da “CIDADANIA TERRENA” e novamente não perdeu tempo: pediu doações para os muitos compromissos financeiros que ele tem, alegando estar passando por um “DESERTO ESTREITO.”


Novamente me ponho a pensar: como é fácil manipular os incautos, os desavisados, os infantilmente espirituais, os ignorantes teológicos, os cegamente religiosos… E quantos desses não ficam com a geladeira vazia, para doar, contribuir e sustentar esses “manipuladores gospel’s”, enquanto que, “a geladeira dele deve estar cheia”, como bem comentou a minha esposa, que repulsivamente rejeitou tal apelo escrupuloso.
Nota: O objetivo dessa reflexão não é a crítica pura e simples do direito de discordar ou manifestar as idéias, mas o fato de que tudo serve de motivo para manipular as massas desavisadas, principalmente para "arrancar" dinheiro em nome de Deus.
Austri Junior

 

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  Sobre Teologia, Ciências da Religião, e o Ensino Religioso

Com certeza o conhecimento Teológico ajuda muito o Cientista da Religião. Digo-o por experiência própria, pois Religião, seja ela qual for, passa pela Teologia. É evidente que se faz necessário esclarecer aqui, que não existe uma Teologia, até porque não existe uma religião. É preciso considerar a Pluralidade Religiosa, e, evidentemente a Diversidade de Religiões. Em função disso, é impossível conhecer todas as Teologias, mas, em um contexto cristão por exemplo, a falta de conhecimento Teológico nessa área causa certa dificuldade. Eu jamais, por exemplo, poderei me aventurar no campo Teológico Islão sem uma devido e preciso conhecimento Teológico que diga respeito à essa determinada Religião. O que posso fazer nesse aspecto, é uma pesquisa bem fundamentada antes de falar sobre o assunto, e ainda assim, com certeza, deixarei a desejar e ficarei devendo muitas coisas, e isso vale para todas as religiões.
Pude presenciar o embaraço e o despreparo Teológico de um professor, que veio de outro estado especialmente para dar aula de uma determinada disciplina (vou omitir o dados por uma questão de ética), para a nossa turma de Pós-Graduação em Ciências da Religião. O rapaz é Mestre em Ciências da Religião formado por uma universidade conceituadíssima no país, e esbarrou nas "PEDREIRAS FUNDAMENTALISTAS" que frequentavam a turma, em sua maioria, líderes e pastores "evangélicos", e, aí foi o caos. E olha que o professor não era nenhum bobinho, ele sabia muito na área dele, e foi isso que amenizou um pouco a situação dele.
Também presenciei as dificuldades dos colegas que tinham formações em outras áreas, que ficavam perdidos nas aulas, eu mesmo passei por essa situação várias vezes, quando aparecia um professor "fera" na sala. Eu me sentia um ignorante. O que me "consolava" (literalmente entre aspas), era saber que ninguém sabe tudo - mas tem que assumir o compromisso de buscar e pesquisar, pois a ignorância não justifica o despreparo.
Quanto ao Ensino Religioso no ensino fundamental, quero acrescentar, que o mesmo só deve ser ministrado nas escolas escolas públicas se for sob o ponto de vista das Ciências da Religião, e deve se limitar em estudar o FENÔMENO RELIGIOSO. 
O ER não deve ser denominacional, não deve ser tendencioso, não deve ter a finalidade de fazer prosélitos, não deve ser Teológico e muito menos cristão. Ao se falar em cristianismo no ER, deve se enfatizar o ECUMENISMO.

Em ER, é necessário trabalhar a diversidade e a pluralidade religiosidade no Brasil e no mundo. E, jamais, nunca, em hipótese alguma, deve-se deixar de lado as Religiões AFRO-BRASILEIRAS, as religiões AMERÍNDIAS, o ESPIRITÍSMO... Tudo isso sem zombaria, discriminação, preferências, sarcasmo, desdém... E, jamais, nunca, em hipótese alguma, permitir que os educandos trilhem por esses caminhos. Nessa faixa etária eles estão influenciados pelo que vêm, vivem e ouvem: em casa, na instituição religiosa onde convivem, na rua... O ER é um grande desafio para o professor, pois vai ter muito trabalho em ajudá-los a desconstruir alguns conceitos pré-concebidos - muitos deles, perversos e maldosos. Não nos enganemos: eles já possuem as suas "malas prontas".
Austri Junior

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'Igreja nunca mais!'

 

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: "Igreja nunca mais!"  
O que leva uma pessoa desistir da suposta comunhão eclesial que deveria reinar tanto no corpo quanto na instituição? O que está acontecendo com, e nas igrejas, que muitos têm se afastado dessa suposta comunhão? Eu sei que você tem as respostas. Sim! Respostas no plural, pois essas respostas são realmente muitas – esse pequeno texto não tem a intenção de enumerá-las em sua totalidade, pois muitas são as causas pelas quais as pessoa não querem mais ir à igreja, e deixam de ser Igreja.

É chegada a hora de re-significar a definição do que é a igreja e do que é ser Igreja. Quantos termos temos para definir os que estão inseridos no contexto eclesiástico? Pelo menos três não é mesmo? São eles: Cristão, crente e evangélico. Todo cristão é um crente e é evangélico. Todo crente é um evangélico, e todo evangélico é um crente. Entretanto, nem todo crente e evangélico são cristãos. Esses até pensam que são, ou dizem ser, mas… A distância entre uma coisa e a outra é muito grande.

A verdade é que em alguns (talvez em muitos) casos, a comunhão é realmente apenas uma suposição.  Ser cristão pela metade gera a fragmentação na comunhão e na diaconia. Comunhão e diaconia fragmentadas geram descontentamento e decepção, que por sua vez geram a evasão. A evasão traz em seu bojo a celebre frase: “IGREJA NUNCA MAIS!”

Austri Junior


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Religião, Teologia e as Ciências da Religião na Educação Religiosa



Com toda certeza, a Ciência da Religião não é religião. A Teologia também não é religião. Teologia é Ciência Humana, e já foi a mãe de todas as ciências.
 
A Teologia é também uma tentativa humana de compreender o Sagrado e o Divino. Há hoje em dia muita confusão para se compreender e separar a Teologia da religião, e das Ciências da  Religião. Em minha opinião, parte da culpa disso tudo é dos sacerdotes cristãos – sejam eles, católicos, ortodoxos, anglicanos ou protestantes, pois estes têm condições e conhecimento teológico para ensinar a coisa certa, e deixam os pastores e pregadores chamados “evangélicos” bagunçarem o cristianismo, tornado-o uma religião de segunda categoria e causando tremenda confusão nas pessoas “religiosas” e na sociedade. 

O conhecimento, seja ele teológico, cientifico ou religioso não dá conta de resolver esse problema junto à sociedade que foi mal orientada desde que o catolicismo foi implantado no país, ainda na época da colonização. Infelizmente é comum ouvirmos os sacerdotes católicos  e pastores “evangélicos” dizerem em seus sermões, em seus escritos, em entrevistas… “a religião católica…” ou então, “a religião evangélica…” Catolisimo e evangelicalismo nunca foram e nunca serão religião. Religião é: Cristianismo, Budismo, Islamismo, Espiritísmo, Baháísmo, Xintoísmo…


Teologia, religião e Ensino Religioso
O ensino religioso nas escolas públicas também só irá funcionar se for ministrado sob a ótica das Ciências da Religião, como rege a LDB 9.033, parágrafo 33,  eu diria mais: com o objeto de estudo último voltado para a pesquisa do FENÔMENO RELIGIOSO E A MANIFESTAÇÃO DO SAGRADO, LEVANDO-SE EM CONTA A RELEVÂNCIA DAS QUESTÕES SÓCIO ANTROPOLÓGICA E A PÓS-MODERNIDADE. Pois se  não procurarmos entender o ser humano e a sociedade, jamais entenderemos o fenômeno religioso. Religião não existe sem pessoas. Deus não fez nenhuma religião – nem mesmo o judaísmo – as religiões foram criadas pelos seres humanos desde os primórdios da existência humana. Jesus também não fundou nenhuma religião, e ele deixa isso muito claro no evangelho. O cristianismo foi criado pelos discípulo de Jesus.

Teologia, a rainha das ciências 

Como já disse, a Teologia não é religião. Teologia é Ciência e realmente é já foi a rainha da Ciências. Penso que se deveria estudar Teologia no 2º Grau, assim como se estuda a Filosofia e a Sociologia. Isso seria o avanço e a continuidade do Ensino Religioso no 1º Grau. Esse fato, possibilitaria o discernimento e o conhecimento mais aprofundado, e traria à sociedade o benefício da aceitação, da tolerância da convivência pacífica e ecumênica. De igual forma, também deveria ter as disciplinas: INTRODUÇÃO À TEOLOGIA  e se possível, TEOLOGIA SISTEMÁTICA nos cursos superiores, principalmente os cursos da área de humanas, a exemplo da disciplina FILOSOFIA DA RELIGIÃO,   que já existe em alguns cursos.

Austri Junior

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Ecumenismo e diálogo

Quando o assunto é ecumenismo e diálogo, na América Latina e no Brasil, seria hipocrisia não incluir as religiões indígenas e as religiões afro-brasileiras. E pior seria, se, ao sentarem-se à mesa, os interlocutores deste assunto – que é da maior importância, não somente para a Igreja, mas também para a sociedade – não derem voz e vez com dimensão igualitária aos representantes das religiões indígenas e afro-brasileiras, com disposição não somente a ouvi-los, mas, interagir com os mesmos respeitando-se mutuamente em suas diferenças.

Historicamente sabemos que as religiões afro-brasileiras só sobreviveram por causa do sincretismo com o catolicismo romano, mas ainda hoje, em pleno século XXI, onde a DECLARAÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS e a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA garantem plenos direitos de liberdade religiosa; no Brasil, as pessoas ainda são vitimas de preconceitos religiosos, e são amplamente descriminadas por causa das religiões e dos credos que confessam. São excluídos da sociedade, e são agredidas, moral, verbal e até fisicamente por adeptos e até mesmos por líderes de outras formas de religiosidades, incluindo aqueles que se dizem pastores e “evangélicos”, quando na realidade o evangelho de Jesus Cristo prega amor ao  próximo.

Abomino toda e qualquer forma de preconceito, pois todo conceito pré-concebido, gera a intolerância e a exclusão. Seja ela, social, racial, sexual e ou religiosa, e, em todas as suas formas.

Muitos usam textos como Mt. 10.5 “Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos...”, para justificar que as outras religiões, inclusive o catolicismo, e as religiões Afro-descendentes, devem ser deixadas de fora da discussão, por serem do demônio. Isto não é segregação? 


SER DEIXADO DE FORA

Sinto arrepios quando escrevo, ouço, ou, pronuncio esta frase. Se Jesus pronunciou este versículo – se é que o pronunciou – com esta intenção, realmente não faz sentido ser cristão. Muito menos, pregar que  “Deus é Amor”, embora alguns digam de pronto: “mas Deus também é justiça!”.
Enquanto cristão, ecumênico, pregador do Evangelho, defensor do diálogo entre as religiões, bem como entre as denominações cristãs, da pluralidade religiosa, e da inclusividade, enquanto eterno teologando e pós-graduando em Ciências da Religião, com visão  sócio-antropológica  - o que não me faz  nem melhor, nem pior que ninguém  - gosto de vislumbrar sempre um novo amanhecer, uma nova igreja, uma nova Teologia, e uma nova sociedade, que deve acontecer a partir de uma Teologia inclusivista e plural, que venha gerar o respeito o diálogo e a aceitação de uns para com os outros, na comunhão dos santos para construir uma Teologia, uma Igreja (corpo de Cristo), e uma sociedade sadia. O julgamento e a "porta estreita"   devem ficar por conta de Deus. Que é Soberano!

Não acredito em uma religião única e em nenhuma religião suprema. Deus seria muito sádico e extremamente perverso se permitisse tantas outras religiões simplesmente para queimar a todos os que não fossem cristãos no famoso “dia do juízo”. Se assim acreditasse,  recusar-me-ia, servir, amar e adorar tal Deus, embora Ele seja supremo, e pode “queimar-nos” a hora que Ele quiser. Porém, creio em um Deus Supremo, totalmente Soberano, Justo e cheio de Amor, de Bondade,  e de Misericórdia. Penso que se não fosse assim, Ele não teria dado o seu Filho Unigênito para morrer na cruz. Creio na predestinação de todos para a Salvação, embora "Deus tenha escolhido Judas para a perdição".

E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (1Jo 4.16). 
Que nós nunca nos esqueçamos de que “DEUS É AMOR”
Austri Junior 

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Dialogo Intra-Religioso - Caminho para um Ecumenismo Saudável

 
Panikkar compreendeu muito bem o fato de que o Sagrado se manifesta de forma absoluta - objetiva - ao mesmo tempo em que a sua compreensão e percepção antropológica, se dá de uma forma totalmente pessoal - subjetiva.

Somente aquele que possui a grandiosidade universal e a iluminação - que vai além da religião e da espiritualidade, que, ultrapassando as paixões, se bem que para ter e defender a visão (ou ideia) da Pluralidade Religiosa, é preciso ser um apaixonado - consegue desprender-se do conceito de "propriedade", visto que Deus não pertence a ninguém e nem mesmo a nenhuma religião .


Não existe religião absoluta, única, exclusiva, ou a única verdadeira. Quando uma religião se comporta como "A Religião", essa tal se torna excludente, e reivindica para si o "status" de "Religião Absoluta". O absolutismo já caiu do poder há muito tempo, em todas as estâncias do poder: Político, Econômico, Familiar e principalmente Religioso. A Reforma Religiosa marcou o princípio da Democracia Eclesiástica e a Liberdade Espiritual. O contrário disso é ditadura e arrogância. Precisamos investir no Diálogo (seja ele qual for e em todos os âmbitos e níveis de entendimento), e na aceitação, para imprimirmos uma nova era que abrangerá todas as religiões e os seus co-religionários, e alcançarmos o Diálogo entre irmãos.

 

A defesa de Panikkar pelo Diálogo Intra-Religioso, define muito bem a importância do entendimento primeiro dentro de casa.
 

O Diálogo Intra-Religioso se faz urgente e necessário, e é o caminho para um ecumenismo saudável! 

Austri Junior


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Cristianismo x Cristianismo

Hoje passei a manhã toda em busca de dois artigos interessantes, na área da Teologia para publicar aqui no Blogue. Um dos artigos era para a Página Circulo Teológico, espaço que reservei especialmente para artigos teológicos de outros teólogos, e o segundo artigo eu pretendia publicar na Página Academia Theologica, espaço reservado para artigos teológicos de cunho acadêmico, histórico, técnico e intelectual.
Foi muito interessante observar que os teólogos têm muito medo de disponibilizar os seus artigos. Uma grande parte da boa, séria e verdadeira teologia que está disponível na internet, não está realmente disponível. Geralmente está publicada em PDF, ou "marcada" de alguma forma. Eu entendo esse "medo", pois há pessoas que passam a vida acadêmica, ou mesmo "internáutica", envolvida com o Control C + Control V, e não informam sequer a fonte, quanto mais quem é o autor, dando a entender que o texto é de sua propriedade, num ato anti-ético e desonesto. Entretanto observo que em outras áreas, como no jornalismo, na arte, na cultura, na educação, na filosofia, nas ciências sociais..., isso ocorre com menor incidência em relação à área teológica.
Mas o motivo principal pelo qual passei muito tempo na internet pesquisando bons artigos, e encontrando dificuldade em conseguir algo de real valor, não foi somente o medo dos teólogos, e os seus textos protegidos em PDF, ou "marcados". Eu buscava encontrar um texto clássico sobre o Calvinismo para a Página Circulo Teológico, e um texto histórico, cultural, técnico e ou, acadêmico sobre o Arminianismo para a Página Academia Theologica, e me deparei com uma verdadeira "guerra teológica" - Calvinismo x Arminianismo.
Como Bacharel em Teologia conheço bem a origem desse embate, embora nunca tenha me interessado por ele. Nos tempos de academia (faculdade), o que mais se ouvia e se via em sala de aula e muito mais nos corredores, na cantina e nas caronas de volta para casa era esse terrível e enfadonho assunto teológico: Calvinismo x Arminianismo. E, por causa disso, pessoas deixam de falar umas com as outras, acabam se ofendendo mutuamente, em uma discussão que já dura centenas  de anos, e  que nunca se chegará à um denominador teológico comum.
As pessoas esquecem que temos muito mais em comum, e muito mais coisas para nos unir que no separar, do que simples linhas teológicas, tais como: Teologia Bíblica x Teologia Sistemática, Teologia da Libertação x Teologia Ortodoxa , Teologia Liberal x Teologia Conservadora... Também vejo as pessoas se gladiando por questões religiosas e eclesiásticas, tais como: Catolicismo x Protestantismo x Catolicismo... Teorias, ideologias, filosofias e principalmente teologismos servem muito bem para o nosso conhecimento e são muitíssimo importantes. Não podemos, ou não deveríamos viver sem eles, mas "Jesus é a aliança, entre você e Deus..." Jesus é a aliança entre você e eu!
Estamos assistindo os "evangélicos" se "comendo" em pregações toscas e esdrúxulas, disputando a salvação, isso quando não disputam fiéis, com as suas parafernalhas ensurdecedoras: cada igreja com o som mais alto que a outra, mesmo quando uma está lado a lado com a outra. Esse tipo de atitude acaba reproduzindo uma cultura típica de pessoas com pouco ou nenhum acesso à educação, que mais lembram as antigas "zonas do baixo meritrício" - onde cada casa de prostituição bem "coladinha" uma com a outra, colocava um som bem alto, na tentativa de abafar o som da concorrência, atraindo a atenção do cliente - sem falar na falta de educação social, na falta de cidadania, e na falta de respeito, não somente de uma denominação para com a outra, mas para com os vizinhos, e com a comunidade do entorno. Normalmente essas controvérsias teológicas, eclesiásticas e religiosas, iniciam-se e terminam com as pessoas e as instituições reivindicando para sí a posse absoluta da questão soterológica.
Pensando nessas controvérsias, costumo parafrasear: 
"Há muito mais entre Deus e a bíblia, do que supõe a nossa vã teologia."
Austri Junior

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 Extra Ecclesiam nulla salus



ECUMENISMO E DIÁLOGO  –  UMA ANÁLISE DA FUNÇÃO E DOS DESAFIOS DA TEOLOGIA, DIANTE DE UMA SOCIEDADE PLURIRELIGIOSA, FACE AO CRISTIANISMO, ENQUANTO RELIGIÃO EXCLUDENTE; SOB UMA PERSPECTIVA ECUMÊNICA.




INTRODUÇÃO

Extra Ecclesiam nulla salus fora da igreja não há salvação – Esta idéia propagou-se pelo mundo e chegou à pós-modernidade “fazendo a cabeça” dos cristãos protestantes históricos e, dos cristãos protestantes evangélicos: principalmente aqueles de linha radical extremistas, transformando o cristianismo em uma religião excludente, seletista, segregacionária, que rejeita o outro, exclui o diferente, e, sem o mínimo sequer de alteridade, afastou-se da real proposta evangélica de Jesus Cristo que é o amor. Amor enquanto cuidado, acolhimento, misericórdia, e, acima de tudo: inclusão - Diaconia - Diante dessa situação caótica, como fica a teologia, e, qual é o seu papel? O que fazer, e como fazer?


A TEOLOGIA

Teologia é a tentativa humana de compreender o Sagrado, o Divino, o Transcendental – ou seja, Deus. Porém, a sua função não na se limita apenas em “tentar” explicar somente o Espiritual, ou, o Sobre-Natural. Ela é extremamente importante para a compreensão do Mysterium Tremendum; mas sabemos da necessidade de se ter uma teologia antropológica, interagindo nas questões sociais, entre outras estâncias onde o ser humano está inserido.

A teologia é a ciência que abrange uma vasta área do saber humano. Por isto, a necessidade de que ela lance mão também da razão.  A teologia e o teólogo devem “fazer a ponte” entre a bíblia e a igreja, e, entre a igreja e a sociedade. É mister que a teologia se posicione com firmeza diante dos desafios lançados na pós-modernidade.

Desde os primórdios, em que as religiões se manifestaram no mundo, até os tempos pós-modernos, os seres humanos vêm se debatendo e se digladiando em questões religiosas onde imperam o ódio e o rancor, ao ponto de se travar batalhas sangrentas em nome de Deus. As brigas entre religiões são antigas e vêm de muito longe. Fazendo uma observação antropo-teológica, cultural e histórica (e não precisa ser minuciosa) da trajetória da humanidade, desde a antiguidade, e, das suas questões religiosas – e da bíblia, veremos que as religiões não só se misturaram ao longo dos tempos, como também deram origem umas às outras, como é o caso do judaísmo e do cristianismo – desse evento, advém a termo judaico-cristão. Entretanto, eventos assim, nem sempre aconteceram de uma maneira harmoniosa, mas sim, de uma forma muito traumática. Estas rupturas por mais que seja um processo histórico que vai acontecendo aos poucos ao longo do tempo, costumam gerar mágoas e ressentimentos, e a briga se arrasta por séculos a fio, como é o caso da reforma cristã do século XVI. Já faz cinco séculos e até hoje o conflito é eminente – mesmo que velado. Nesse contexto, é que a teologia se faz necessária, inclusive como elemento indispensável para o diálogo. A teologia é a ferramenta que propicia a reflexão e traz à luz, os elementos racionais, e, espirituais, que devem fazer parte da discussão. Quem não possui o conhecimento teológico não consegue compreender a dimensão do problema, por mais que se ache capacitado, e, preparado para discuti-lo. A questão aqui não é somente de ordem espiritual, emocional, psicológica, social, política, cultural ou antropológica. Essa questão engloba tudo isso, e muito mais. E a teologia possui as ferramentas necessárias para compreender e analisar todas as questões envolvidas no fenômeno religioso. Apenas a razão, o intelecto, a isenção religiosa, e até mesmo a frieza da incredulidade, sem a espiritualidade só atrapalham – é relevante, hoje em dia, a volta da humanidade ao sagrado, em todos os campos das religiões, e, dos movimentos espirituais que surgem a cada instante ao redor do mundo. Isto é uma realidade incontestável, e, que, não pode de forma alguma ser ignorada. E isso tudo acontece porque o ser humano em sua imanência sente a necessidade da transcendência.
Por isso, a teologia é a base, e a pilastra indispensável para a análise dos fatos e acontecimentos que vêm se desenrolando ao longo da existência religiosa no convívio da humanidade. Outra ferramenta importante na análise do fenômeno religioso, e na busca da mediação dos conflitos existentes, são as Ciências da Religião, porém, sem a teologia, o Cientista da Religião é como um coxo claudicante descendo a montanha correndo, visto que é muito difícil faze-lo sem correr, e sem claudicar.

Um complexo por mais simples que seja (e o fenômeno religioso não é simples, ao contrário: é muito complexo), precisa de todas as peças para funcionar bem. Se faltar um dente na engrenagem, o trabalho da máquina fica comprometido, e, mesmo que ela funcione por um tempo, em algum momento, a produção será interrompida. Não é possível analisar uma questão tão profunda como o fenômeno religioso, de maneira superficial. Ou seja: sem as ferramentas da hermenêutica, e, da exegese histórico-crìtica, entre outras disciplinas teológicas, impossível contribuir de forma saudável para um consenso na busca do ecumenismo cristão.

O teólogo, por sua vez, assim como o cientista da religião, deve possuir os conhecimentos teológicos e todas as suas ferramentas necessárias, bem a razão, para exercer o seu trabalho com responsabilidade, pois é função da teologia, a responsabilidade pelos estudos de casos da religião, em seu todo: humano e cientifico.
Porém, em se tratando do diálogo, o teólogo jamais poderá agir somente no campo da imparcialidade, da razão, e da isenção cientificas.
O teólogo sem o compromisso com o ecumenismo, sem o amor pela causa, sem a paixão ardente, sem a vivência eclesiástica, e, sem a crença em Deus, e no seu Filho ressuscitado, será impossível avançar nas discussões ecumênicas. Sem tudo isso, e sem o amor pela humanidade, sabendo que a pregação de Jesus foi e é opção pelos seres humanos, será impossível acreditar e avançar nas discussões sobre o Ecumenismo. Dialogar com as demais religiões significa um grande avanço teológico, histórico, antropológico, cultural... Entre outros fatores, o Ecumenismo poderá significar a paz entre as religiões, as nações, e, no mundo, pois o Ecumenismo  é a promoção da justiça. Não é possível que haja tanta exclusão e tanta segregação no mundo, diante da proposta de Jesus que é a comunhão entre irmãos. Comunhão significa inclusão. Quando há inclusão ocorre a justiça, e justiça é a proposta de Jesus. Sem justiça social, ecológica, religiosa, e em todos os níveis em que onde se encontram os seres humanos, o que podemos colher é a exclusão, a discórdia, a intolerância, a segregação, a violência, o desemprego, as guerras... Enclausurar-se em crenças e doutrinas, dogmas e instituições excluindo os outros, relegando-os a um plano inferior, deixando-os no ostracismo, é simples e puramente promover a desigualdade, a intolerância, e a segregação, o apartheid religioso. Por isso o cristianismo tornou-se uma religião de segunda categoria, transformando-se em uma religião excludente, onde o diferente não é aceito, e não tem o direito de expressar a sua fé, e, em muitos casos, chegando às raias do absurdo de ser demonizado. Isto não é promover a justiça. Cercear o outro da sua liberdade é reproduzir o caos da intolerância, negando ao outro o direito de viver plenamente. É impressionante, como “a vítima transforma-se em algoz, e o oprimido transforma-se em opressor” (já dizia o professor Paulo Freire).
Como disse José Bitencourt (em sala de aula): 
    - “Se queremos a paz, devemos clamar por justiça”.
Justiça em todos os níveis. A Justiça começa em mim e em você, e se queremos justiça, pratiquemo-la.


CONCLUINDO

A teologia deve cumprir o seu papel diante da Igreja – corpo de Cristo, e da igreja instituição; bem como diante de toda a sociedade. Vai longe o tempo em que se predominava o pensamento arcaico e pré-conceituoso (no sentido literalmente pejorativo) de que “a teologia não serve para nada”.
A teologia tem a enorme responsabilidade da reflexão espiritual, social, cultural, antropológica, filosófica, ética, moral, histórica, ecológica, didática, pedagógica...
A teologia precisa ser humana, e ao mesmo tempo “Divina”, precisa ser aberta, cheia de amor e misericórdia. Precisa absorver em seu bojo aqueles que são diferentes, acolher os oprimidos e injustiçados, os que estão à margem, e os que estão de fora. Precisa deixar fluir o conhecimento, e se abrir ao novo, abandonar os conceitos pré-concebidos, e, jogar fora os velhos paradigmas, abrir o leque do diálogo, e retomar a plenitude da vida retornando à proposta de Jesus: “O meu mandamento é este: que vos ameis aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15. 12).
A teologia precisa ser Cristã, e, precisa ter mais que nunca, cem por cento de alteridade. Diante de uma sociedade plural, é necessário construir relacionamentos saudáveis, para que haja harmonia na convivência religiosa – não se apaga o fogo com comburentes. Cabe à teologia construir as pontes e as estradas diante do pluralismo religioso cultural. A ferramenta que a teologia deverá usar é o Diálogo Inter-Religioso. Não pensemos que será fácil. Pelo contrário: é um grande desafio. É “briga” para muitas décadas, talvez, séculos. Mas não podemos desistir, nem perder a esperança, muito menos a fé.
Precisamos acreditar e “lutar”, sabendo que não estamos sós. Existem outros no mundo que desejam as mesmas coisas que desejamos. Ainda existem pessoas que acreditam, e têm sede de justiça. Precisamos buscar o direcionamento d’Aquele que viveu na própria pele os dois lados: Ele foi marginalizado e excluído; mas pregou e viveu o amor, o perdão, a inclusão, e buscou profundamente pelo DIÁLOGO. 
Façamos a nossa parte, buscando o exemplo e a força de quem pode mais que você e eu, pois assim nos foi dito: “[...] porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15. 5c). 
A proposta de Jesus para a humanidade foi a inclusão. Entretanto, a hermeneutica bíblica fundamentalista está pregando e incentivando a exclusão. Não é sem motivos que há muitos decepcionados com o Cristianismo, e estão fermentando o circulo dos 'Cristãos Desigrejados'

Austri Junior
 
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Corpo de Cristo

Por Austri Junior

Certa madrugada, na primeira semana do mês de Janeiro do ano de 2012,  (de férias em Nilópolis, Estado do Rio de Janeiro), estava eu checando as notificações no perfil do Blog Olhar Teológico (no facebook), quando uma pessoa, abordou-me no chat, e perguntou se podia me fazer uma pergunta teológica. Prontamente disse-lhe que sim, e então a pergunta surgiu na tela do meu netbook

"- Você acredita que o Corpo de Jesus era humano, ou era Divino?

Essa não é mesmo uma ótima pergunta? 

Respondi o que eu penso sobre o assunto, até por que, a pergunta foi dirigida à mim de uma forma muito pessoal e subjetiva: 'Você acredita...?

Com certeza, a minha resposta - subjetiva - não agradou à minha inquerente, que pediu provas bíblicas (os fundamentalistas não aceitam nada que não esteja na bíblia, e isso dificulta o crescimento, o diálogo e a compreenção). 

As minhas idéias não agradam aos 'crentes' radicais, fundamentalistas, extremistas, biblicistas, e evidetemente de pouco ou nenhum teor teológico. Mas não me importo nada com isso, muito pelo contrário. Só não entendo para que as pessoas fazem perguntas, se não estão dispostas a refletirem sobre as respostas - Eu disse refletir, e não aceitar prontamente, ou mesmo mudar de opinião somente porque eu ou alguém disse. Entretanto, essa pergunta ficou martelando em minha mente, ao ponto de me inspirar a escrever esse texto.


Minha Resposta (subjetiva):

Acredito que o corpo de Jesus era humano, e que o seu Espírito é Divino. Não acredito que Jesus tivesse um corpo antes de vir aqui para doar a sua Vida para nos Salvar. Se Assim fosse, Jesus:

1) Não teria precisado de uma mulher para nascer;

2) Não teria nascido em corpo de menino;

3) Não teria nem mesmo nascido (já desceria 'pronto');

4) Não teria sangrando, morrido e ressuscitado...

Penso que um Corpo Divino ou Espiritual:

- Não possui necessidades fisiológicas tais como comer e beber, bem como as necessidades consequentes desses atos;

-Não chora;

- Não sangra;

- Não Morre...

Essas necessidades são nossas. São necessidades humanas! Jesus teve um corpo humano para vivenciar e experencias as nossas necessidades, experimentar as nossas misérias, e por nelas o seu coração, daí o sentido da palavra 'Misericórdia'.

Deus precisou fazer dois milagres muito grandes para enviar o seu Filho Amado, no qual ele colocou toda a sua complacência (Mt. 3.17), para executar a economia da Salvação da humanidade. O primeiro milagre foi o Milagre do Nascimento Virginal, através do Derramar do Espírito Santo e o segundo milagre foi a Ressurreição da morte, acompanhada da Ascenção aos Céus.

Percebam que os dois maiores milagres - não de Jesus, mas - na Vida d'Ele, foram a Concepção Sagrada que o trouxe ao mundo, e a Ressurreição que o levou desse mundo. Penso que se o seu corpo fosse Divino, nada disso teria acontecido, pois Ele não teria morrido. A Glória de Deus se manifesta principalmente nas necessidades humanas. É a partir daí que os grandes (e pequenos) milagres acontecem. Deus não precisa provar nada para ninguém, nem para Ele mesmo. Deus não é exibicionista, e sim Misericordioso, e as suas Epfanias acontecem por Amor aos seres humanos.

Essa questão do Corpo de Cristo, do Nascimento Virginal, da Concepção pelo Poder do Espírito Santo de Deus, da Vida e da Morte de Jesus..., sempre suscitou o debate e a suspeita, teológico, bíblico, eclesiástico, empírico... por esses motivos e tantos outros, muitos concílios foram realizados - e em épocas diferentes muitas coisas suscederam, muitas controvérsias apareceram e desapareceram - Marcião foi condenado... Agostinho foi exaltado... e o povo ainda continua sem saber direito o que pensar. Nem mesmo a Teologia dará conta disso. Primeiro porque o povo rejeita categoricamente o Conhecimento Teológico, segundo porque 'Deus é Misteryum Tremendum'. Podemos fazer suposições teológicas que nem sempre agradarão, e em muitos casos suscitarão a ira dos que penssam diferente. Aliás, isso é uma característica típica dos cristãos, e faz parte da identidade do cristianismo: Irar-se diante das divergências e dos que pensam diferente.

Para compensar aos que não abrem mão de Divinizar Jesus, concluo essa minha reflexão afirmando que apesar de entender que o Corpo de Cristo era 100% humano (esse corpo Ele adquiriu aqui na terra, ao nascer de uma virgem), pois não acredito que Jesus tivesse um corpo carnal enquanto estava com o Pai, antes de descer aqui para doar a sua Preciosíssima Vida para nos Salvar, afirmo categoricamente - e não abro mão disso: 

O Espírito de Jesus é 100% Divino! 

Por isso Ele 'não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca' (1Pe 2.22).

O que aconteceu com esse corpo humano depois da Ascenção do Senhor é outra história. Enquanto caminhou com os seus pais, com os seus parentes e amigos, e bem como com os seus discípulos, o Corpo de Cristo era como o seu e como o meu, humano - assim entendo eu.

Austri Junior

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  O Protestantismo acabou

 

Resumo crítico do texto de Zwínglio M. Dias - A larva e a borboleta (notas sobre as [im]possibilidades do Protestantismo no interior da cultura brasileira) - por Austri Junior, FUV, Vitória, ES, Dezembro de 2010.

Introdução
“O Protestantismo acabou!” Zwínglio Dias, sabiamente inicia o seu texto comentando a reação de sua mãe, “uma antiga presbiteriana, criada na mais severa tradição do pietismo puritano, moralista e asceta”.
Perspicazmente a mãe do autor, assim como os protestantes antigos – aquelas pessoas que mesmo sem conhecimento teológico, e não é preciso nenhuma formação teológica para isso – estão percebendo que o protestantismo de outrora está se esvaindo dos templos e mudando a imagem (fisionomia) da igreja.  A mídia televisiva tem trazido todos os dias para dentro das residências uma miscelânea evangélica, verdadeiros shows da fé, assim como os shows gospels em locais públicos e nas igrejas, que arrebanham multidões, dentro delas, o alvo daqueles que promovem tais shows com o objetivo de encher as igrejas e ou ganhar dinheiro – os jovens, dos quais, a maioria não sabe nem porque está ali, pois desconhece o verdadeiro princípio protestante. 
Assim, mais que nunca, a expressão ‘Protestantismo’ deixou de ser unívoca. Se para o público em geral a expressão se presta para designar os cristãos não-romano-católicos, ela está longe de ser aceita possivelmente pelas diferentes correntes que compõem o espectro eclesiológico oriundo da Reforma Protestante do século XV. A emergência dos movimentos Pentecostais, nos inícios do século XX, caudatários sem dúvida, de outros movimentos nascidos na Europa e na América do Norte a partir do século XVII, com sua ênfase anti-racionalista e de grande fervor religioso-emocional, ao adaptarem-se ao substrato religioso da cultura latino-americana e, particularmente, da brasileira, trouxeram consigo uma complicação ainda maior. Com isso a expressão ‘protestantismo’ tornou-se absolutamente insuficiente para caracterizar e enfeixar as multifacetadas variantes das alternativas eclesiológicas cristãs ao Romano Catolicismo em nosso continente.  
Se a expressão “Protestantismo” servia para designar oposição ao Catolicismo Romano, resultado direto da Reforma Religiosa, hoje essa expressão não faz mais sentido, e usa-se em larga escala a expressão “evangélicos” para tal fim.
Algumas pessoas ainda ligadas ao Protestantismo, e que possuem conhecimento histórico ou formação teológica não abrem mão de se autodenominarem “Protestantes”, e preferem ser chamados assim, que serem chamadas de “evangélicos”.  Penso que a expressão “Protestante” precisa ter o seu valor histórico resgatado, e que os que assim se vêem ou se sentem: Protestantes, estão cobertos de razão. A expressão “protestante” nos dias de hoje, cumpriria muito bem o seu papel de Igreja que protesta contra as injustiças sociais, contra as teorias e ideologias de prosperidade que assolam as igrejas, contra a usurpação dos dízimos e das ofertas com o intuito de ludibriar os incautos que são usados e abusados nas denominações em nome de uma religiosidade onde se barganha as bênçãos, entre tantas outras coisas. Dentre essas, as segregações religiosas, inclusive aquelas praticadas em larga escala pelos cristãos exclusivistas e pelos cristãos fundamentalistas que ostracizam, ridicularizam e demonizam os que pensam e os que são diferentes. 
O autor relata que na “América Latina outros apelativos, como ‘evangélicos’ e ‘crentes’, ganharam a preferência de diferentes famílias confessionais, ao ponto da expressão ‘Protestante’ perder não apenas o seu conteúdo semântico como sua própria referência histórica”.  E prossegue explanando que no Brasil a causa desse efeito é fruto da “refração cultural sofrida pelas versões norte-americanas do Protestantismo aqui implantadas, que não foram capazes de assumir, plenamente, os valores e as formas culturais próprias do ethos cultural-religioso brasileiro”.   

A ocupação do continente abandonado
Segundo o autor, “as igrejas e sociedades missionárias européias e norte americanas levaram muito tempo para assumir a América Latina como um território tão importante quanto a Ásia e a África” A prioridade no empreendimento missionário, estava voltada para os “dois lados do Atlântico Norte”. 
A conferência missionária de Edinburgo, em 1910, excluiu a participação dos missionários que por aqui atuavam e o Congresso do Panamá, em 1916, foi convocado como reação a esta exclusão. O renomado missionário escocês John Mackay, com significativa presença no Peru, a partir de 1916, criou a expressão continente abandonado e tornou-se um dos principais defensores da presença missionária no continente.
O desinteresse inicial pelo continente sul-americano deveu-se ao “fato de a América Latina ser considerada um continente cristianizado pelo Romano-catolicismo” e também pelo fato de que o continente ocupava pouca e inexpressiva visibilidade política e econômica na escala de interesses dos Europeus, e dos Norte Americanos. “Por outro lado, a expansão dos interesses econômicos e políticos da Grã Bretanha e o crescente interesse norte-americano em manter sob seu controle a região ao sul do Rio Grande vão abrir as portas, de par em par, para as tentativas protestantes de conquista da região”. 
É interessante lembrar que interesses políticos e econômicos sempre caminharam lado a lado com os interesses eclesiásticos, pois a igreja e a sociedade são inseparáveis, ao contrário do desejo religioso dos mais ascetas. Entretanto também cabe lembrar aqui que hoje os interesses econômicos de algumas igrejas estão se tornando vergonhosamente espúrios. 
O autor deixa claro que apesar do desinteresse político-econômico euro-americano aqui em nossa região, havia também a ideia de que o nosso continente era considerado cristianizado pelo Catolicismo Romano. Embora até os nossos dias a população cristã na América Latina e no Brasil seja em sua maioria, católico-romanos, os “evangélicos” dos nossos dias, sequer consideram cristãs, as pessoas que confessam a fé católica. Outro fato importante até aqui narrado que nos arremete a uma leitura profunda, é a exclusão dos missionários que atuavam no hemisfério sul, da Conferência missionária de Edinburgo em 1910. Exclusão é uma característica predominante no cristianismo até os dias de hoje. 

O Protestantismo de Imigração, o Protestantismo de Missão e os Movimentos Evangélicos Pentecostais
Zwínglio Dias nos aprensenta – como todos os autores – três momentos da implantação da igreja na história da igreja no brasil: o primeiro momento é a chegada dos imigrantes no Brasil. Vimos que a Inglaterra, ao contrário da América do Norte, tinha interesses comerciais no Brasil. A abertura dos portos brasileiros facilitaram a entrada da Igreja Anglicana em terras brasileiras, assim como a intenção do Imperador Dom Pedro II em apurar a raça brasileira, com o seu projeto conhecido na história por “eugenía”, dispensando a mão de obra escrava, e trazendo para o Brasil os imigrantes europeus, dentre eles os alemães, que trouxeram em sua bagagem religiosa o Luteranismo. 

ABORDAGENS GERAIS
Fatos importantíssimos aconteceram, dando origem ao protestantismo de imigração e de missão em terras brasileiras. Foram trazidos para o país famílias para trabalhar na indústria e na lavoura. Com a "eugenia", tentativa (inútil, diga-se de passagem) de branquear a raça, D. Pedro II trouxe para o Brasil os imigrantes europeus, entre eles os alemães – que como já dissemos –  consigo trouxeram o luteranismo, e com ele se fecharam em colônias, assim como os alemães, também os ingleses fizeram a mesma coisa com a sua espiritualidade anglicana. Os ingleses construiram o seu primeiro templo no Brasil em 1821, na cidade de Recife.
Após esses e outros fatos estabeleceram-se no país os missionários estrangeiros que trouxeram a sua fé para evangelizar o Brasil. Foram eles:

Os Congregacionistas;
Os Presbiterianos;
Os Metodistas;
Os Batistas.

Mais tarde o retrato religioso no Brasil toma nova forma. Surge o movimento pentecostal, e, posteriormente, o movimento neo-pentecostal; que muda o quadro da espiritualidade do povo brasileiro que já não se satisfaz mais com os ritos e cultos tradicionais do protestantismo histórico:

Desenvolvendo-se nos grandes aglomerados urbanos, em meio às massas de trabalhadores (i)migrantres, as Igrejas do Movimento Pentecostal conheceram acelerado crescimento numérico a partir da década de 50 complexificando-se, desde então, numa teia de formas organizacionais as mais distintas. Aí se combinaram a herança do messianismo milenarista oriundo da espiritualidade do Protestantismo histórico e o substrato religioso da cultura brasileira, também eivado do milenarismo subjacente ao catolicismo popular, num encontro feliz, ainda mais que regado com o, a princípio, admirado, mas nem sempre desejado, rigorismo moralista do Protestantismo de missão, hoje a caminho de sair de cena, especialmente nas formações eclesiológicas recentes do movimento Pentecostal.


Considerações finais
No texto acima pudemos observar do autor, entre outras nuances, duas que mais nos chamou a atenção. São elas: o “acelerado crescimento numérico” do Movimento Pentecostal “a partir da década de 50”, e o “rigorismo moralista do Protestantismo de Missão, hoje a caminho de sair de cena...”  
Bem, eu não poderia deixar de dizer, mesmo que por experiência empírica que as denominações “evangélicas” que hoje representam esse Movimento Pentecostal, em sua maioria conserva em seu modelo eclesiástico não somente o mesmo “rigorismo moralista” do Protestantismo, como introduziram em suas doutrinas um “rigorismo moralista” muito mais exacerbado – agravado, encolerizado – que exclui, demoniza, ostraciza... os que são e pensam diferente. Isso nos arremete à interpretação de que o crescimento é apenas numérico mesmo, mas não em qualidade ,  o que eleva – ou eu deveria dizer: rebaixa – o cristianismo à religião no mínimo excludente, e porque não dizer, que essas atitudes colocam o cristianismo como religião de segunda categoria, uma vez que foge ao mandamento Divino, e à proposta de Jesus: “Amar ao próximo como a ti mesmo”.

Zwínglio conclui esse paragrafo afirmando que o “rigorismo moralista do Protestantismo de Missão”, está “hoje a caminho de sair de cena...” Como acabei de colocar, temos visto algumas denominações exacerbar esse “rigorismo moralista”. Pode ser que algum dia ele, o “rigorismo moralista” venha mesmo sair de cena, pois as igrejas estão adentrando  e se adequando à pós-modernidade, o que eu particularmente penso que seja muito bom. Deixar o que é arcaico e retrógrado para trás é sinonimo de evolução e crescimento. Precisamos fazer isso sem abandonar os princípios e a doutrina de Jesus em Mateus 6-8, embora a ortodoxia bíblica não se resuma apenas a esses dois capítulos – não estou arrancando as páginas da bíblia – digo isso para alivio do fundamentalistas e dos biblicistas, para que esse meu texto não lhes suscite a ira.
O que me preocupa não é o “rigorismo moralista” sair de cena. Ele tem que sair mesmo, pois faz parte do arcaico e do retrogrado. O que me preocupa é que o Protestantismo histórico com as sua eclesialidade sadia e equilibrada também está saindo de cena: “o Protestantismo acabou!”

Por Austri Junior

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PLANEJAMENTO PARA ENCONTRO EM SALA DE AULA DE ENSINO RELIGIOSO PARA A TURMA DO 9º ANO

Por Austri Junior
Introdução

O Diabo ainda povoa o imaginário da população no Brasil contemporâneo, e, como no imaginário judaico, e na idade média católica, a populção de baixa renda brasileira dos dias atuais ainda tem medo do diabo, e, como sabemos por convivência eclesial (em nossas próprias igrejas), e por conhecimento tanto empírico, quanto Teológico, que o cristianismo protestante evangélico em seus movimentos pentecostais e neo-pentecostais, e por influência desses movimentos que invadiram a mídia, também algumas igrejas protestantes históricas estão "sofrendo a influência do diabo em seus cultos e liturgias", que de uma forma ou de outra, acabam chegando à sociedade e inflenciando a comunidade e as pessoas, mesmo aquelas não-evangélicas.


Objetivo

1) Levantar e fomentar o debate à cerca desse fenômeno na religião judaico-cristã, e qual a sua influência na sociedade pós-moderna como um todo;
2) Discutir a realidade e/ou a fantasia sobre a existência de tal ser;
3) Discutir qual o poder que de fato, o diabo poderia ter ou não sobre as vidas humanas;
4) Incentivar os educandos a compreender e respeitar as demais crenças e religiões, sem demonizá-las, e/ou satanizá-las.

Tempo investido:
Tantos encontos quanto forem necessários

Material utilizado no local do encontro
O texto apresentado abaixo:
"A PRESENÇA DO DIABO NO QUOTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM."


Atividades

Buscar na biblioteca da escola, na internet e em textos sagrados de religiões não cristãs a presença do diabo e/ou seres com semelhantes características (possível ou supostamente o mal), para análise e comparação, suscitando novos debates e questionamentos que levem os educandos à pesquisa, e ao conhecimento de outras manifestações religiosas, e à confrontarem os contextos religiosos diversos para a compreensão e o respeito à diversidade e pluralidade religiosas.

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A PRESENÇA DO DIABO NO COTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM

Sergio Alberto Feldman Graduado em História pela Universidade de Tel Aviv (Israel). Mestre em História Social (medieval) pela USP e Doutor em Antiguidade Tardia pela UFPR (Curitiba). Professor adjunto de História Medieval na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).serfeldpr@yahoo.com.br


RESUMO

Este artigo almeja entender a presença do Diabo no ciclo da vida das comunidades judaicas medievais. O Judaísmo é estritamente monoteísta não oferecendo espaço para algum tipo de dualismo, tampouco a teologia judaica aceita a existência do Diabo. Entretanto, a realidade é distante da teoria: os judeus, especialmente as camadas menos cultas de sua população, de fato crêem e temem o Diabo. Os rabinos e eruditos devem levar em conta estas crenças e superstições. Esta contradição é transparente nas tradições e nos costumes do Judaísmo medieval. Há explicações opostas sobre os significados destes rituais/cerimônias, celebrações e símbolos: algumas são eruditas e filosóficas, já outras são apenas significados populares de superstições e crenças.

Introdução

O Diabo foi tema de vasta literatura no período medieval. Desde a patrística grega e latina, e por todas as crônicas e relatos do mundo medieval, o Diabo era onipresente e exercia uma influência notável, no mundo dos vivos sendo referenciado como atuante e proselitista. Um aceso debate ocorria entre teólogos e pensadores da Igreja que, ao mesmo tempo, tratavam de delinear os limites de seu poder, para evitar que o Cristianismo adotasse doutrinas dualistas, já que a onipotência divina, não podia ser igualada pelo exército satânico e, por outro, lado faziam uso cotidiano de sua presença e malignidade em prédicas, cultos e exorcismos, de todos os tipos.

Como a História se relacionou com este tema nos últimos séculos?
A historiografia de influência iluminista adotou uma postura cética e de estrito racionalismo. A escola metódica enfocando temas de conteúdo político, diplomático e militar, envidou poucos esforços em abordar tal tema. Grassava certo repúdio por um tema obscuro, que era impregnado de crendices tolas e superstições. Tais temas não seriam dignos de estudo. O Romantismo, por sua vez, retomou o interesse pelo medievo e pelos temas religiosos. Em meados do séc. XIX reaparece esta temática.
A primeira obra digna de menção foi de autoria de Michelet, que em seu clássico livro La sorciére1 retomou de maneira pioneira o interesse, da história nos estudos do sobrenatural e das relações entre o mundo natural e o sobrenatural.

No século XX, vemos uma retomada lenta do interesse no estudo do sobrenatural e em particular no Diabo. Em seu livro clássico O Declínio da Idade Média, editado pela primeira vez em 1919, o celebrado autor Johan Huizinga dedica algumas palavras e referências, à presença marcante do Demônio ou Diabo no cotidiano medieval. O autor em diversos aspectos seria um dos “ancestrais” do gênero histórico denominado como História das Mentalidades ou dos Comportamentos, que floresceu na segunda metade do século passado. Huizinga percebeu que o Demônio estava muito “vivo” no cotidiano das pessoas que viveram e descrevem os séculos XIV e XV.2

Na seqüência, já em meados do séc. XX, houve contribuições interessantes neste tema, mas somente na terceira geração da escola de Annales é que os estudos se ampliaram e aprofundaram. Temos algumas obras de expressão: Delumeau, Áries, Duby, Le Goff, Richards, entre muitos mais. Essa tendência se espalhou e gerou obras diversas.

No Brasil podemos citar a obra de Carlos Roberto Nogueira, tanto sobre as bruxas e feiticeiras, quanto sobre o Diabo.3 O Diabo e Deus: dilemas do monoteísmo Como as religiões monoteístas se colocavam diante da temática do Diabo? A posição da Igreja é contraditória, mas, apesar de criticar certos exageros, é uma instituição que aceitou e utilizou-se de conceitos ligados ao Diabo. Desde a Antiguidade Tardia, os autores da Patrística, que definiram e conceituaram a teologia clássica cristã, debateram e advertiram sobre o Diabo. S. Jerônimo é uma das mais fortes referências.

João Crisóstomo em Antioquia advertia seus paroquianos sobre os riscos do Diabo.
Isidoro de Sevilha falava intensamente e extensamente sobre o Diabo.4 Agostinho não tem dúvidas, na sua ótica neo-platônica e cristã, de que o Diabo transita no mundo inferior, na Cidade dos homens. Cria-se o conceito de que se travava uma batalha entre as forças do Bem e do mal. Nas palavras de Nogueira: “[...] os cristãos concordavam em que a queda do homem não foi mais que um episódio na história de um prodigioso combate cósmico, iniciado antes da Criação [...]”.5 A queda do homem teria sido precedida por uma revolta de algumas das falanges celestiais contra Deus e estes haviam sido precipitados do céu por Deus. Portanto, transitavam na terra e seduziam os humanos para obter adeptos a seu partido.

Até mesmo gente culta como os teólogos e pensadores S. Tomás de Aquino, fundamentado e autorizado por Santo Agostinho, determina que: “Omnes quae visibiliter fiunt in hoc mundo possunt fieri per daemones”.6

Muitos dos autores e pensadores medievais demonstram certa dose de crítica a esta postura da Igreja, mas nunca negam a existência e a presença do Diabo. Os opositores mais ferrenhos da Igreja, no medievo, foram os heréticos dualistas também denominados maniqueus. Foram sendo reprimidos através do tempo e do espaço: maniqueísmo, mazdeísmo, os paulicianos, os bogomilos e os albigenses. Acreditavam na existência de dois poderes antagônicos e contradiziam o monoteísmo trinitário. Isso era a negação de dogmas fundamentais da Cristandade e sugeria a necessidade de repressão. Eram, portanto, mais adeptos de presença do mal, como entidade independente, do que a própria Igreja que criticavam.
A construção e a manutenção das crenças do imaginário se dão num processo de longa duração. O imaginário se constrói dentro e em função de um determinado contexto social. O Diabo surge no Cristianismo primitivo como uma faceta do intenso dualismo que marca a luta da Igreja para se afirmar nos séculos III e IV. O medievo é uma sucessão de confrontos entre o bem (encarnado pela Igreja) e o mal (encarnado pelo Diabo e seus aliados).

O belicismo, o simbolismo e o contratualismo vigentes neste período são facetas do confronto contínuo entre Deus e a Igreja que o representa contra o Diabo. No dizer de autores como Hilário Franco Jr. o que predominava era “[...] a visão sobrenatural que se tinha do Universo”.7 O “sobrenatural se mostrando no natural” era um fato cotidiano e corriqueiro, já que a hierofania (manifestações do sagrado no profano) era parte da crença aceita. Até os inimigos da Igreja têm esta visão dualista.

Mesmo sendo críticos da Igreja, muitos grupos heréticos tinham uma visão dualista do mundo e enxergavam o confronto entre o espírito e a matéria, entre o bem e o mal, Deus e o Diabo, no cotidiano e dentro de uma visão hierofânica. Isso pode ser visto entre as heresias dualistas e maniqueístas tais como os bogomílios, os albigenses, e os cátaros de uma maneira ampla, como já frisamos antes. O que muda é que a Igreja passa ser a encarnação do mal e que deve ser combatida.8 Os dualistas foram severamente perseguidos.

Para a Igreja católica, o Diabo não podia ser nivelado no mesmo patamar que Deus. Sendo essa premissa teológica respeitada, o Diabo tinha “salvo conduto”, para atuar entre os humanos e tentá-los. Sua atuação no cotidiano cristão medieval é completa. Está em tudo e em todos os lugares e situações. Seus seguidores são numerosos e ativos.9

A Igreja com todo o seu poder político, religioso e social era a maior formadora de opinião, apesar da crítica das heresias e da contestação social vigente na baixa Idade Média. A Igreja comanda a luta contra o mal e seu líder: Satã. A ordem de Cluny comanda a luta a partir do século X. A Inquisição medieval encabeçada pelos dominicanos se tornará a vanguarda da luta contra o mal encarnado nas heresias, já no século XIII. Grande número de textos foram escritos sobre o assunto. A Igreja autorizou a publicação e deu divulgação através da ordem dos dominicanos de uma obra clássica do tema da bruxaria e da demonologia, o assim chamado Malleus Maleficarum, também popularmente conhecido como O Manual da Caça as Bruxas, que foi editado no final do século XV, por dois freis dominicanos, Heinrich Kramer e Jacob Sprenger. O seu uso declarado era para servir como guia aos Inquisidores que interrogavam e torturavam bruxas e seguidores de heresias satanista. Exorcismos e formas de identificar bruxas e demônios povoam suas páginas.10

Além de bruxos e feiticeiras, uma minoria era tradicionalmente discriminada e perseguida em épocas de crise durante a Idade Média europeia: a minoria judaica.11

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Fonte: Blog História Viva
Extraído do (meu) Blog Teologia e Sociedade

Austri Junior - Para a Disciplina Metodologia do Ensino Religioso do Curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Faculdade Unida de Vitória - FUV, em 2010, Profº Mestre Edson Maciel Junior.

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A ciência da Religião


1 CIÊNCIA DA RELIGIÃO
1.1 Introdução
O objeto da nossa pesquisa é a Ciência da Religião, que muito facilmente, fora do ambiente acadêmico, é confundida com a Teologia. A Ciência da Religião cumpre um papel muito diferente do papel da Teologia. A sua função é a analise de determinada religião, e o fenômeno religioso. O cientista da religião, mesmo que tenha uma formação teológica voltada para esta ou aquela religião, ou que esteja por convicção, por simpatia, ou por emoção, vinculado a determinada denominação cristã, deve manter-se neutro, e focar com a racionalidade de um cientista, toda análise, ou estudo de caso, quando no exercício da sua funcionalidade, ou não. É comum vermos teólogos que trilham o caminho da Ciência da Religião, confundindo as relações entre uma e outra ciência. Se um acadêmico age dessa forma, quanto mais os leigos e os religiosos que usam o empirismo para analisar as coisas que conhecem de longe, ou somente por ter ouvido falar. Os cientistas ao contrário – dos empíricos – buscam a exatidão das palavras pela necessidade que têm de ser entendidos. Palavras ambíguas trazem confusão, incompreensão e, inexatidão.

1.1.2 Conceito

A Ciência da Religião não é Teologia. A Ciência da Religião é uma Ciência Humana, e, tal qual, nada e ninguém poderão mudar esse conceito. Conceito é a palavra-chave quando se trabalha com a ciência, pois a ciência trabalha com a precisão das palavras, e o cientista da religião deve buscá-las sempre que possível, e delas não abrir mão, se quiser ser entendido.
Essas “palavras precisas” são os conceitos. A maioria destes, porém, não é de propriedade exclusiva dos cientistas da religião, que compartilham o seu vocabulário com cientistas de outras disciplinas. A palavra “religião” serve para especialistas de diversas disciplinas, embora nem sempre – e nem em todos os lugares – denomine a mesma coisa.[1]

A verdade é que o conceito “religião” é muito amplo, e nem sempre se chega a um denominador comum. Uma palavra – e a palavra religião não foge à regra – costuma assumir vários conceitos dependendo de quem a analisa, pois dificilmente haverá consenso entre os cientistas. E no caso do cientista da religião menos ainda, pois o mesmo ao fazer a sua pesquisa, mesmo buscando a exatidão das palavras, não tem como mensurar isso em laboratório, assim como os cientistas da exatidão, que costumam comprovar as suas descobertas e as suas teorias através dos cálculos e das fórmulas, até que surja uma nova teoria, que derrube a anterior. Por esse motivo alguns cientistas da religião passam a sua existência debatendo e discordando entre si: “Embora existam muitas definições de religião – algumas centenas, presumivelmente – e embora muitas definições sejam lançadas permanentemente, até hoje não se chegou ao resultado esperado.[2]
A Ciência da Religião tem pela frente um longo e incansável caminho a percorrer, uma vez que os desafios sobre a religião são muitos e, com certeza, são desafios inextinguíveis. Esses desafios surgem a cada momento, pois a religião caminha pelo terreno das emoções, e principalmente da fé que é algo subjetivo. Em geral, a religião exprime-se de forma emocionalmente empírica, e em alguns casos a mesma se apresenta entre as massas populares, de forma irracional – ao contrário da análise científica desta – a Ciência da Religião.  
Assim sendo o cientista da religião deve se preparar para percorrer esse caminho e enfrentar esses desafios que surgem de todas as frentes, nessa batalha: 1) Os desafios na sua própria área de atuação científica, onde os seus colegas estarão sempre prontos para questionar os seus argumentos. 2) Os desafios advindos das comunidades religiosas. Entretanto os maiores desafios da Ciência da Religião e do cientista da religião vêm da própria religião e das pessoas religiosas que possuem uma tendência natural de rejeitar a ciência como um todo.     

1.1.3 Considerações Finais
             
O que podemos esperar da Ciência da Religião? Acreditamos que a mesma deve sempre enveredar pela investigação incansável da análise cientifica, do fenômeno religioso, nos textos sagrados, na convivência das comunidades religiosas, bem como no seio da sociedade, para contribuir com a busca do ser humano pelas verdades expressas no bojo das religiões, e no caso da disciplina, do Ensino Religioso, nas escolas públicas, que essa busca, além dos elementos supracitados, também possa fomentar a prática da aceitação do outro na sua mais profunda expressão religiosa, e que essa verdade seja uma constante na vida de todos os seres sociais, que professam algum tipo de fé – ou não – a aceitação do outro em suas crenças, e o respeito mutuo pelas mesmas.
1.1.4 REFERÊNCIAS
GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é Ciência da Religião? São Paulo: Paulinas, 2005. 165 p.

[1]  GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é Ciência da Religião? São Paulo: Paulinas; 2005. P. 19 e 20.
[2]  GREASCHT, 2005, P. 20.

Austri Junior - Para a Disciplina Metodologia da Pesquisa Científica, do Curso de Pós-Graduação em Ensino Religioso da Faculdade Unida de Vitória - Fuv em 25/04/2011 - Mestra Vanessa Cavalcante

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Profetismo

 Resenha
Por Austri Junior
  
O texto de Juan B. Stam para a disciplina “Profetismo” do curso de Bacharelado em Teologia da Faculdade Unida de Vitória, FUV, turma 01, encontra-se em sua obra PROFECIA BLÍBLICA E MISSÃO DA IGREJA, Sinodal, 1ª edição.




A RESSURREIÇÃO DO CORPO
           
Na p. 41, o autor inicia o texto afirmando que “há algo de extraordinário em relação à ressurreição do corpo: Já aconteceu!” Segundo Stam esta que é uma grande promessa para o fim dos tempos, foi realizada no centro do tempo, ou seja: a promessa realizou-se com Cristo e em Cristo.
           

ENSINAMENTO BÍBLICO
           
Stam fala do fundamento firme e inabalável da fé dos cristãos que causa muita confusão nestes tempos de pós-modernidade, que é a ressurreição de Cristo.

O autor faz uma distinção entre a ressurreição e a imortalidade: “A imortalidade é da alma, sem carne nem ossos e tampouco pele. Nisto            acreditavam muitos povos antigos. Os gregos, por exemplo, acreditavam que a alma preexistia antes de 'prender-se' no corpo e que viveria  depois da morte. A alma, ao escapar desse maldito corpo, voará e viverá          para sempre espiritualmente.”     

Ele diz “que Jesus ressuscitou em novidade de vida” e chama de “revivificação” as ressurreições de Lázaro e da filha de Jairo, pois eles ressuscitaram por um tempo determinado de vida, e morreram outra vez. A ressurreição de Jesus se deu de maneira diferente:[...] Cristo ressuscitou corporalmente”. Assim será também a nossa ressurreição.

O autor afirma: “No terceiro relato da ressurreição de Lucas (24. 36-49), Jesus esforça-se para convencer os discípulos de que seu corpo ressuscitado é realmente físico”. Quanto aos discípulos na estrada para Emaús e todos outros que viram o ressuscitado “nunca o confundiram com um anjo dramático que lançava raios de glória, com o rosto brilhando como o sol do meio dia [...] De angelical tinha pouco ou nada; de humano, muitíssimo”.
           

SIGNIFICADO TEOLÓGICO
           
É fantástica a colocação do autor quanto à fascinante “teologia da esperança” de Moltmann. Moltmann que fora aluno de Ernest Bloch que ao desenvolver a filosofia da esperança, afirmava que a morte tinha a última palavra para cada ser humano, perguntou então: “com que base podemos ter esperança?”
            
“Então Moltmann começou a pensar na ressurreição de Cristo como        logus de nossa esperança. Curiosamente, na mesma época era muito         popular a sensacional “teologia da morte de Deus”. 


Moltmann respondeu que, "efetivamente, Deus tinha morrido (Deus o Filho, na cruz), mas também havia ressuscitado e está sentado à direita do Pai. Agora a nossa fé nos dá uma verdadeira base para ter esperança. Diante da morte pessoal, assegura-nos de nossa ressurreição em Cristo. E diante da morte cósmica, anuncia-nos nova terra e novos céus”.


RESSURREIÇÃO E MISSÃO
Na p. 56 Stam comenta muito oportuna e sabiamente que atualmente, muitos esforços evangelísticos começam com a promoção e a exaltação do pregador. Toda evangelização deve estar focada no evangelho e não na eloquência do arauto “o poder da evangelização tem que ser o poder da cruz e da ressurreição – e somente isto”.
Stam encerra este capitulo contando uma história (muito triste) que se repetem todos os dias no mundo inteiro, onde uma mãe aflita o procura pedindo ajuda para sua filinha que foi matriculada “em um colégio evangélico, e a atemorizaram com a grande tribulação e o inferno”. Diante desses fatos ele afirma: “[...] há igrejas doentias, que adoecem as pessoas, e a Igreja[1] não é para isto”.
Stam fecha este capítulo com chave de ouro – ou deveria dizer com frase de ouro:
- “Que Deus nos dê fé e alegria na ressurreição de nosso Senhor e muita esperança”.


A NOVA CRIAÇÃO
Neste capítulo Stam Fala de nossa reação “anticientífica” diante das possibilidades do fim do mundo ele segue dissertando sobre a segunda lei da termodinâmica – e pede "desculpas pela formulação simplificada desses argumentos técnicos” – “o que muitos chamam de big-bang”.


ENSINAMENTO BÍBLICO
            
“O fim do mundo”
“Sem dúvida a passagem bíblica mais citada sobre o fim do mundo é 2Pe 3.3-14 [...]”, já “João de Patmos entende o fim do mundo essencialmente como fuga e desaparecimento, muito diferente do holocausto de 2Pe 3.7-12”. 
O autor vê a mensagem escatológica do fim do mundo como muita preocupação e durante todo o capítulo ele faz questão de afirmar que o tema central da escatologia bíblica “não é o fim do mundo, mas ‘novos céus e nova terra’ nos quais há espaço para a justiça (2Pe 3.13)”. 
Isto é fantástico; não é mesmo?
             
“NOVA CRIAÇÃO”
“Bíblicamente, o fim do mundo é o início de uma nova criação”.
Stam aponta para Is 65.16b-25 como “um hino, um poema [...] uma jóia da literatura profética. A promessa central esta no versículo 17: ‘POIS EIS QUE EU CRIO NOVOS CÉUS E NOVA TERRA’”.[2]
O autor contraria os “transcendentais” quando coloca a visão terrena da nova criação.


SIGNIFICADO TEOLÓGICO

É evidente que não dá para comentar tudo e como qualquer outro teologando que editou neste Moodle o seu texto, eu busquei – sucintamente –  o que seria mais importante e segundo a minha visão teológica. Por isto quero destacar as seguintes palavras do autor: “A mentalidade hebréia tendia a ser mais concreta e realista[3] do que a nossa, moderna, muito permeada pelos dualismos do pensamento     grego. Por isso pode nos surpreender que os hebreus conceberam o Reino de Deus e o cumprimento final  muito mais em termos históricos e terrenos do que em termos celestiais e eternos [...] Uma minoria coloca   essas realizações finais no céu”.
           
Ainda segundo o autor, “segundo o Novo Testamento, a nova criação tem seu ‘já’ (presente) além do seu ‘ainda não’ (futuro)”. E quanto ás questões de nova criação e “nova criatura”, afirma Stam: “o texto mais conhecido sobre esse tema é 2 Cor 5.17 (ver Stam, 1995,    p.54-68). Este texto poderia ser traduzido literalmente assim: ‘Onde  alguém está em Cristo, ai está a nova criação’ [...] A tradução ‘nova     criação’ é mais exata do que ‘nova criatura’".



SIGNIFICADO PARA A MISSÃO

A missão deve ser transformadora! Afirma o autor.
“A esperança vive na realização do próximo passo” (aqui Stam cita Karl Barth).

O autor coloca profunda e corretamente que o significado da missão é “apoiar tudo o que aponta na direção do Reino [...] levando as pessoas a conhecerem Cristo [...]”
           
Stam pergunta: “O que podemos fazer contra a mortalidade infantil? O que podemos fazer contra o desemprego e a mão de obra alienada? E admoesta: “O ensinamento da nova criação chama-nos para uma missão       comprometida e comprometedora [...] Assim sermos sal, fermento,      semente, luz e fragrância do Reino e da nova criação [...] Por isso nós     cristãos devemos estar entre os primeiros defensores do meio       ambiente”.
            
O cristão deve estar compromissado “com a justiça e a libertação” e deve esforçar-se “pela igualdade e por uma sociedade participativa”.  Exorta-nos Stam! Estas são realmente palavras encorajadoras. Palavras de fé e ânimo.


Stam mais uma vez conclui o seu texto com a sabedoria de quem realmente compreendeu a mensagem dos evangelhos, e de quem compreendeu o anúncio do Reino dizendo: “Finalmente, essa visão inspira uma missão em esperança prazerosa,     amorosa, e vigilante. Quantas vezes a pregação ‘profética’ (como de           2 Pe 3) tem sido ameaçadora,     aterradora, para assustar as pessoas!          Este tipo de ‘espantologia evangelística’[5] é realmente terrorismo             escatológico[6]  e não tem nada a ver com a grande esperança para a      qual Deus nos chama. Não deve ser o medo do inferno, muito menos da      grande tribulação, nem mesmo o simples desejo de alcançar o céu que convencem outros do Evangelho. Também não podemos nos     desesperar com este mundo se cremos nas promessas de Deus.   Tudo isso é essencialmente uma contradição da esperança    evangélica”.[7]
           
Juan B. Stam encerra o seu ensaio com palavras de            ESPERANÇA: “No fundo, não é a nova criação e nem o corpo do ressuscitado que          ESPERAMOS[8]. Esperamos aquele que nos amou e morreu por nós, que ressuscitou e que voltará. Que nosso Senhor nos encontre vigilantes e preparados para a sua vinda!” 



Considerações finais
 
Quero acrescentar que quanto à promessa da ressurreição tenha sido realizada através de Cristo e com Cristo, eu não duvido. O que não fica claro é de onde o autor retirou a ideia de “centro do tempo”. Quem pode afirmar ou negar questões sobre início, meio ou fim, quando o assunto é a idade dos eventos da criação?
O autor fala da confusão que a ressurreição de Cristo causa na pós- modernidade. Não é só nestes tempos de pós-modernidade que a ressurreição de Cristo causa confusão. Segundo a bíblia, os principais sacerdotes e os fariseus foram avisar a Pilatos de que aquele “embusteiro” disse que ressuscitaria no terceiro dia, e que seria necessário colocar guardas na porta do túmulo, para que os seus discípulos não venham à noite, e roubem o corpo, e digam: “Ressuscitou dos mortos; e será o ultimo embuste pior do que o primeiro” (Mt 27.63-64).

Ainda no primeiro século outras “confusões” aconteceram em torno da ressurreição de Cristo – nas cartas de João e nas cartas de Pedro podemos ver isso nitidamente – que suscitou atitudes radicais da igreja. 


Entre o segundo e o quarto séculos as “confusões” e controvérsias em torno da ressurreição, levaram a igreja a conclamar concílios onde foram proclamados dogmas, confissões de fé e doutrinas que com o passar do tempo geraram mais confusão – embora tenha sido necessário – chegando à pós-modernidade como afirma o autor.        

No que diz respeito à ressurreição corporal de Cristo, fica um alerta para os “transcendentais” que só pensam no espírito e rejeitam a matéria e vivem pregando o “arrebatamento” e a “glória”, e esquecem que o “arrebatamento” será físico. 


Quanto a mensagem escatológica a preocupação do autor não é para menos. O que mais temos visto nos dias atuais são anúncios destorcidos da volta de Jesus e do “fim do mundo” que como vimos no texto, e vemos em nosso dia-dia, estão amedrontando e adoecendo as pessoas desde a mais tenra idade até as pessoas mais “maduras”. É lamentável que estas coisas ainda aconteçam em pleno século XXI, também é lamentável que as pessoas “maduras” são ou estão tão “verdes” em relação à religião.

O erro dos pregadores e das pregações é mais do que hermenêutico ou teológico. È educacional e cultural. Como fazer uma boa exegese e uma interpretação suficiente se não se sabe, ou, se não se conhece as línguas originais? Nos seminários os professores, e os autores de livros sobre exegese e hemenêutica ensinam que se não sabemos ou conhecemos as línguas originais, devemos nos acercar de várias traduções. De que adianta nos acercarmos de várias traduções se nenhuma delas é fiel? 

 
Juan Stam sacode a “visão missionária” e a visão dos missionários em o significado da missão. Qual é mesmo o significado da missão? Missão é fazer prosélitos? Missão é pregar o terror? É pregar um céu fantasioso e ingênuo? Ou missão é amar o próximo e viver com ele e por ele neste mundo?

A nossa – daqueles que crêem – esperança é a volta Daquele que nos amou e morreu por nós e ressuscitou para que também nós ressuscitemos um dia com Ele. Isso não é lindo, maravilhoso e profundo? Eu creio e espero; por isso ando na esteira de Moltmann – a Teologia da Esperança. Quem tem esperança ama, e, a minha teologia - a que absorvi para mim, e para o meu próximo, como relacionamento e alteridade, é a Teologia de Jesus, a Teologia do Amor, que Paulo captou com maestria: “O Amor é paciente, é benígno... não se ensoberbece não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses... não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1COR 13. 4 – 6)[9]. 


A certeza única que tenho, é que: podemos crer, esperar e amar.
 

[1] Note que o autor escreve Igreja (aqui) com “I” maiúsculo.
[2] O grifo é nosso;
[3] O grifo é nosso;
[4] O grifo é nosso.
[5] Grifo nosso;
[6] Grifo nosso.
[7] Grifos nosso;
[8] Grifo nosso.
[9] Grifo nosso.

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Religião, magia e Diálogo Inter-Religioso na Sociedade Pós-Moderna

Introdução 
Este ensaio tem como alvo uma abordagem sucinta a respeito do Dialogo Inter-Religioso. O objeto do nosso estudo será a religião, a magia e o relacionamento entre os cristãos e os não cristãos. Este estudo tem como objetivo a abordagem dos aspectos mágicos inseridos neste contexto.

Não é nossa intenção ditar regras e muito menos apontar verdades absolutas. Mesmo porque, em nossa concepção, não existem verdades absolutas. E estas quando se manifestam constituem-se em dogmas. Convém esclarecer aqui e agora que somos contrários a todo tipo de ação e ou reação dogmáticas – sejam elas: arcaicas, primitivas, modernas ou pós-modernas. Religiosas, filosóficas ou sociais – desde que não sejam elas as leis e os mandamentos que pautam a coerência e a honradez que orientam o nosso caráter, e a ética e a moral que nos projeta na sociedade como indivíduos dignos, e que, respeitam as pessoas, as leis e as instituições, sem perder a identidade e o senso crítico.


O assunto em questão – Religião, magia, e Dialogo Inter-Religioso é vasto e inesgotável. Sendo assim, não temos a intenção de exauri-lo, mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos fazê-lo. A nossa intenção neste ensaio é despertar o leitor para as evidências que fazem parte de uma realidade imutável, Mesmo que uma grande maioria não queira nem ouvir falar desse assunto, quanto mais, sentar-se na mesa de “negociação”.


Sabemos que nem todos compartilham do mesmo ideal de “tentativa de unificação das igrejas cristãs” movimento este, conhecido como ecumenismo – é claro que muitas coisas sobre o movimento ecumênico precisariam ser esclarecidas aqui. Porém não o faremos, porque o objeto do nosso estudo não é este – quanto mais, ao que diz respeito ao Diálogo Inter-Religioso.


Para alguns cristãos este assunto é um tanto quanto “melindroso”; é como mexer em vespeiro. Porém, é uma realidade que precisamos olhar de frente e sem medo.     Não é possível, que em pleno século XXI, as religiões continuem olhando umas para as outras, se odiando e competindo para saber qual delas é a verdadeira, e em qual delas está o Deus verdadeiro.

Religião

O fenômeno religioso  pode se manifestar de muitas formas na vida do ser humano:
            “[...] Assim, experiências de fenômenos sobrenaturais podem produzir     comoção religiosa (indo desde a experiência de Lutero no temporal em           Stotternheim até o murmúrio das ondas do mar prólogo ao Fausto de         Goethe, desde experiências extáticas de fusão até a absorção na experiência individual de um pôr-do-sol, etc.) [...]”. 1

O fenômeno religioso está presente em todas as sociedades – arcaicas, primitivas, modernas ou pós-modernas – e, de certa forma com seus dogmas e doutrinas, dirige regulamenta e influencia os hábitos e modus vivendis dos seres humanos nelas inseridas.

Entre tantos provérbios inseridos nas comunidades religiosas que definem a religião, existem três deles, muito utilizados, e, que, são oriundos do senso comum, que queremos destacar. São eles:
- “A religião liga o homem a Deus”;
- “Religião, é religar. Unir”;
- “Religião é coisa do Homem”.

O primeiro provérbio perde o seu sentido em relação ao sagrado em pelo menos dois pontos:

a) Quando o homem não crê em Deus, ou, em nenhum deus (ou deixa de acreditar neles);

b) Quando determinada religião não tem um “deus” como ponto de partida.

           
Antes de prosseguir queremos levantar algumas questões:
 - Será que o homem realmente precisa de uma religião para se ligar a Deus, ou a um deus?
- O homem só consegue se conectar com o divino ou o sagrado se pertencer a uma religião?
- Deus se preocupa com as religiões ou com o ser humano?
- E aquelas pessoas que não pertencem a nenhuma religião, mas possuem vida correta: ética e moral; não serão salvas por Deus?
           
O objetivo dessas perguntas é levantar questões religiosas que possam gerar reflexões.

Sabemos que pelo menos nessas questões, os cristãos têm as respostas prontas, e na “ponta da língua”; mas os mesmos se esquecem da soberania de Deus.

         

O segundo provérbio é conhecido pela maioria das pessoas, os crentes – não estamos falando de “evangélicos”. E sim, daqueles que crêem – e dos não-crentes. E serve de cobrança e de argumento crítico por parte de todas elas – principalmente por parte do segundo grupo, os não-crentes – quando o assunto é a desunião ou a divisão entre os membros da mesma comunidade religiosa, ou, não; mas que confessam a mesma fé e a crença no mesmo Deus ou nos mesmos deuses. Ou, quando ocorre a quebra de algum dos princípios religiosos de tais grupos; e, mais: quando esta “quebra” gera conflitos, ou causa escândalos.

            A palavra religião tem origem no latin: religare. Porém, a hermenêutica popular não está correta. Re-ligar (ligar de novo), se refere à relação do homem com Deus. E, se há a necessidade de religar, é porque essa relação foi rompida, ou, interrompida em algum ponto.

        

O terceiro provérbio é muito usado como espeto (e. g. pelos pentecostais) para ferir, agredir, e até mesmo humilhar os “crentes” de outras denominações cristãs; ou, para atingir aqueles que confessam outros credos religiosos – isto quando não os rotulam de “servos do demônio” ou coisas semelhantes – este provérbio também é usado com o intuito arrogante de afirmar superioridade diante de outras religiões tidas com “inferiores”, por parte dos “agressores” que estão convencidos de que só a religião deles (ou delas), vem de Deus; ou, como dizem: “nasceu no coração de Deus”. Os cristãos de uma maneira quase generalizada, principalmente os “evangélicos” pentecostais, são presunçosos e orgulhosos espiritualmente. Embora dissimulem, não conseguem esconder muito bem. E essa arrogância os impede de conversar com outros grupos denominacionais. Principalmente, com os católicos romanos, e, quando se trata de outra religião, a situação fica ainda pior. Pois para os cristãos, principalmente os pentecostais e os neo-pentecostais, as religiões afro-brasileiras pertencem ao diabo. Tal conceito (ou poderíamos dizer: pré-conceito), motiva a crença de que, a aproximação dos mesmos com esses grupos religiosos, vão “contaminá-los” espiritualmente, abrindo “brechas” para que o demônio entre em suas vidas, destruindo tudo o que conquistaram: família, carreira, amigos, e, principalmente “tocando” nos seus bens materiais, e, pior ainda, este contato com os “servos do demônio”, dará a satanás a “legalidade” para que lhes roube a salvação eterna.  

            

É muito comum, ouvir este provérbio advindo daqueles que não crêem em nenhuma religião. E, também por parte dos que se decepcionaram  com  as

denominações, e, confundem religião com denominação.

            

Vemos uma grande verdade neste terceiro provérbio. A verdade é:

A religião é “coisa” do homem, porque o ser humano é um ser religioso por natureza. E, sendo um ser religioso, o homem sente a necessidade de algo que o transcenda: um ser superior que satisfaça as suas necessidades. E isso ele só vai encontrar na religião. Em geral é esse o papel da religião – principalmente quando ela é uma religião mágica. O papel de Deus é outro completamente diferente – pois em muitos casos, a religiosidade no ser humano não se apresenta de forma saudável e madura. É claro que não estamos falando aqui de todos os seres humanos, porém em sua maioria o ser humano trás consigo as carências e conceitos que acumulou ao longo de sua jornada e só consegue se relacionar com o sagrado de uma forma vertical, anulando muitas vezes os relacionamentos horizontais – com o outro – e consigo próprio.

            
Todo ser humano precisa da religião. Karl Marx comentou sobre a religião ser o “ópio do povo”. O que ele queria dizer é que a religião aliena o indivíduo. Talvez o que na religião aliena o indivíduo, além de seus dogmas e doutrinas, seja a magia nela inserida.


Magia e racionalidade
           
Assim como acontece com todas as palavras, também a magia recebe significados diferentes segundo o tema abordado, e, segundo a interpretação do autor.

Onde se manifesta o sagrado, a religião e principalmente a crença, também se manifesta a magia. Onde há religião, na maioria das vezes encontramos a magia, pois ambas são quase inseparáveis.

            

 A magia pode ser a manifestação natural produzida na mente humana, oriunda de suas crenças, percepções e concepções religiosas. Em muitos casos a magia se torna uma psicopatologia que atinge a espiritualidade e a fé do indivíduo afetando e interferindo em outras áreas de sua vida, e principalmente nos relacionamentos do mesmo. A magia pode até mesmo, ser o fruto de uma mente subdesenvolvida ou uma religiosidade infantil, derivada de uma vida mal resolvida. E bem pode ser aprendida e ou herdada dos pais, ou no convívio com outras pessoas ou nas comunidades religiosas freqüentadas.

           
Existe alguma possibilidade de praticar a religião sem a magia? “[...] este é o culto racional de vocês [...] transformem-se pela renovação da sua mente [...]”. 2
                
O culto dos cristãos deve ser racional.
- É possível isto?
A carta do Apóstolo Paulo aos romanos (se é que foi Paulo quem a escreveu) deixa isto muito claro. Sendo assim, então porque grande parte dos cristãos muitas vezes apresenta características adversas à racionalidade?
Racionalidade na maior parte das denominações cristãs é “zona proibida”. O cristão racional nessas comunidades é classificado como frio, herege, “endemôniado”, sem amor pelo sagrado, ou seja: “ímpio”; e outros predicativos pejorativos.
Nos cultos dessas comunidades a ordem é “deixar o Espírito Santo agir” – como se o Espírito de Deus fosse desordeiro – e quanto mais gritos, choros, “profecias” e “sapateados”, melhor. Será isso magia, irracionalidade ou emoção? Será isso realmente uma desordem?
Em alguns casos parece impossível que o culto possa ser racional. Isso se deve em parte aos elementos e a atmosfera mágica que envolve o êxtase e a emoção nos cultos. “[...] A magia mexe tanto com o sujeito (emoções e afetos), quanto como grupo (social), sendo, por isso, um fenômeno multidimensional”. 3

Acreditamos que, pelo fato de a magia andar de braços dados com a religião e com a fé, pode-se conceituá-la como a capacidade de crer no sobrenatural e no transcendente.


“Enquanto que, por um lado, o pensamento mágico se apresenta como   arcaico e, por isso, anacrônico, afirma-se, por outro lado, que justamente           a vida moderna com sua perplexidade perturbadora e muitas vezes        indecifrável revela fortes tendências à magia”. 4

Observamos que a magia está presente entre as religiões, e, com isso, dificultando os relacionamentos, e criando barreiras para o Diálogo Inter-Religioso. Em nosso entender, a magia ajuda a fomentar a intolerância religiosa.

A intolerância religiosa durante as negociações para uma abertura ao Diálogo Inter-Religioso é orientada em sua grande parte por doutrinas e conceitos pré-existente dos quais as religiões não abrem mão. Essas doutrinas e conceitos forjam a capacidade cognitiva das lideranças e cegam de tal forma que fica quase inviável a superação de quaisquer limites:
             
“A tendência básica (superar os limites do si-próprio) está associada a     tradições gnósticas, místicas [...], formando um grande saco cheio de        diferentes orientações doutrinárias e métodos, alguns razoáveis, outros    confusos”. 5
 
Diante dessas dificuldades fica-se o terrível impasse que travam as relações. Não é somente da intolerância da religião cristã que estamos tratando do aqui. Intolerância é uma característica de quase todas as religiões, como também não é privilégio apenas do pentecostalismo.

A intolerância religiosa está presente em quase todas as denominações cristãs, e faz parte da expressão religiosa de quase todo cristão. Talvez a culpa não seja totalmente dos que assim se expressam, pois o cristianismo é por essência uma religião exclusivista.

Quando apresentamos o pentecostalismo e os pentecostais como arrogantes e orgulhosos espirituais, não é nossa intenção rotular, acusar ou excluir. A nossa posição é inclusivista e não abrimos mão disso. O mesmo vale para os cristãos. (Como defensores do Diálogo Inter-Religioso, temos o cuidado de não nos contradizermos cometendo as mesmas atitudes que combatemos. Mas combatemos tais atitudes porque acreditamos que as mesmas precisam ser erradicadas – embora sabedores de que não somos nem a palmatória, muito menos a salvação do mundo – e para isso, às vezes é necessário apontar direções. Com isso, repito: não perdemos o respeito pelas pessoas e pelas instituições. A nossa crítica é racional e científica. Falamos daquilo que conhecemos bem de perto).

- Quais dos dois elementos, magia ou racionalidade devem orientar o espírito religioso e a espiritualidade do religioso?

- Diante de uma sociedade pluralista, pode haver comunhão?

Essas questões são um verdadeiro dilema.

Vejamos um comentário de Berger:
“Por outro lado, os argumentos racionais também podem ser usados        para rechaçar impulsos religiosos (se creio em Deus, preciso mudar a             minha vida – portanto, argumento contra a existência de Deus), ou pode       se recusar a reflexão. A partir do projeto próprio podem surgir barreiras             de aprendizagem, recusas de confrontar-se com determinadas idéias.     Elas precisam ser elaboradas a partir da história de aprendizagem         pregressa da pessoa; sem uma elaboração integral, apelar à razão e       apontar para o acerto da doutrina adquiririam um caráter legalista e          entrariam em conflito com a unidade interior entre o acontecimento     justificador e a  doutrina da justificação como enunciado sobre esse        acontecimento.
Somente quando surgem interpretações pluralistas da vida  e os   respectivos sistemas simbólicos, o indivíduo busca, ou esperam-se dele,   o conhecimento e a capacidade de discernimento correspondentes.     Quando se reflete redefine-se a própria identidade através e no âmbito    dos símbolos de fé mantidos presentes na comunhão de fé. Essa         religião, porém, pela qual, como decisão individual, a própria pessoa se  responsabiliza na sociedade pluralista, permanece vinculada a grupos de referência, para os quais a igreja constituía moldura institucional             (organizativa e teológica). 6
               
Se o indivíduo não estiver bem consigo próprio e não apresentar uma religiosidade resolvida e madura, o desequilíbrio sobrepujará qualquer questão em sua vida, e impedirá avanços espirituais e sociais de extrema importâncias.            A magia e a racionalidade não podem comandar as atitudes relacionais do homem com Deus, com a religião, e com a sociedade. Sob pena de que tudo venha se perder. Assim também as crenças, as doutrinas e as convicções humanas devem ser repensadas para um bem maior e comum.

O Diálogo Inter-Religioso
            
O Diálogo Inter-Religioso é realmente fascinante – para poucos – porém para muitos, constitui-se em uma verdadeira “heresia”. No capítulo anterior, vimos que algumas pessoas, religiões e instituições denominacionais  ainda estão “fechadas” a essa possibilidade; e vimos também algumas “causas” que têm contribuído para o impasse da situação dentro do assunto proposto: a magia. Agora vamos olhar para este assunto (Diálogo Inter-Religioso) com outra lente: 

Nosso parâmetro principal, doravante será Faustino Teixeira, referência nacional em Diálogo Inter-Religioso.

Teixeira aponta para um caminho que passa pela “Teologia das Religiões”.

Em sua obra, “Teologia das Religiões”, Faustino Teixeira começa o Capítulo Um com o seguinte título: “Teologia cristã das religiões: afirmação de uma identidade”. 

“A teologia das religiões constitui um campo novo de estudo e seu          estatuto epistemológico vai sendo definido progressivamente. Trata-se           de um fenômeno típico da modernidade plural, que provoca a crise das             ‘estruturas fechadas’ e convoca a ‘sistemas abertos de conhecimento’. Uma série de fatores contribuíram para a sua emergência: a relação de            

proximidade inédita do cristianismo com outras religiões, favorecida pelo      avanço das comunicações nos últimos tempos; o crescente dinamismo        de certas tradições religiosas e seu poder de atração e inspiração no             Ocidente; a nova consciência e sensibilidade em face dos valores           espirituais e humanos das outras tradições religiosas e a abertura de            

outros canais de conhecimento sobre elas; uma nova compreensão da       atividade missionária etc.” 7
                  Esses são os “fatores que confluíram na origem” dessa Teologia, que é muito bem vinda. Quando Teixeira fala de “estruturas fechadas e sistemas abertos de conhecimento”, ele está citando Peter Berger [in: Um rumor de anjos; A sociedade moderna e a redescoberta do sobrenatural. Petrópolis, Vozes, 1973, p. 35]. São essas estruturas fechadas que necessitam de uma chave para abrir as portas lacradas. Atrás de algumas dessas portas estão alguns “cofres” de segurança com fechaduras de segredos que precisam ser “desvendadas”. Alguns desses “cofres” guardam, por exemplo, a exclusividade (povo escolhido por Deus), que não é privilégio somente dos cristãos: tudo começou com o povo Hebreu. Outros “cofres” trazem a intolerância religiosa em relação às religiões tidas como “idólatras” que também não é um privilégio dos protestantes e dos evangélicos, mas tem origem no judaísmo. Como podemos ver, há muito que se avançar. “O cristianismo é uma religião entre muitas outras [...] As raízes do cristianismo mundial estão na Antiguidade, por outro lado no povo de Israel [...]”8
             
“Um tratado específico sobre as religiões é fruto mais recente da    reflexão teológica. O interesse teológico pelas religiões surgiu, sobre   tudo, através da missiologia, e motivado particularmente por questões       pastorais relacionadas à conversão dos ‘pagãos’. Já a literatura     polêmica e apologética, contrária às religiões, tem uma larga tradição na         teologia, recorrendo a um embasamento escriturístico que tende a   identificar as religiões não-hebraicas com a idolatria”. 9
            Quando o assunto é o Diálogo Inter-Religioso todo cuidado é pouco. Não se pode julgar ou até mesmo condenar as práticas religiosas dos outros.   “Assim como o diálogo, também o anúncio encontra dificuldades e           obstáculos para a sua realização. O documento [Diálogo do Anúncio] * distingue, por um lado, dificuldades internas (da parte dos cristãos), e as        enumera: discrepância entre palavras e ações (quando as palavras não            são acompanhadas de um testemunho); descuido do anúncio por             negligência, medo ou vergonha; atitude de superioridade e falta de           apreço de apreço pela alteridade. Quanto a este ultimo aspecto, o       documento é incisivo: ‘Os cristãos que não têm apreço nem respeito            pelos outros crentes e pelas suas tradições estão mal preparados para    anunciar o evangelho’ (DA 73c)”. 10
               
O assunto Diálogo Inter-Religioso sempre será um “ponto de tensão”, para as comunidades de fé, e uma “pedra no sapato” de muitos crentes. Há os que emitem documentos sobre o assunto, com conteúdos maravilhosos, mas a práxis cotidiana contradiz literalmente os escritos. Este é o caso de algumas autoridades no catolicismo. A respeito disso Faustino Teixeira relata sobre a atitude – em sua avaliação “dolorosa” – da carta emitida aos bispos pela Congregação para a Doutrina da Fé, [Congregação para a Doutrina da Fé. Carta aos bispos sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão. Petrópolis, Vozes, 1992 (Documentos Pontifícios)].  Avaliando o conteúdo desse documento, Teixeira afirma que o mesmo é “como expressão de um claro ‘recuo’ pré-ecumênico [...]”, e cita:
             “A reação suscitada no mundo evangélico por esta carta foi de muito        impacto e de certa decepção. Um dos grandes nomes da teologia           evangélica atual, JÜRGEN MOLTMANN*, reagiu ao documento em         revista católica, afirmando que algumas das expressões presentes ns      carta são ‘indignas de um diálogo ecumênico’. Como simpatizante do           catolicismo, sinaliza – retomando José Martí – que ‘a Igreja não combate            seus inimigos, mas seus melhores filhos e assim também, seus             melhores amigos’. Segundo Moltmann, a unidade ecumênica das Igrejas           implica um relacionamento de condicionamento e interpretações  recíprocas, sendo a presença de Cristo ‘percebida nas Igrejas, como        também entre elas, onde quer que estejamos reunidos em deu nome. A             catolicidade é um sinal da presença de Cristo. Ultrapassa de longe a   forma romano-católica da Igreja’. O autor conclui afirmando que a             mencionada carta constitui uma ‘retração do ecumenismo e da    modernidade para dentro dos muros de Roma’”. 11



Considerações finais 

Concluímos este ensaio com poucas palavras – que não nos pertencem –  que são de uma profundidade imensurável. O “dono” dessa frase é nada mais nada menos que HANS KÜNG:**
“Esperar uma religião mundial única é ilusão, temê-la é contra-senso”. 12

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1. Berger, Peter. O Dossel Sagrado, São Paulo, Paulus, 1985, p.104;
2. Rm 12 1-2. NVI, São Paulo, Sociedade Bíblica Internacional, 4ª edição, 1999;
3. Júnior, Reinaldo. Um estudo sobre mito e antropologia, Juiz de Fora, 2004;
4. Berger. Pag.108;
5. Berger. Pag. 110;
6. Berger. Pag. 127;
7. Teixeira, Faustino. Teologia das Religiões, São Paulo, Paulinas, 1995, p. 11;
8. Lienemann-Perrin, Christine. Missão e Diálogo Inter-Religioso, São Leopoldo, Sinodal, 2005, p. 9.
9. Teixeira, Faustino. P. 14;
* Grifo meu;     
10. Teixeira, Faustino. P. 176; 
11. Teixeira, Faustino. P. 196;
* Moltmann tornou-se conhecido e respeitado no mundo inteiro por sua primeira e magnífica obra: “Teologia da Esperança”, (grifo meu);
** Hans Küng é um teólogo católico muito respeitado na teologia protestante;
12. Küng, Hans. Projeto de ética mundial; uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. São Paulo, Paulinas, 1992, pp. 161, 165-176, in: Teixeira, Faustino, Teologia das Religiões, São Paulo, Paulinas, 1995, p. 193.

Bibliografia
Bíblia NVI, 1999;
Júnior, Reinaldo. In: Apostila Pós-Graduação em Ciências da Religião – FUV, Religião e Magia, 2008;
Berguer, Peter. 1985;
Lienemann-Perrin, Christine. 2005;
Teixeira, Faustino. 1995.
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Austri Junior - Para a Disciplina  Religião e Magia do Curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião  na FUV.


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Licenciando em Filosofia.
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